A Domadora - O Fragmento da Profecia
1 Prólogo - O Primeiro Encontro
Notas iniciais
Deveria ser um templo. Não poderia negar, mesmo que suas paredes já estivessem tomadas por uma pigmentação acinzentada e suja, velha e abandonada. Mostrava apenas o quanto não era habitado aquele local, há muito tempo. Embora, ainda era possível ver que um dia as paredes já haviam sido de um tom de azul claro, assim como, tudo já deveria ter tido seus detalhes mais "bonitos". Pois as várias esculturas presentes, já não eram mais possíveis identificar como era, assim como, o altar no qual estava parado em frente. Continuava tentando decifrar o que deveria ter sido antes aqueles desenhos gravados na parede.
Com seus olhos cinzentos fixados a sua frente. Acabou por desistir de tentar entender o que já fora escrito naqueles tapumes altos.
Contudo, seus minutos de silêncio não foram tão duradores quanto almejava. Ouviu o barulho de passos lentos caminhando na sua direção, e que, não faziam questão nenhuma de serem silenciosos. Calmamente, o de cabelos prateados virou-se na direção da "recém-chegada".
–Você é bem pontual. — Era uma garota. De fato, não a conhecia, era a primeira vez que a vira. — É bom saber que recebeu o recado direito.
O de olhos prateados preferiu manter-se em silêncio. Por algum motivo, ela não parecia de confiança. Mas dizia-se filha daquele que, praticamente, o criou, certo? Ela era filha daquele que havia o salvado, retirado daquele lugar infernal...Mas que, após alguns anos, passou lhe parecer interessante.
–Está bem, se não quer falar, eu mesma irei lhe explicaras coisas. — Ela aproximou-se, novamente em passos lentos, caminhando em direção ao altar onde ele se encontrava.
A garota tinha seus cabelos castanhos e compridos, com uma franja que insistia em cair-lhe sobre seus olhos, que, por sua vez, tinham o tom estranhamente cor-de-rosa e sua idade? Talvez uns quinze anos, com a expressão da típica adolescente revoltada com o mundo. Embora, a mesma vestia um longo vestido de cor vermelha, com detalhes em branco. Sua pele era clara, e sua altura, um pouco mais baixa do que ele. E havia um “porém”, ela lembrava muito aquele estranho que aparecera em usa vida.
–Primeiramente, meu nome é Mesura Outrora. E sim, sou filha de Argalon Outrora, e já vamos falar sobre ele. — Apresentou-se, de maneira, ligeiramente, desinteressada. — Sei que muito bem quem você é, meu pai o chamava de "Zê"? Não é?
Zê, de fato, era um nome completa mente ridículo e nada formal. Mas afinal, não sabia com exatidão quem realmente era. Nunca soube. Apesar disso permaneceu com os olhos prateados semicerrados e uma expressão de pedra, enquanto apenas seguia Mesura com o olhar. Seus cabelos eram de cor prateada, embora, não fosse velho, eles sempre tiveram aquela pigmentação grisalha e, no momento mantinha em um comprimento relativamente grande, sendo que prendia em um rabo-de-cavalo, deixando as pontas alcançarem a cintura e uma franja dividida ao meio, caindo sobre seus olhos em um comprimento do queixo fino. Também usava brincos com argolas pequenas de cor prateada. Visivelmente, deveria ter uns vinte anos, vinte um. Usava uma túnica sem mangas, de um tom branco amarelado, com faixas de um tecido de cor verde musgo amarrados na cintura, onde prendia a bainha de cor negra de sua espada. Afinal, era um espadachim habilidoso, tinha muitos anos de prática. Nas mãos, luvas de cor azul marinho, sem os dedos eram usadas, para provavelmente, disfarçar os calos. Faixas de um tecido vermelho amarrados nos braços, abaixo dos cotovelos iam até acima do pulso, servindo como aquecedores de braço. Usava calças cinza escuros e, algo que de fato chamava atenção, era que, estava descalço. E motivos? Bem, não gostava de usar calçados, apenas isso, uma mania anódina.
