Notas iniciais
Boa Leitura!

Mais um ano na escola, como não pular de alegria?

Simples, é só você pensar nas provas de geometria, química e na minha adorada professora de biologia que carrega um ódio indescritível por mim, desde que eu sem querer atrapalhei uma palestra sua muito importante na escola. Mas o que eu poderia fazer? Tinha um fantasma bastante irritado andando pela escola, ameaçando machucar metade dos alunos ali, eu não tive escolha a não ser tocar o sinal de incêndio da escola. De forma indireta eu meio que salvei a sua vida, ou seja, ela deveria me idolatrar e não me odiar. Mas como todo mundo diz; o que é a vida se não injusta?

De qualquer forma, eu tenho uma lista com metas á cumprir esse ano.

1. Não falar sozinha no meio da escola.

Porque isso totalmente acaba com as chances de fazer novos amigos.

2. Não me meter em nenhuma encrenca.

Meio difícil, mas eu vou tentar.

3. Não ligar quando alguém me insultar, ou seja, me chamar de louca.

Vamos ver.

4. Não ajudar nenhum fantasma perdido a encontrar seu caminho para luz, ou qualquer outro lugar.

Porque isso significaria quebrar a meta numero 2.

5. Não fazer a minha professora de biologia me odiar, mas do que ela já faz.

Essa com certeza eu tenho que cumprir.

Bem, essa é minha simples lista aos olhos de muitos, mas que para mim vai ser muito difícil de cumprir, afinal quando se trata de mim sempre é mais difícil.

Agora para cumprir a meta numero quatro eu tenho que totalmente ignorar Caroline Forbes. Motivo: ela morreu há uma semana, em uma festa que teve na cachoeira da cidade, lembrando que essa cachoeira é extremamente proibida para pessoas não autorizadas, ou seja, para pessoas como a Caroline. Seu corpo ainda não foi encontrado, e pelo motivo da meta numero dois, eu não quero ser a pessoa a encontrar, então eu com certeza não quero encontrar uma loira de olhos azuis e roupas incrivelmente rosas quando chegar à escola.

– Então, como foram as suas férias? – Bonnie, minha melhor e única amiga perguntou.

E como minha melhor amiga, eu sabia como ninguém que na verdade ela queria perguntar: “Encontrou com algum fantasma nas férias?”. Sim, ela sabia sobre o meu maravilhoso “dom”, e sempre levou na boa, o que foi bastante surpreendente levando em conta que eu disse a ela que podia ver pessoas mortas.

– Foram normais. – Foi minha resposta. – As suas?

– Se com normais você quer realmente dizer normal, as minhas férias foram tão normais quanto as suas.

– Você realmente fica esperando que eu encontre alguém morto a cada esquina, não é? – Perguntei, e mesma apenas deu de ombros, como se não fosse nada demais. – Uma pessoa normal acharia isso assustador, sabia?

– Bem, eu sou sua amiga, então tecnicamente eu não sou normal. – Sorriu brilhantemente. – Você por acaso não está vendo a encarnação da pantera cor de rosa, está?

Quase que imediatamente meus olhos passaram por toda a sala de teatro onde os alunos estavam reunidos, e suspirei audivelmente quando não encontrei nenhuma cabeleira loira fazendo algum show porque as pessoas não conseguiam lhe ver.

–Não. – Respondi, ganhando um olhar frustrado da Bonnie. – O quê?

– Você não está ansiosa para ver a garota que fez das nossas vidas um inferno andando por ai tentando chamar a atenção de alguém, sem saber que está morta?

– Na verdade, não. – Franzi a testa. – É meio que triste.

– Sim, eu sei. Eu não estou sendo insensível ou algo assim, eu apenas acho que seria divertido ver a encarnação da pantera cor de rosa, frustrada porque ninguém pode lhe ver e elogiar a sua fantástica roupa. – Deu de ombros. – Eu certamente, pagaria uma fortuna para presenciar isso.

Olhando por esse lado... Não, nem pense nisso, Elena. Você tem uma lista com metas a cumprir, e chamar a atenção de alguém morto para si não está nela.

– Eu tenho uma lista de coisas que eu tenho que cumprir esse ano. – Informei a Bonnie, ganhando um olhar curioso da mesma.

– Uma lista? – Repetiu.

– É. – Confirmei, pegando a famosa lista do meu bolso e entregando á ela.

Era interessante ver as expressões da Bonnie, conforme ela ia lendo.

– Um pouco ousado da sua parte essa numero quatro, não? – Perguntou, divertida. – Logo você que gosta de ajudar todo mundo.

– Bem, não esse ano. – Falei, vendo o diretor Saltzman, subir ao palco e começar o seu tão conhecido discurso. Na minha humilde opinião ele deveria começar a pensar em escrever outro discurso, porque ouvir a mesma coisa todo ano já se tornando cansativo. – Acho que meus pais já estão cansados de irem me buscar na delegacia e ouvir do delegado que eu mais uma vez invadir uma propriedade privada.

– Isso é fato. – Riu.

– Não é engraçado. – Estreitei os olhos. – Quem é aquele?

Observei o garoto com pose bad boy subir ao palco e ficar ao lado do senhor Saltzman, sendo apresentado como Damon Salvatore.

– Ele é sobrinho do nosso amado diretor. – Bonnie disse. – Bonito, não?

– Sim. – Respondi, no momento em que os olhos do tal Damon encontraram com os meus, e eu desviei quase instantaneamente, o que foi um erro já que eu encontrei uma figura furiosa olhando para todo mundo na plateia, como se estivéssemos cometendo algum pecado. – Meu Deus.

– Você realmente o achou bonito, não é...

– Não é isso. – A interrompi, vendo com horror a Caroline começar a gritar com o diretor. – É a Caroline.

– Ela está aqui? – Bonnie, perguntou animadamente e começou a olhar em volta, como se pudesse vê-la.

– Não aqui, lá. – Apontei para o palco, vendo com o horror quando a mesma tentou cutucar o diretor com a sua unha incrivelmente rosa e sua mão passou diretamente pelo mesmo. – Isso está preste a ficar...

Mal terminei de falar e o grito ensurdecedor da Caroline – ao menos para mim – se fez presente no local, forçando-me a tampar meus ouvidos com as mãos, e quase no mesmo momento as luzes de todo o teatro explodiram levando os alunos a gritarem e inevitavelmente saírem correndo.

– Jesus. – Bonnie exclamou. – Isso foi ela?

– Ela está bastante irritada. – Falei, olhando para o palco e vendo como a Caroline parecia surpreendida e ao mesmo tempo satisfeita com o que tinha feito. – Isso não vai prestar.

– O que você vai fazer? – Bonnie perguntou.

– Eu não vou fazer nada. – Respondi, observando o diretor pedir para todos saírem com calma. – Vamos embora daqui.

Nada de quebrar a meta numero dois ou quatro.

Notas finais
Devo continuar?