capítulo um. domingo, último dia das férias.

Harry Potter estava desesperado.

Desde que tinha dez anos, Harry sonhava em entrar na Universidade de Godric’s Hollow, vulgo a mesma universidade que seus pais e os amigos estudaram. Aquele era o maior sonho da vida de Harry e ele faria qualquer coisa pra entrar. Até mesmo mentir na carta de apresentação.

Entenda, o Potter de alguns meses atrás achou que seria uma boa ideia dizer que ele era um ótimo jogador, considerado o melhor da escola. O problema é que ele não era, até estava no time, mas por causa de uma espécie de legado porque seu pai foi capitão e por isso ele tinha uma vaga garantida, porém ele não saía do banco de reserva. Tudo estava bem porque ele podia confirmar que é parte do time, mas, obviamente, as coisas não seriam tão fáceis. Algumas semanas depois de enviar, ele recebeu uma resposta avisando que um olheiro iria assistir o último jogo da temporada e avaliar se Harry realmente merecia.

Agora, jogado na cama encarando o teto, ele suspirava tentando pensar numa solução que não envolvesse ele sequestrando o olheiro, chantageando até ser aceito e, caso desse errado, fugindo do país. Já bastava mentir, não precisava perder o réu primário.

— Harry, você precisa parar de se lamentar e pensar numa solução. — Hermione Granger, sua melhor amiga gênio, disse da cadeira em frente a mesa do computador. — Sério, se você usar seus dois neurônios talvez chegue numa solução.

— Mione, como que eu vou aprender a jogar futebol? — Virou o rosto pra ela. — Quem vai fazer esse milagre?

— Um milagre realmente, eu já tentei mais de uma vez e ele não consegue nem chutar. — Ron Weasley, seu outro melhor amigo, reclamou do tapete. — O jeito vai ser falar a verdade, Harry.

Olhou para o amigo como se ele estivesse enlouquecendo. Aquilo não era uma opção, se fizesse isso perderia a bolsa por duas razões. Primeira, por não jogar ele não seria admitido. Segunda, por ser um mentiroso. Ou seja, falar a verdade estava fora de cogitação.

— Você realmente acha que admitir que eu menti na carta vai me fazer ser aceito? — Olhou pro ruivo, incrédulo.

— É você tem razão.

Ficaram longos minutos em silêncio, pensando em alguma solução. Harry estava começando a achar que as coisas estavam perdidas, que ele decepcionaria todo mundo. Via na cara de Hermione que ela se esforçava pra pensar em alguma solução, assim como Ron.

— Acho que a única solução é achar alguém que seja muito bom pra te ensinar, Harry. — Granger disse, parecendo decepcionada por não ter tido uma ideia genial.

Potter gemeu, frustrado. Ficou de pé, começando a andar de um lado pro outro, as mãos indo pro cabelo, bagunçando-os ainda mais.

— Vamos pensar em alguém, calma. — Ron falou. — Tem a Angelina, a namorada do George, ela tá na universidade agora, mas certeza que te ajuda.

— Não vou atrapalhar ela.

— Aquele que foi capitão por muito tempo… Como é o nome? — Mione perguntou.

— O doido super competitivo e apaixonado por futebol? — Ela assentiu. — Oliver Wood. Ocupado demais jogando em algum time.

— A gente tem que pensar em alguém que esteja no colég-

A fala de Hermione foi interrompida pelo som de “i wanna be yours” de arctic monkeys saindo do celular de Ron. Ele corou, ficando quase da cor dos cabelos, e puxou o celular do bolso pedindo desculpas.

— Oi? — Falou, Hermione e Harry em silêncio, esperando o amigo terminar. — Tô na casa do Harry. Vou sim. Uhun. Quer que eu leve alguma coisa? Tudo bem, Gin… Tchau. — Hermione olhou pra Harry de olhos arregalados. Ele franziu a testa em resposta. Ron encerrou a ligação e virou pros amigos. — Então, eu tenho que-

— Ginny Weasley! — Mione gritou assustando os outros dois. — É a solução dos seus problemas, Harry!

— Como que a minha irmã vai ajudar o Harry? — Trocou um olhar com Potter, os dois sem entender a amiga.

