A Dominação Mundial de Dr. Evil
1 E o plano começa...
Notas iniciais
Dr. Evil, Mini-me e Mr. Bigglesworth estavam na porta da sede do maior banco maléfico da cidade. Após inúmeros pedidos negados aquela era a última esperança de conseguir um financiamento.
– Vai dar certo! E quando acabar, vamos destruir Austin Powers e roubar seu maldito Mojo! — falou Mini-me, mas a única resposta foi um grunido de Mr. Biggle.
– Vamos entrar — falou Dr. Evil após uma pausa.
Eles passaram pela porta giratória e entraram em um saguão luxuoso feito de mármore preto e detalhes em ouro puro.
Atrás da mesa estava uma mulher magra demais com o rosto que lembrava uma fuinha e óculos segurados na ponta de seu nariz por uma verruga grande e peluda.
– Senhor, nada de animais no prédio.
Como ela ousa impedir a entrada de Mr. Biggle? O gato é mais vilão do que qualquer outro que já entrara naquele prédio! Mesmo assim, Dr. Evil entregou o animal para a cara de fuinha, que segurou o gato pelado com nojo e o colocou longe de sua mesa.
Mini-me e Dr. Evil entraram no elevador e apertaram no andar da cobertura.
A medida que o elevador subia a música de fundo parecia ficar mais mórbida até se transformar em uma marcha fúnebre.
– Caloroso — murumurou Dr. Evil.
– Já me sinto em casa — respondeu Mini-me com um sorriso, apreciando a música.
Um sino fino e agradável anunciou a chegada e eles se viram no escritório do dono do banco, Sr. Gatsbi.
O homem atrás da mesa não era nem um pouco de dar medo, na verdade, se Dr. Evil não tivesse cuidado, iria pular a mesa e dar um abraço apertado nele. O dono do banco mais maléfico da cidade parecia mais um Ursinho Teddy, com suas bochechas grandes e gordas e sua barriga proeminente, mas também era alto e os olhos grandes e redondos, amendoados como os de um ursinho de pelúcia. O terno dele era marrom e um edredom peludo jazia em seu colo para protegê-lo do frio e realmente estava muito frio, provavelmente era o corpo da última vítima do Sr. Gatsbi que estava sendo mantido em uma mesa gelada para preservar o corpo, vestindo um tutu.
– Você de novo? — disse o homem de terno atrás da mesa de mármore preta — Já não rejeitei diversas de suas propostas, Dr. Evil?
Oh e o cientista louco lembrava muito bem delas! Como da vez em que viera ali pelo plano de criar uma espécie de canarinhos com um canto tão ruim que enlouqueceriam pessoas, ou aquela que pensou que seria genial se treinassem esquilos para roubar nozes das casas das pessoas e deixar o mundo inteiro sem nozes (afinal, apenas esquilos gostavam delas) e finalmente teve aquela vez que, inspirado no próprio dono do banco, Dr. Evil teve a ideia de fazer um exército de ursinhos Teddies do mal que acabaria com a população de uma cidade inteira, mas Gatsbi não gostou muito daquela homenagem, apesar dos motivos não serem aparentes para o cientista. Porém daquela vez era diferente! O plano era incrível, genial e infalível!
– Sim, sim, mas dessa vez é diferente! Meu plano é genial!
– Sente-se — disse Gatsbi sério. A verdade é que ele estava cansado de seu dia e a apresentação de Dr. Evil era a desculpa perfeita para dar um merecido descanso.
Os dois sentaram-se, embora Mini-me tenha tido um pouco de dificuldade de subir a cadeira.
– Eu desenvolvi um vídeo que, com o financiamento do senhor, vamos rodar na televisão e hipnotizar a audiência para criar um exército invencível.
Isso parecia, de fato, uma boa ideia. Finalmente uma boa ideia daquela cabeça louca.
– E existe alguma garantia de que seu exército lhe seguirá? — perguntou o Teddy bear curioso.
– Funciona assim: a audiência vê o vídeo, se hipnotiza, o vídeo passa e elas voltam ao normal. Depois que esse vídeo passar várias vezes para que muitas pessoas o vejam existe uma palavra chave que, quando dita, faz com que o exército volte ao seu estado de hipnose e ataque quem estiver por perto. — explicou o cientista. O maior.
Era uma ideia interessante! E muito inteligente! Gatsbi quase não pôde acreditar que o próprio Dr. Evil a tenha criado!
– E qual seria essa palavra?
– Pavão.
Interessante palavra, deveria ter algo sentimental ou algum sentido explícito. Mas afinal, o que importa não é a palavra, e sim o que ela faz.
– Só temos a exigência que Austin Powers seja o primeiro a ser atacado — especificou Mini-me.
– Parece justo o bastante.
Os dois estavam contentes, era a primeira vez que chegavam tão perto de ter um investimento.
– Posso ver esse vídeo? — entenda, na mente daquele homem, se Dr. Evil conseguisse hipnotiza-lo então certamente sua ideia valeria a pena.
