A Duel Against the Past and Love.
7 Capitulo 7 – Why are you fleeing from the merry-making?
Notas iniciais
Cassandra não conseguia evitar em se sentir deprimida.
Ainda conseguia ouvir aquelas vozes como se fossem sussurros distantes.
Seguido de tênues lembranças distantes na qual não gostava de lembrar.
Era o que pensava enquanto continuava a andar pelas ruas desertas de Paris com a lua cheia brilhando no céu. A Estrada era iluminada pelas luzes das casas.
Continuava pensando em seus pais, seus irmãos e irmãs que haviam a adotado e mesmo que tentasse ignorar aquela visão diante de seus olhos perguntou a si mesma por que não conseguia esquecê-los.
—A bruxa. Ela está ali!-gritou uma voz ao longe.
Cassandra atravessou o portão grande e enferrujado do cemitério e se recostou em um dos túmulos,que era o maior de todos e a tampa estava entreaberta.
Ao longe ela podia ouvir os sinos da catedral e as vozes se aproximando.
Pareciam ser as mesmas pessoas que haviam a perseguido quando havia chegado a Paris há uns tempos atrás. Entrou dentro da tumba e permaneceu abaixada, cobrindo-se com o xale de sua capa se esforçou para não ser mais vista por eles.
—Tem certeza que ela está aqui?-perguntou um deles próximo de outros túmulos.
—Pense bem. Aonde uma mulher desorientada como ela poderia se esconder?-responde outro e continuaram se aproximando.
Cassandra sentiu o desespero correr em seu sangue e pensou que teria de passar a noite ali.
“Vou ter que agüentar ser assombrada pelas almas aqueles que estão enterrados aqui. Pensou triste, sentindo se cada vez mais sozinha e abandonada.
Até que tateou pelo chão e sentiu que haviam degraus que levavam até um possível subsolo.
Ela desceu os degraus das escadas até que o ambiente se iluminou em varias tochas acessas a seu redor.
Um homem sem pernas que se locomovia com a ajuda de uma tabua com rodas a agarrou pelo tornozelo, porem Cassandra acertou-lhe um chute no rosto e num pulo tentou sair correndo.
Cada vez mais assustada com a presença de tantos homens que a cercaram, Cassandra se levantou e saiu correndo querendo distancia do alcance deles.
Procurou se orientar com a pouca iluminação que havia ali.
Foi em vão.
“Tenho a impressão de que esse é meu destino”pensou quando os homens a fizeram agachar no chão e seguraram seus braços com força.
Mais mendigos se aproximaram, fitando a nos olhos, coisa que a deixou cada vez mais assustada.
—Donde vas, mujer?—gritou um aleijado que mesmo com uma perna menor que a outra conseguiu alcançá-la e a segurou pela cintura.
Outro homem segurou seus braços, forçando-os para trás.
—Vamos levá-la ao rei!-gritou um dos homens que parecia ser um falso cego.
Foi carregada pela multidão de homens que não a soltavam por mais que ela tentasse se desvencilhar deles.
Assim que se aproximaram de uma carroça, os três que detinham Cassandra a levaram para mais perto
—Mujer, quita tu xale.— gritou novamente o aleijado e de imediato tiraram o capuz que cobria seus cabelos.
Os homens assustados se afastaram.
—Deve ser uma bruxa!- cochichou o perneta da tabua de madeira para o falso cego.
Cassandra continuava agachada no chão esperando pelo líder e seu destino.
Não se atrevia a suspirar nem erguer os olhos assim que um alguém encapuzado desceu as escadinhas da carroça e encarou os três homens.
—Quem é o invasor desta vez?-perguntou o cigano que estava vestido com uma longa capa sentado na porta de sua carroça.
Cassandra estremeceu.
Aquela voz, apesar de acentuada pelo tom de ameaça, a fez lembrar de outra que em um dia em que quase fora assaltada na praça da cidade.
“Você está bem?” o corpo da cigana estremeceu ao encarar os olhos escuros que a fizeram ver novamente as lembranças do dia em que fora salva da morte graças a ele.
Ela então o viu se livrar da capa e sentiu algo estranho semelhante a um formigamento percorrendo descontrolado por sua pele.
Sentia-se toda arrepiada quando os olhos se encontraram.
O coração pulsando forte.
De medo.
De angustia.
De desespero.
Mas ao mesmo tempo, de fascinação por ele.
