A Era dos Tronos

19 O que é preciso para terminar uma guerra


Notas iniciais
Nossos heróis se uniram na Muralha para enfrentar a derradeira ameaça a Westeros, prontos para acompanhar esse confronto?

Daenerys montada em Drogo, acompanhada pelos três demais, sobrevoa uma imensa extensão à procura do inimigo, que ainda não havia mostrado sua face. Ela retorna até onde as tropas de Westeros se encontravam, aglomerados na passagem da Muralha, então vai de encontro ao Mestre e ao Doutor, que estava deveras nervoso àquela altura.— Os Vagantes Brancos já deveriam estar perto daqui, não acha Doutor? — Perguntou impaciente.
— Concordo com Vossa majestade.
— Então onde eles estão?
— Não sei dizer, majestade — Subitamente o frio aumenta, afetando a todos com a brusca mudança de temperatura. Muitos se debatem e gemem de frio antes de caírem pálidos e duros no chão, enquanto outros olham para a frente e observam uma forte tempestade de vento e neblina se aproximar.
— É o Rei da noite — Afirmou Jon tomando a frente das tropas, sendo seguido por Arya e Daenerys, que mantém os olhos focados no que se aproxima.

O que inicialmente é uma longa cortina de ar esbranquiçado, logo se torna uma imensa tropa de mortos-vivos, que correm para fora da cortina de neblina para atacar os soldados com toda a sua fúria. Alguns engolem a saliva, mas outros tem o mesmo destino de seus iguais, caindo duros no chão em meio a agonizantes gemidos de tortura.
— O que está acontecendo? — Perguntou a jovem Targaryen olhando para os senhores do tempo repleta de indignação.
— A temperatura está caindo e nem todos irão resistir ao frio intenso — Explicou o Mestre se apresentando cheio de si.
— A primeira estratégia do Rei da noite — Afirmou Jon como se soubesse o que se passava na cabeça do inimigo — Pelo clima que há mais a frente do campo de batalha, acredito que esse frio se concentre somente aqui, na borda da Muralha. Ele quer nos forçar a correr para o centro do campo de batalha para manter um determinado controle sobre o que vai acontecer.
— Então vou mandar um recado para ele — Declarou Daenerys tomada pela coragem, subindo em Drogo para novamente sobrevoar os arredores. Com os dragões voando perto uns dos outros, a Targaryen sorri com frieza ao encarar o exército de mortos, descendo perto o suficiente para conseguir atacar.
— Dracarys — Vociferou empolgada, e no instante seguinte seus dragões incendiavam a região coberta de neve, derretendo todo o gelo e gerando pequenas formações aquosas pela passagem, as quais muitos mortos escorregavam ao passar pouco antes das chamas dos dragões os queimarem para que voltassem de onde tinham vindo. A rainha dragão observa suas tropas de longe e repara um conjunto de homens parados em montarias.

Quanto mais se aproxima, mais frio o tempo se torna, o que não basta para fazê-la ceder. Com o espírito mais devotado do que nunca, Daenerys grita outra vez e os dragões cospem chamas ardentes e cheias de vida sobre os Vagantes Brancos, que continuam estáticos, observando a sublimação e o derretimento do gelo enquanto a rainha contorna novamente o campo. Indignada, ela retoma o ataque aos Vagantes, mas desta vez o Rei da noite estava preparado e consciente da ameaça que enfrentava. Tomando uma ponta ferrosa, ele cria um envólucro de gelo que toma a forma de uma lança. Tão gelada a ponto de absorver o frio para si, a lança é atirada com um poderoso arco de ferro. Daenerys não recua, apenas grita mais uma vez ao ver a flecha se aproximar de Rhaegar.

O dragão torna a cuspir fogo, mas a lança não se dissipa. Ao contrário do pretendido, a arma parece absorver cada vez mais neve até se tornar tão grossa quanto um tronco, transpassando a garganta do dragão em um instante para voar longe rumo à Muralha, onde todos observam cheios de aflição. Ao ver seu dragão caído no chão, Daenerys pragueja, segurando as lágrimas e a tristeza dentro de si, mas não a raiva.

Assim que percebe que Daenerys não pretende cessar seu ataque aéreo aos Vagantes, Jon toma a frente do exército e ergue sua espada.
— Hoje é o dia da decisão, amigos. Hoje, todos nós de Westeros e alguns de Essos nos unimos para enfrentar esse mal. Ou vencemos com determinação ou morremos tentando, mas faremos de tudo para eles não atravessarem essa Muralha. Caso contrário, tudo o que conhecemos deixará de existir — Todos encaram Jon com a convicção renovada. Arya, Mestre e o Doutor se juntam ao bastardo e logo todos urram — Vamos à batalha.

