A Dor Da Perda E A Felicidade Da Volta
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Já que eu sou tão pobre nem consegui comprar um presente pra ela *shot*.
Bem, acho que é isso.
Hope you enjoy.
-A garota que eu brincava quando eu era criança, a Nyu também... Era você?
“Sim...”
-Eu... Nasci para matar os humanos. – Ele voltou o olhar para mim. Não sei se era de dúvida, espanto ou curiosidade. Continuei. — Daqui a cinco anos a maioria das crianças que nascerem vão ser da minha raça. Uma vez que o mundo mudar você não será capaz de viver mais aqui... –“Mas...” — Você apareceu na minha frente... Neste inferno. Foi um sonho passageiro... –“Kouta... Eu...”- O dia em que nós nos encontramos... Eu... -“... Me apaixonei por você...”- Sempre, sempre quis me desculpar com você. –“Você mudou o meu jeito de enxergar e compreender a humanidade...”- Eu suportei... Tudo só por este motivo. Eu me mantive viva. –“... Você me mostrou que nem todos os humanos têm medo de alguém... Uma criatura... Ou até mesmo um humanoide, um ser diferente... Como eu. Você me mostrou um mundo novo. Eu me mantive viva por você, eu queria ver mais, conhecer este mundo onde eu nasci. Eu tive tanto pouco tempo para explorá-lo...” Olhei para ele, chorando, mostrando meu arrependimento. Esperei que ele saísse correndo ou me desse alguma resposta.
Como nenhum dos dois foi feito, eu me levantei, me preparando para o que estava por vir, me sacrificaria. Para o bem de minha raça e para o bem do mundo? Eu nunca o faria. De modo algum. Eu apenas o faria para o bem dele. Apenas por ele. Se eu não me sacrificasse, ele seria morto. Mil vezes a humanoide causadora de mil e uma atrocidades do que um humano inocente que viu, em algum lugar profundo dentro do monstro, sofrimento, bondade e inocência.
Ele se levantou.
-Não vá! –Kouta me abraçou...
-Por quê? Eu matei sua família—
-Eu sei! –“Se ele sabe, ele deveria concordar com minha morte, deveria ficar feliz por isso.”- Kanae... Você a matou e o meu pai também, eu nunca vou te perdoar. –“Então me solte!” — Mas... Mas, se você matar alguém novamente eu... Irei com certeza... Sempre... Me arrepender. –“Se arrepender pelo quê? Você não fez nada de errado, Kouta.” — Aquela garota triste... De quando éramos crianças... A Nyu também... Eu as amo.
-Kouta... –“... Antes de ir, eu tenho uma última coisa a fazer... Se você corresponder, eu ficarei realmente feliz e, se não corresponder, eu compreenderei. Apenas quero que saiba disso.” Eu o beijei.
E ele correspondeu! Todas as boas lembranças que tive vieram à minha mente. As únicas boas lembranças de minha vida. E todas junto a ele. O único motivo de minha felicidade. Ele era, e ainda é muito especial para mim. E parecia que eu também era especial para ele.
-Por favor, esqueça tudo. –“Não quero que fique triste quando eu morrer.”- Eu só queria estar ao seu lado.
-Nyu...
-Me desculpe, por todas as más lembranças que eu lhe causei.
-Você também. –“Pelo quê?” — Você também não tem um monte más lembranças? –“Sim, mas não foi você quem as causou...” Apenas sorri. Ele se importava comigo.
Ele me abraçou mais forte ainda. Parecia que não queria que eu fosse. Parecia que sabia o que eu iria fazer, mesmo não contando isso a ele. Retribuí o abraço. Apertávamos cada vez mais o abraço. Sorri mais ainda, era tão confortável, o cheiro dele me deixava tão calma... E, então, minha primeira e única lágrima de felicidade escorreu pelo meu rosto. A única. Eu nunca me esqueceria deste momento tão especial. Não queria ir mais, porém devia, era minha missão, eu sentia isso. Então fui para a ponte.
. . .
-Mirem!
Lá estavam os “salvadores do mundo”, os exterminadores da praga que ameaça a humanidade, tão desumanos quanto eu. Suas armas apontadas para o alvo, eu. Os faróis cegantes de seus automóveis mostrando a vítima, como holofotes de um circo de horrores, focados na monstruosidade, para as pessoas contemplarem, rirem e vaiarem para o horror que a própria natureza humana criou, como um erro num código onde há milhares de números zero e um e, em algum local está um número dois, incomodando o resto, um código imperfeito.