— Vocês são muito lerdos mesmo. Acompanha comigo. — Assumiu a postura de quando vai explicar algo que eles já deveriam ter entendido, mas eram estúpidos demais. — Você precisa aprender a jogar futebol, certo?

— Sim. — Harry concordou. — Mas, o que tem a ver?

— A gente tava cogitando os melhores jogadores, né? — Ron olhou para ela começando a entender onde queria chegar. — Quem ganhou o prêmio de melhor jogador dos últimos dois anos?

— A Ginny… — Arregalou os olhos quando finalmente compreendeu. — Meu Deus! A Ginny!

— Finalmente, achei que não ia entender nunca. — Granger olhou pra ele, sorrindo. — Você só precisa convencer ela a te ensinar.

— Putz, boa sorte. — O ruivo sacudiu a cabeça. — Aquele ali é difícil de convencer.

— Mas, você pode ir falando com ela, né? — Olhou pra o amigo com cara de cachorrinho que caiu da mudança. — Por favor, Ron, ajuda seu melhor amigo.

O Weasley olhou pra ele de braços cruzados e a testa franzida. Não estava muito afim de ter que convencer a irmã, além disso sabia que não ia conseguir.

— Você que deveria falar com ela, Harry. — Deu de ombros. — Não sei se ela vai me ouvir.

— Eu vou falar, só tô pedindo pra você ir dando a ideia.

— Ok, vou ver o que posso fazer. — Caminhou até a porta. — Agora eu tenho que ir. Você bem, Mione?

— Sim, também tenho que ir. Vou jantar com meus pais. — Levantou e foi até Ron. — Tchau, Harry. Vai dar tudo certo, relaxa.

Acenou pros amigos, se jogou na cama pensando em como ia convencer a teimosa Ginny Weasley aceitar ajudar ele.



segunda, primeiro dia de aula.

Era horário de treino, o time masculino estava sentado nas arquibancadas esperando o time feminino terminar de treinar pra ser a vez deles. Harry estavam sentados lado a lado, o moreno não tirava os olhos de Ginny correndo de um lado pro outro e fazendo jogadas perfeitas. Não tinha dúvidas de que ela é a melhor jogadora que Hogwarts já teve.

Quando terminou e ela conversava com uma colega, Harry levantou da arquibancada e, com uma garrafa de água na mão, andou até ela. Ela estava de costas pra ele, mas a outra menina o viu e sorriu pra ele. Ginny se virou pra ele com as sobrancelhas arqueadas.

— Ei, Ginny. Tudo bom? — Ofereceu a garrafa de água para ela.

— Tudo ótimo. — Aceitou e deu um gole grande. — Então, você quer minha ajuda, Potter? — Ginny perguntou, um sorriso malicioso no rosto.

A Weasley olhou pra ele, achando graça da careta levemente desesperada que ele fazia. Ron tinha conversado com ela na noite anterior e aquilo não tinha saído de sua cabeça. Era óbvio que não ia negar, se ele precisava de ajuda, ela ia ajudar. Além disso, gostava de um bom desafio.

— Eu preciso da sua ajuda, Gin. Te imploro. — Ela achava que Harry se ajoelharia e imploraria se ela mandasse. — Eu faço qualquer coisa.

— Qualquer coisa? — Perguntou interessada.

— Sim. O que você quiser.

Não precisou pensar muito no que pedir. Molly Weasley e todas as suas tias chatas a importunavam com aquilo desde que ela fez uns catorze anos. E o evento chegando ia ser o prato cheio pra elas reclamarem.

— Você vai ser meu acompanhante no casamento do Bill. — Olhou nos olhos dele. — Vai fingir ser meu namorado, convencer a dona Molly e aí eu ajudo você a ser o melhor jogador de Hogwarts.

Não estava acreditando que ia ser algo tão fácil. Harry iria pro casamento, que aconteceria em novembro, de qualquer jeito, então ir com Ginny não seria um problema. Talvez a parte mais complicada fosse convencer Molly Weasley, mas ele daria um jeito.

— Combinado. Vou ser o melhor namorado que você já teve.

Trocaram um aperto de mãos e ela saiu do campo depois de avisar que mandaria mensagem pra avisar quando seria o primeiro treino. Harry se virou observando ela sair e rezando pra que aquele realmente fosse a solução dos seus problemas.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.