A Domadora - O Fragmento da Profecia
9 Capítulo 8
Notas iniciais

— Pare de asneiras. — Falei circunspecta. — Eu preciso ir para a fortaleza agora.
— Não, eu quero enrolar você um pouco mais. — Randy me barrava com a lança que emprestavam para aqueles que ficavam de guarda no portão da fortaleza. Para a minha maldita sorte, hoje era o dia dele e de Rezon ficarem de guarda. O mesmo acontecia no templo das anciãs, embora, para ser um guarda de lá era preciso ter certo nível de poder.
— Tenho trabalho a fazer e preciso passar. Você poderia parar de brincadeira? — Me afastava para atravessar por ele reto, mas Randy foi mais ágil e me barrou mais uma vez. Era uma cena completamente ridícula.
— É muito engraçado ver você brava. É sério, você fica com uma expressão assassina e fria.
Fulminei-o com meus olhos, embora não pudesse ver os dele, já que estavam cobertos pelo elmo.
— Eu tenho a expressão fria por natureza. E posso me tornar uma assassina agora mesmo, se você quiser.
Ele não se moveu. E eu detestava suas brincadeiras sem graça. Apesar de Randy ser uma boa pessoa, às vezes ele passava dos limites.
A pior das combinações foi quando ele e Benjamin se juntaram...
Foi quando? Na comemoração ao aniversário de Temesia? — Arcano perguntou.
A fortaleza promoveu uma espécie de baile, algo assim... Não fiquei muito tempo. Mas lembro de que eles estavam insuportáveis, Fallen provavelmente bateu em Benjamin naquele dia também...
Um completo desastre, não?
Sim...Principalmente, vendo eles... Bêbados.
— Ei! Pare de se portar como uma criança, Randy. Deixe Sora passar. — Rezon retirava o elmo enquanto ajeitava os cabelos pretos.
— Para você, Rezon, é Senhor Acker. — Também retirava elmo.
— Sou mais velho do que você, então não, não é. — Retrucou Rezon.
Suspirei, dando de ombros enquanto aproveitava que eles discutiam para a minha deixa. Ouvi apenas Randy gritar alguma coisa após eu passar, provavelmente reclamando o fato de que passara sem dar importância. Mas ignorei. Atravessei o pátio enquanto ajeitava a bolsa que usava para guardar meus pertences, seria uma viagem mais longa. Afinal, Eternal era longe de Temesia. Iriamos passar bem mais tempo fora, provavelmente. Dias, semanas ou meses, tudo dependeria do tempo que levaríamos para encontrar o elemento.
Preparei-me para abrir a porta que levava ao grande salão, contudo, ela foi aberta antes que eu o fizesse. Quase esbarrei em Luna.
— Bom dia, Sora. — Ela sorria. — Creio que veio cedo por causa de sua missão, certo?
— Estão lhe esperando da sala do Conselho, Arcádio tem algo sério para lhe falar. E eu tenho que sair agora, precisa resolver algumas coisas — disse enquanto saia.
— Está bem, obrigada por avisar.
— Não tem de quê. Aliás, boa sorte. — Disse enquanto se afastava.
— Obrigada... — Provavelmente ela nem escutara. — Novamente...
Luna vive está sempre atarefada... — Arcano comentou.
Mas ela é uma domadora forte, se não fosse, não teria o cargo que tem.
Entrei na fortaleza, o céu da manhã estava cinzento e era possível ver isso através do teto de vidro que havia no Grande Salão. Quantas vezes eu já passara por aqui? Centenas e mais centenas de vezes em toda a minha vida, desde quando me tornara uma domadora. Subi o lance de escadas e me direcionei aos corredores, fui diretamente até a sala do Conselho.
Não hesitei, sequer pensei muito e abri a porta.
Arcádio me encarou, apenas ele, Benjamin e Terence estavam ali.
Estranhei aquilo, então, encarei diretamente o Break.
— O que você fez, agora? — Perguntei, arqueando uma sobrancelha. Benjamin ajeitou os óculos e hesitou por um instante. Provavelmente iria dizer algo, mas Arcádio interveio.
— Perguntou diretamente para a pessoa certa, Senhorita Hill. Mas irei lhe responder mesmo assim, o Break que argumente depois. — Pelos deuses... — Ele estava usando os poderes em uma hora desnecessária, estava brigando e isso não é permitido. Aliás, estava junto do Scarlet.
