A Encantadora

3 2 - Aniversário


Notas iniciais
Hmm, esse não tem música, não -q Acho que qualquer lenta serve. Sei lá, não usei música pra esse capítulo #fail

Nos anos seguintes à tal ‘encenação’, November passou a agir de modo diferente com a filha. Ela notava que, quando recebia um cafuné, ou somente quando a mãe tomava conta dela enquanto ela brincava com suas bonecas, o olhar da mãe era distante e esperançoso.

Então, o tempo correu. Antes que ela pudesse se tocar, December já estava fazendo 13 anos, a idade em que os adolescentes se tornavam responsáveis por suas ações, de acordo com as regras do império. A festa, feita no castelo, estava cheia de amigos da aniversariante, seus respectivos pais e alguns amigos da rainha e do rei.

Depois de cantarem o famoso parabéns, e após a confusão dos pedaços de bolo e doces se acalmar, November chamou a filha para o escritório dela, onde December freqüentemente entrava, mas não explorava, para não bagunçar os papéis e negócios da mãe.

-Filha, agora que você já está crescida, você já está pronta para saber por que nós duas somos diferentes. – começou a mãe, receosa e avaliando as reações da filha. – Saber por que, e como, nós duas somos as únicas em todo o império a ter pele macia, e não a pele dura e fria que seu pai e todo o resto têm.

A filha, confusa, fechou o rosto, tentando entender, mas sem dar um pio. Realmente, ela já havia notado essa diferença, mas nunca pensou em perguntar, já que não era tratada diferente por isso e achou erroneamente que não era importante.

-Pode continuar, mãe. – pediu a filha, curiosa.

-Você sabe como o nosso império cresceu, certo? – perguntou November, se referindo às aulas de história dadas à filha.

-Através de guerras, pela posse de terras e dominação de reinos vizinhos ao nosso país. – respondeu a filha, com a resposta decorada na ponta da língua. – Mas e daí? O que isso tem a ver com a nossa pele? – perguntou a filha, mais confusa ainda.

-Já ouviu falar da Grande Guerra de Trikhonus? – perguntou a mãe, se referindo à batalha que deu o estopim para que o império que ela governava crescesse e dominasse terras rapidamente.

-Lembro. Foi a batalha mais importante da nossa história, a mais longa e a mais gloriosa. – respondeu a filha, novamente com uma resposta decorada.

-Quantos meses a guerra durou? — perguntou a mãe, como se fosse uma professora tomando a tabuada.

-12 mese... – começou a responder a filha, enquanto a ficha caía lentamente. – Mãe, o que nós temos a ver com isso? A guerra aconteceu há 300 anos! – perguntou December, exasperada.

-Infelizmente, filha, nós temos tudo a ver com ela. – começou a mãe, com a voz transmitindo sofrimento, mas se mantendo forte.

A filha esperou, respirando fundo e tentando conter a ansiedade. Podia sentir que era algo grande, e a expectativa a deixava ainda mais agitada.

-Quando a última batalha acabou, só havia sobrado uma pessoa viva no reino de Trikhonus. Ela era o sacerdote do rei, a pessoa mais poderosa após o próprio monarca, que havia acabado de ser morto por nossos guerreiros. Então, quando tais guerreiros estavam prestes a matá-lo, enfim dizimando a vila por completo, ele praguejou, lançando uma maldição sobre o nosso povo. – a mãe então pegou um livro de couro, abrindo numa página marcada, e começou a narrar. -“Graças aos seus desejos de poder e grandiosidade, vocês se transformaram em bestas cruéis e frias. Frias como as pedras em que pisam. Portanto, devem ser como tais minerais!”.

A filha, completamente imersa na história da mãe, podia ver através dos seus olhos a cena: um homem careca, meio velho, em roupas largas, apontando para um bando de cinco soldados, sujos de sangue e portando lanças, num cenário de ruínas e destruição.

-E então, mãe? Eles mataram o sacerdote? – perguntou a filha, curiosa e preocupada.

