A Deusa e o Carpinteiro
1 Capítulo 1
Amanheceu cedo naquela manhã de agosto. Todos estavam ocupados, naquele ônibus. Diego, um jovem de 25 anos, olhava pela janela enquanto escutava uma musica qualquer em seus sempre companheiros fones de ouvido. Lá estava ele indo novamente para a Loja de ferramentas na qual trabalhava. Sempre tentou fazer o melhor que podia, contudo parecia que nada lhe trazia felicidade.
Enquanto as ruas da cidade iam passando ele lembrava de sua infância ajudando seu pai em pequenos projetos, o que o fez se apaixonar pelo ramo de arquitetura. Ele estava na faculdade, mas trabalhava de assistente enquanto ainda não se formava. Apertou as mãos calejadas e suspirou enquanto imaginava o quanto difícil ia ser mais esse dia. 12 horas de trabalho e ainda por cima teria que ir estudar a noite.
Os olhos castanhos do jovem pendiam de cansaço e ele ajustou seus óculos no rosto antes de descer no ponto de ônibus. Caminhou ainda algumas quadras até chegar à loja do Senhor Fabrício, amigo de seu pai que lhe dera emprego após a morte do mesmo. Entrou pelos fundos da loja, foi até seu armário onde colocou suas coisas e vestiu a camiseta da loja.
Bom dia... – Diego falou sem muito entusiasmo.
Olha só quem chegou? Sabia que está atrasado? – Fabrício lhe olhou por cima do balcão enquanto arrumava alguns papéis.
Sabe muito bem que sou péssimo em cumprir horários. – Ele sorriu e se encostou no balcão.
Muito bem. Mas hoje você não vai ficar na loja.
O que houve? – Diego falou enquanto vestia um avental.
Ligaram cedo e pediram um faz tudo pra ir naquele hospital ali perto do fim da rua.
E eu tenho cara de faz tudo? – Diego falou fazendo uma careta.
Tem cara de quem não quer perder o emprego... – Fabricio franziu o cenho.
Ok... Que horas eu tenho que estar lá?
Meia hora atrás.
Ai ai.
Diego não teve muito tempo para discutir, pegou um macacão jeans nos fundos da loja e o vestiu sobre sua camiseta preta e calças jeans, procurou rapidamente por uma caixa de ferramentas, foi em direção a moto da loja que estava estacionada na porta da loja e foi em direção ao hospital.
Enfermeira? – Disse uma jovem garota de cabelos castanhos que vestia um jaleco.
Sim, Doutora?
Alguma melhora no caso do paciente do leito 14? – A médica falou sem desviar do prontuário que estava em suas mãos.
Por enquanto não.
Vamos aguardar que Daniel venha avalia-lo.
Ok, Doutora. – disse a enfermeira com um sorriso tenro. – Ah! Sua assistente ligou e disse que é para encontra-la na sua sala.
Certo.
A jovem doutora caminhou calmamente pelos halls do hospital enquanto mexia no celular. O cabelo castanho preso em um coque feito apressadamente deixava alguns fios soltos. Coçou os olhos por baixo dos óculos e bocejou levemente. A noite anterior tinha sido bem longa e mau tivera tempo de descansar. Dobrou as mangas do jaleco e foi em direção a sua sala.
Ao chegar em uma porta de madeira dura, observou por alguns segundos a placa que tinha escrito Diretoria em letras garrafais. Embora tivesse se formado a pouco tempo, já tinha posição de prestigio naquele hospital por ser uma das melhores alunas da Universidade e ter se destacado em sua área de atuação.
Diretora Débora? – Falou a assistente enquanto atendia um telefone e outro.
Olá, Fabiana. O que houve? – Falou calmamente enquanto caminhava até a máquina de café.
Houve alguns vazamentos no setor leste do hospital. Queria que a senhora fosse lá dar uma olhada.
E por que ainda não chamou alguém da manutenção?
Eles estão todos ocupados com a reforma do setor sul.
Só o que me faltava...
Mas já chamei um serviço terceirizado...
Isso vai sair de onde? O orçamento do hospital já está bem comprometido.
Certamente daremos um jeito.
Vou lá checar.
Antes que Fabiana pudesse protestar, Débora já havia saído da sala. Pegou o celular para analisar os compromissos que ainda teria que resolver durante este dia que mau acabara de começar. Alguns pacientes a cumprimentaram durante o caminho. Mas ela só conseguia pensar em voltar para casa e encontrar seu noivo. Já fazia alguns dias que ela estava praticamente morando no hospital, mas era necessário, com a reforma que estava acontecendo e novas epidemias que estavam surgindo.
Quando chegou no setor leste do hospital, o local onde havia vários leitos da área de cirurgia geral, percebeu que algumas paredes tinham um pouco do que ela achou que seria limo escorrendo e ouviu um barulho de martelo batendo ao fundo. Foi caminhando em direção do mesmo e viu que tinha um rapaz agachado sobre algumas placas de madeira.
Olá? – Disse a garota calmamente.
Trouxe os pregos? – Disse o rapaz sem se virar.
Pregos? Que pregos?
Não te mandei trazer os pregos pra... – O rapaz se virou e observou a jovem medica parada junto a porta o olhando com uma cara de desentendida. – Oh! Desculpe. Achei que era outra pessoa.
Então você é o faz tudo que chamaram? – Disse ela cruzando os braços sobre o peito.
Ei... Faz tudo não. Empreiteiro. E a senhorita quem acha que é? – Diego tinha um ar debochado.
A diretora do hospital. – Disse Débora o olhando com superioridade.
Então senhora diretora, temos aqui um grande defeito na estrutura do seu querido hospital. Temos varias tabuas apodrecidas pelo vazamento dos encanamentos.
Vai demorar para arrumar?
Bem... Como sou apenas eu pode ser que uma semana ou duas.
Entendi. Já viu o orçamento?
Vou pedir para o Senhor Fabrício enviar amanhã pela manhã.
Certo. Então temos um acordo? – Disse a diretora estendendo a mão.
Claro. Vai ser um prazer trabalhar pra senhora.
Diego levantou-se e foi caminhando em direção a garota. Ela o observava enquanto ele deslizava a mão pelos cabelos escuros. Ele era um pouco mais alto que ela, estava com um macacão jeans sujo de serragem, tinha olhos castanhos e uma barba por fazer. Ele deu um breve sorriso quando se aproximou e apertou a mão dela.
Não é muito jovem para ser uma diretora? – disse o rapaz a tirando de seus pensamentos.
Não é muito arrogante falar assim com sua chefe?
Gostei de você. – Disse Diego com um ar brincalhão. – Tenho trabalho a fazer se me permite.
Débora percebeu que ainda estava segurando a mão do rapaz e a soltou rapidamente. Seu telefone tocou antes que pudesse dizer mais alguma coisa. Ela apenas acenou para o rapaz que lhe sorria com as mãos nos bolsos do macacão e foi embora.
As coisas estão começando a ficar interessantes aqui. – disse Diego enquanto voltava a trabalhar.
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