A Escolhida

3 Capítulo 2


Notas iniciais
Desculpe a demora de três dias.
Enjoy.

Voltei para casa a pé, debaixo da chuva, tendo que aguentar Valentine reclamando o tempo todo de como o clima de Stonewood era instável.

Não que uma menina de onze anos saiba o significado de instável.

Ou que eu, uma menina de quatorze anos, saiba o significado dessa palavra.

– Sabe, eu não aguento mais isso! – ela falou. – Esse clima estúpido. Por que será que é assim só nas segundas feitas? É tão injusto. No dia que nós mais precisamos de incentivo, vem essa chuva desgraçada. Que saco!

– Para de reclamar um pouco, cara. – respondi. – Você me deixa estressada.

– Você nasceu estressada.

Massageei as têmporas e contei até dez várias vezes para controlar minha vontade de bater na minha irmã.

Para minha surpresa – ou não – eu tive o mesmo sonho de noite.

Não era exatamente o mesmo sonho. Era no mesmo lugar, sim, e eu estava vestida da mesma forma.

Mas os campos não estavam mais verdes e floridos. A grama havia sido arrancada, as flores estavam caídas e doentes, e a terra molhada mostrava que a chuva não tinha dó nem piedade. O lago que eu achara tão cristalino estava verde, e a serpente não se encontrava mais lá.

– As coisas estão feias, Savanna. – Josh falou, se aproximando por trás. — E cabe a você salvá-los.

– Salvar quem do quê? – perguntei.

– Onde você está ou pensa que está, Sav?

– No paraíso?

– Não. Você está na dimensão divina de Nostrae. Morada dos deuses, campo de treinamento de seus escolhidos.

– Quê? – indaguei, sem entender uma mísera palavra.

Josh suspirou, como se tivesse aquela mesma conversa com várias pessoas diferentes há milênios. Ele pegou a minha mão e contornou o lago, indo para os campos atrás do castelo. Puxou-me até um banco onde nós sentamos para que ele pudesse me explicar tudo com mais calma.

– O que você sabe sobre mitologia?

– Que é isso aí. Mitos. Seres que os humanos criam para explicar as coisas.

Ele riu.

– Só isso? – perguntou.

– Só. – dei de ombros.

– Você está aqui, não está? Em Nostrae.

– Isso é só um sonho.

– Só um sonho? – Josh perguntou, e tantas perguntas estavam me dando vontade de dar um tapa bem forte em seu lindo rosto. Ele esticou a mão em direção ao meu braço, passou um dos dedos ali e quando pensei que ia recolhê-la, ele me beliscou.

– Aai! – berrei. – Você tem problemas?

– Num sonho você sente dor? – ele ergueu uma sobrancelha.

– Só as vezes. – eu respondi, esfregando o lugar com a mão.

– A ponto de gritar?

– Não.

– Então isso não é um sonho.

– É o quê, então?

Quando ele ia responder a minha pergunta, uma mulher loura saiu de uma porta nas “costas” do castelo que, sinceramente, eu nem tinha me tocado que estava ali. Ela usava um vestido marrom e estava descalça.

– Seu tempo está acabando, Josh. – ela avisou. – Preciso mandá-la de volta para a Terra.

– Pode adiar mais um pouco, Loguium?

– Mortais não podem passar muito tempo aqui, Josh, e você sabe.

– Ela não é mortal. Ou já teria morrido.

– Quem garante que não morreu? – a moça piscou um dos olhos e sorriu. – Rápido.

Josh esperou que ela se afastasse e voltou a falar, agora mais rápido e sem dar brechas para minhas interrupções.

– Loguium, deusa do tempo. Ela está controlando quanto tempo você fica aqui. Nostrae não tem tempo, sabe, mas a Terra tem, então ela precisa ficar me lembrando que o que aqui parecem minutos, lá na Terra são horas.

– Você não me explicou o que isso é. – falei.

– Você está em Nostrae. Eu acho que já falei isso.

– Mas se eu estou aqui e essa é a morada dos deuses e seus escolhidos, então...

– Sim, você é uma escolhida de um dos deuses. – Josh assentiu. – Só nos basta descobrir de qual deles.

Notas finais
Ficou pequeno etc pois eu ia colocar mais umas coisas mas achei que ficou legal assim tchauuu