A Elite
38 Uma Nova Esperança
Notas iniciais
Capítulo 38
Uma Nova Esperança
Ele a convidou para entrar. A lareira estava acesa, apesar de ser primavera. Damon convidou-a para se sentar em um dos sofás, enquanto ele sentava no outro a frente dela.
– Pois bem. Fale. O que você quer saber? – ele parecia exausto. Havia olheiras embaixo de seus olhos, e ele parecia abatido. Elena ficou surpresa por não perceber isso durante o baile.
– Depois da festa dos fundadores... O que realmente aconteceu? – ela perguntou. Ele respirou fundo. Então era isso. Depois de três semanas, ignorando suas ligações, não querendo vê-lo, ela estava dando-o a chance de explicar o que havia acontecido.
– Elena... Já faz três semanas. No que isso iria mudar?
– Não sei. – ela respondeu. – Nada. Tudo. Pode não ter terminado em um “final feliz”, mas acho que eu preciso saber.
– Se “final feliz” existisse, eu estaria com você agora. – ele respondeu, enquanto ela abaixava a cabeça.
– Conte-me, Damon. – ele segurou sua respiração ao ouvi-la falando seu nome daquele jeito. Tão vulnerável. – Por favor. – ele suspirou, e começou a falar. Contou-lhe que chegou em sua casa, e estava prestes a bater quando Katherine chegou, fingindo ser ela. Eles conversaram (ele não falou sobre o que) e se beijaram, que foi quando Elena abriu a porta, e começou a confusão.
– E então, você não me atendia. Stefan me dizia que você mal ia à escola, e que não queria nem me ver pintado de ouro... Então, eu parei de ligar.
– Eu estava deprimida. – começou Elena. – Parece que, desde que voltaram as aulas, tudo começou a dar errado. De uma hora pra outra, Samara foi pra França, Kol sofreu um acidente, Bonnie me ignorava, e houve aquilo com Rebekah. Quando eu o vi beijando-a, eu percebi que mais uma coisa estava sendo tirada de mim, por ela. – havia lágrimas em seus olhos. — Pela minha própria irmã. Minha irmã gêmea, com quem eu brincava quando criança. Minha melhor amiga. Que virou minha Nêmesis.
– De repente, nada mais importava. Eu não tinha forças para sair da cama, quanto mais ir à escola. Pois eu sabia que ela estaria lá. Rindo de mim, esfregando sua vitória em minha cara. E ela por fim tomou a única coisa que ainda me pertencia. Meu trono. E eu não me importei. Porque eu não tinha mais nada. Pra que um trono quando todas as pessoas próximas de você estão longe? Pra que um trono quando... – ela levantou a cabeça, olhando pra ele. – Você não tem ninguém com quem dividir? Nem mesmo um rei?
Damon olhava de olhos arregalados para a garota vestida como uma princesa em sua frente. Ela não parecia a Elena Gilbert que ele viu no primeiro dia de aula. Rainha da Robert E. Lee. Destemida, cheia de si, até mesmo um pouco arrogante com seus saltos e sorrisos maliciosos. Ela não parecia a garota com que fez um trato maluco de namoro falso, e não parecia a garota por quem ele tinha se apaixonado. Ela estava vulnerável, quebrada. Mas, maldição, ele também estava.
– Elena...
– E agora você vai embora, e você está certo, porque eu fui burra e tola, e mais do que teimosa. E... – ela arfou, olhando pra ele. – Eu nunca mereci você.
– Não diga isso...
– Não. Você é bom. Um cafajeste, mas bom. E tudo que eu pensava era a maldita popularidade, que agora não importa, não é? Eu não tenho mais nada. Nem mesmo você. Por uma idiotice.
– Elena, não diga isso. – ele tentou dizer, mas a garota se levantou, andando em direção a porta.
– Eu não deveria ter vindo. – ela disse, as lágrimas já em seus olhos. – Eu não queria me expor assim. Eu não deveria... Esse é o controle que você tem sobre mim.
