A Elf's Sick

1 A Elf's Sick!!


Notas iniciais
Começo de TUDO!

Um jovem que morava sozinho, há tempos não era mais considerado um jovem, mas um homem. Drake tinha trinta anos de vida humana, era dono de um casebre o qual se localizava no meio da floresta, uma floresta antes habitada por elfos, mas devido à caça recente deles por humanos, a escravidão forçada ao que os elfos capturados eram obrigados a aceitar.

Sim, os seres naturais daquelas terras cederam espaço às maldades humanas, se tornando uma espécie em extinção, recolhida dentro de florestas pequenas, as quais ainda sobreviviam duramente. A maioria deles passaram a se hospedar em rochas, se recolhendo em pântanos inabitáveis, se tornando uma raça preocupada, medrosa e frágil.

Estavam condenados à extinção completa.

Glen fora um dos sobreviventes de sua família, mas foi posto à venda na grande cidade de Alvatroz. Os humanos consistiam na raça mais depravada, mais sedenta e gananciosa, destruindo os vales, pântanos, florestas, campinas. Seguiam se reproduzindo e fazendo aqueles que não fosse humanos, seus escravos. E assim seguiam dominando o mundo e todos que habitavam nele.

Drake trabalhava numa grande cidade comercial humana e num dia, quando voltada do intervalo de almoço, encontrou um mercador ilegal vendendo um elfo que se encontrava bastante debilitado. O mesmo tinha uma coleira pesada no pescoço, algemas que prendiam-lhe os pulsos e calcanhares, sua pele sangrava e a região ao redor das amarras encontravam-se completamente roxas. O elfo simplesmente mantinha a face debruçada no chão, de seus olhos quase apagados, ainda restava alguma vida, mas a mesma iria deixá-lo em breve, ele vestia um trapo de couro qualquer, que lhe cobria apenas parte do tronco e quadris. O vendedor enganava os compradores homens dizendo que se tratava de uma fêmea, as quais eram bastante valorizadas, embora os humanos apenas usassem seus corpos e se acaso engravidassem, os fetos eram simplesmente abandonados ou mortos, ás mães só restavam aceitar esta dura pena passivamente.

Drake olhava aquele quase cadáver e um outro humano lhe puxou a borda do saiote de couro vendo o sexo, mas logo a soltando ao ver que se tratava de um macho desferindo-lhe um chute, mas o elfo nem se movera, ficando ali, com a face colada ao chão, cujos lábios encontravam-se já pálidos, tanto de frio, quanto de anemia, já que ele parecia sangrar por todos seus orifícios, até mesmo os olhos pareciam soltar lágrimas rubras.

Drake já vira elfos maltratados, mas aquele vencia longe todos os outros, por isso, se aproximou a contragosto e teve a impressão que o jovem levantara com tamanha dificuldade a face, mostrando seu rosto para ele, o encarando fixadamente, parecendo implorar a compra e quando o humano se agachou ali, deu para ouvir um suspiro de voz.

- Me mate. Por ... cof! Cof! Favor...

E o elfo arfava, recebendo logo um soco na cabeça por quase cuspir sangue num provável freguês. Drake levantou-se e automaticamente pegou um saco que levava anexado à cintura, entregando-o ao homem, mas ao entregá-lo e o homem tê-lo em mãos, logo o homem tentou resgatar seu dinheiro, mas o comerciante parecia contar as moedas.

- Hum! Esta bom, 30 moedas. É seu!

- O quê?

E Drake pareceu despertar da besteira que fizera, ao sentir a coleira ser entregue em suas mãos. O elfo simplesmente nem se moveu, sendo arrostado pelo pescoço na direção dos pés daquele homem que o comprou.

- Puta que pariu...

Olhou com os olhos arregalados para baixo, temeroso, vendo o elfo tocar com seus dedos frágeis e trêmulos os pés, então ele continuou respirando ofegante, olhando para cima, buscando-lhe o rosto.

- ah...ah...

Ofegava e Drake o pegou nos braços se surpreendendo de como era leve, parecia feito de palha.

