A Domadora - O Fragmento da Profecia
21 Capítulo 20 - Feras
Notas iniciais
― Por Névoa... ―Não, não e não. Aquela não poderia ser a voz de Benjamin. E o pior, como ele havia conseguido entrar no quarto?! ―Vocês tem que ver isso! Yoru! Yume! ―Após isso ouvi o barulho da porta ser batida. E ainda entrava claridade dentro do quarto ,mas esta, provavelmente vinha da janela.
―Ele vai nos infernizar... ―Comentei ainda de olhos fechados não estava com a mínima vontade de abri-los, Denzel se mexeu.
―Não vai não.
―Tenho certeza que vai.
―Aliás... Feliz aniversário e, feliz ano novo também. ―Aquilo sim me obrigou a abrir os olhos, Denzel me observava com a íris de dragão, dando um meio sorriso. Ele me puxou e me abraçou, beijando minha testa em seguida.
―Era para ninguém lembrar...
―Quem você acha que lembrou Yoru?
Afundei meu rosto no travesseiro antes de responder. Não fazia ideia de que hora era, mas ainda estava com sono.
―Você tinha tudo planejado. Muito bonito, Senhor Denzel. ―Fui sarcástica e ele riu, mas não era para rir e muito menos ser engraçado.
Ah... Feliz aniversário, Sora.
É... Obrigada. ―Fiz uma pausa. ―Aliás, você nunca disse quantos anos mais ou menos você deveria ter... Arcano.
Pelas minhas contas, nasci no ano de 1629, devo estar com cerca de 210 anos.
Você me revelou sua idade, isso é um avanço.
Na verdade, você nunca perguntou. E pode considerar um presente de aniversário.
E o mais idiota sobre aquilo tudo, é que Arcano tinha razão. Virei meu rosto e voltei a observar Denzel, ele ainda tinha uma expressão sonolenta. Pensei na possibilidade de levantar, porém, antes que o fizesse a porta novamente foi aberta.
―Ignore-os. ―Denzel sussurrou.
―Eu não disse. ―Era a voz de Benjamin.
―E eu não sabia que isso iria acontecer... ―Era a voz de Yoru, rolei meus olhos para observar ela e o bendito elemento fogo. E isso me fez ponderar sobre, o que ela havia pensado? ― Aliás, Sora, nós estamos apenas esperando por vocês, para ir buscar os cavalos e partir. Ah... E nós convencemos o dono da hospedagem a nos emprestar uma chave reserva...
―Se bem que, eu repito o que disse quando cheguei a Temesia: esse romance de vocês é coisa de livro.
―Juro, que se ouvir mais uma palavra vinda de você, Ben. ― apontei minha mão na direção dele, exalando minha aura. Não, eu não iria fazer nada, mas assustar sempre é uma maravilhosa ideia. ―Irei congelar sua língua. ―Falei séria e fui o mais fria possível, Denzel riu.
Segui eles apenas com os olhos enquanto saiam do quarto e fechavam a porta silenciosamente.
― Eu já disse mais de uma vez que você consegue ser assustadora, às vezes, não é?
― Sim.
―E por que faz isso?
―É interessante.
Após isso, resolvi sentar, encarei a janela novamente, havia claridade de mais para ser de manhã sedo. Porém, subitamente senti que a temperatura era bem mais fria do que no dia anterior. Aquilo me fez estremecer.
E ainda precisávamos encontrar o quinto elemento.
Não tinha ideia de como iria fazer isso ao chegar a Eternal. As Anciãs não haviam sequer dado uma pista de como poderia ser sua aparência, ou idade.
―Pensando em Eternal? ― Ele pareceu ler meus pensamentos.
―De fato, sim.
***
Mais oito dias.
Exatos oito dias fora preciso para nos aproximarmos a região de Waydon. Havíamos passado por mais uma cidade após Hibernyan, Arior, e ainda tínhamos suprimentos o suficiente ao ponto de que, ainda sobraria quando chegássemos em Eternal. Não havíamos feito tantas paradas, a não ser, para dormir. Chovera pelo menos em três dias, e hoje, provavelmente também iria. No momento, galopávamos em direção a uma floresta, atravessamos um campo e adentramos as árvores. O sol estava prestes a se pôr e precisaríamos encontrar um local para passar a noite, e com sorte isso aconteceria antes do céu desabar.
Bom, ao adentrar a floresta, oficialmente já estávamos em Waydon. Em pouco tempo chegaríamos a Eternal. A Cidade Santa. Olhei ao redor, ainda galopávamos com pressa, o vento sobrava ligeiramente. Iriamos fazer como nos outros dias, somente após escurecer por completo iríamos parar. E sim, o ordhere havia resolvido nos seguir, era o que fazia no momento, e, nesses dias, havíamos descoberto que ele era veloz, muito veloz.