Estava chorando. As lembranças do momento anterior vieram em minha mente. Kouta disse que amava aquela garota triste de quando éramos crianças e a Nyu. Mas não disse que me amava, a atual eu... Eu o quero feliz e, naquele momento em que paramos de nos abraçar e eu comecei a me guiar para a ponte ele chorou. Ele não me impediu porque sabia que isso era necessário, se eu não fosse lá poderiam nos matar, eu e o Kouta, e ele sabia que eu não iria permitir que ele morresse, não adiantava tentar me impedir.
Eu não iria aguentar saber que ele ficaria triste assim por tanto tempo. Se apenas a Lucy morresse, não faria diferença, afinal, ele ama a Nyu e aquela garotinha triste que eu era. Kouta havia dito que nunca perderia a esperança de que, um dia, eu voltaria, nesta vida, e também disse que se me encontrasse em outra vida, nunca me deixaria partir... . Então... É isso!
-Atirem!
POV Kouta
Como ela pôde fazer aquilo?! Como eu me sinto inútil... Eu deveria estar protegendo ela. Mas eu sei que a Nyu... Não, a Lucy não iria permitir. Por que ela não ficou? Por que ela não se escondeu?
Eu sei as respostas, mas... Por quê?
-Kouta, por que você não manda concertarem esse relógio?
-Você sabe, me trás lembranças. E um relógio a menos em casa não faz muita diferença, já que agora temos vários. –“E também não quero consertá-lo porque eu sinto a presença dela aqui.”.
. . .
Meses se passaram. Eu não perdi a esperança de que ela voltaria. Eu sinto que ela está viva. Em algum lugar. Eu sei disso! Afinal, ela não sobreviveu a torturas e coisas do gênero? Acredito que um simples tiroteio não faria diferença, não é?
Estava tentando limpar direito a casa, mas a Yuka disse que estava difícil porque fazia tempo que não limpávamos o lugar. Encontrei a concha que a Nyu havia me dado, logo as lembranças vieram. Yuka veio e perguntou:
-O que foi?
-Ah, nada não.
Estava perto da hora do almoço. Me sentei na varanda perto da mesa. Nana e Mayu estão lavando as panelas e os pratos que foram usados para fazer a refeição; Yuka está arrumando a mesa.
-...Yuka?
-Hum?
-Tem uma tigela a mais?
-Ela pode vir comer também... Aquela garota...
-Sim, você tem razão. –“Nunca perderei a esperança...”.
Começamos a almoçar. Nana estava praticamente devorando a comida.
-Ah! Delicioso!
-Hã? É a primeira vez que come soumen?
-Sim, eu nunca comi porque não tive chance de experimentar.
Yuka, eu e Mayu, ficamos atônitos.
-Tem um monte de coisas maravilhosas... Tantas coisas... –Ela começou a lacrimejar, parecia estar se lembrando de coisas passadas.
-Nana...? –Perguntou Mayu.
-Desculpem-me! –Ela enxugou as lágrimas do rosto. –Bem, vamos comer!
Yuka disse algo, mas eu não ouvi. Nana me fez lembrar da Nyu... Não, da Lucy. De repente Wanta começou a latir.
-Hã? Será que temos visitas? –Perguntou Yuka.
-Eu vou ver. –“Por favor, que seja ela...”. Wanta parecia feliz. “Será que é ela...?” Uma silhueta... “Tamanho certo... Mas... Cadê aquele último chifre?” A caixinha de música estava tocando. Estava pegando as chaves para abrir a porta de minha casa. Quando a música acabou o relógio voltou a funcionar... Parei no caminho... Espera, eu não pedi concerto algum para o relógio... E ele só passou a voltar a funcionar naquele momento. “A última pessoa que tentou concertá-lo foi... Será mesmo?”
Fui para a porta. Abri. Comecei a lacrimejar.
Não era de tristeza. Era de felicidade.
-Kouta! –Ela me abraçou e começou a chorar.
-Lucy... Sempre soube que você voltaria!
