Amy

Acordo de manhã com dor de cabeça e me levanto devagar do sofá, meu pescoço está doendo, dormi de mal jeito- pensei, a carta de Juliet estava no chão. Peguei a carta do chão que havia caído durante anoite e me sento novamente no sofá. Fico à olhando por um tempo.

–Então quer dizer que é verdade- dei um suspiro.- Meu pior pesadelo está se tornando realidade- deixei uma lágrima cair.

Estava sem vontade de comer ou fazer qualquer outra coisa, se Juli estivesse aqui me obrigaria a comer para não desmaiar no meio da rua. Decido preparar uma caneca de chocolate quente para não ficar de barriga vazia, ligo a TV e me sento no sofá, pego o celular e disco o número de Sean.

–Alô?

–Oi Sean, é a Amy.

–Oi maninha, tudo bem?

–Não, precisamos conversar.

–É muito grave?

–Sim, meu mundo está desmoronando novamente- comecei a chorar.

–O quê? Amy, o que aconteceu?

–Se você puder vir aqui hoje a tarde com o Rafa eu agradeço, depois eu ligo pro Henry pra ele vir junto- dizia tudo com voz de choro.

–Tudo bem, eu converso com o Rafa depois, tem haver com Juliet?- ele perguntou.

Fiquei em silêncio pensando se falaria ou não por telefone.

–Sim- decidi responder a pergunta dele.

–O que ela fez?- outra pergunta.

–Conversamos depois, tchau- eu disse mudando o rumo do assunto.

–Ta bom, beijos- ele desliga o celular.

Levanto e vou até a cozinha colocando o copo na pia, subo pro quarto e entro no banheiro, procuro por algum remédio pra dor de cabeça e tomo, entro debaixo do chuveiro e deixo a água descer pelo meu corpo sentindo cada gota percorrer cada milimetro dele. Faço minha higiene e saio do banho enrolada em uma toalha. Seco meu corpo e o cabelo, colocando uma roupa quente logo em seguida, chamo um táxi e vou para o hospital. Aviso a Henry sobre hoje a tarde e pergunto se de noite ele poderia ficar para olhar Juliet, ele diz que não tem problema em ficar e agradeço.

O medico disse que ela não apresentou muitas melhoras de noite pra cá, ela está reagindo bem aos remédios e já é um pequeno passo. Pergunto ao medico se posso entrar no quarto e ele diz que sim, me fala o número do quarto e sai para fazer seu trabalho. Caminho até o quarto 302 e entro, tenho a visão de Juliet toda entubada em cima de uma cama, aquela era uma cena que eu nunca espera ver em minha vida. Coloco a bolsa em cima de uma poltrona e tiro a touca.

–Oi meu amor- digo me abaixando do lado da cama.- Vai ficar tudo bem, você é forte, eu sei que é, sobreviva, por favor, por mim e por você.

Fico calada esperando uma resposta e provavelmente nunca ouviria.

–Seu tio está muito preocupado com você, viu o trabalho que você dá pra nós dois?- brinco, começo a ficar com os olhos marejados.- Vou conversar hoje a tarde com Sean e Rafael, eles ainda não sabem sobre o seu estado, aposto que eles vão ficar preocupados também, você nos dá tanto trabalho- dou um sorriso sincero.

Alguém bate na porta e uma enfermeira entra.

–Senhorita, você pode se retirar, por favor?- ela diz entrando no quarto.

–Ah...claro, me desculpe- me levantei e dei um beijo na testa de Juliet.- Henry vem te ver de noite. Nos vemos amanhã, tchau amor.

Sai do quarto e vou até a recepção, vou até o balcão da recepcionista e começo a falar com ela:

–Oi Sara, bom dia- falo sorrindo.

–Oi Amy, tudo bem?- ela pergunta direcionando a atenção pra mim.

–Na medida do possível, então quero falar sobre a Juliet- digo.

–Ah claro, você vem mais tarde?

–Então é sobre isso que eu queria falar, o Tio dela, o Henry, você conhece, né? Ele que vem ver ela de noite.