E foi a vez de trovejar, vislumbrei o céu, relampeou e estrondeou novamente. Então, foi à vez dos pingos de água começar a cair, olhei ao redor e vi Benjamin tomar a frente. Ele acelerou o passo e se afastou rapidamente, fazendo uma curva em seguida e adentrando as árvores.
Acabamos diminuindo a nossa velocidade enquanto observávamos o que ele fazia, Benjamin em seguida novamente apareceu a nossa frente, desta vez, acenando para que seguíssemos ele. Ninguém disse nada e fizemos o que pedia, percorremos até onde ele estava, e seguimos ele entre as árvores, saindo da trilha.
Mais a frente, ficava o início das montanhas, Benjamin seguiu em frente e se direcionou a subida delas, a chuva ainda estava fina, porém, aos poucos começou a engrossar. Subimos as montanhas, só então percebi o porquê dele ter escolhido aquele lugar para seguir. Havia grutas nas subidas das montanhas, poderíamos passar a noite em uma delas.
E não demorou muito para que alcançássemos à primeira, embora relativamente alta. As árvores e a floresta tornaram-se pequenas vistas de onde estávamos. Embora, a escuridão da noite não deixasse ver o que havia mais além.
― Apesar de tudo, vocês às vezes tem que me agradecer. ―Benjamin gabou-se, quando finalmente adentramos a gruta, o ordhere nos seguia. Começamos a descer dos cavalos e retirar nossas coisas, para apronta-las para passarmos o resto da noite ali.
― Hã... Obrigado? ―Yume falou.
―Não é preciso agradecer, Yume. ―Fallen falou.
Ignorando o que eles diziam, peguei minha bolça e um lampião, sentei em um canto da gruta, precisava rever o mapa. Pus o capuz de minha capa e depois acendi o lampião, só então comecei a revirar minha bolça. Havia guardado o vestido que ganhara de Yoru em outra sacola, junto do que acabara ficando e que pertencia a Solace. Finalmente encontrei o mapa, abri-o e o coloquei sobre o meu colo.
―Ainda falta muito? ―Denzel perguntou, enquanto sentava-se ao meu lado.
Analisei o mapa, há três dias havíamos passado pela cidade de Arior. Percorri com meus olhos de onde a cidade se encontrava, já havíamos passado pela floresta que indicava que havíamos saído de Região de Eamorn, e entrado em Waydon. Estávamos perto da costa.
Eternal, fica depois das montanhas. ―Comentei a Arcano, não tinha ideia que estávamos tão próximos assim do destino “final”.
É o que está parecendo.
―Eternal fica depois dessas montanhas, se seguirmos para o Leste, chegaríamos à costa rapidamente, em uma cidadezinha com o nome de Laorz. No entanto, Eternal, segue-se para o Sul.
―Interessante... O continente tem seu lado leste banhado pelo Oceano Cyaneo e o oeste pelo Oceano Greenish.
―E o que tem haver?
―Cyaneo e Greenish são as divindades guardiãs dos três mundos, que guardam portais para o submundo, tanto quando para céu, quando para o inferno. É diferente de um portal para viajar para Luz ou Trevas.
―Eu não sabia que você sabe tanta coisa... ―Denzel apenas sorriu em resposta.
Suspirei e guardei o mapa novamente, chovia forte na rua e somente pela manhã iriamos partir.
***
Havia tomado a frente, já amanhecera e estávamos galopando em direção ao sul novamente. Pelas minhas contas, antes do meio dia chegaríamos a Eternal. E pensar que estávamos tão próximos, chegava a quase me deixar aflita. Nunca, em toda a minha vida colocara os pés na Cidade Santa. Somente ouvira falar, sobre aqueles que já haviam passado por ali. Ela ficava na costa, parte dela era banhada pelo mar, e o seu centro, as ruas eram inundadas. Devido um acontecimento passado, no qual afundara a cidade antiga. Outra parte ficava em “solo firme”, embora nesta prevalecesse os famosos tuneis subterrâneos.
Atrás de mim seguia Denzel e Benjamin, e ao meu lado, o ordhere. Mais atrás estavam os gêmeos e Fallen. Continuei galopando, atravessávamos uma floresta, o que por vezes obrigava-me abaixar-me para não ser acertada pelos galhos. Saltei sobre um tronco, estávamos em uma espécie de trilha, corri por mais alguns metros, nos aproximávamos de uma clareira.