Havia um mistério que rondavam aqueles olhos.
E que também o deixava muito lindo e charmoso.
Mesmo assim sem saber por que, Cassandra se sentiu chocada ao constar que ele havia sido o seu Salvador.
O homem misterioso que a defendera dos ladrões.
Mas ao olhar para ele, a impressão que teve era de que ele já não se lembrava mais dela.
—Ora. Vejam só. – diz sarcástico- o invasor da vez é uma mulher. Diferente do invasor do mês passado.
Os ciganos ali presentes riram.
—E o que faremos com ela, chefe?- pergunta um dos ciganos ali perto.
Clopin a encarou.
E reconheceu nas formas daquele rosto fino e com os lábios vermelhos a mulher que havia salvado na padaria há certo tempo atrás.
Porem permaneceu quieto, não querendo revelar isso aos outros ciganos.
E olhar para as mechas vermelhas em seus cabelos loiros, ficou em duvida do que seria aquilo.
Uma maldição ou um fenômeno benéfico?
— Você sabe que nós temos uma lei bem clara a respeito dos invasores. -diz apontando para uma forca instalada em uma parte daquele lugar com a estrutura de um palco.
—Qualquer um que tente invasor nosso lar tem de ser morto. Sem piedade nenhuma!
Os ciganos a levaram até lá, empurrando-a com força.
Cassandra se lembrou de tudo o que perdera, do quão inútil se sentia por não conseguir mais viver e perdeu todas as esperanças que tentava ter e disse:
—Vá em frente! Me mate!- diz Cassandra certa de que aquela seria a única solução para o fim de sua jornada.
Deixou duas lagrimas escorrerem soltas com a cabeça baixa.
—Mas chefe, você acha que devíamos mesmo fazer isso? – pergunta um dos ciganos para Clopin -Quero dizer... Seria um desperdício...
—Seu tolo! O que esta querendo dizer com isso?- sussurra Clopin enfurecido.- Você não entende que esta é nossa lei e que nunca a quebramos!
—Mas chefe. Não devíamos fazer isso com ela. Poderíamos dar a ela um lugar para ficar, deixar ela se estabelecer, você sabe. – explicou querendo relembrar o líder de outras opções a não ser matá-la. Foi o que sempre fizemos com os que realmente precisam de ajuda... Olhe para ela. Ela não parece ter más intenções como aquele juiz que morava na catedral. Lembra-se?
Os outros ciganos olhavam para ela com olhares de compaixão, que para ela pareciam ser olhares de nojo, certos de que ela devia morrer e que assim tudo estaria melhor.
Constrangida por aqueles olhares, a cigana lembrou se do quanto era olhada por outras pessoas na rua e cansada disso, se ajoelhou no chão diante de Clopin como se implorasse a ele que a enforcasse logo e de uma vez.
—NUNCA!- Gritou Cassandra segurando a corda em seu próprio pescoço. – PREFIRO MORRER!
Clopin a posicionou na plataforma aonde haveria uma alavanca que abriria uma porta subterrânea e depois disso, estaria tudo acabado.
Porem mais uma vez houve um alguém que impediu aquele momento fatídico de acontecer.
Espere aí!- exclamou uma cigana robusta de vestes coloridas e extravagantes – Clopin, você está se esquecendo da Lei da Boemia!
—Oh. É mesmo! Que esquecido eu sou. — Diz deixando escapar uma risada contagiante.
Cassandra permaneceu imóvel, questionando que lei absurda seria aquela e por que havia sentido um calafrio percorrer solto por seus sentidos depois de ouvi-lo rir.
—O que esta havendo aqui?-perguntou outra voz feminina ao longe.
Foi então que uma outra cigana apareceu, acompanhada de alguém que Cassandra reconheceu de imediato:Quasimodo.
E com ele estava Madeleine.
Porem não olhou diretamente para os dois.
Ainda achava que aqueles eram seus últimos momentos em que os veria, até que Clopin a enforcasse.
Porem isso não aconteceu.
—Ah.Esmeralda!- exclama Clopin surpreso. _Enfim você voltou! Tivemos uma invasora aqui e estávamos a poucos minutos de liquidar com ela.
—Não faça isso, meu monsenhor. –disse a mesma cigana que lembrou Clopin da existência da Lei da Boemia, subindo pela escada da forca e retirou a corda ao redor do pescoço de Cassandra. –Por que não damos a ela uma chance de começar a viver conosco. Somos ciganos. Ela é uma de nós e deve estar precisando de muita ajuda. E afinal, você ainda não tem uma esposa. Por que não fazemos a cerimônia agora?