-S-sim, mas... –Ela me olhou. Olhei para ela. Aqueles olhos... Não era a Lucy, era a Nyu.
-Nyu... –Fiquei um pouco triste. Mas, mesmo assim feliz, não deixava de ser a mesma, não? Melhor do que ficar sem ela.
-N-não! Nyu... Escr-escrever, preci-so escrever!...Nyu! –Ela saiu correndo para dentro de casa.
-Aprendeu a falar? E... A escrever? –Corri atrás dela, notei que passou pelas meninas, pois estavam chocadas.
-L-Lucy? –Perguntaram e uníssono.
-Mais ou menos... –Falei enquanto seguia para meu quarto.
Ao chegar em meu quarto ela tinha colocado um papel sobre a mesa e estava procurando por algo.
-O que você quer Nyu?
-Ca-caneta ou lá-pis. Caneta ou lápis! –Ela parecia desesperada, então eu peguei uma caneta e dei a ela.
Ela começou a escrever rapidamente e sua caligrafia era muito bonita. Comecei a ler.
POV Lucy/Nyu
Sim, eu sobrevivi. Mais ou menos, ainda estou em meu corpo, porém quem o controla a maior parte é a Nyu, agora estou mais uma segunda consciência da Nyu que controla os braços e a fala... Mais ou menos, nós estamos compartilhando o corpo. A Nyu não consegue se comunicar com as pessoas, mas consegue se comunicar comigo perfeitamente em nossa mente. Ela me deixa controlar o corpo porque ela nunca teve uma ideia exata do que fazia quando eu abdicava o controle do corpo para ela. Tecnicamente eu sou a dona original do corpo.
Como não conseguia pronunciar muito bem as palavras eu procurei me comunicar através da escrita.
‘Pergunte o que quiser, Kouta.’
-Nyu. –Apontei para o que escrevi.
-O que aconteceu para você demorar tanto a voltar pra cá? E o quê você fez durante esse tempo?
Pensei por um momento e pus-me a escrever:
‘Ao começarem o tiroteio eu estiquei os meus vetores e dei um impulso com eles para me jogar no mar, porém recebi um tiro no meu último chifre, o que o arrancou de minha cabeça. Também recebi um tiro no coração, o que me fez apagar e acabar por quase morrer. Obviamente perdi a consciência e, ao acordar, estava num hospital. Pelo que compreendi devem ter trocado meu coração, pois eu avistei um ao lado de minha cama que possuía um indício de bala do lado direito. Logo notei que tinha um casal jovem me olhando. Perguntei quem eram, porém apenas pronunciei um “Nyu”.
-Qual o seu nome? –A mulher perguntou. Tentei responder, mas apenas saiu outro “Nyu”. Eles pareceram compreender.
-Você possui uma casa? –Neguei com a cabeça. Eles conversaram por certo tempo e então perguntaram se eu aceitaria viver com eles. Eu assenti.
O casal foi muito gentil comigo, me reensinaram a escrever e começaram a me ajudaram a pronunciar novamente as palavras. Só que um dia houve um acidente enquanto eles voltavam de um mercado para a nossa casa... Infelizmente eles morreram. Naquele dia eu estava me preparando para sair do local, pois havia descoberto o caminho para cá, mas como eles morreram, não havia nenhuma razão para esperar por eles. Então eu parti pra cá. ’
Estava lacrimejando. O casal fora tão gentil comigo... Queria saber o nome deles. Nós nunca nos apresentamos direito.
-Lucy... Vai ficar tudo bem.
-T-tem mais per-perguntas?
-Você é a Lucy ou a Nyu? Estou com dificuldade para entender: Você fala como a Lucy, mas algumas vezes você fala “nyu”...
Comecei a escrever novamente:
‘Ao falar e, às vezes, ao agir sou a Lucy, porém ainda não consigo controlar direito as cordas vocais. Este físico seria mais o da Nyu, porque é ela que movimenta as pernas e o tórax. A minha parte, ou seja, a parte em que eu, Lucy, controlo, seriam os braços, as mãos e parte dos pensamentos. A Nyu conversa comigo, como ela controla a maior parte do corpo, eu seria considerada apenas a consciência. Nós compartilhamos pensamentos, então praticamente conversamos “mentalmente”. Quando ela quer falar não consegue, por isso acabo por falar “nyu”. ’
Neste momento Yuka, Mayu e Nana chegaram.