Acelerei o galope e acabei me distanciando, chegando a frente, no entanto...
Instintivamente travei, junto do ordhere. Não poderia seguir por aquele caminho, de maneira alguma.
― Merda. ―xinguei, e após isso mudei minha direção.
Nunca vi tantas feras reunidas...
Mas não fique para ver mais, Sora.
―Vamos dar a volta! Corram! ― Exclamei e passei reto por eles na direção contrária, as feras haviam nos notado e começavam a correr na nossa direção.
E o maior dos problemas?
Aqueles demônios de sangue azul não desistiam facilmente.
―Sora o que está acontecendo?! ― Benjamin exclamou ao me alcançar.
―Olhe para trás. ―Respondi séria.
―Ah, merda... Dez já é sacanagem.
Não respondi, apenas fiz uma curva, eles me seguiram, antes estávamos voltando para trás. Mas havia novamente tornado a nossa rota para o sul. Abaixei-me para não acertar o meu rosto em um tronco, e vi mais a frente o caule de uma arvore que caíra. Saltamos sobre ela e novamente olhei para trás, para ver onde as feras estavam.
No entanto...
Senti apenas baque extremamente forte, minha cabeça girou, e me senti tonta ao cair no chão. Acabara batendo em um galho de árvore e o cavalo seguiu correndo a frente. Meu corpo doía, porém, por sorte conseguia me mexer, o que significava que não deveria ter quebrado nada. A bolça que carregava minhas coisas voou longe, e agradeci aos deuses pelas outras coisas que carregava não estava presas a sela do cavalo.
Eles passaram velozmente a minha frente, não havia dado tempo para pararem. Olhei ao redor, onde estavam as feras? Ainda sentindo meu corpo dolorido e minha cabeça latejando, notei que acabara fazendo um corte na testa, e sangrava. Por sorte a franja tapava. Vi o cavalo que estava comigo antes mais a frente, ele vinha sem pressa na minha direção. Entretanto...
Duas das feras saltaram sobre ele dentre as árvores, e o empurraram para longe. Os animais eram grandes, e o cavalo não era forte o suficiente... As feras começaram a destroça-lo. Fora uma cena... Repugnante.
Se meu estomago não estivesse vazio, iria vomitar.
Se eu ainda estivesse em minha forma humana vomitaria até de estomago vazio, Sora.
Não haveria salvação, as feras dilaceravam e mordiam sua pele, ouvia apenas os gritos de dor do animal. O sangue manava e os pedaços volitavam. E então, vi as outras feras correram na minha direção. Bufei, elevei minha aura e soguei o chão enquanto minha aura exalava de meus olhos. Criando a barreira de gelo para impedir que elas me atingissem.
Contudo...
Uma delas saltou sobre a barreira de gelo, e só não me atingiu, por que foi impedida e empurrada. Era Yume? Vislumbrei-o materializar-se sobre mim enquanto saltava e empurrava a fera, e, desmaterializar-se e reaparecer no chão, longe de perigo.
―Pelos, Deuses! Eu estava apenas esperando para poder usar isso! ― Ele parecia divertir-se com aquele fato.
Então, Dafar ensinou algumas coisas a ele?
É o que está parecendo, Sora.
A fera levantou-se, e correu na direção dele, Yume sumiu e reapareceu novamente ao lado dela, desviando de um golpe enquanto segurava a lança, sua Arma da Missão. Mais uma vez o animal tentou abocanha-lo, porém, Yume usou a lança para atravessa-la em seu crâneo. E a fera começou a tornar-se pó.
No entanto, ele acabou distraindo-se e outra fera correu até ele – aquelas pragas haviam dado a volta na barreira de gelo –, bufei. Desembainhei a espada que carregava e corri, antes que a fera atacasse Yume, golpeei-a em um dos braços, o que fez com que recuasse. Então, com a espada arranquei sua cabeça, transformando-se assim em pó. Por fim, vi as outras feras virem na nossa direção, sobrara seis, duas deveriam estar ocupadas de mais com o cavalo. Então, soguei o chão, criei outra barreira de gelo e impedi que elas chegassem a até nós. No entanto, uma das feras deu a volta.
Observei Yume, ele encarou-me igualmente.
―Sabe o que fazer? ―Perguntei e ele deu um meio sorriso.
―Completamente.
A fera correu até nós, desviamos e corremos um para cada lado. No entanto, o animal preferiu me seguir, e com a espada em riste, parei de correr em frente a uma das barreiras de gelo. A fera tentou golpear-me, porém, desviei e acertei seu punho, arrancado sua mão enquanto o sangue azul jorrava. Yume materializou-se no ar sobre ela, conjurou a lança e a ao cair sobre a fera, encravou-a em seu pescoço. Ainda houve tempo o suficiente para o animal se mexer, empurrando-o e se Yume não se desmaterializasse, cairia feio no chão. Ele reapareceu do meu lado enquanto víamos a fera se transformar em pó.
