Notas iniciais
Vamos ter uma grande quebra no tempo, então, se preparem... —Tche.

2 anos depois

Lá estava eu no final de setembro em uma balada bebendo mais um drink enquanto beijava uma garota ruiva qualquer, sei que aquilo era de certa forma errado, eu tentava preencher meu vazio com coisas vazias, isso doía, era uma dor da qual eu não conseguia fazer parar aquilo era ruim. Meu celular toca oque faz com que eu pare de beijar a garota a minha frente e o atenda.

—Que é?- eu grito por conta da música alta.

—Onde você está?!- Rafael se pronuncia do outro lado da linha, seu tom de voz era grosso, ele estava irritado.

—Em uma balada- falo bufando.

Desligo o telefone voltando a atenção a aquela garota que não sabia nem o nome, ela bebia um liquido vermelho, puxei o copo da mão dela e bebi, beijei ela mais um pouco e parti a caminhar por aquele lugar. Tinham pessoas jogadas em todos os cantos, caras chorando por ex namoradas, garotas causando de uma forma errada, todo tipo de gente se pegando, alguns conversando normalmente, brigas aqui e ali, aquilo era o caos, mas eu não me importava porque estava tentando achar alguma forma de me divertir.

Porém, aquilo continuava sendo apenas uma tentativa falha de preencher um vazio. Rafael estava sempre do meu lado, ficava preocupado quando eu saia e demorava pra voltar, Henrique e Sean tinham que me buscar algumas vezes porque eu me recusava a sair daquele lugar, uma balada diferente por semana. Eu já era formada, tinha meu emprego, meu dinheiro, minha casa, não me preocupava com nada, estava sempre na hora certa no meu emprego, recebia o dinheiro em minha conta no dia certo, pagava minhas contas, não tinha como me preocupar. Aquela vida não me atrapalhava mesmo.

Pego uma garrafa de cerveja e me sento em um canto, observo as pessoas dançando e cantando a música que tocava, olho pra tela do meu celular que mantinha a mesma foto fazia 2 anos, 2 longos anos com o mesmo papel de parede.

Começo a chorar, sabia que oque eu fazia era errado, eu estava errada, só que....não conseguia evitar, eu estava me afundando. Coloco minha cabeça entre os joelhos e dou um suspiro, ficando naquela posição por alguns segundos.

Sinto alguém puxar meu braço e me levantar.

—Ei!- dou um grito.

—Vamos pra casa! Agora!- Rafael me arrastava pelo braço.

—Me solta! Não quero ir pra aquele inferno! Me deixa ficar aqui!- falo me debatendo, tentativas falhas de me soltar do aperto.

Ele bufa e continua me arrastando, abre a porta me jogando pra dentro do carro, fecha a porta e dá a volta entrando no lado do motorista. Tento sair mas ele trava as portas do carro.

—Você sempre estraga tudo, nunca me deixa ficar, sempre me tirando dos......- ele me interrompe com um grito:

—Chega! Pare de agir como uma adolescente irresponsável! Não se cansa de ser uma pessoa diferente aos sábados e domingos? Estou cansado disso! Cansado de sair tarde da noite a sua procura, cansado de ver você chorando pelos cantos, cansado de ligar para todas as pessoas que eu conheço para saber se você está bem, cansado de ver você chegando tarde cambaleando pelos cantos vomitando, estou cansado! Você nem sequer se toca que eu faço isso pro seu bem, prefere ficar se esfregando com aquelas pessoas que você nem conhece e beber, como é mesmo que você diz? Beber uns bons drinks? É, eu deveria te deixar lá, com aquelas pessoas e seus bons drinks!- ele exclamava em fúria, me encolhia cada vez mais no banco ao ouvir aquelas verdades.- Apenas estou cansado disso- ele dirigia pelas ruas iluminadas em direção a minha casa.

—Me desculpe- eu falo em um tom baixo.- Prometo que vou parar.

Ele dá uma de suas risadas sarcásticas.

—Você e suas promessas, sempre às quebrando quando tem oportunidade. Vá em frente, beba até a ultima gota de álcool, esqueça dos seus problemas por um dia e acorde com um sorriso falso segunda-feira de manhã.

Aquilo doeu, como doeu.

—Eu....eu não consigo parar, não entende? Quero preencher meu vazio- lágrimas escorrem.- Eu não aguento mais.

-Você precisa mudar suas atitudes.

—Eu sei, só que não consigo- falo olhando para ele.- Eu preciso de ajuda.

—Eu sempre vou estar aqui pra te ajudar.

Ele para o carro em frente a minha casa, desce do carro abrindo a porta para que eu possa descer, ele me ajuda a andar até porta, usa a chave extra que tinha dado à ele para abrir a mesma. Ele sobe as escadas comigo e me coloca no banheiro.

—Sente vontade de vomitar?- ele me pergunta.

—Não.

—Tudo bem, então apenas tome um banho gelado- ele sai do banheiro me deixando sozinha.

Tomo um banho demorado para sentir que havia deixado tudo daquela balada para trás, saio do banheiro e procuro algo pra vestir. Coloco minhas roupas intimas, um shorts de pano e um moletom bem maior que eu.

Desço as escadas a procura de Rafael, ele está na cozinha preparando chocolate quente, devia ser umas 3 da manhã. Ele termina e me entrega uma caneca, vamos até a sala para assistir algum filme de comédia, já que não existia mais algum pingo de sono em nós dois, eu atrapalhava a vida de Rafael de certa forma, ele estava sempre preocupado comigo, aquilo me incomodava. Dividimos um edredom e ficamos vendo o filme.

Rafael coloca a cabeça em meu colo para que eu pudesse fazer carinho em seus cabelos macios, depois de um tempo ele adorme em meu colo, vou me abaixando as poucos para conseguir encostar a cabeça no braço do sofá, eu também queria dormir, precisava relaxar.

Acordo com o Rafa se mexendo, ele tentava achar um lugar mais confortável para apoiar a cabeça e posicionou a mesma em minha barriga. Ele viu que havia me acordado, olhava fixamente em meus olhos.

—Desculpe- ele fala com uma voz de quem acabará de acordar.

—Tudo bem- respondo dando um pequeno sorriso.

Ele levanta apoiando as mãos em cada lado do meu corpo.

—Amigos perdoam amigos, certo?- ele pergunta chegando mais perto.

—Sim- respondo, eu podia sentir a respiração dele em meu rosto.

—Então me perdoe por isso.

Rafael me surpreende com um beijo, acabo correspondendo, coloco minhas mãos em seu pescoço e ele coloca a mão em minha cintura subindo um pouco o moletom que eu usava, apertando o local logo em seguida. Ele sai de cima de mim e fica de pé. Eu ainda tentava entender oque tinha acontecido, eu beijei o Rafael, eu beijei o Rafael, eu beijei o Rafael- minha mente não parava de repetir aquilo.

—Desculpe.

—Eu.....an.....Rafael.....- não encontrava palavras para o responder, eu estava surpresa, dou um longo suspiro me sentando, passo a mão pelos cabelos e continuo.- Tudo bem, vamos tomar café e esquecer que isso aconteceu.

Não seria tão fácil esquecer aquilo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.