-Lucy! –Gritaram em uníssono e vieram me abraçar.
-Senti tanta saudade de você! –Disse Nana enquanto me abraçava — Pensei que você tinha... –Engoliu em seco.
-Es-está t-tudo bem.
-O que importa é que ela está bem e voltou para nós. –Disse Yuka.
-Que bom ter você de volta! –Mayu disse, porém estava um pouco insegura. Ela estava preocupada, eu sabia a razão. Virei a página e então escrevi:
‘Não se preocupe, eu sei me controlar agora. ’
Ela leu e assentiu feliz.
Yuka se inclinou e leu.
-Por que você não falou em vez de escrever para a Mayu?
Virei a página anterior, ela leu e disse:
-Nossa isso deve ser complicado, não?
-Sim... –Eu disse.
Kouta olhou para as garotas, fazendo um sinal. Logo elas estavam se dirigindo à porta do quarto.
-Nós não terminamos de almoçar, então vamos voltar. Depois nós conversamos Lucy?
-C-certo.
Elas fecharam a porta e voltei meu olhar para Kouta.
-Hum... Você vai ficar aqui de agora em diante, não vai?
-S-sim. –Ele me abraçou. Eu retribuí. Senti lágrimas quentes em meus ombros.
-Estava tão preocupado, Lucy... Senti tanta saudade de você...
-Não f-fique assim, ag-gora passou. Eu voltei. Não há r-razão para chorar. –Não consegui conter, comecei a chorar também. A saudade era tanta... O choro fora contido por muito tempo, não aguentava mais segurá-lo.
Ficamos assim por um bom tempo, havíamos parado de chorar e agora estava tudo calmo. Kouta voltou o olhar para mim. Olhei para ele. Ele me beijou e, certamente retribuí. É incrível como tudo parece realmente melhor depois de tanto tempo ficar sem algo. O beijo dele, senti sempre falta disso. O gosto, a textura... Tudo simplesmente perfeito, realmente uma sensação quase, se não realmente, divina. Paramos apenas pela falta do ar. Ele me fitou com um ar carinhoso, sorrindo para mim. Poucas vezes em minha vida eu sorri e, nessas vezes, todos os meus sorrisos eram dirigidos a ele.
-Lucy...
-Sim?
-Lucy eu... –Ele começou a corar- Lucy, eu... Gosto de você. -Fiquei um pouco desapontada, mas, bem, ele gosta de mim pelo menos.
-Eu t-também gosto de você, K-kouta.
Neste momento eu senti um incômodo em minha cabeça. Ignorei, porém novamente o senti, só que mais forte. “Nyu? É você?”. “Sim, sou eu, Lucy”-seu tom parecia raivoso. “Por que está falando comigo assim?” perguntei. “O Kouta...” “Sim?”... Silêncio. “... Ele é meu!” Senti uma pancada muito dolorosa, como se um piano tivesse caído em minha cabeça. Minha visão ficou turva e caí no chão, imóvel.
-Lucy...? –A voz de Kouta foi desaparecendo – Lucy o quê---?
Escuridão, tudo o que eu via era escuridão. Comecei a ouvir passos, mas pareciam vir de todos os lados. Estava sentada procurando pelo dono dos sons, mesmo conhecendo de quem eram esses passos. De repente algo apareceu ao meu lado direito, parecia iluminado, porém não havia nenhum indício de fonte de luz, parecia ter luz própria fluindo do corpo, virei para ver melhor o que era. Nyu, lá estava ela, não com aqueles olhos inocentes e aquele sorriso típico dela, seu olhar era assassino e assustadoramente sério, pareciam sedentos de sangue.
-Onde estamos? –Perguntei.
-Em nossa mente, esqueceu? Ficou tempo demais lá fora, não é?
-Por que me trouxe pra cá tão violentamente?
-Lucy, você ficou tempo demais controlando o corpo. Agora é a minha vez.
-Do que você está falando? Você estava controlando a maior parte dele!
-Não, você se manifestou e passou a controlar tudo, Lucy. Você quebrou a promessa.
-Me desculpa, então. Não era minha intenção. Pode controlar ele inteiro dessa vez.