Yume desfez a conjuração de sua arma da missão.
―Dafar que lhe ensinou? ―Perguntei e ele me observou.
―Solace deu a permissão para eu usar a magia livre, e Dafar me ensinou algumas técnicas de um desultor. Ela também disse que, a magia livre está dentro de todos nós, porém, é preciso apenas um empurrãozinho para despertar.
―E os outros?
―Nós decidimos que só iremos mostrar quando estivéssemos em ação.
―Interessante...
Ele provavelmente iria dizer mais alguma coisa, contudo, uma das feras correu na nossa direção, embainhei a espada novamente. Acabamos desviando, pois não haveria tempo o suficiente para fazer alguma coisa. Havíamos matado três fera, das dez que haviam antes. Faltavam sete.
Os animais, no entanto, se juntaram, e não demorou para que fossemos perseguidos por cinco delas. Adentramos as árvores correndo, naquele momento, ainda não era uma boa ideia parar para fazer algo. Fizemos uma curva e nos separamos, duas feras me seguiram e as outras foram na direção dele. Parei para de correr e virei-me na direção delas, materializei minha espada de gelo, e me preparei para me defender de alguma forma da primeira. Porém, ela foi acertada por uma adaga em seu olho. O animal pareceu bufar e então vi Denzel se aproximar.
Desembainhei a espada que carregava nas costas e lhe entreguei.
―Vai precisar.
Assentiu e então, a outra fera saltou sobre ele, arranquei o braço dela. Denzel arrancou-lhe o punho, era complicado decapita-las. Desviei de um golpe, vendo que seu braço começava a se regenerar. Bufei, elevei minha aura, e antes que o animal tentasse me abocanhar, congelei seu crâneo. Ela se debateu, porém, rapidamente o gelo começou a se espalhar, congelando seu tronco até suas patas. Parecia uma estátua de gelo, porém, com uma fera que ainda aparentava estar viva dentro.
Com minha espada de gelo arranquei-lhe a cabeça.
Derrubando-a no chão, congelada.
E ela se tornou pó, porém, a estrutura de gelo permaneceu. Mas foi quebrada, a outra ferra arremessara Denzel e ele caíra sobre a carcaça de gelo e pó da fera. O animal saltou sobre ele, porém, antes disso, lancei espinhos de gelo em suas costelas, derrubando-a no chão. Vi Denzel levantar-se, ele acabara se cortando com o gelo, mas mesmo assim correu até a fera e a decapitou, antes que eu o fizesse.
―Droga... Cortei meu braço. ―Sua camisa estava com a manga esquerda suja de sangue, ele dobrou-a até o cotovelo. Havia um corte, não deveria ser tão profundo, porém, deixaria uma bela de uma cicatriz. E sangrava, muito.
Peguei o cordão com a gema que ganhara de Solace e lhe entreguei.
―É uma Gema de Cura, que ganhei de Solace. Você precisa apenas quebra-la. ―Ele assentiu e pegou-a, quebrou-a, fazendo com que a magia livre exalasse, colocou-a sobre o ferimento e começou a cura-lo. Rapidamente, deixando apenas uma cicatriz.
―Mais uma cicatriz para a coleção. ―Ele caçoou e me entregou a gema. ―Obrigado, Sora. ―Apenas assenti em resposta, e coloquei novamente o colar.
― Se isso consola você, também tenho algumas cicatrizes ganhadas em pugnas.
Mas Denzel talvez ganhe. ― Arcano comentou, resolvi não responder.
―O que aconteceu com você? ―Denzel se aproximou, empurrando minha franja, que tapava o machucado que ganhara ao bater minha cabeça em um galho.
―Não me agachei ao passar perto de um galho. Bati minha cabeça, caí e o cavalo fugiu.
―Isto está feio... ―Ele ousou encostar no ferimento, mas segurei sua mão antes disso.
―Não encoste, está doendo. ―Se pudesse, já teria usado a Gema de Cura, porém, não houvera tempo.
Ele apenas riu em resposta e balançou a cabeça, em seguida voltamos. Ainda precisávamos encontrar o resto do grupo. No entanto, não demorou muito para que víssemos a movimentação. Benjamin praticamente foi arremessado, caindo em frente aos nossos pés.
―Ah merda... Minhas costas. ―Ele resmungou e fez uma expressão de dor ao se levantar.