Inspirados, alguns soldados sequer permitem que Jon tome a frente, mantendo suas espadas perante o corpo para atacar os inimigos que se aproximavam. A Targaryen tinha eliminado muitos mortos, mas eles ainda tinham uma vantagem numérica capaz de destroçar qualquer esperança que os habitantes de Westeros e Essos tivessem. Um Vagante ergue o braço e logo milhares de mortos correm amontoados em direção às tropas de Jon, que não tardam a usar seus escudos para impedir o avanço do exército inimigo enquanto os soldados da retaguarda fatiavam o oponente sem clemência. Lâminas atravessam olhos, perfuram bochechas e destroçam narizes, tudo isso enquanto um amontoado de mortos se acumulam na linha de defesa, aumentando a força que tinham de fazer para segurar o exército dos Vagantes Brancos onde estavam. Alguns membros da Patrulha da noite pulam o bloqueio e abrem caminho entre os mortos, cortando pescoços e demais membros antes de seguir adiante sua caminhada. As tropas continuam avançando em meio a uma multidão de mortos acumulados que logo são queimados por Iarcleryn, que pousa em modo de ataque incendiando todos os mortos que enxergava pela frente. Uma das cabeças congela os riachos formados ao longo do caminho e a remanescente transforma partes da trilha em ferro, facilitando a caminhada dos irmãos da Patrulha e dificultando a rota dos mortos, cujos pés tinham demasiado gelo que os fazia tropeçar seguidas vezes.

Aproveitando a oportunidade, os guerreiros avançam mais ainda e avistam os Vagantes brancos em uma colina, observando o andar da batalha, que não deveria demorar muito mais. Jon supera um amontoado de mortos e se une aos antigos irmãos, embora alguns claramente não se sentissem à vontade com sua presença.
— É bom poder lutar ao seu lado outra vez, Jon, embora eu pense que todos estaremos mortos até o fim do dia — Afirmou um irmão decepando um morto feminino que vinha a todo pano em seu encalço. Ele massacra a cabeça e continua sua corrida ao lado dos Patrulheiros, enquanto Jon nada diz.
— Espero que ter um morto ao nosso lado sirva pra alguma coisa — Observou um segundo impedindo uma mordida com a espada antes de pisar repetidas vezes no adversário ao passo que atravessava sua arma no peito da criatura.
— Espero que ter renascido signifique nossa vitória — Declarou Snow cortando dois mortos com um único golpe. O grupo segue morro acima até enfim encarar o temido adversário, o Rei da noite, com seus demais Vagantes brancos. Jon olha ao redor, uma verdadeira carnificina se desenrolava, e por mais que seus homens tivessem a vantagem, ele sabia perfeitamente se tratar de algo do momento. A quantidade de mortos que havia era larga demais para se calcular se comparado a seu exército, o que indicava que mais cedo ou mais tarde as criaturas destruiriam o bloqueio e seu caminho para a Muralha estaria livre. Eles recuperam parte do fôlego quando, inesperadamente, um Vagante surge atrás deles e atravessa sua mão em um membro da Guarda da noite, que grita desesperado com a dor pouco antes de ter a espinha arrancada fora. Logo, a espinha de seu irmão se transforma em uma lança de dois gumes e o guerreiro sombrio se dirige aos demais, abatendo um após o outro até restar meia dúzia além de Jon. Quando um segundo Vagante avança no Rei do Norte, eis que o Mestre e o Doutor surgem inspirados, bloqueando o ataque do inimigo com suas espadas de aço valiriano e afugentando-o para longe. Subitamente, os irmãos mortos se levantam do chão e passam a atacar violentamente Jon e companhia, que se reagrupam desesperados na tentativa de sobreviver a tal surpresa.