-Não, eu não quero controlá-lo dessa vez...
-Então por que você me tirou do controle?
-Eu quero controlá-lo por completo, todos os dias de minha vida, eu quero o corpo apenas para mim.
-Como?
-Eu não quero você mais aqui, quero que você deixe de existir. Você é um incômodo para mim, sempre foi, e agora darei um fim em você.
-Nyu, o que aconteceu com você?
-Nada. Sou a mesma Nyu de sempre, Lucy.
-Então o que fez você ficar assim.
-Devo responder? Você não notou? Não está na cara o que aconteceu?
-O que?
- Não se faça de desentendida. O que eu havia dito a você certo tempo antes de te tirar do controle?
Pensei por um instante... Então era isso!
-Você quer o Kouta para você?!
-Finalmente! Captou o que eu queria dizer, burrinha.
-Quem você acha que é para me chamar de burra?
-Quem eu acho que sou? Hum... Acho que eu sou a dona deste corpo. Agora chega de cerimônias e deixe-me te matar para que eu possa logo tomar posse dele! –Ela me atacou.
Se eu tivesse meus vetores eu já teria matado ela, porém, como estávamos apenas em minha mente, era impossível usá-los e, mesmo se pudesse, eles funcionariam apenas lá fora e se eu os usa-se provavelmente acabaria matando Kouta.
Ela havia me imobilizado, tinha me derrubado, estava deitada no chão e ela havia ficado encima de mim. Suas pernas imobilizavam as minhas, ela prendeu meus pulsos acima de minha cabeça com uma mão e estava de dando socos.
Me lembrei de que em algum lugar naquele local escuro existia uma pequena saída no chão, como um alçapão aberto, que nos fazia ter o controle do corpo. Olhei para os lados e na esquerda, há uns três metros de distância, estava a saída. Tentei afrouxar minhas pernas para sair, com o olhar fixo para lá. Nyu notou e, quando ela fitou o local, aproveitei e choquei fortemente nossas cabeças, ela se distraiu com a dor e tirou a mão de meus pulsos, empurrei-a para trás e soltei minhas pernas, sai correndo para a saída. Nyu foi atrás de mim, puxou-me para trás e pulou lá dentro.
Em minha frente apareceu a imagem de Kouta me olhando... Não, olhando a Nyu, preocupado.
-Lucy? –Ele perguntou- Você est---!!
Ela se levantou e, com os vetores, segurou Kouta pelo pescoço, enforcando-o, e o levantou no ar. Ele começou a se debater.
Corri para perto da saída, empurrei Nyu para o lado e, entrando lá, gritei:
-Mayu! Nana! Y-Yuka! So-socorro!
Enquanto elas não chegavam eu tentava meu máximo para afastar Nyu do controle, porém ela ainda conseguia controlar os vetores. Sempre que conseguia dava uma afrouxada na pressão dos vetores, não conseguia mais do que isso.
Logo as garotas chegaram e elas gritaram ao ver a situação de Kouta.
-Lucy... Por que está fazendo isso?! –Perguntou Mayu.- Eu acreditei em você!
Empurrei Nyu novamente e tentei falar o mais rápido possível.
-Nyu está d-disputando o cont-trole do corpo comigo-- -Ela entrou novamente, mas logo consegui deixá-la quase imóvel e consegui falar o resto. –Por favor, enc-contrem um jeito de imob-bilizá-la para que eu possa dar um j-jeito nela! En-enquanto planejam algo, t-tentarei segurá-la o ma-máximo que posso. Mas não cons-sigo segurá-la por m-muito tempo.
Mayu tentou dar um soco em mim, porém Nyu bloqueou e começou a enforcá-la, Mayu começou a chorar e a engasgar. Tentando impedir Nyu de enforcá-la, procurei afrouxar os braços, ao menos estava obtendo êxito nisto.
Enquanto Nyu estava ocupada demais tentando me impedir de tomar o controle e ao mesmo tempo enforcando Mayu e Kouta, senti algo me fazendo... Não, fazendo Nyu cair e, consequentemente soltar suas vítimas. Nyu virou para trás, fora Yuka que a derrubara. Pronta para ataca-la com seus vetores, Nyu se levantou, Yuka afastou-se, porém tropeçou em uma madeira solta e caiu, Nyu estava perto de conseguir matar Yuka, porém Nana segurou os vetores. Eu novamente aproveitei a distração de minha oponente e dei um nocaute nela, joguei-a para fora e pulei dentro da passagem, entrei completamente no comando.
