A Décima Terceira Esposa

5 Eu sou Filho do Sol


Notas iniciais
Esse cap tem que ser lido com muita hora nessa calma, pq... Sério, agora as coisas vão se encaminhar para outros países. Soltei essa e saí correndo. Para quem queria entender um pouco dos misticismo e das lendas dessa fic, esse é o seu cap. Boa leitura.

Já estava no avançar da madrugada quando ouvimos sons de cavalos se aproximando e então a gritaria começara. Eu ouvira os homens, que nos sequestraram e avisaram que seríamos vendidos para qualquer sorte de pessoa, bradarem a plenos pulmões que estavam sendo atacados pelos “homens do rei”. Senti uma pontada de esperança fazer meu coração palpitar. Coloquei-me sentado sobre os calcanhares e comecei a gritar por ajuda.

Eu senti a aceleração da carroça, como um tranco repentino, e gritei ainda mais alto. Eu ouvia sons desconexos, coisas sendo destruídas, pessoas sendo mortas, uma batalha feroz e horrenda acontecia fora de minha caixa e eu só via breves flashes de todo o caos do lado de fora. Meus pensamentos só estavam na Senhora Tsunade e na Senhora Temari.

Com todas as minhas forças, eu rogava aos céus que as protegessem de todos os males e que as salvassem. Mas minhas orações foram interrompidas por tremores repentinos, como se a carroça estivesse fora de controle. Olhei pela janela e vi que ela ia cada vez mais rápido, porém a paisagem estava torta, estava em declive.

O que está acontecendo? Para onde estão me levando? A paisagem mudara agora, era uma floresta densa, eu ouvia os galhos se quebrando contra a caixa, muitas vezes algumas folhas, ou pedaços de madeira caíam bruscamente dentro, algumas vezes me acertavam.

Eu queria poder dizer que fui salvo, que os guardas reais me encontraram e que eu pude voltar para casa são e salvo, mas eu estaria criando uma ilusão para mim mesmo. Nada disso aconteceu. Eu fui levado para um lugar distante, que eu nunca tinha visto, talvez muito além do deserto e das florestas. Depois de abandonar a carroça em algum lugar, seguimos a pé por uma trilha da floresta até um barco escondido.

A partir dali, subimos o rio, indo mais além do que eu jamais fora. Eu sentia que cada vez mais eu era distanciado de meus objetivos, que eu era levado para longe do meu habitat, para longe de tudo o que eu amo e que não teria mais volta.

Três dias depois do ataque, a comitiva sobrevivente de bandidos chegara ao suposto destino, onde eu e mais seis garotas seríamos vendidos. Nos levaram para uma estranha pousada, onde nos fundos, senhoras cegas nos deram banhos e nos ajudaram a nos vestir de forma apropriada para “escravos de leilão”. Eu não conseguia pensar em nada direito, sentia-me inerte e alheio ao mundo, vazio e desolado, como uma floresta morta pelo fogo. Eu não sabia onde estava, o que seria feito de mim ou se a Senhora Tsunade ou a Senhora Temari estavam a salvos na Cidade Imperial.

Eu passara a noite inteira em claro, perturbado por meus próprios pensamentos de medo e de morte, olhando para as paredes escuras que compunham a cela onde estávamos eu e as outras garotas. Parece que não consegui fugir do destino sombrio de todos os Filhos do Sol: se por nas trevas da noite sem lua. O que mais me entristece é saber que os esforços de meus pais foram em vão.

No dia seguinte, com o sol do meio dia ardendo em nossas cabeças e com a fome retorcendo as nossas barrigas, fomos postos a leilão.

—Por mais que suas mentes se recusem a acreditar, que seus olhos não consigam enxergar e que suas línguas não queiram pronunciar, senhoras e senhores, diante de vocês está, e provavelmente seja verdade, o último Filho do Sol! — falou imperiosamente o leiloeiro e eu fui empurrado para o palco, ficando bem às vistas das pessoas. — Sim, meus caros, um legítimo Filho do Sol, que recebeu treinamento de geisha, nossa peça mais rara!

