A Domadora - O Fragmento da Profecia
17 Capítulo 16 - Por Fim
Notas iniciais
Haviam conseguido derrubar quase todos os homens, porém...
Atiskin conseguira derruir Solace e ela estava de joelhos, ele apontava a alabarda na direção de seu pescoço, enquanto se encaravam com fúria. O animal que eu vira antes, o ordhere, estava amarrado assim como Arctos, um dos bélicos impedia Otolon de tentar ajudar Solace. E por fim, o homem que antes segurava Denzel, acertou-lhe um chute em seu rosto, estava ajoelhado no chão e notava seus visíveis machucados, o homem o derrubou, e pude constatar que não iria levantar facilmente.
Olhei para o céu, a luz que o cortava sumiu da mesma maneira que antes. E não demorou muito para que visse a movimentação saindo de dentro do portal. Porém...
Esperava ver homens e, não criaturas como aquelas. Deveriam ter no máximo um metro e meio de altura e seria muito. Tinham cabelos de estranha cor laranja e eram espetados, usavam espécies de mascaras, que tinham um sorriso desenhado. Seus troncos eram redondos, e seus braços e pernas peludos, porém, tinham garras. Usavam espécies de peitorais, formas por um material que me pareceu ser de ossos... E em suas mãos, eles carregavam espécies de martelos, mas eram bem maiores do que os comuns.
— Pixveen! — Atiskin exclamou como se estivesse os ordenando. Ele acenou na minha direção e os monstrinhos olharam para mim. E só então parei para contar quantos haviam, deveria ter uns vinte.
O que são essas coisas, Arcano?!
Deve ser alguma espécie de besta, que existe na Luz. Quando passaram pelo deserto, tiveram sorte por não se encontrar com uma Besta da Areia.
Mas agora tem essas coisas aqui me encarando.
Então, concentre-se, Sora.
Maneei minha cabeça, era tudo o que precisava. Os pixveen começaram a correr na minha direção, desembainhei as espadas e pus o capuz de minha capa, preparando-me para atacar o primeiro. O animal, no entanto, se preparou para saltar até onde eu estava, porém, foi parado e queimado por uma barreira de chamas.
— Benjamin? — Indaguei e ele me encarou com uma expressão crápula.
— Depois sou eu que me meto em confusão, não é? — Dava um sorriso torto e arqueava uma sobrancelha ruiva. Enquanto formava uma barreira de chamas e impedia que os pixveen passassem, parecia querer distraí-los.
Apenas balancei minha cabeça, mas não proferi nada. Segurei o punho de minha espada e corri até o pixveen que tinha do outro lado, o animal tentou acertar-me com o martelo, contudo, desviei e com a espada decapitei-o, o sangue vermelho por sorte, não me manchou. Girei e chutei outro que se aproximava de mim pelas costas, empurrei-o para outro lado. E então vi Fallen chegar, ela correu o com o tridente atravessou a garganta dele. Em seguida, chutei mais um e empurrei-o na direção dela, Fallen acertou o animal com o tridente e girando em seguida, desembainhou a espada que carregava nas costas e decapitou outro.
Benjamin ainda formava uma espécie de barreira e cercava uns cinco deles. Ele tinha os olhos tomados pelas chamas e então, foi diminuindo o tamanho dos muros de fogo que formava. Iria queima-los, transforma-los em cinzas. Benjamin deu mais alguns passos, diminuiu o tamanho do cercado e por fim – ainda ouvido o zumbido dos pixveen agonizando ao serem queimados. Benjamin fez com que as chamas se tornassem apenas uma esfera pequena. Queimara todos os pixveen que prendera, e por fim, sobre as cinzas, debochadamente assoprou-a, apagando-a completamente.
Contudo, ele não viu o outro pixveen que se aproximava, Fallen estava ocupada com outro e eu também. Então, decapitei-o e corri até Benjamin, porém, não suficientemente rápida, pois o animal acabou dando-lhe uma mordida em sua canela. Benjamin gritou de dor e acabou caindo no chão. A ferida sangrava, e antes que o pixveen fizesse mais alguma coisa. Chutei-o para longe, e com a espada arranquei sua cabeça.
—Sora... Isso tá doendo muito. —Ele estranhamente era calmo para falar, enquanto notava a expressão de dor. Benjamin usava as mãos para apertar com força ao redor da ferida, sujando-as com sangue também. Mas notava que ele se controlava para não exclamar novamente. —E parece que... —Desta vez ele gritou, fiquei sem entender a sua reação. — Essa droga parece que está corroendo por dentro!
Só não me diga que a mordida de um pixveen pode ser venosa.
Não tenho como saber isso, Sora.
—Fallen! — Exclamei e ela arregalou os olhos ao ver a situação de Benjamin, imediatamente entendeu o que significava. Correu até onde ele estava, Fallen havia melhorado e muito a capacidade de poder curar com a água. E Benjamin precisava de ajuda.