‘Casamento? Então a Lei da Boemia é isso? Pensou completamente chocada.
Lembrou-se de sua promessa que havia feito a si mesma, na qual estaria casada com um homem que a conhecesse bem, que a amasse de verdade e que jamais pensaria em traí-la, nem machuca-la.
Cassandra não conseguia dizer nada.
Preferiu estar calada do que dizer alguma coisa.
“Não acredito que vou ter que me casar com um homem que eu nem conheço. O que será de mim agora, papai?” pensou sentindo a pele gelar completamente.
Quasimodo também subiu e se aproximou dela.
—Como chegou até aqui?-perguntou o corcunda no que Cassandra respondeu;
—Eu estava fugindo de uns homens que estavam me perseguindo na rua... Entrei em uma tumba com a tampa que estava meio aberta e então fui cercada por homens, todos ciganos por sinal.-explicou ela olhando para todos os ciganos ali presentes.
Logo, foi surpreendida pela beleza estonteante da cigana Esmeralda que se aproximou e sorriu simpática.
—Então você deve ser a Cassandra. Quasimodo me contou tudo a seu respeito.-diz ela.
—Ele contou?-pergunta Cassandra receosa encarando Esmeralda e depois voltou a olhar para o corcunda — Mas por quê?
—Achei que Esmeralda e Clopin pudessem ajudar você melhor do que eu.- concluiu Quasimodo. Madeleine a encarou com um sorriso de fascinação e Cassandra apenas olhou para o corcunda com um olhar de quem se sente traído.
Pensou que, estando casada com o líder dos ciganos, sua vida estava acabada.
E lembrou-se do que havia ouvido de uma mulher na rua uma vez;
“O casamento é o fim da sua vida e da sua liberdade...”
Esmeralda a fez se levantar e a acompanhou pra mais perto de seu futuro marido.
—Espere. Tem uma coisa que eu preciso te contar, Quasi.-diz Cassandra se aproximando dele de novo.
O corcunda e Madeleine a encararam curiosos.
— Vocês serão presenteados com uma nova vida.-diz Cassandra juntando as mãos deles e depois tocando no ventre de Madeleine.
—O que?-pergunta o corcunda perplexo
—Ela quis dizer que teremos um filho.-diz Madeleine com um sorriso tímido.- Isso explica o por que de eu me sentir tão cansada e das vezes em que desmaiei no campanário.
—Mas. Isso não é possível. — sussurra Quasimodo chocado.
—É sim. Eu tive uma visão. Naquela noite em que Madeleine e você me acolheram na catedral. Pude ver que realmente, vocês serão agraciados com um filho.-explicou Cassandra a ele, esperando que ele entendesse tudo.
— A visão dela está certa. — acrescentou Esmeralda — Também pressenti isso hoje quando vocês vieram conversar sobre a Cassandra. Vi refletido na minha bola de cristal.
O corcunda ainda em choque levou uns instantes para raciocinar.
E Clopin lhe deu os parabéns, juntamente de Phoebus e Djali que veio balindo alegremente.
Mas agora, voltando ao exato momento do casamento inesperado de Cassandra;
Um cigano trouxe uma vasilha de barro e a deu para Clopin que a jogou no chão, deixando que se quebrasse em pedaços.
Depois de contados os estilhaços, que eram quarenta e nove, os dois tiveram as testas tocadas pelas mãos suaves e delicadas da cigana robusta, que depois pegou em suas mãos e os uniu em matrimonio.
—Irmã, ele é seu marido. Majestade ela é sua esposa. Por quarenta e nove anos.-concluiu a cigana e todos comemoram alegremente a união de um casal unidos pelo destino e amor.
Depois disso houveram umas danças com direito a musicas cantadas pelas ciganas e ciganos, tocadas nos violinos e tamborins.
Cassandra se despediu de Quasimodo e Madeleine antes de entrar na carroça de Clopin.
“Quarenta e nove anos casada com o líder? Por que meu destino tem que acabar assim?” pensou entristecida assim que se deitou e novamente deixou as lagrimas escorrerem sem cessar.
”Perdoe-me papai. Mas eu falhei...” pensou contemplando as estrelas perfeitamente desenhadas no teto da carroça de seu marido e logo depois adormeceu.
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