- Não posso voltar ao trabalho contigo, vou ter que ir para casa.

Disse ainda segurando-o nos braços, seguiu até sua carroceria a qual se encontrava amarrada numa árvore ali perto da entrada da cidade, colocou o elfo ali atrás, o qual logo se recolheu debaixo de algumas palhas por sentir tamanho frio. Seus olhos arregalados encaravam aquele homem para finalmente chorar e soluçar.

- Vai... me usar... também...?

O homem não lhe respondeu, retirando um casaco de pele de urso e jogando sobre o elfo, claro que depois do humano ver que caiu sobre a palha, puxou o casaco e retirou o empecilho, logo jogando direito sobre o outro macho.

- Quer beber água ou aguenta duas horas de viagem?

- Que...ro...

O homem soltou um longo suspiro e voltou ao assento da carroça, próximo dos cavalos, pegou uma garrafa e voltou para trás, subindo ali, aproximando o gargalo da boca daquela vítima e novo escravo. O elfo teve dificuldades para abrir a boca, já que os cantos da mesma tinham notáveis feridas, então o homem ao ver que o elfo estava satisfeito, voltou a cobri-lo, ajeitando algumas palhas debaixo de sua cabeça.

- Tente resistir, tentarei chegar depressa.

- Si...sim...

- Coitado. Que mundo cruel.

Desceu dali e logo sentou-se na frente da carroça, fazendo os cavalos começarem a cavalgar.

- Só me faltava essa, eu o salvei e porquê? Que merda, voltarei amanhã para o emprego vou dizer que tive um imprevisto.

Ele trabalhava numa espécie de açougue, vestia no trabalho um avental cheio de sangue e usava com tamanha facilidade um facão que mais parecia um serrote, ele não gostava daquele emprego e o salário era uma bosta, mas era o que tinha disponível e dava para sobreviver.

Por ter uma vida consideravelmente miserável, nenhuma dama ou mulher, queria se casar com ele, já que o mesmo tinha uma residência simples, ele mesmo tinha poucas roupas e as vezes faltava até comida em sua casa.

- E ainda arranjei um elfo.

Reclamou apertando as cavalgadas, ele se sentia um azarado, sem mulher, sem um salário digno, sem uma casa decente, a qual tinha teto de palha e quando chovia, inúmeras goteiras de formavam no chão, ele até arranjara baldes velhos e alguns barris de cerveja com uns colegas que usava como recipiente para que a agua não molhasse o piso de barro batido.

Chegando em casa, desceu da carroça e pegou o elfo nos braços, o levando para dentro, colocou-o cuidadosamente sobre um sofá simples, de madeira com estofados de tecido, o elfo então comentou baixinho, ainda sem descer dos braços, lhe segurando pelo pescoço.

- Vou sujá-lo... por favor... me coloca no chão mesmo...

E o homem o deitou no sofá, o outro ficou a encará-lo com os olhos ainda molhados, fazendo uma fisionomia de dor olhando ao redor, começando a observar aquela residência.

- É bonita...

Drake sorriu, logo indo até a cozinha, pegando uma vasilha com água, algum frasco de remédio e um pano velho, mas limpo. Se reaproximou do outro agachando-se ali, começando a limpar-lhe a face, enquanto que o elfo o olhava atentamente.

- Qual seu nome? O meu é Drake.

- Glen. – E o elfo começou a chorar baixo. – Ma...mataram toda minha família... – Virou a face para um dos lados, fungando.

- Sinto muito.

Na verdade, Drake encontrava-se naquele momento com o dinheiro que juntara durante anos, ele pretendia pagar um marceneiro para consertar seu teto, além de trocar algumas janelas podres e comprar alguns mantimentos já que sua dispensa estava um tanto vazia, só tinha metade de uma garrafa de leite e duas broas de milho.

- Glen, vou limpar seu corpo, me permite? Vou só limpar, está bem? Ou... prefere que eu aguarde ver se você melhora?

- Pode.

O homem começou a passar o pano cuidadosamente, retirando a coleira e as algemas.