As pessoas começaram a se aglomerar ainda mais ao redor do local onde estava acontecendo o leilão. As garotas foram vendidas para diferentes senhores e senhoras, algumas sabendo que se tornariam escravas. E agora, era a minha vez de ser condenado.

Eu usava um kimono curto, vermelho já desbotado, no qual a barra descosturada ficava na altura do meio das minhas coxas e calças curtas também, porém cor de terra seca, na minha cabeça havia uma espécie de pano longo marrom, que cobria todo o meu cabelo. Com as mãos e os pés acorrentados, ligados por uma corrente maior que ia até o meu pescoço e me prendia, como numa espécie de coleira, eu fui colocado diante dos compradores. Meu kimono fora propositalmente mal amarrado para que parte do meu corpo fosse mostrada e meus olhos receberam um pouco de destaque com khol.

Todos me olhavam com admiração e curiosidade. Eu me sentia um animal exótico sendo pela primeira vez exibido para a humanidade. O leiloeiro ficou ao meu lado e puxou bruscamente o manto de minha cabeça, quase me roubando o equilíbrio no ato.

—Vejam, a prova maior! — todos se surpreenderam com a visão de meus cabelos à luz do sol do meio dia. Todos começaram a murmurar de êxtase ao ver meus cabelos brilharem como ouro e minha pele esbranquiçada reluzir como pérola. O leiloeiro segurou meu rosto e me fez fitar o alto. Fora a vez dos meus olhos brilharem. — Sim, meus caros! Brilha como se os raios do sol saíssem de si mesmo. Um legítimo ser humano abençoado pelo sol, com sua luz, dotado de longevidade, força e beleza inexplicável. Um Uzumaki, provavelmente o último! — as pessoas já enlouqueciam com as palavras do homem e com a minha presença. — Intocado, puro, desconhece qualquer relação mais íntima. Comecemos! O lance inicial é de mil peças de ouro! — ele soltou meu rosto e eu pude baixar meu olhar.

O leiloeiro me empurrou para baixo e eu me sentei de vez, juntando minhas mãos sobre minhas coxas. As apostas subiam cada vez mais e agora só magnatas estavam no páreo, mas no fim só houve um único vencedor. Um homem mais velho que eu, talvez com seus trinta e poucos anos, pagou por minha compra cinquenta mil peças de ouro.

—Vendido para o Lord Sabaku no Gaara. — os guardas do leilão levaram-me para dentro novamente e me guiaram para uma sala mais reservada, assim pensei. Nesse lugar, chegaram depois, o leiloeiro e o tal Lord Gaara.

Eu fiquei num canto, quieto, observando-os conversar. Lord Gaara, pelo que notei, é um homem de estatura normal, com cabelos vermelhos repicados para o alto, o rosto suave, meio arredondado, seus olhos estavam fortemente marcados por khol, destacando ainda mais o verde-água de seus olhos. Sua pele era levemente amorenada e suas roupas me passavam a sensação de que ele era de um país árabe.

—Como prometido, Lord Gaara, o jovem Filho do Sol que é de seu desejo. — ele apontou para mim com uma mão e o ruivo me olhou. Ele me sorriu, olhando-me de cima a baixo, como se me avaliasse com mais atenção.

—Fico grato que o tenha encontrado para mim. — ele voltou a olhar para o leiloeiro. — Eu achei que os Filhos do Sol não existissem mais, por serem criaturas tão magníficas. Pessoas que brilham a luz do sol, capazes de cintilar, tão delicados quanto a flor de cerejeira, mas tão raros quanto a escama do dragão. — Gaara se levantou e veio até mim, levantando-me com delicadeza. — Eu vou cuidar de você, minha preciosidade… — sussurrou como se segredasse algo para mim e eu não pude evitar um sorriso. — Preparem-no para a viagem.

Conta a lenda que certa madrugada, o sol, vendo a lua pôr cada uma das suas milhares filhas brilhantes para dormir, sentiu-se ainda mais solitário, no firmamento azul, então decidiu que teria filhos, como a lua tinha as estrelas. Fez de cada foco de luz sua, que atravessava as mais escuras cavernas, jovens crianças, que uma vez em contato com o pai, brilhavam tal como o sol. Essas crianças eram chamadas de Taiyou no Musuko, ou, Filhos do Sol.