No entanto, uma das feras, saltou sobre ele. Benjamin então formou um selo, e dele, saíram chamas de formas humanoides, elas envolveram a fera, fazendo com que ela sumisse. Mas... Aquelas formas, elas grunhiam, a o som se misturava aos gritos de dor da fera. Os servos de chamas sumiram somente quando ele desfez o selo.
Parece que Benjamin andou lendo.
E aprendeu alguma coisa. ― Respondi a Arcano. Se Benjamin a aprendera técnicas de um invocador com Deron, Yume aprendera com Dafar, Yoru provavelmente com Otolon... Então, Fallen aprendera com Solace? Não poderia dizer com certeza.
―Aliás, Yoru e Fallen deram um jeito nas outras feras.
―Mas ainda faltam duas. ―Yume se aproximava.
―Duas das feras atacaram o cavalo que estava comigo. Elas os destroçaram.
Benjamin iria falar alguma coisa, porém, vimos Yoru se aproximar. Ela corria com velocidade e passou reto por nós, logo mais Fallen a seguiu. Acabamos olhando na mesma direção que elas iam, as outras duas feras que restavam estavam mais a frente. Yoru foi à dianteira, ela conjurou o cajado enquanto corria, passou entre as duas feras e com sua arma da missão golpeou o crâneo de uma tonteando-a. Com sua mão esquerda, envolvida por uma luz de cor dourada, ela girou e socou a outra fera. Fallen desembainhou a espada e decapitou uma das feras. Vi Yume se desmaterializar, ele reapareceu perto delas e com a lança, atravessou o crâneo da fera. Os dois animais tornaram-se pó, por fim.
É, Yoru aprendeu algumas coisas com Otolon sim.
E eles estão ficando cada vez mais fortes, Sora.
***
―Então... O cavalo que estava com você foi comido pelas feras? ―Benjamin fez uma careta, visivelmente anojado.
Suspirei enquanto caminhávamos, estávamos voltando até onde eles haviam deixado os cavalos. No momento, com a Gema de Cura terminava de curar o ferimento em minha testa. Havia também, encontrado minha bolça com minhas coisas, afinal, ela voara longe.
―Por sorte não passamos pelo local onde ele estava. ―Respondi enquanto ajeitava meus cabelos e colocava a corrente que prendia a gema.
―Mas, e como você vai fazer para viajar agora? ―Yume perguntou.
―Aquele animal... O ordhere, ele pareceu simpatizar com você. E ele era a montaria de um bélico, poderia usa-lo, Sora. ―Denzel sugeriu.
O que Denzel diz, pode dar certo.
Espero que sim, Arcano.
―Sem contar, a dívida que você acabou de ganhar com o cara lá... Sabe, aquele que emprestou os cavalos? ―Disse Benjamin.
Não respondi, apenas suspirei e maneei minha cabeça, caminhávamos por uma trilha. E foi preciso apenas mais alguns metros para nos encontrarmos com os cavalos. Eles por sorte, haviam os colocado em um local afastado, as feras também não haviam os visto. Começaram a montar nos cavalos e, ignorando isso, me direcionei ao ordhere, o animal me observou.
―Meu cavalo foi morto por feras... Acho que vou ter que viajar com você, agora. ―O animal me observou os olhos cor de sangue, parte seu rosto era coberto por uma espécie de mascara formada por ossos. Mas, que vista de perto, era visível que fazia parte dele.
Dei um passo para tentar toca-lo, no entanto, ele se agachou. Como se estivesse pedindo para que montasse nele. Ajeitei minha bolça com meus pertences e fiz o que ele pedira. Segurei-me na armadura dourada que usava, e ele levantou-se.
―Então, agora temos apenas que ir para o sul? ―Yoru perguntou.
―Sim.
E após isso, o ordhere correu. Passamos rapidamente em frente a eles e seguindo pela trilha a dianteira. Ele era veloz. Muito veloz. Ao ponto de que, nos afastamos rápido de mais. Ele desviava os galhos das árvores, o que não me obrigava a me abaixar. Paramos somente, ao chegarmos ao fim das árvores, havia um campo mais a frente.
―Ei... De onde você veio? ―Tentei encara-lo, porém, não consegui, o ordhere apenas balançou a cabeça. A velocidade dele era demasiadamente maior do que a de um cavalo. E o animal não parecia nem um pouco cansado.
Ergui meus olhos e encarei onde estávamos, os outros ainda deveriam estar bem para trás. Só então, vislumbrei o que havia ao longe.
Aquilo quase que me deixou boquiaberta.
A cidade de Eternal erguia-se após as árvores, que ficavam do outro lado.
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