- Aiiii... — Reclamou de dor.

- Desculpe.

E ele prosseguiu tomando mais cuidado, quando estava quase terminando e agora só passava um remédio nos ferimentos, o elfo ficou curioso.

- Moras sozinho? Tens filhos, esposas? Parece-me ter uma idade já. Ser maduro.

- Quer mais água?

E Drake se levantou, aquele assunto o incomodava profundamente, e agora se não bastasse os vizinhos e a família, seus pais, agora tinha um elfo dentro de casa para lembra-lo e cobrar. Pegou uma garra e quando voltou para o outro se surpreendeu de vê-lo sentado no sofá, olhando-o com uma face mais alegre, quase sorridente.

- O... obrigado.

Disse tomando um pouco da garrafa e Drake lembrou-se e trouxe um pouco de leite no copo, o elfo logo bebeu-o perguntando se tinha alguma frutinha, mas quando aquele humano voltou a cozinha só achou algumas bananas meio escuras de tão maduras. Elas acabaram estragando pelo fato dele não gostar muito de frutas, mas mesmo assim levou umas duas, as mais claras, que estavam em melhor estado.

O elfo já havia descoberto grande parte da vida daquele humano, sorria-lhe animado pegando as frutas e logo as descascando e enquanto comia, olhava na direção do teto.

- Tem muitos buracos...

Drake sentou-se ali olhando também para cima, ele não conseguia ver, mas quando voltou a olhar o elfo se assustou de vê-lo encarando-o com o mesmo sorriso na boca.

- Olha aqui, não sou casado, nem tenho filhos, sou pobre e te salvei por pena. Minha vida é uma merda, solitária e ... – Ele jogou o corpo para a frente, olhando na direção do chão. – Pode ir, se quiser.. só queria ajudá-lo.

- Acha que sou ingrato?

O elfo levantou-se indo até a cozinha, lavando o prato e jogando fora as cascas. Então Glen olhou toda aquela louça e sujeira na cozinha, tinha lixo espalhado no chão, as paredes descascavam, as janelas encontravam-se com lodo e fechadas, o próprio ar ali parecia apodrecido, então seguiu até um basculante e o abriu, sentindo finalmente um ar puro entrara li.

- Não faz isso não, entra rato às vezes...

- Se limpar, não entrará mais. – E o elfo sorriu-lhe, começando a lavar a louça. – Me ajude varrendo este chão, vamos.

- Você não quer dormir, sei lá? Não está cansado?

- Não consigo descansar nesta bagunça, vamos...

- Oras, mas estava dormindo no chão. – Resmungou o homem pegando a vassoura e começando a varrer.

- Calado. Vou te ajudar. Vejo que tens um bom terreno, poderíamos fazer uma horta. – Comentou enquanto terminou de lavar os pratos e agora os secava, logo virando-se para o outro.

- Não vais embora?

- Acho que não e se fosse, para onde iria? Tenho muito mais liberdade dizendo que pertenço a um humano, assim ganho direito de ir e vir nas cidades, me arranje uma coleira com seu nome. Não esqueça. – E o elfo seguiu até aquele humano tocando o peito dele com o dedo indicador. – E não vem me dizer que é cara, se quiser faço uma de palha, só falta a medalha com seu nome, entendeu? Isso é pra ontem!

- És macho mesmo? Parece uma fêmea no cio, dá um tempo!

- Ei, Drake, varre denovo ali, ficou uma poeira, não consegue ver?

- Ai, porra.

- Anda, vamos, vamos, temos muito a fazer. – E o elfo olhou para baixo, vendo sua roupa deprimente. – Você teria uma calça e uma blusa para me emprestar?

- Sim, claro.

E quando ele foi largar a vassoura numa das paredes para pegar a roupa o elfo logo sinalizou para quer terminasse de varrer primeiro.

- Não queremos ratos na cozinha. Anda, vou aguardar na sala. – E Glen andou até o sofá, encostando-se ali, fechando os olhos e dormindo um pouco.

- Se arrependimento matasse. – Reclamou terminando de varrer.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.