Cada criança fora confiada a um casal de pais que entendesse o quanto suas crianças eram especiais e o quanto precisavam de cuidados específicos por serem brilhantes como o sol. A maioria daqueles casais, ao receberem seus filhos tão especiais, fizeram deles objetos e expuseram a todas as pessoas do mundo, ganhando dinheiro com isso. Muitas crianças se tornaram alvos de ladrões ou acabavam sendo mortas por inimigos.

O sol entristeceu-se ao ver o que os humanos haviam feito com suas crianças e se escondeu por longos dias, atrás das nuvens chuvosas, condenando a humanidade há mais longa tempestade que se tem notícia. Mas a lenda não se resume a isso. Não foi trevas para sempre. Houve um casal no mundo que cumpriu as exigências do sol.

Criou a criança como se fosse filhos deles. O sol emocionou-se ao ver sua criança feliz, vivendo em paz com outros humanos, sendo protegido por pais de verdade. O sol sentiu-se tão bem com isso que brilhou intensamente, mandando a tempestade embora, e, como forma de agradecer àquele casal, abençoou o sangue daquela família a sempre encontrar a felicidade e o amor, mesmo que tudo pareça ruim.

Foi recordando-me dessa lenda que comecei a minha viagem para as terras de Gaara. Ele me era gentil, sempre me tratando com muito respeito e tomando conta de mim, explicando-me tudo sobre o caminho para as suas terras. Cada cidade, cada paisagem, cada ambiente por onde passávamos, Gaara tinha uma história para contar, uma aventura, algum detalhe interessante para me dizer.

Eu cheguei a acreditar que fora bom ter sido vendido para Gaara, mas, infelizmente, eu estava terrivelmente errado. Quando chegamos a Suna, terra natal de Gaara, eu me vi num país árabe mágico, dominado por areias brilhantes e um sol intenso, tecidos de seda e linho coloridos. Era como nos livros de história e isso me encantava ainda mais, pelo menos até o momento que a realidade caiu sobre os meus ombros.

Não quero contar todas e cada humilhações que eu passei nas mãos de Gaara, não quero relembrar daqueles dois anos sofridos nas mãos do Lord Gaara. Não, sinceramente eu não me atrevo a castigar a minha mente com aquelas memórias de novo. Mas há algo que é importante eu mencionar, porque novamente minha vida mudou.

Houve uma festa e Gaara, que gostava de exibir seus “prêmios” para todas as pessoas, preparou-me com um pano branco, semitransparente, ao redor da minha cintura, joias espalhadas pelo meu corpo e nada mais. Deixou-me sobre um pedestal de mármore que havia ao centro do salão de festas. Eu já estava completamente alheio a minha situação de vida, eu já fora marcado de várias formas, então nada mais me importava.

Eu era um Filho do Sol e vivia o destino de todas as pessoas da minha raça. Eu não percebia as outras pessoas me olhando. Eu fora condenado pelo meu próprio destino, eu já não pensava em mais nada, só olhava para as minhas mãos, recordando-me de um sonho.

Uma memória perdida na minha infância, que eu já não sabia se fora real. Uma vez eu fora salvo por um menino que nunca saiu do meu coração. Eu fitava as minhas mãos e movia os dedos devagar, e as vezes a palma da minha mão era molhada pelas minhas lágrimas. Eu chorava por causa de um sonho. Isso não é bobo? Chorar por causa de um sonho.

—Veja, Lord Drargul, esse é o meu mais raro prêmio. — eu levantei meus olhos devagar, para saber para quem eu deveria me apresentar. — Meu próprio Taiyou no Musuko. Naruto, o filho do Sol. — eu tentei sorrir, mas na verdade me assombrei com o que estava diante de mim.

Notas finais
Minha gente... E esse Lord Gaara? E esse Lord Drargul? - e sim, fui eu q inventei esse nome '-' Só observo.