Notas iniciais
No capítulo anterior conhecemos um dos pontos de vista da nossa fic, hora de conhecer outro deles!!!

As engrenagens se agitam. O som do deslocamento familiar de sua nave o deixa animado, afinal, é disso que sua vida é feita. O Doutor ajusta sua gravata borboleta antes de arrumar o suspensório de sua calça e, instantes depois, puxa a alavanca da TARDIS para que a viagem cessasse. Ele sorri convicto e sai da máquina, observando a praia à sua frente com um olhar compenetrante.

— Que dia, que dia! — Ele se vira e começa a caminhar pela areia, até que um clarão ofuscante no meio das árvores ao longe chama sua atenção. Ele corre para ver o que está acontecendo quando se depara com uma versão de sucata da TARDIS, uma versão sem muito capricho e com algumas marcas estranhas nas laterais. A porta se abre e, para sua surpresa, uma pessoa que não via há muito tempo estava outra vez à sua frente.

— Rose?

— Por essa você não esperava, não é garanhão? — As ondas batem nas rochas enquanto o Doutor, repleto de fascínio e ceticismo, observa a estranha máquina do tempo pertencente a Rose.

— Essa versão me parece um pouco retrógrada. Precisa de uns ajustes e coisas do tipo, nada difícil de resolver, mas a verdadeira pergunta que eu quero muito ver respondida é: como conseguiu?

— Eu esperava ouvir algo como "Que saldades, Rose", "por onde andou Rose?".

— Que bom te ver Rose — Declara o Doutor sem dar muita atenção para o que ele próprio fala.

— Obrigada. E onde está?

— Onde está o que?

— Sua parceira?

— Estou sozinho.

— Desde quando o Doutor viaja sozinho? — Questiona Rose surpresa.

— Desde que o Doutor percebeu que devia parar de arriscar as vidas dos outros — Ele para um instante, suspira cansado e em seguida olha para Rose — Posso ver seu interior?

— Você também nunca foi de chavecos — Observa Rose espantada.

— Estou falando da máquina. Essa TARDIS ou o que quer que seja — Rose abre a porta da sua TARDIS e logo os dois estão em seu interior, o Doutor atento aos detalhes minuciosos da máquina.

— O que acha dela?

— Tem um design bem rústico — Admite sem jeito.

— É sua. Achei que devia trazer até seu legítimo dono — Explica Rose se aproximando sem jeito.

— Minha? Do que está falando, Rose?

— Essa sua TARDIS foi criada por um ser chamado Doutor, um senhor do tempo do planeta Gallifrey. Ele criou uma máquina que quebrou todas as leis temporais conhecidas e descobriu que não havia apenas uma Guerra do Tempo. Há centenas de milhares de Guerras do Tempo, cada uma com um destino diferente, e da mesma forma há milhares de doutores — O Doutor olha para Rose estupefato, passa as mãos no cabelo e arruma sua gravata.

— Tem certeza disso?

— Eu não sou a Rose que você conheceu. Vim do mesmo mundo que o Doutor criador dessa TARDIS por que aconteceu uma coisa que só você pode resolver.

— Como assim? Se existem milhares de doutores, então há milhares de pessoas que podem resolver isso.

— Não, não há. Milhares de mundos e você é o único Doutor entre todos eles que tem a capacidade, a inteligência, a ousadia e a humanidade necessários para tal façanha.

— E por que ele mesmo não resolve isso? — Pergunta o Doutor cético.

— Por que ele está morto. Ele sacrificou sua encarnação para ativar essa TARDIS nessa realidade.

— Isso é coisa demais até para mim. Por que agiu como se me conhecesse? Brincou com meus sentimentos?

— Por que estamos de alguma maneira conectados, como uma continuidade.

— Está dizendo que...- O Doutor não ousa terminar a frase.

— No meu universo, você me deixou e foi atrás de novas aventuras, mas isso foi antes de eu vê-lo morrer. Você morreu e a escuridão tomou conta, então eu fui salva numa tentativa desse Doutor de corrigir o destino do nosso universo.

— Está me dizendo que existe uma continuidade temporal mesmo que haja infinitas linhas do tempo?

— Por isso estou aqui. Eu trago comigo duas linhas temporais que agora se unem à sua. Você é o Doutor que representa três diferentes universos.

— Qual é o problema, afinal?

— Primeiro precisa entender que muita coisa não vai fazer sentido à primeira vista — Rose aperta um botão e puxa uma alavança e, segundos depois, a TARDIS dela fica idêntica à TARDIS do Doutor.

— Como fez isso? — Ele corre pelos andares — Melhor dizendo, o que você fez?

— É um processo criado pelo segundo Doutor que conheci chamado RPR.

— Eu por acaso posso saber o que seria esse tal de RPR?

— Sinto muito. O que eu fiz pode gerar lapsos temporais entre nossas linhas. Entenda, o mundo desse Doutor é diferente do nosso. Isso que você conhece chamado Terra, na realidade dele tinha uma geografia totalmente diferente. O mundo se desenvolveu diferente de tudo que você imagina. Precisamos voltar muito no tempo, primeiro por que vamos mudar o destino de dois mundos, segundo, por que foi no passado que isso ocorreu.

— Sabe que precisa ser mais específica comigo quando fala de passado e futuro, não sabe?

— Me desculpe, é o costume. Vamos voltar uns mil anos no tempo, talvez mais.

— Já vi o começo e o fim de todas as coisas mais de uma vez, o que pdoe haver nesse mundo que eu não conheça?

— Se chama magia, Terodore.

— Não me chame de Terodoro.

— Para facilitar. O meu Doutor eu chamava de Priodore. O do universo que iremos conhecer eu chamava de Segodore. Nada mais justo que você seja Terodore.

— Esses sujeitos podiam deixar que você os chamasse do que bem entendia, mas acontece que eu não sou esses sujeitos. Eu sou o primeiro e último senhor do tempo — Ele toma a frente para acessar o painel — Sou filho de Gallifrey — Ele aperta um botão e seleciona uma data — Eu sou o Doutor — Ele puxa a alavanca, mas a TARDIS entra em curto, balançando pelo tecido temporal até que as duas TARDISes se revesavam no túnel. Rose empurra o Doutor e puxa a alavanca de volta.

— Mas você não é o Doutor que criou essa TARDIS. Assim como não é o meu Doutor, então se sente e aprenda. Existem mecanismos nela que você não conhece, e são eles que propenciam a viagem entrerealidades — Ela aperta mais alguns botões e sorri para o Doutor, satisfeita, pronto?

— Vamos fazer do seu jeito, então.

Notas finais
Complicado demais? Se nem nosso doutor entendeu direito essa história, aguardem que em breve teremos mais de nosso universo!!! Ou seria o plural?