-R-rápido! Alguém p-pegue alguma coisa e b-bata com força em minha ca-cabeça!
-M-mas Lucy---! –Tentou falar Kouta que acabara de se recuperar. Interrompi-lhe a fala.
-Isso é u-ma ordem!
-H-hum... OK... –Ele falou incerto. Pegou seu abajur e veio em minha direção.
Por sorte Nyu havia se recuperado do nocaute e estava vindo em minha direção e, pelo que me pareceu, não ouvira nada do que eu dissera aos outros. Ótimo.
-Sua burrinha, achou mesmo que apenas um soco seria capaz de me derrotar?
-...
-Saia daqui! Se eu não posso ter Kouta, ninguém o terá!
-M-mas...!- Ela me puxou brutamente para fora.
De novo ela entrou no comando.
-Onde estávamos?... K-Kouta...? O que você está...? N-nã--! –Tudo ficou preto.
. . .
Depois de muito tempo eu acordei. Estava em uma cama e Kouta estava me fitando, ele parecia preocupado.
- Lucy, é você?
-S-sim... –Disse um pouco desacordada.
-A Nyu... Não está mais habitando sua mente, não é? Se não eu terei que te acertar novamente com o meu abajur... Ou o que restou dele. –Ele me mostrou o “abajur”, se é que aquilo tinha o que era necessário para chamar aquilo de abajur. Restara apenas o cabo e uma lâmpada... Muito, mas muito mesmo quebrada. Poderia acender, mas duvido muito que o fizesse. Dei um sorriso fraco.
-Não, acho que não.
-Tem como você verificar isso?
-Acho que sim. Espere um pouco. –Fechei os olhos e, por mais que eu procurasse, não achava uma luz branca vindo de lugar algum, essa luz era o que eu chamava de “portal da mente”, porque ela me fazia voltar ao local onde eu ficava esperando a Nyu retornar para eu voltar ao comando. Na verdade a Nyu me deixara exilada naquele local enquanto ela controlava tudo, porém eu havia conseguido fazer um acordo com ela que me permitia controlar parte do corpo. Bem, já que não via nada... Ótimo, isso era sinal de que a Nyu não existe mais. Abri os olhos novamente.
-... E então...? –Perguntou curioso.
-Acho que ela se foi. Não consigo achar o portal que me faz voltar à minha mente. E, pra provar que talvez ela não exista mais, eu consigo falar fluentemente.
-Ufa... Isso é muito bom.
-Sim...
Fez-se um silêncio mortal entre nós por uns três minutos.
-... Kouta... –Comecei sem jeito.
-Sim?
-Você se lembra do dia em que nos despedimos e eu fui para aquela ponte?
-Lembro... Foi o pior dia da minha vida.
-...
-... Exceto por uma coisa.
-Que coisa?
-Este dia também foi muito especial.
-Sério? Por quê?
-Foi o dia em que minha vida quase ficou perfeita.
-Isso é um pouco contraditório. Mas... Aquele dia também foi especial pra mim.
Ele riu um pouco acanhado.
Silêncio novamente. Desta vez foi Kouta quem quebrou o clima tenso.
-Bem, já que não vai me perguntar a razão, eu a direi. -Ele respirou fundo e... Como se diz? Ele desabafou tudo, eu acho. –Foi um dia completamente inesquecível. Eu estava preocupado com você, eu percebi o que você iria fazer, não achei isso legal, de modo algum. Por isso eu tentei te impedir te abraçando. Você me beijou e... –Sua face ficou tão rubra quanto um tomate. -... Ficou tudo tão claro... Eu fiquei tão feliz... Eu... Eu não sei se você realmente estava com a intenção de mostrar que você me amava ou se você só fez aquilo pra me calar ou pra me fazer parar de te abraçar... Mas... –Ele suspirou. -... Eu só quero que saiba que... Eu te amo, Lucy.
-Mas... Você me disse que apenas me amava quando eu era criança e... Que amava a Nyu...
-E você não era aquela criança?
-Sim, mas isso não significa que você amava apenas a eu do passado?
