A Dream
1 A Dream
Era 6 da manhã quando a cafeteria abriu suas portas para receber seus clientes. Geralmente, os clientes começam a chegar um pouco mais tarde, dando tempo para darmos uma última conferida nas mesas e na cozinha. É uma merda de emprego e não me importo de esconder minha insatisfação de ter que acordar 4 da madrugada para trabalhar em meio período aqui. Eu também odeio cozinheiro e dono do café, que insiste em me tratar como uma garotinha indefesa.
Mas algo de estranho aconteceu naquele dia. Quando eu menos espero, a porta se abre, e um maluco asiático todo de preto, cabelos bagunçados e molhados, óculos grandes e de armação azul entra, com o rosto vermelho. Pelo seu estado, parecia ter acabado de fazer uma corrida matinal.
“Err… Com licença. Estão abertos?” Ele pergunta para mim, notando o local vazio.
“Sim. Sim. Seja bem vindo.” Eu digo, mal humorada. “O que posso lhe servir?”
“Água.” Franzo a testa, e ele inclina o rosto para mim. “E o cardápio.”
“Tsk.” Apenas digo, e me afasto, logo trazendo um copo com água gelada e o cardápio para o nerd que se encontra sentado no balcão, mexendo no celular.
“Aqui.” Digo, o vendo erguer o rosto e me olhar, abrindo um sorriso.
“Muito obrigado.” Ele diz, pegando o copo e já bebendo boa parte da água.
Ele pega o cardápio e dá uma conferida.
“Eu quero um sanduíche de cenoura e maionese. E um café da casa, por favor.” Ele pede, não parece se importar com o meu mal-humor.
Logo eu o sirvo, e minha atenção dele é quebrada com a chegada de novos clientes. Ele observa o movimento da loja, enquanto come, aparentemente gostando do sanduíche. Quando consigo servir a todos, ele acena para mim.
“Err… posso ter meu pedido embalado para viagem?” Ele pergunta, me fazendo franzir a testa. “Aqui está o dinheiro.”
“Claro. Muito obrigado.” Recebo o dinheiro e dou o troco para ele, junto com uma sacola do café com o pedido dele. “Aqui está.”
E com outro agradecimento, ele sai do café.
…
No dia seguinte, mesmo horário, ele retorna. Pede um novo sanduíche e café, e sai carregando uma sacola com o mesmo pedido.
…
E a rotina continua por uns dias, com ele sempre fazendo pedidos diferentes e saindo com o mesmo na mão. Isso até o dia em que eu, com o meu mal-humor nas alturas. Ele está no seu assento usual, esperando o pedido quando o dono do café surge atrás do balcão e entrega o pedido para ele e pedindo desculpas pelo meu comportamento. O perdedor dá risada e diz que está tudo bem e isso me deixa com mais raiva.
“Ei perdedor. Fique na sua e me deixe em paz.” Eu grito, o assustando, no exato momento em que a porta de entrada se abre.
Vejo um rapaz alto, de cabelos prateados cuja franja cobre seu olho esquerdo e olhos azuis. Hm, definitivamente meu tipo. Ele olha em volta e abre um largo sorriso em forma de coração ao ver o perdedor.
“Yuuri!” Ele grita, abraçando ele.
“Victor Nikiforov? E… Yuuri Katsuki?” O dono da loja pergunta, surpreso.
Eu fico sem reação, completamente confusa.
“Sim?” O perdedor diz, sem se importar com o abraço e sim me olhando.
“Incrível! Duas lendas vivas de patinação artística no meu café?! Posso tirar uma foto com vocês?”
“É claro!” Ambos dizem, sorrindo.
“Eu pedi para meu Yuuri procurar um local para tomarmos café e quando ele começou a trazer sanduíches daqui, eu me encantei. São deliciosos!” O de cabelos prateados diz, se afastando um pouco do asiático.
E então eu percebo que ele retira os óculos e ajeita o cabelo do asiático. Este, notando o meu olhar, ergue a mão direita e acena, dando uma risada para mim quando eu finalmente percebo uma aliança de ouro e que o outro também possui uma no dedo… Eles são um casal? E aquele rosto… Merda. Ele também é belíssimo...
Eu o chamei de perdedor, mas parece que eu é quem realmente sou. Moral da história, nunca julgue um livro pela capa. E não querer carregar mais do que posso.
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