–Nossa, onde você viveu, não o ensinaram a falar? — Zombou, em uma piada ridícula, ao ver de Zê, claro.
–O que você quer? — Foram as únicas palavras que disse, com o tom de voz grossa e rouca, resultante de ficar algum tempo em silêncio. Não era uma pessoa de falar muito, no fim das contas.
–Você é frio. — Mesura constatou algo que não fizera tanta diferença, afinal, era obvio. — Mas enfim, hoje completa exatamente um ano que Argalon Outrora morreu. E sabe o que eu gostaria de fazer, devido a isto? — Aproximou-se de Zê, recebendo apenas mais um olhar indiferente dele. — Seu olhar é muito parecido com o dela... Você lembra muito ela...
De fato, iria perguntar quem era a pessoa da qual ela referia-se. Mas como antes, preferiu manter-se em silêncio. Ignorando completamente o fato de que sentia curiosidade perante aquilo.
–Enfim, não sei se essa notícia chegou a você cedo, ou se está sabendo disso somente agora. Mas quero que faça algo por mim. — Mesura fez uma pausa, tomando uma expressão fria, logo continuou: — Quero que mate Sora Maarten Hill.
E aquilo fora o cúmulo.
Era um espadachim, não assassino!
–Por que quer que eu faça isso? — Disse, de maneira ligeiramente ríspida.
–Por meu pai, ele o ajudou quando precisava, não é? Você deve a ele, e como não está vivo agora, deve a mim. Sei que só fui descobrir da sua existência há pouco tempo, graças a alguns conhecidos de meu pai e aos vários arquivos que pertenciam a ele.
–Não irei fazer o que você está pedindo. — Disse de maneira seria e ao mesmo tempo, grosseira e calma. Sim, de fato, ele era uma pessoa difícil de decifrar.
Preparou-se para se retirar, dando um passo a frente e sendo barrado por Mesura.
–Eu não pedi para você vir nessa maldita cidade abandonada por nada. Fique sabendo que, você não fará nada de graça. Além de tudo, se não aceitar, nesse tempo todo após a morte de meu pai, descobri contatos, pessoas que serviam a meu pai e que, agora servem a mim. — Sua voz era mais fria, enquanto o jeito mimando de antes sumia por completo, sendo tomado por uma aura de ódio. — Você não sabe o que vi. Aquela maldita matou meu pai sem ter dó. Ele era minha única família, não tenho mais ninguém além dele. E sim, sei de tudo que meu pai já fizera, sendo coisas boas ou ruins. Mas entenda, aquela que matou ele deve pagar.
–Pagar? Por que as pessoas sempre querem vingança quando perdem algo? Já perdi coisas que nem sequer tenho lembranças do que era, mas nem por isso saio por ai querendo "vingar”.
–Você não viu o que eu vi – respondeu pesarosa e seca.
Suspirou. Um fato que, realmente detestava em si era: seu coração era gelado, mas derretia-se com facilidade. E por algum motivo, a história daquela estranha lhe comovera, embora, não quisesse admitir e, tentasse ignorar.
–Por que você não faz isso com suas próprias mãos? — Perguntou, pois, apesar de todas as circunstancias, não era um assassino do que tipo que alguém paga para fazer um trabalho sujo, não gostava de pessoas sujas. Não poderia se tornar uma.
–Por que você é a única pessoa que chegaria a altura dela, e, tenho certeza de que, isso servira para você descobrir algo sobre quem realmente é. Acredite meu caro, Zê, sei que você procura saber quem era antes dessa maldita cidade ser destruída.
Trincou os dentes.
–Essa cidade não é maldita. Apesar de tudo, você nem ao menos sabe a historia dela. Não me venha com essas palavras ridículas. — Retrucou.
Mesura sorriu, de forma que, parecia ter ganhado algo e, calmamente, retirou a mão que barrava a passagem de Zê.
–Está bem. — Fez uma pausa enquanto ele descia os degraus do altar e seguia caminhando em linha reta pelo templo. — Ela vai estar nessa cidade amanhã, esteja aqui. Faça o que pedi e não se arrependerá. – Por algum motivo, sabia que um passo já havia sido dado.
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