Em certo ponto da batalha, Arya tenta esquecer de seu irmão por um instante, ela devia confiar nele e focar em si própria para que não fosse devorada por seus adversários mortos-vivos. Esfaqueando um aqui e outro ali, ela prossegue em seu ataque, avistando os dragões de Daenerys, que hora queimavam os corpos de seus oponentes mortos e hora atacavam os Vagantes brancos. Estaria Daenerys tão cega de ódio que não via em suas ações a possibilidade de seua dragões atingirem Jon ou outro membro da Patrulha da noite sem intenção? Novamente ela se concentra na batalha e foca suas atenções nos numerosos mortos ao seu redor. Ela usa sua espada para cortar fora as cabeças de diversos mortos, mas sua animação não dura muito tempo. Por mais que os soldados na linha de frente se esforçassem para conter os inimigos atrás de seus escudos, a quantidade de mortos empurrando na direção contrária era superior e não demora para o bloqueio ser furado. Centenas de soldados gemem e berram ao serem devorados pelos mortos, fazendo o Rei da noite prestar atenção no bloqueio. Erguendo as mãos ao alto, ele pronuncia algo indecifrável e o frio aumenta, seguido por uma onda de soldados que se levantam do chão, todos que outrora apoiavam Jon e Daenerys.
— Eu vencerei, Jon Snow — Exclama descendo de sua montaria — Vocês podem ter como vantagem as habilidades e a vida, mas nada disso importa com a morte. Depois da morte, qualquer um que serve a vida passa a me servir. Cada homem que você perde é um homem a mais para meu exército — Jon não se deixa abater e logo segue com o Mestre e o Doutor para cima de um Vagante branco, que não se mostra páreo para os três juntos. Mestre atravessa sua lâmina no Vagante, cujo corpo se desfaz em milhares de cacos de um sólido semelhante a vidro.
— Nós temos a unidade — Declarou Jon para seus companheiros, mas sua voz estava baixa demais para que escutassem, o que o leva a repetir — Nós temos a unidade — Os dois caminham ao lado do Rei do Norte quando percebem que uma série de mortos caíam no chão sem resquício de vida.
— Só eu que vi isso? — Questionou o Doutor vendo uma nova possibilidade em jogo.
— Se matarmos um Vagante, os mortos que ele reviveu voltarão a seu estado final — Concluiu o Mestre encarando seus parceiros com o espírito renovado.
— Então vamos matar todos os Vagantes — Decretou Jon girando sua espada com habilidade — Precisamos chamar nossas tropas para cá — Observou Snow tomando a frente do trio — Se conseguirmos chamar a atenção de Daenerys teremos uma chance — Não demora para os três balançarem seus braços e pularem no meio da neve, até finalmente a rainha dragão ir em sua direção, sendo que Iarcleryn quase é derrubado.
— O que está acontecendo? — Indagou Mestre indignado — Eles deveriam estar atacando os mortos, não os Vagantes.
— Eu decido o que vou fazer com meus filhos — Rebateu Daenerys irada, fazendo com que o Doutor intervisse.
— Não precisamos disso, meus caros. Acontece que é uma questão muito simples. Se os dragões não queimarem os mortos, que é o único jeito de impedi-los de fato, então eles continuarão a avançar rumo à Muralha, o que vai dificultar a luta para nós.
— Descobrimos que se um Vagante morre, todos os mortos que ele ressuscitou morrem junto — Revelou Jon encarando a rainha dragão com severidade — Precisa chamar os soldados para cá. Somente assim vamos derrotar os Vagantes brancos e terminar com esses mortos que não param de atacar — Concordando com um meneio, embora se sentisse contrariada, a jovem Targaryen monta em Drogo e parte de volta às suas tropas, quando seus soldados liberam espaço para o pouso ao ver que ela pretendia descer.
— O que aconteceu, majestade? — Perguntou um capitão se aproximando às pressas.
— Jon Snow pede que o maior número possível de soldados vá ajudá-lo com os Vagantes. Levem suas armas de aço valiriano para a batalha e destruam aquelas coisas — Assim que escutam a ordem, centenas de soldados se dirigem até onde Snow e os senhores do tempo se encontravam, enquanto Daenerys retorna para o interior do Castelo Black.

