A Elite
30 Mágoas
Notas iniciais
Capítulo 30
– Mágoas
Elena fechou o livro que estava lendo quando ouviu vozes vindas da varanda. Finalmente Katherine havia chegado. As duas precisavam conversar.
Ela ouviu uma voz de homem também, e pensou que fosse Elijah Mikaelson, já que fora ele que Elena vira saindo com Katherine de carro. Ela abriu a porta da frente.
Mas preferiu que não tivesse feito isso.
Katherine estava mesmo lá. Mas não estava com Elijah.
Estava com Damon.
E ele parecia muito satisfeito enfiando a língua na garganta dela.
– Oh! – arquejou Elena, fazendo os dois se separarem.
– Elena? – perguntou Damon, com aparência confusa.
Katherine abriu um micro sorriso ao ver o estado de sua irmã ao ver aquela cena. Sua missão havia terminado. Elena estava quebrada.
– Agora sabemos, irmãzinha, que eu posso sim, ficar com os dois. – e com isso passou por Elena, entrando na casa.
– Damon... Como pôde? – sussurrou Elena, sem expressão, ela não conseguia aceitar que ele havia feito isso.
– Eu... Ela... – ele tentou se explicar, mas Elena balançou a cabeça.
– Quer saber? Deixe para lá. Eu deveria saber que isso aconteceria. É quem você é, afinal, não é? Eu que fui uma idiota. – Uma idiota por te amar, pensou Elena, mas é claro que ela não admitiu isso a ele. – Uma idiota por achar que você mudaria. Você não presta, Salvatore. E nunca vai prestar.
– Elena... – Damon tentou falar, chamando-se de burro em pensamento por cometer aquele erro. A garota virou-se e encaminhou-se até a porta. – Ela me enganou, Elena! Ela fez se passar por você. Por favor, Elena, olhe para mim, deixe-me explicar! – Elena virou-se para ele, seus olhos agora cheios de lágrimas que ela não podia mais segurar.
– Não importa mais, Damon. Ela ganhou. Katherine finalmente ganhou.
– Elena...
– Deixe-me em paz, Damon. — disse Elena, seguindo para dentro da casa.
– Você irá pagar, Katherine. – disse Damon para si mesmo, e com isso saiu, descendo as escadas da varanda e entrando em seu carro.
– Inaceitável! Totalmente inaceitável! – gritava Esther na sala de estar. – Como? Minha filha... Tendo um caso com um professor! Isso é um absurdo! Um escândalo! Como poderei ir agora às reuniões da Sociedade Histórica de cabeça erguida, sabendo que minha filha é uma meretriz!
– Mãe... – soluçou Rebekah.
– Calada! – Esther esbravejou — E agora, Mikael? O que iremos fazer? Nossa família está jogada na lama! – Esther dirigiu-se a Mikael, que estava quieto desde que eles haviam chegado em casa, alguns minutos antes. – E tudo por culpa sua!
– Mãe, deixe-me explicar! – disse Rebekah, levantando-se do sofá, mas sua mãe a calou, dando-lhe um tapa em sua face, jogando-a no sofá novamente.
– Esther! – bradou Mikael.
– Já lhe disse para ficar calada, Rebekah! – a mãe gritou com ela. Rebekah pôs a mão em seu rosto vermelho e molhado pelas lágrimas que saiam incontroláveis.
– Já chega, Esther! – Mikael pegou a mão de sua mulher, puxando-a para longe da filha. – Recomponha-se e suba! Eu falo com Rebekah. Você já foi longe demais!
– Mikael! – indignou-se Esther.
– Eu já disse para subir! – Mikael bradou, largando fortemente o braço de Esther, e a empurrando em direção as escadas. Esther olhou raivosamente para ele, mas fez o que ele mandou.
Rebekah continuava no mesmo lugar, chorando baixinho. Seu rosto ardia devido ao forte tapa, e ela podia sentir uma pequena linha de sangue saindo do grande arranhão que teve devido ao anel de diamante de sua mãe.
– Pai... – ela tremeu quando Mikael foi até ela.
– Pegue seu casaco. Nós iremos conversar em outro lugar. – ele disse para ela, saindo pela porta em seguida.
