A Distância de Dois Corações
1 Please, be mine
Notas iniciais
Olhou a tela do aparelho de novo. O peito ardia em sensações. Dizia que estava esperando a mãe responder, que checava o horário ou que estava lendo sobre um jogo novo. Queria que uma notificação em especial chegasse. Um barulho em especial, sentir o celular vibrar no bolso da calça ou da blusa. Sentia aquela mesma aflição toda vez. Não conseguia ver ela com a frequência que gostaria, nem ao menos conversar com ela. Ambos sacrificavam boa parte do tempo que tinham para dormir. O fuso horário não ganhava da vontade que tinham de tentar se conectar.
A mesma tela acendeu sem nenhuma novidade. Será que ela estava ocupada com alguma outra coisa? E se tivesse arrumado alguém que morasse mais perto? O ciúme domou o corpo dele e ele sentiu a necessidade de tocar ela mais do que nunca. Os quilômetros que os separava aumentavam o ódio que alimentava naquelas horas. Tinha medo de perder ela mais do que nunca. A ansiedade formava um bolo em seu estômago.
A vibração fez seu corpo tremer. Analisou letra por letra até a mensagem se formar na cabeça, tinha um novo e-mail. Segurou a vontade de quebrar algo. Como algo tão pequeno podia causar uma sensação daquelas nele? Da onde tinha surgido a ideia de conversar com alguém tão distante? Como, pelos céus, como ele tinha se aproximado tanto de alguém que não sabia nem ao menos se era real? Havia se entregado ao sentimento, por completo, sem arrependimentos. Algo tão bom não devia ser negado, repetia toda vez que se sentia confuso por gostar de alguém tão longe.
Colocou os fones no ouvido e deixou a ordem aleatória. Deitou sobre os braços na escrivaninha. Deveria dormir, sentia o corpo clamar por descanso. Ela disse que estava terminando de ensaiar a nova coreografia e mandaria uma mensagem quando terminasse. Começou a pensar nela, de como adorava os vídeos que ela postava, de como ela era tímida, ainda assim muito espontânea. Ela era, ainda por cima, bonita. Não deveria ser real, alguém não podia chegar ao nível de perfeição que ela tinha.
Imaginou como seria se ela pudesse visitá-lo. Sentia que poderia desmaiar de tanta felicidade. Ela era tudo o que ele mais queria desde que a conversa sobre namoros e garotas surgiu na roda de amigos. Não, era mentira. Ela conseguia ser ainda melhor do que ele tinha sonhado. Pensou em como queria que ela tivesse ali, em como a olharia por horas, em como queria sentir o calor dos braços dela e o cheiro do cabelo dela. Imaginou a tarde perfeita do lado dela. O vazio que o atingiu quando lembrou que ela não estaria ali ou que não ficaria muito tempo fez com ele levantasse de súbito da mesa.
Ele queria contar aos pais, mas o que eles diriam? Eles nunca deixariam ele ir conhecer ela. Tinha ideias de como conseguir visitá-la. Sabia o que tinha que dizer para os pais para que conseguisse viajar. Ele fez um plano perfeito, pesquisou preços e datas, estava até pensando em combinar com ela. Seguindo tudo de acordo com o que ele fez, eles se encontrariam no final do ano. A esperança fez com que ele checasse o telefone uma última vez. Disse para si mesmo que ela gostava dele, que ele poderia dormir e conversar com ela no dia seguinte.
Ela não sumiria. Quem sabe, na verdade, ela se sentisse como ele. Prometeu para si mesmo que não deixaria ela passar por aquela sensação vazia. Ela não merecia passar por aquilo por alguém como ele. Ele sempre estaria ali para ela. Não importava se ela não o quisesse do mesmo jeito. Eles seriam bons amigos, que fosse, desde que ela não sofresse.
O celular vibrou e ele riu de si mesmo pelo desespero que sentia. Era ela.
Notas finais
Eu sei que não é o meu gênero favorito de texto, mas eu amo abrir exceções. Quem sabe, se der certo, eu poste textos nesse estilo.
Espero você na próxima história, não morra até lá.
Ps.: Sério, vai no canal da Bru, você não vai se arrepender.
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