A Dinastia dos 101 Demônios
2 Capítulo II - Geada
Estava frio em Yekun mesmo durante o dia, afinal a região se encontra no solstício do inverno, toda vegetação estava coberta por cristais de neve que possuíam uma coloração única, um tom alaranjado, o caminho de terra que leva para a Cidade Central era visível pelo seu nivelamento ser menor, assim mesmo coberto por neve era possível se localizar. Atravessando esse caminho estavam Max e Sophie.
— Max você tinha que escolher logo hoje para fugir? – Dizia Sophie de braços cruzados tentando se aquecer.
— E como eu ia saber que justo hoje iria nevar? – Respondia Max tremendo com o frio.
A geada alaranjada era mais que uma fina camada, mal era possível identificar as flores do local. Depois de alguns minutos andando, as crianças encontram a bifurcação, onde um caminho leva para a Cidade Central e o outro para a floresta, havia placas indicando qual caminho era qual, porém estavam velhas e desgastadas, não dava para entender o que estava escrito nelas, sabiamente Max lembra que possuía o mapa imediatamente o busca na mochila que carregava.
— Então vejamos... estamos aqui, correto? – Max encarava o mapa com um olhar de dúvida. – Então tenho quase certeza que a Cidade Central é para a esquerda.
Max segura o mapa com suas duas mãos quando Sophie puxa rapidamente:
— Deixa eu ver isso aqui – Ela olha para o mapa, porém não entende nada, vira ele de ponta cabeça e desvira, mas ainda nada. – Que língua é essa escrita aqui? Você não é o cérebro da nossa dupla?
Max apenas expressa confusão, nenhum dos dois havia reparado antes que o mapa estava em uma língua que eles não conheciam e como nunca tinham visto um mapa da região antes, não faziam a menor ideia em que lugar se encontra o orfanato, muito menos o caminho que se deve tomar para a cidade.
— Calma, calma, eu tenho uma ideia. – Max pega o mapa novamente, começa analisa-lo de cima a baixo. – Se eu considerar isso, desconsiderar isso...
Max pensava alto enquanto marca alguns pontos do mapa, até que sua expressão muda, enfim parece que ele teve uma ideia.
— Olha Sophie, todas as cidades tem apenas um caminho que levam para a Cidade Central, se eu desconsiderar os que não possuem nenhum desvio e alguns que são diferentes da trajetória que fizemos até agora... sobraram apenas dois que são parecidos; o caminho da direita leva a cidade e no outro, é... o caminho da esquerda. – A expressão de Max muda para desanimo.
— Então voltamos para o mesmo lugar, quer saber vamos nesse... – Sophie aponta para um dos caminhos, depois muda para o outro, essa indecisão durou por alguns segundos. – ESSE! Vamos pela esquerda.
— Então... esquerda? Tá bom. – Max guarda o mapa de volta na mochila.
— Fácil assim? Pensei que iria discordar.
— Que outra opção a gente tem? Qualquer coisa nós voltamos e pegamos o caminho da direita.
Então as crianças seguem pelo caminho da esquerda. Após alguns minutos de caminhada, a flora do local foi mudando lentamente, até chegar em um ponto que havia arvores com gravetos secos apenas com algumas folhas, tudo graças a geada.
— Sophie, acho que estamos entrando na flores... – Max se interrompe quando se vira, para ver o caminho de volta, e havia vários levando a diferentes lugares.
Quando Max se vira novamente, percebe que a Sophie não estava o seu lado, logo entra num leve surto de desespero olhando para todos os lados, até que a avista, entrando em um caminho completamente novo.
— Sophie sua maluca! Volta aqui! – Max grita enquanto corria atrás da garota.
Max a segue passando por várias plantas cristalizadas, indicando que estava adentrando mais na floresta, algo estava errado, quanto mais seguia Sophie, menos neve tinha e o frio também diminuía, até que em um ponto nenhuma folha ou planta estava coberta por neve, e o caminho era claro como o dia. Finalmente Sophie para de correr, consequentemente Max a alcança, logo de cara o garoto repara que a menina parecia estar hipnotizada ou algo do gênero, seu olhar era fixo para uma única direção e sua pupila estava dilatada, é quando Max olha na mesma direção.
O que havia era um homem, ou melhor possuía aparência de um homem comum, estava flutuando a alguns centímetros no centro de uma grande flor-de-lótus — as pétalas em um tom negro incandescente da flor rodeava a figura — o que mantinha o fora do chão, eram suas asas; ao total possuía seis asas, três de cada lado, uma plumagem que sintonizava branco e dourado, suas roupas; se concentram em panos que cobriam da sua cintura para baixo, sua pele era cinza e cheias de marcas de rachaduras, era como se fosse uma escultura de mármore, mal era possível enxergar seu rosto, pois possuía uma aura resplandecente que iluminava o.
A figura celestial não notava que as duas crianças estavam ali. Max segura nos ombros de Sophie e começa a chacoalha-la.
— Sophie! Sophie! Sophie! – A chama num tom de sussurro e desespero, para que o ser lá presente não o escutasse.
Depois de algumas tentativas inúteis a garota finalmente volta a si, e confusa com o ocorrido, olhando de um lado para o outro.
— Onde a gente está? – A garota nota a presença da criatura alada e fica surpresa. – E o que é aquilo?
— Não importa, só vamos sair daqui.
Max respondia segurando o pulso de Sophie, porém neste momento é quando a criatura os nota e se vira para as crianças, elas se assustam e começam a correr pelo mesmo caminho que vieram. Depois de correrem bastante, estavam no meio da floresta e sem fôlego, decidem parar em uma árvore para respirar um pouco.
— Acha que ele nos seguiu? – Dizia Sophie ofegante, tendo pausas para pegar um fôlego.
— Tomara que não, se eu vi o que acho que vi, aquele era Yekun. – Max também falava pausadamente.
— Yekun? Mas...
Sophie é interrompida por um vento tão forte que, conseguiu arrancar algumas flores do solo, da ventania se forma uma silhueta que vai se esvaindo em cor e se torna a figura celestial de antes. Agora era possível ver seu rosto, o que primeiro da para se notar é seu longo cabelo branco que chegava na altura do peitoral, seus olhos eram mais profundos do que o oceano e de mesma cor, era possível se perder apenas encarando os, seu rosto por si só possuía uma afeição delicada com traços finos.
O homem alado surgiu na frente de Sophie e Max. Primeiro ele os encarou sem dizer nada, depois se virou e então um brilho intenso emergiu de seu corpo, e foi ficando cada vez mais forte até não ser possível ver mais nada ou ficar de olhos abertos.
Quando as crianças abriram os olhos, elas não estavam mais na floresta, se encontravam na frente da bifurcação novamente, e também já não era mais manhã, a lua estava brilhante no céu, porém não iluminava tudo deixando ainda escuro, apenas tendo alguns pontos iluminados por vaga-lumes, Max e Sophie um do lado do outro não entendiam absolutamente nada, e ficavam se encarando com olhar de dúvida e com a cabeça latejando de tanta confusão.
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