Elena correu para o seu quarto, ignorando Jeremy, que fazia companhia a Margaret na sala de estar, perguntando o que havia acontecido.
De repente lembrou-se do filme que vira com Samara no dia em que as coisas começaram a desandar. De Kat e o poema. 10 coisas que eu Odeio em Você. Sim, Elena o odiava, o odiava mais que tudo.
Ela odiava o jeito com que Damon falava com ela, sempre debochado e irônico.
"Eu sabia que você ia ligar para mim, princesa."
Ela odiava a maneira com que ele dirigia seu carro, sempre correndo pelas curvas e fazendo o coração dela pular. "Damon, vá mais devagar!". Odiava o jeito que ele cortava seu cabelo negro como a noite. "Você está precisando cortar seu cabelo.". Ela odiava o modo como ele a encarava quando quer alguma coisa. "O que foi?" "Eu quero muito te beijar agora".
Ela odiava suas botas pretas de combate, e odiava o jeito que ele lia sua mente. Ela o odiava tanto que a deixava doente.
Ela odiava o jeito que ele sempre estava certo, ela odiava quando ele mentia. Ela odiava quando ele a faz rir com suas piadas sem graça, e o odiava mais ainda como ele a fazia chorar agora. Ela odiava quando ele não estava por perto, e odiava o fato de que ele nunca ligava.
Mas ela o odiava mais ainda por não conseguir odiá-lo. Nem perto, nem mesmo um pouco, nem mesmo em tudo.
Ela o odiava por ama-lo. E ainda odiava a si mesma por permitir aquilo.
Ela fechou sua porta com um estrondo, encostando-se a ela, sem conseguir respirar enquanto as memórias dele enchiam-lhe a cabeça.
Damon chegava em casa, devastado. Como ele fora tão burro? Ele conhecia muito bem Elena. Ela nunca usaria o cabelo cacheado, e com certeza não falava daquele jeito de Katherine, se derretendo nas palavras. Elena tinha a fala de uma rainha e ao mesmo tempo doce, que só de ouvi-la você sentia vontade de obedece-la. A vontade de fazer tudo que ela quisesse. A vontade de agrada-la. Mas ele tinha que admitir que Katherine a imitou muito bem.
Mas ele devia ter percebido.
Devia ter percebido que aquela não era a garota que ele amava.
Mas ele estava cego. Cego pelo nervosismo de se declarar para ela, cego pela expectativa. Tão cego que ele não percebeu que enquanto falava com ela, estava cometendo o maior erro de sua vida.
Não havia ninguém em casa, apesar da lareira estar acesa, nem os empregados, devido à Festa dos Fundadores.
Ele estava só.
Tirou sua jaqueta, colocando-a na cadeira ao lado da mesa de bebidas. Serviu-se de uma dose de uísque e ficou girando o copo, as lembranças invadindo sua mente. As lembranças dela.
O momento em que ele a viu pela primeira vez, o jeito que ele ficou encantado com ela desde que a viu, quando eles dançaram juntos na festa, o tapa. Damon deu uma risada fraca, e logo depois a onda de melancolia e tristeza o atingiu. Quando eles passaram a noite juntos, e ele pediu para que ela fosse dele, só dele.
A raiva e a frustração o atingiram, fazendo-o jogar o copo na parede, onde o vidro se estilhaçou e caiu na lareira.
Elena se lembrava da noite em que eles passaram juntos, do sentimento que ela tinha que o mundo inteiro poderia explodir, desde que ela ficasse ali com ele. Cada toque dele, como uma pluma. Ele tomando cuidado para não machuca-la, perguntando se ela tinha certeza daquilo...
Elena desabou no chão, a mão em seu peito. Doía. Mas como doía. Ela não conseguia respirar de tanta dor. Soluçou alto. Ela não conseguia, não conseguia. Não conseguia suportar a dor.
E ela não tinha ninguém. Ninguém mais. Suas amigas que lhe restaram estavam com seus próprios problemas. Bonnie não falava mais com ela, e Samara estava na França, a tinha deixado.
Ela estava sozinha.
Sozinha como Katherine sempre quis.
Katherine havia ganhado.
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