Então corri na outra direção, Atiskin e os outros dois bélicos, pareciam divertir-se com a péssima condição que nos encontrávamos. Enquanto Denzel estava completamente machucado e desmaiado, Solace e Otolon pareciam desesperados com a ideia de que eram obrigados e ficar no mesmo local.
Bufei, e então, com a espada matei mais um pixveen, porém, antes que os outros que ainda restavam de aproximassem de mim, eles foram empurrados. Por uma rajada de vento, e então, vi Yoru se aproximar, ela tinha os olhos tomados pelo cinza e segurava seu cajado. Fez mais um movimento com no ar, e jogou-os com um tufão os pixveen para outro lado. Então vi Yume, ele correu, socou o chão e erguei no ar um pedaço de terra, com os olhos tomados pela cor castanha, ele lançou a terra na direção dos animais. Jogando-a sobre eles e terminando com os que restavam.
É, eles eram realmente fortes.
Porém, ainda havia algo para fazer.
Corri até Atiskin e com a espada, passei-a em frene ao seu pescoço, não lhe dando tempo para fazer mais alguma coisa.
— Solte-a, agora. —Falei da maneira mais fria e ameaçadora que consegui, embora tentasse manter a calma. Eu matara Abigail, matara Argalon... Só então me toquei de que também havia matado um dos bélicos. Era errado, ninguém tinha o direito de ter a vida retirada. Mas eram pessoas ruins, da mesma forma que Atiskin parecia ser.
—Interessante, mas por que quer que eu faça isso? Conhece realmente ela?
Ponderei, Solace me parecia um enigma. Mas salvara minha vida, entretanto... E se Atiskin fosse à verdade quem estava certo?
Droga!
—Solte-a. — Repeti, enquanto a lâmina de minha espada permanecia em frente ao seu pescoço.
—Se é o que pede.
Após isso, vi-o chutar o rosto de Solace, contudo não tive tempo de fazer algo. Atiskin virou-se, empurrou a lamina de minha espada e chutou-me, derrubando-me no chão. Apontando por fim, a lâmina da alabarda na direção de meu pescoço.
É, realmente, naquele momento me pareceu mais inteligente confiar em Solace.
—Agora está melhor? —Vi que Yume e Yoru tentaram se aproximar, mas Atiskin os impediu enquanto lançava a magia livre na direção deles, empurrando-os para dentre as arvores. Procurei por Fallen e Benjamin ao redor, contudo, eles não estavam ali.
Fallen teve ter o escondido para cura-lo sem interrupções.
Ela é inteligente, Sora.
Encarei Atiskin, iria falar algo, mas subitamente ele ficou estático. Só então, notei que Solace estava de pé atrás dele, sua mão estava sobre a cabeça dele, e a magia livre tinha a cor dourada. Em seguida, transformou-se em verde-água, intensificando-se. Atiskin não se mexia, ele não conseguia. E a expressão de Solace... Era completamente tomada por fúria.
Os olhos dele reviraram-se, ficando completamente brancos, notei que iria desabar, então, rapidamente me afastei. Enquanto Atiskin caia no chão. Solace havia sugado sua vida.
Atiskin estava morto, a minha frente.
—Você o matou. — Falei, não estava espantada com o que ela fizera, apenas havia constatado.
—Foi preciso. E explicarei melhor essa situação depois. — Sua expressão era enigmática.
Vi o bélico que derrubara Denzel correr na minha direção, entretanto, Solace o barrou, usando o cajado para bater nele e derruba-lo no chão. Antes que ele levantasse ela bateu com o cajado na terra, a magia livre formou uma espécie de circulo e o homem desmaiou.
Corri até Denzel que estava desmaiado, enquanto via que Otolon conseguia finalmente soltar-se. Ele empurrou o outro bélico e o derrubou no chão, apagando-o em seguida.
Agachei-me e sacudi os ombros de Denzel, porém, ele não acordou. Seu rosto estava machucado e sua boca suja de sangue, sue ferimento no tórax manchava suas roupas com a cor rubra. Por um momento, a lembrança de vê-lo morto veio-me me mente. Mas não, ainda notava sua espiração e seu coração de dragão batia.
—Temos que cura-lo rápido. —Quase saltei ao ver Solace parada ao meu lado. — Atiskin colocou uma corrente de magia livre dentro dele, do tipo que vai matando a pessoa aos poucos.
—Como se tira?
—Posso fazer isso, mas preciso que o levem daqui. No entanto, retirando a magia livre, não poderei dar um jeito os outros ferimentos.
—Por quê?
—Ele não aguentaria mais dor.
Assenti e ela lançou um rápido olhar para Otolon que desamarrava Arctos, os dois correram até onde estávamos e ele colocou Denzel sobre o animal. Em seguida, eles seguiram em direção ás árvores, provavelmente indo para onde estávamos antes.
—Precisamos destruir esse portal. — Solace proferiu-se.
—E como pensa fazer isso?