-Não, Lucy. Eu sempre te amei. Desde que vi você perto da floresta. Aquela música daquela caixinha... Ninguém gostava dela, diziam que era uma música triste demais, deprimente demais... Você também gostou dela, e eu a guardei até hoje comigo, porque não conseguia te esquecer. Nem se eu quisesse eu o faria, você é especial para mim. Mas não foram apenas os nossos gostos parecidos que me fizeram me apaixonar por você... Mesmo matando minha irmã e meu pai... Eu te amo por você ter permanecido sendo você mesma, nunca se arrependendo do que fizera, bem, pelo menos eu acho. Com tantos olhares indiferentes que as pessoas te dão... Mesmo com as atrocidades que fizeram com você... Você permaneceu firme e forte. Eu acho você incrível, Lucy. Eu te admiro muito. Eu... Te amo muito...
-Kouta... –Comecei a lacrimejar, feliz. Abracei ele. -Kouta, por que você faz isso comigo? Sempre mexe com meus sentimentos. Sempre toca em um lugar profundo meu com suas palavras... Você me mostrou o lado belo da vida... Me fez te amar... –Acariciei seu rosto. –Você, sempre tão sincero, tocou meu coração de um jeito que nunca fizeram comigo. Na verdade, ninguém além de você o fez... Acho... Que é por isso que eu te amo... Acho que é porque você me compreende... Kouta... Eu também te amo. –Sorri.
-Lucy...
Ele me beijou. E eu retribuí. Ficamos assim por certo tempo, apenas separamos pela falta de ar, não gosto mais tanto assim do ar. Kouta me fitou, carinhosamente, com uma das mãos segurando meu rosto para fitá-lo em retorno. Uma lágrima estava escorrendo pelo meu rosto, ele passou o polegar pela minha bochecha, livrando-a da lágrima.
-Lucy... –Sua expressão ficou estranhamente séria.
-Sim?
-Me promete uma coisa? –Assenti. –Me promete que nunca mais irá me deixar?
-Prometo.
-Então não quebre essa promessa, por favor. –Ele sorriu radiante e me deu um longo beijo novamente.
Uma vez me disseram que o primeiro beijo é sempre o mais especial, sim, eu concordo, mas disseram que o segundo, o terceiro, o quarto e assim por diante ia ficando cada vez mais desanimador, com isso eu não concordo, para mim cada beijo que Kouta me dera ia ficando cada vez melhor. Talvez ele seja uma exceção. Ou as pessoas começam a perder o interesse e a atenção quando conseguem conquistar as pessoas que amam e isso não se faz.
Como eu estava sem meus chifres, acabei por passar quase despercebida pela sociedade, apenas sendo notada pela cor de meus cabelos.
Contei aos amigos que o Kouta me apresentou sobre a hipótese sobre a maioria das crianças nascidas dali a cinco anos nascerem diclonius, eles disseram que, se isso acontecesse, ocorreria uma guerra que exterminaria uma das raças, que seria um genocídio total, capaz de destruir o mundo. Bem, certamente, após cinco anos a maioria das crianças nascidas eram diclonius. Porém nenhuma exterminação racial ou guerra biológica ocorreu. Pelo contrário, as crianças diclonius nascidas trouxeram paz. Passamos a compreender mais uns aos outros, sem racismo nem nada. Pura paz e calmaria.
Depois de alguns anos Kouta pediu minha mão. Claro que aceitei. Tivemos dois filhos, um pequeno diclonius e uma linda garotinha. Para a menina demos o nome de Lilium, em homenagem à música que nos unira, ao garoto diclonius demos o nome de Kurama, porque Nana nos implorou para dar o nome do “papa” para ele.
Bem, quanto ao casamento... Parece que Yuka não gostou muito disso... Não sei por quê.
Notas finais
Se não gostou, comenta. Se gostou, também comenta. Se você é diclonius, comenta. Se você é humana(o), comenta. Se é um alien, comenta!
Comentar não faz mal a ninguém e encoraja a autora a fazer outras fanfics! Todos saem ganhando!
~Ai, que vergonha! Minha fanfic está uma baita duma porcaria!~
*nota da autora para a amiga japonesa*: Pelo amor de Deus, faça um comentário que ache digno dessa fanfic e dessa garota incrível.
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