– Claro.
Dr. Evil retirou a caixa do DVD do casaco e entregou ao Sr. Gatsbi, que o inseriu no computador e deu play.
Uma música animada e um vídeo colorido e meio idiota começou a tocar.
"O Dr. Evil e seu Mini-me. O Dr. usa terno e o Mini-me também. O Dr. Evil ficou doente e o Mini-me nem ligou. Mr. Biggle foi correndo pra chamar o seu doutor. O doutor era um peru (gluglu!) e a enfermeira um urubu (uhuh!) e a agulha da injeção era a pena de um pavão (ai!)..."
Dr. Evil e Mini-me balançavam a cabeça animadamente no ritmo da música.
– O que deveria ser isso? — perguntou o homem irritado.
– O vídeo hipnotizante.
– Eu não me sinto nem um pouco hipnotizado.
– Só funciona com menores de cinco anos — observou brilhantemente Mini-me.
O homem respirou fundo e massageou as têmporas.
– Vocês querem criar um exército de bebês? É isso mesmo ou estou equivocado?
– É isso mesmo! Você já viu como são fofos os bebês? — falou Dr. Evil com orgulho.
– Sim! Ninguém atiraria em um bebê! Então é o exército perfeito! Impenetrável! — completou Mini-me.
Algo dizia aos vilões daquela sala que não iriam conseguir o investimento ali. Talvez fossem as narinas dilatadas do Sr. Gatsbi ou seu olhar de raiva.
– Saiam do meu escritório.
– Isso quer dizer que conseguimos? Vai nos patrocinar? — perguntou o Dr. Evil esperançoso.
– NÃO! — gritou o homem batendo forte na mesa com o punho fechado — SAIAM DO MEU ESCRITÓRIO AGORA MESMO E NUNCA MAIS VOLTEM!
Foi então que a razão deixou Dr. Evil, ele simplesmente perdeu a cabeça e soube que faria alguma besteira a seguir. E fez.
Ele pulou a mesa de Gatsbi e deu nele um... caloroso abraço.
– SAIA DAQUI! — gritou o ursinho, não mais tão fofo, com um nervo saltando da testa.
Os dois se apressaram para sair.
No elevador aquela maldita marcha fúnebre não parecia mais tão calorosa.
Quando finalmente chagaram no saguão, Mr. Biggles estava enfiando suas garras no rosto de cara de fuinha, que gritava em desespero.
É claro que Dr. Evil deveria ter dito que o gato ficava furioso quando era excluído de algum plano malvado. Ooops!
Mini-me pegou o bichano nos braços e acompanhou seu mestre para fora.
Já na rua e cabisbaixos eles viram Austin Powers do outro lado, sorridente, com os braços ao redor de uma mulher bonita e esbelta.
Dr. Evil ficou com tanta raiva que sua cabeça ficou vermelha.
– Calma, Dr. Evil, ainda vamos conseguir acabar com ele, roubar seu mojo novamente e dominar o mundo! — falou Mini-me — Só que não vai ser com nosso exército de bebês.
Ah, o exército de bebês...
– Você tem razão, Mini-me. E eu já estou tendo outra ideia... — disse Dr. Evil colocando seu mindinho na boca enquanto pensava em mais um plano maléfico.
~..~
Enquanto isso, Sr. Gatsbi, com sua imensurável fúria, jogou o DVD no lixo.
O lixeiro carregou para o lixão.
No lixão um catador achou e achou interessante embalar para presente e dar de aniversário para seu sobrinho.
O sobrinho do catador de lixo recebeu o presente muito feliz e logo colocou para as criancinhas assistirem.
Um vídeo colorido e uma música animada e meio idiota começou a tocar.
Todas as crianças do quarto se calaram e ficaram boquiabertas assistindo o vídeo.
Quando os adultos tiraram o vídeo as crianças pareciam meio idiotas ou zumbis e olhavam para o horizonte murmurando algo sobre a dominação mundial e alguém chamado Dr. Evil.
Aquelas crianças nunca mais foram as mesmas. Sempre que alguém dizia a palavra "pavão" elas ficavam extremamente violentas e malucas, atacando quem estivesse por perto e espumando pela boca.
O pai do sobrinho do catador de lixo decidiu que pelo bem das outras crianças aquele DVD deveria ser destruído.
Então ele teve uma ideia melhor. Mudou um pouco o texto, o vídeo e criou sua própria marca de produtos infantis, com o vídeo milagroso para acalmar crianças. É claro que o problema do pavão deveria ser consertado, então ele misturou todo aquele som com galinhas fazendo seu "pópópó!" em um ritmo imbecil, quebrando o encanto da música e deixando as crianças apenas temporariamente idiotas, e não eternamente.
A marca fez muito sucesso e o pai do sobrinho do catador de lixo virou milionário.
A ideia de Dr. Evil não era tão ridícula assim, afinal de contas.
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