— O irmão mais velho de Amélia?
— Sim. — Terence respondeu.
— E isso faz alguma diferença em relação a nossa viagem? — Estava de braços cruzados. Tinha a leve impressão de que aquilo não seria nada bom. Benjamin passava dos limites, e desta vez, Arcádio parecia ter chegado ao seu.
— Benjamin não irá mais para Eternal.
Isso é brincadeira? — falei.
Arcádio não brinca.
— E o que vai ser feito, afinal? — Perguntei.
— Benjamin deve ficar com Yanni treinando.
— Entendo. Então acho que devo me retirar, certo? — Falei, não que eu fosse simplesmente deixar aquilo assim. Benjamin ficaria com Yanni, está bem.
Não, na verdade, não estava nada bem.
Era incrível o fato de que ele conseguia facilmente arrumar confusão.
— Antes disso, as anciãs disseram que vocês poderiam precisar de algumas coisas para a viagem. Elas deixaram moedas outro e prata, alguns suprimentos e pediram para que o dono de uma estrebaria emprestasse cavalos a vocês. Os outros já recolheram tudo e disseram que iriam separar quando você chegasse.
— Isso tá meio exagerado... — Benjamin comentou, concordava com ele, mas resolvi não falar nada. Eram ordens das anciãs, e agora eu as conhecia pessoalmente, não tinha como questionar.
— Nós já avisamos os outros onde fica o local onde devem se encontrar, — Terence me entregava um papel. — aqui tem um endereço, mas será fácil você se localizar.
— Obrigada. — Falei e, Terence me abraçou. Fiquei sem ação, mas correspondi. Ele estava visivelmente preocupado, e eu o entendia. — Da ultima vez que você saiu assim, as coisas ficaram bem complicadas ao final. Seja o que for, quero ver você inteira, está bem?
— Mas eu voltei inteira da ultima vez... — Falei com meu rosto apoiado em seu ombro, a meu ver, eu estava inteira...
— Para mim não. Sora, Temesia foi quase totalmente foi destruída! Você não estava em um bom estado, isso é preocupante.
— Está bem, Terence.
Ele me afastou e segurou meus ombros.
— Promete?
— Quando foi que não cumpri uma promessa? — Arqueei uma sobrancelha. Ele riu. — E tenho que ir agora.
Terence assentiu e rapidamente lancei um olhar sério a Benjamin, teria de falar com ele antes de sair de Temesia. Retirei-me da sala de Arcádio enquanto colocava o capuz de minha capa. Segui diretamente até o salão, porém, fiquei parada em frente às escadas, de braços cruzados.
Teria de falar com Benjamin. E o esperaria ali.
***
Acho que acabara demorando alguns minutos para vê-lo chegar, provavelmente Arcádio lhe dera mais um sermão. Notei de longe que Benjamin estranhara minha presença parada em frente às escadas, contudo, direcionou-se até onde estava enquanto ajeitava os óculos.
— O que você... — Não o deixei terminar a frase e o empurrei com força até a parece, segurado a gola de sua camisa impedindo-o de sair. — Mas o que você vai fazer?!
Não, eu não ficara nada contente com a merda que Benjamin havia feito.
— Não Benjamin, o problema é o que você fez. — Ele pareceu engolir em seco. — Não quero saber como você vai se virar, apenas o faça.
— E o que seria? — Interrompeu-me.
Olhei ao redor, constatando que estávamos sozinhos.
— Irei lhe esperar na praça da cidade, se vire e dê um jeito de sair da fortaleza sem que notem você. Randy está como guarda no portão, passe reto, de preferencia esconda seu rosto, use um capuz. Não acho que as coisas serão simples durante a viagem, então, preciso da sua presença. — Afastei-me.
— Mas e o que a fortaleza vai pensar sobre isso? — Ajeitava a gola de sua túnica.
— Realmente? Não sei, e não me importo. — Ele estava mais “precavido” do que de costume? Aquilo era estranho... — Apenas vá até a praça central, saia daqui alguns minutos, irei lhe esperar lá. — Entreguei o papel no qual havia o mapa explicando onde estava o estábulo – tinha de passar pela praça antes de chegar até o mesmo.
Ele assentiu enquanto me afastava.
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