– Elena. Pare. – ele pegou o braço dela. – Eu te amo. – ele sussurrou. Ela balançou a cabeça.
– Não. – ela balançou a cabeça. — Pare de me amar. – ela arfou, ainda chorando. Ele olhou dentro dos olhos dela.
– Esse é o problema. Eu não consigo. – e com isso, ele pegou o queixo dela, puxando-a para um beijo. Elena debateu-se no início, mas então não conseguiu resistir. Passou seus braços pelo pescoço de Damon, aprofundando o beijo enquanto entrelaçava seus dedos pelos cabelos dele. Ele apertou suas mãos na cintura dela, puxando-a ainda mais pra perto.
Quando o ar faltou, eles encostaram sua cabeça um no outro, de olhos fechados, apenas ouvindo suas respirações.
– Eu não quero você com ninguém além de mim. Volte pra mim, Elena. Podemos encarar tudo, Katherine, a Elite, tudo, mas fique comigo. Eu te amo. Eu quero ficar com você. – Elena prendeu sua respiração com a declaração dele.
– Sim. – ela sussurrou. – Eu quero ficar com você. – e atacou seus lábios.
Amanhecia na casa dos Salvatore. O casal na cama ainda dormia, mal ouvindo os pássaros cantarem do lado de fora pelo começo de um novo dia.
A garota acordou ao um raio de luz bater em seu rosto. Ela abriu seus olhos, franzindo-os por causa da claridade, e então sorriu, sentando-se. Fazia tempo que ela dormia – ou não dormia – tão bem.
Ela olhou para Damon, ainda adormecido, ao seu lado. Seu rosto estava relaxado, e parecendo feliz, com a ligeira impressão de um sorriso nos lábios.
Elena corou levemente ao lembrar-se da noite passada. Os dois estavam tão ávidos um pelo outro, tão apaixonados, trocando promessas e juras, que a fizeram sorrir. O peso e a angústia em seu coração haviam passado, restando apenas a pura felicidade e euforia.
– Hey... – uma voz grave sussurrou. Ela olhou pra trás e sorriu para Damon, que estava lindamente sonolento olhando para ela. – Já acordou?
– Não. – ela respondeu. Voltou a se deitar, beijando Damon, decidida a passar mais um pouco de tempo ao lado de seu amado antes que a realidade caísse sobre eles. Mas claramente o destino não tinha essa ideia.
O telefone de Elena começou a tocar em sua bolsa, jogada no chão a alguns metros da cama. Os dois gemeram descontentes enquanto terminavam o beijo.
– Deixe tocar. – sussurrou Damon para ela.
– Está bem. – eles voltaram a se beijar, mas o telefone começou a tocar de novo. – Pode ser importante. – Elena murmurou nos lábios de Damon. Ele xingou baixo, se afastando, enquanto Elena saia do lado dele, dando risadinhas.
– É bom que alguém tenha morrido. – reclamou Damon. Elena riu mais uma vez, pegando o telefone de sua bolsa, vendo que era Samara.
– Oi, Sammy. – a garota falou algo do outro lado, quase gritando. – Hu-hum. Tá. Relaxe. Já estou indo. Tchauzinho... – e desligou.
– Deixe-me adivinhar. – disse Damon, ao lado dela. Ele passou seus braços pela sua cintura, beijando sua testa. – Problemas? – Elena concordou.
– Minha mãe acaba de voltar de viagem. Ela certamente quer explicações sobre os muitos dias de aula que eu faltei. – Elena suspirou. – Eu tenho que ir.
– Eu sei. – disse Damon, beijando-a. – Mas... tem certeza que quer ir?
– Não. – gemeu Elena, e ambos riram. – Eu não quero voltar para a realidade.
– Nem eu. – concordou Damon. – Mas agora há uma nova esperança, certo? – ela assentiu.
– Uma nova esperança.
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