–Tudo bem, vou esperar por ele- ela sorri.

Retribuo o sorriso e saiu do hospital.

Ando até um pequeno mercado que tem perto e compro algumas coisas pra fazer um almoço e para um lanche pro pessoal. Pego um táxi e vou de volta pra casa.

Preparo tudo e espero eles chegarem. Ouço a campainha tocar e vou até a porta, abro e vejo eles me olham seriamente, abraço cada um deles e peço pra eles entrarem.

–Então, sobre oque quer conversar?- Rafael pergunta, ficamos muito amigos graças a Juliet, mesmo a irmã dele estando presa ele nunca desejou algum mal pra gente.

–Acho melhor se sentarem- eles assentem e sentam, me sento também.- É meio complicado, Juliet sofreu um acidente de carro e agora está em coma.

Jogo uma bomba no meio da sala, posso ver o olhar de espanto dos dois.

–Eu e a Amy estamos indo visita-la, o acidente aconteceu ontem, quando Juli foi comprar o presente da Amy e o taxista ultrapassou um sinal vermelho- foi a vez do Henrique falar.

Ficamos em silêncio por um tempo.

–Como se sente?- Sean disse quebrando o silêncio.

–Me sinto perdida, parece que estou sem uma parte de mim, tudo esta afundando- sinto meus olhos marejados e uma lágrima escorre, limpo rapidamente.

–Vai ficar tudo bem, vai dar tudo certo- Rafael me abraça.

Após me falar diversas palavras de conforto ouvimos uma barriga roncar.

–Desculpa, fui eu- Henry se pronuncia.- Amy, você alguma coisa pra comer? Diz que sim?

Damos risada e vamos para cozinha, pego as coisas que comprei e coloco em cima da mesa, comemos e conversamos muito. Vamos pra sala e eu faço pipoca, nos sentamos no sofá e começamos a assistir "Pequena Miss Sunshine", um filme que adorávamos ver todos juntos. Em seguida assistimos "À Procura da Felicidade" e depois "Intocáveis", choro em todos os filmes, não sirvo pra essas coisas.

Quando vemos já está tarde e Henry precisa ir ficar com Juliet no hospital, Sean se despede e diz que tem que ficar com a filha e a mulher, ele se casou, posso dizer que muito feliz. Rafael fica e diz que vai dormir comigo.

–Rafa, o sofá é bem confortável, eu juro- dou um sorriso e lhe estendo os cobertores e um travesseiro.- Aqui.

Ele pega e deita no sofá.

–Espero que seja, ninguém merece ficar com dores no pescoço- ele sorri.

–Tudo bem, boa noite- digo e beijo o topo da sua cabeça.

–Boa noite.

Subo as escadas e vou para o meu quarto, tomo um banho e troco de roupa. Deito na cama e logo adormeço.

Acordo em um lugar diferente, sei que não havia nenhum cômodo da casa parecido. Me levanto e começo a andar sem saber pra onde ir. Vejo uma claridade e vou seguindo.

–Amy...- escuto alguém sussurrar, essa é a voz da Juliet.

–Juli?- chamo, tento seguir de onde a voz vem.

–Amy, eu não posso continuar aqui, não vou sobreviver- posso ouvir a voz dela tremula.

–O quê? Por favor, fica comigo- começo a ver a imagem borrada dela, está a alguns passos de mim.

–Eu não posso, não vou aguentar, Amy, eu te amo- ela se vira e vai embora.

–Espera!- eu grito e tento ir até ela mas a porta se fecha.

Acordo desesperada e desta vez eu acordo de verdade, choro desesperadamente.

–Rafael! Rafael!- começo a gritar.

Ele sobe as escadas correndo e chega ofegante no meu quarto.

–Oque aconteceu?- ele pergunta vindo na minha direção e se senta na minha cama.

–Eu sonhei com ela- deito no seu colo.- Por favor, dorme aqui comigo.

–Ta bom, eu durmo- ele deita na cama e coloca minha cabeça em seu peito.

–Obrigada.

Não lembro quando eu dormi, só lembro que acordei com meu celular tocando.