—Benjamin, o elemento fogo, ele poderia explodir a construção do portal. O que iria desativar o que está do outro lado.
—Sem chances. —Deron se aproximava junto de Dafar e Namish, atrás deles vinha Yume e Yoru. —Benjamin se machucou e Fallen ainda não conseguiu curar completamente. Passamos por eles quando estávamos vindo.
—E ainda temos que dar um jeito nesses desgraçados. —Namish resmungou, era rara as vezes que ela falava, sem contar que não havia visto Dafar proferir nada até agora. E então ela se aproximou de um dos bélicos desacordados, transformou-se em uma espécie de cachorro selvagem e mordeu parte de couro da armadura, arrastando-o pelos degraus que levavam para dentro do portal.
Dafar desmaterializou-se e em seguida, apareceu ao lado do outro, ele puxou-o pelos braços e os dois sumiram. Em seguida ele materializou-se ao lado do corpo de Atiskin e desmaterializaram-se, ele voltou por fim. Ao mesmo tempo em que Namish se aproximava, ela tomara a forma de uma coruja e por fim voltou a sua forma humana, antes de pousar. Olhei para o céu, aquela luz o verde-água o cortava novamente.
—O que vocês fizeram? — Yume perguntou.
—Namish e Dafar os mandaram de volta.
Parei para ponderar por um instante, era uma péssima ideia.
—Se Atiskin era o summoner de Cássia, então, manda-lo ele morto de volta não seria uma afronta? — Falei estreitando os olhos.
Solace suspirou.
— E o pior de tudo, é que esta é uma de minhas ideias. Preciso dar um jeito de voltar para Luz e entrar na guerra novamente, sei de coisas que podem fazer mudar o rumo das coisas. Como Atiskin falou, Cassia e Etenesis se juntaram agora, o Reino Edésia está sozinho, embora seja o que tenha mais poder nos dias de hoje. — Ela fez uma pausa. — Mas antes ainda irei completar meu trabalho aqui na terra.
—E por que se preocupa tanto?
—Por que se não fosse por Slade, que traiu Solace, a guerra já teria acabado. —Encarei Dafar. Pela primeira vez, eu o vira falar, sua voz era estranhamente fleuma, e com uma fria despreocupação.
—Sora, mais tarde irei lhe contar as coisas exatamente como são, mas por hora, preciso apenas que destruam o portal. Enquanto isso vou ir até Otolon, para começar a retirar parte da magia livre que está em Denzel. — Assenti e em seguida, vi Solace se afastar.
—E então, como destruir o portal? —Deron pronunciou-se.
E realmente, e não tinha ideia do que fazer, na verdade, aquela história toda me deixara confusa. Tinha de admitir, embora não gostasse desse fato.
—Yoru, lembra-se do deserto? Quando criei a fenda? —Yume perguntou e ela assentiu.
—Pretende fazer isso?
—Posso tentar criar uma cratera, e fazer com que ela engula a construção do templo. Destruindo ele por fim.
—Muito interessante a sua ideia, garoto. —Deron comentou coçando o queixo.
—Mas Sora, e se não der certo?
—Apenas tente, Yume.
Assentiu e após isso, nos afastamos e ele se aproximou um pouco mais do portal.
Não era uma cena muito bonita, que havia ao redor, os outros homens caídos e os corpos dos pixveen. Olhei ao redor, o ordhere não estava ali, o que me fez constatar que Otolon deveria ter o soltado também.
Yume agachou-se, colocou as mãos sobre a terra, ele abaixou o rosto e a encarou. Permaneceu parado, até fazer com que a terra a sua frente começasse a rachar. Separando-se aos poucos, e o tamanho aumentou. Ele então levantou as mãos e deixou as costas eretas, gesticulando os braços, fez com que a terra se abrisse a sua frente, espécies de rachaduras seguiram-se ao redor da construção do portal. Ele abaixou as mãos, e bateu suas palmas na terra novamente, e finalmente a cratera aumentou.
Ele novamente ficou de pé, ergueu as mãos no ar e aumentou completamente o tamanho, expandindo o buraco que fizera, e fazendo com que o mesmo engolisse o portal. Yume conseguira. A construção quebrou-se, enquanto fazia com que uma poeira demasiadamente densa surgisse e tampasse Yume da nossa visão.
Yoru tomou a frente, conjurou o cajado, girou-o com as mãos e bateu com ele no chão, imediatamente empurrando toda a poeira para longe, com uma forte rajada de vendo. Deixando a mostra os a cratera com os destroços do templo, não havia mais o fulgor dourado.
Yume se aproximava, ele caminhava com certa calma.
—Pelos... Deuses. Vocês são muito fortes. — Deron falou. —Mas o que faremos com os pixveen e eles? —Apontou para os corpos.
—Os jogaremos para onde o portal foi. — Namish passou a frente, Deron e Dafar a seguiram.
Suspirei e resolvi me afastar.
Precisava falar com Solace.
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