-Logo após, ele sumiu, e no dia seguinte, todos os guerreiros e cidadãos de Eternal viraram pedra. Aliás, deste dia em diante, nosso império que antes era só chamado de Eternal passou a ser chamado de EternalStone. – disse a mãe, satisfazendo a curiosidade da filha. E continuou: — Agora, outra pergunta filha. A mais importante delas. Que dia foi a última batalha de Trikhonus?

-24 de dezembro. – respondeu a aluna aplicada. História era a matéria preferida da garota. – Véspera de natal, e a vitória foi interpretada como um presente de natal, forjada por deus.

-Exato. Contudo, no dia 31 de dezembro, ano novo, um dos guerreiros que estava montando sua barraca para voltar para casa teve uma visão, e ouviu uma profecia. – a mãe se virou, e alcançando um caderno de couro muito desgastado e com as folhas amareladas, folheou as primeiras páginas e começou a ler: — “Em memória aos atos de bondade e honra cometidos por esse povo no passado, vocês terão uma chance para voltar ao normal. Para cada mês gasto nessa guerra cruel e sem sentido, nascerá entre vocês um bebê de pele macia. Eles devem salvar vocês dessa casca fria e insensível, caso contrário, todos os descendentes dos guerreiros deverão se tornar estátuas mortas”. – a mãe observou as expressões da filha, que agora estava desesperada com o peso inesperado da pesada responsabilidade caindo sobre as costas dela.

-Quer dizer... que eu sou a última? – perguntou a filha, fazendo as contas, em pânico.

-Sim. Contudo, eu ainda estou aqui, filha. – disse a mãe, extremamente culpada, relembrando quando quase tentou se matar por ter falhado. – Como estamos ambas vivas, talvez, se nos juntarmos, tenhamos mais chance! – a mãe ajoelhou, aliviando o peso da culpa que se unia à gravidade.

-Sim, mãe. – disse December, repentinamente serena. – Nós vamos conseguir juntas. – disse a filha, abraçando a mãe que estava momentaneamente mais baixa que ela.

Após um longo abraço, November se recompôs, se virou novamente para as estantes e reuniu alguns cadernos antigos, espalhados pelas prateleiras, mas que se destacavam entre os livros novos e de páginas impecáveis.

-Eu sei que é o seu aniversário, e você não deveria ter que pensar nessas questões pesadas. Mas, somente para encerrar o assunto. – ela empilhou os livros, na ordem visível do mais antigo para o mais novo. – Esses são os diários de nossas avós, bisavós, tataravós e por aí vai. Como você deve ter percebido, nós somos parentes diretas da primeira salvadora, January. Seu filho foi February, sua neta, March, e por aí vai. Todos, inclusive eu, mantivemos um diário para passar para o próximo nossos conhecimentos.

December admirou os diários, um a um. O primeiro estava muito bem conservado, com as folhas um pouco amareladas, embora provavelmente tivesse cerca de 300 anos. Graças à curiosidade natural da garota pela história, seu coração palpitava só pelo contato físico com algo tão antigo e lido por tão poucos.

-Quando você estiver pronta para lidar com essa responsabilidade, leia esses diários. Eles tem as anotações mais importantes de quem nasceu antes de nós, e com certeza, irão te guiar para completar a sua missão. – a mãe deixou que a filha admirasse os diários por alguns momentos. – Agora, chega. Já enchi sua cabeça com problemas demais. Hoje é o seu dia, então volte para a festa e relaxe.

-Sim mamãe. Obrigada por me contar a verdade. – disse December, dando um beijo na bochecha da maior e saindo da sala.

-Não há de quê. – disse a maior, se sentando um pouco, para descansar do discurso.

Na madrugada daquela mesma noite após a festa, a garota invadiu o escritório enquanto todos dormiam e passou a noite lendo os diários de todos os seus antecessores.

Notas finais
Finalmente, entendemos EternalStone. Eu sei que o nome é forçado, mas não tinha nome melhor, e acreditem, eu pesquisei vários nomes. Sugestão? Decepção? Adoração? Elogio? Crítica? 'VULCÊ É MTMT RUIM BUUUU'? Mande um review. ~