Drogo pousa e aproveita a chance para comer uma ovelha estirada em um canto enquanto a rainha se senta aflita debaixo de uma tenda, observando quão numerosos eram seus feridos.
— Majestade — Afirmou um capitão da Guarda da noite se aproximando sem muita convicção, o que deixa a rainha mais revoltada ainda.
— O que tantos soldados saudáveis fazem aqui? Envie mais dois mil portão afora, ou perderemos a Muralha antes do amanhecer.
— Recebemos um corvo de um informante. Nos avisaram sobre a repercussão da morte dos irmãos Greyjoy. Seus corpos foram deixados na frente do palácio em King's Landing, mas os Mantos Dourados já encontraram alguns suspeitos. A frota de Euron Greyjoy avança sobre os mares em direção a Castlerey Rock, assim como um exército vai por terra, provavelmente vindo do Vale.
— Quando chegou esse corvo? — Questionou a rainha se levantando magoada.
— Hoje cedo — Daenerys encara seu dragão, então dirige o olhar pelo mapa de Westeros — O que foi, majestade?
— Envie o sinal ao Doutor. Quero ele aqui imediatamente — Decretou indo em direção a Drogo. Na batalha, Mestre e Doutor massacram mortos que se aproximam em auxílio aos Vagantes, já que centenas de soldados se envolviam na batalha contra as criaturas geladas. Por um instante, todos voltam suas atenções à Muralha, onde um sinal de fogo esverdeado é aceso, o que leva o Doutor a convocar a TARDIS para o meio da guerra.
— O que pensa que está fazendo? — Indagou o Mestre segurando o colega pelo braço.
— A rainha está me chamando. Esse é o aviso dela para mim.
— Então eu irei também — Afirmou o senhor do tempo guardando sua espada na bainha, quando Jon segue os dois até o interior da máquina do tempo.
— Daenerys os chamou?
— Sim — Respondeu o Doutor se concentrando em tirá-los dali — Sinto muito, Snow, você vem com a gente — Em um instante, a TARDIS se locomove dali até o interior do Castelo Black, onde à beira da Muralha se vê um soldado ascendendo uma tocha gigantesca.
— Voltamos no tempo — Observou Jon perplexo.
— Alguns instantes, mas voltamos — O Doutor se dirige à rainha, percebendo que ela havia trocado de armadura.
— Vocês vão usar aquela criação para me levar até Castlerey Rock.
— Não pode fazer isso — Protestou Jon chutando uma mesa longe — Vai fugir da guerra?
— Castlerey Rock está sob ameaça de Euron Greyjoy e um aliado dele. Preciso tomar uma atitude ou perderemos um importante ponto estratégico. Logo ele poderá invadir King's Landing se tiver vontade.
— Nossa guerra é mais importante.
— Mais importante que a vida da sua irmã? — Os dois se entreolham agitados, mas Jon tenta manter a calma.
— Amo Sansa mais que tudo, mas a vida dela não conta tanto quanto a vida de todos os outros em Westeros.
— Não precisa de preocupar, Rei do Norte — Declarou Daenerys montando em Drogo mesmo sob os protestos de Snow — Assim que eu queimar as tropas de Euron voltarei para cá. Não vou demorar.
— Mas tanto Drogo quanto Vossa majestade ficarão abalados por muito tempo por viajarem duas vezes por esse meio — Esclareceu o Doutor sem se preocupar com a tensão do momento.
— Vai arriscar tantas vidas por conta de poder? — Perguntou Jon retirando sua esoada da bainha.
— Não levarei ninguém comigo, apenas Drogo. Meus outros dragões vão continuar incendiando os mortos até meu retorno, então não há com o que se preocupar — Revoltado, Mestre pega a rede tecida com o Doutor e a engancha nas pontas das duas TARDISes, entrando na sua própria máquina para aguardar a ação do colega.
— Podemos ir logo? — Engolindo em seco, o Doutor ajusta sua armadura, guarda a espada e apanha sua chave de fenda sônica, ativando diversos sistemas da TARDIS para ligar a rede, que no instante seguinte revela uma paisagem verdejante e um matagal em chamas.
— Esse é o mais perto que podemos deixá-la de Castlerey Rock — Informou se colocando entre o dragão e a passagem — Mas leve em consideração o que estou para lhe dizer, a viagem de ida e sua consequente volta mudarão suas atitudes e jeito de ser, semelhante ao que aconteceu com o feitiço da Bruxa Vermelha.
— Saia da frente, Doutor — Sem precisar dizer duas vezes, o senhor do tempo se junta ao Mestre e a Jon e assiste Daenerys indo embora para muito longe pouco antes da passagem fechar, deixando o trio no meio dos feridos. De repente, um soldado vociferou do alto da Muralha, fugindo de alguma coisa que eles não conseguem ver.
— Meu senhor, eles estão atravessando a — Antes que consiga terminar a frase, seu corpo é estraçalhado por um Vagante branco, que começa a matar todos os Guardas da noite que vê pela frente, armado com duas adagas de gelo enquanto centenas de soldados se preparam para investir contra a invasão, indicando uma parte crítica daquela guerra.

Notas finais
A relação de Daenerys com Jon ficou tensa agora que ela tomou a decisão de ajudar Tyrion. Quais serão as chances de um destino favorável com esse fato?