A Deusa da Guerra
1 Prólogo
Notas iniciais
O esquadrão de ninjas estava se preparando para se posicionar adequadamente para o ataque. Eram cerca de cinco pessoas muito bem treinadas e sendo orientadas por Kankurou e Temari. Estavam em uma missão para deter um grupo de pessoas fanáticas que sequestravam mulheres jovens para algum tipo de sacrifício. Era algo que tinha sido erradicado uma vez, mas com os novos eventos pós-guerra, eles se reuniram novamente.
No entanto, desde a entrada do antigo templo no meio do deserto do País do Vento, Temari sentia-se incomodada com o lugar. Esse incômodo foi percebido pelo irmão mais novo que perguntou o que estava havendo. Porém, durona como é, negou qualquer problema e pediu para focar na missão. Kankurou não discutiu mais o assunto... Por enquanto.
A kunoichi andou alguns passos, agachada e sinalizou com o dedo para os ninjas ao seu redor seguirem mais a frente e interceptar os envolvidos. Mas a regra era clara: nada de mortes. Eles iriam apenas interrogar e prender os integrantes a mando de Gaara, o Kazekage.
O local fora construído com pedras, argila e cerâmica. Haviam-se muitos hieróglifos com símbolos do Sol, olhos, potes, aves e no centro onde estavam as pessoas, um grande desenho de uma mulher com cabeça de leoa ao centro. Haviam-se tochas acesas em meio à escuridão de alguns cantos, mas era belíssimo de se ver mesmo com pouca iluminação. Existiam figuras talhadas em ouro puro. Temari teve a sensação que conhecia aquela linguagem tão antiga. Balançou a cabeça e finalmente deu o sinal novamente e surpreendeu as pessoas.
Uma mulher com o capuz longo estava prestes a fincar uma adaga no peito de uma jovem num altar de pedra quando Kankurou usou uma de suas marionetes para interromper o ataque da estranha. Tinham pelo menos umas dez pessoas no local e foi um alvoroço. Temari não podia fazer muito, pois seus ataques são para longa distancia, no entanto, era ágil com jutsus que envolviam o vento, isto sem abrir seu leque.
A missão foi um sucesso. Conseguiram deter as pessoas que presenciava no ritual e a moça, — desacordada, estava nos braços de um dos ninjas do esquadrão. Antes de partir para Sunagakure, levaria cerca de três horas mais ou menos, Temari retornou a fitar a entrada do templo.
Tinha um longo arco retangular com estatuas de leoas como “guardiãs” do local. Toda a frente haviam-se figuras gravadas como sendo guerreiras com suas lanças e escudos esculpidos.
— Gostou do lugar, hein?
— Algo aqui me perturba...
— Vamos, temos uma longa estrada pela frente, o pessoal já se preparou. Os cultistas estão presos por algemas especiais um atrás do outro, parece inofensivos agora. – Kankurou deu um risinho, Temari bateu o cotovelo do braço do irmão. – Viu, quando vai pra Konoha? Seu homem te espera...
— Fique quieto... A garota já está na carruagem? – mudou de assunto e pôs a mão direita em cima dos olhos para tampar o Sol. – Ela parece fraca.
— Uma das kunoichi está cuidando. Ela estava bem desidratada.
Ambos concordaram que já era hora de ir e seguiram com a viagem. Uma breve tempestade de areia chegava para fazer o caminho mais longo. Se alojaram dentro das carruagens. Temari teve a sensação que alguém a chamava. Era mulher que iria matar a jovem.
— É você. – disse simplesmente – É você! – repetiu.
Temari não deu muita atenção para o que a senhora falava, mas mesmo assim, tinha impressão que sabia do que estava falando. Por fim, a tempestade passou e retornaram a andar. Finalmente apareceram as grandes paredes da cidade da areia. Na prisão, Gaara aparece e cumprimenta seus irmãos e os ninjas envolvidos no resgate.
— A jovem já foi encaminhada para o hospital. Em breve, quando estiver são, vamos saber um pouco mais dela. Família, onde mora e fins. – relatou a loira.
— Estes aqui são os cultistas ou sei lá o quê do templo. Era alguma coisa sobre uma deusa... Qual era o nome? – Kankurou começou a pensar, mas o nome não vinha. – Se-alguma-coisa.
— Sekhmet. – disse a mulher novamente. – Ela voltará, ela voltará!
— A deusa da guerra? – observou Gaara. – Vocês estão loucos. Uma jovem ser sacrificada por um mito? Valorizo a vida mais que qualquer um daqui. Não ouse me tirar a paciência senhora.
— Sekhmet. – repetiu Temari.
— Podem descansar meus irmãos, eu e os demais ninjas faremos o trabalho daqui em diante.
— Não precisa se preocupar eu não...
— Isto é uma ordem Temari de seu Kazekage.
— Está bem...
Já era noite, e Temari não conseguia dormir.
Os hieróglifos e o templo de Sekhmet não saiam de sua cabeça. Começou a resmungar alguns palavrões enquanto virava de um lado do outro para passar as horas. Saiu de seu quarto olhou para os lados, o corredor estava vazio. Desceu as escadas de areia endurecida e foi para a ampla cozinha da casa. Pegou um copo e tomou uma bela dose de uísque feito de um cacto do deserto. É algo sofisticado para uma família de reis e rainha.
“Por que minha mãe, por que estou pensando tanto nisso?”, pensou Temari preocupada com os próprios pensamentos. Surgimento de uma nova deusa seria problema mundial novamente e já se haviam passado dois anos desde a guerra. Queria paz novamente.
Tomou outro gole.
Sentou-se numa banqueta de madeira e se apoiou no balcão que dividia a sala de jantar dos Sabaku. Agradecia mentalmente pela vida que agora tinha. Gaara firme e forte, Kankurou também, a vila crescia cada vez mais economicamente, sendo a segunda potência do mundo, apesar das perdas. Claro que dinheiro não era a única coisa que importava, mas era bom ter depois de já terem passado fome e sentido muito medo.
Temari era uma mulher estonteante, com cabelos loiros e olhos verdes sérios e belos. Tinha sorte pela vida que tinha. Olhou para a mão direita e sorria e levou a mesma ao peito. Uma aliança de compromisso. Namorava o shinobi mais problemático da Terra. Gostava muito de Shikamaru, se apoiavam em tudo apesar das diferenças étnicas. Queria poder falar com ele sobre isso, mas ele em questão estava em missão. Suspirou.
— Sonhando acordada? – a voz masculina assustou um pouco a loira. Mas depois abriu um sorriso ao ver que era seu caçula favorito.
— Majestade, está fazendo o que acordado?
— Engraçadinha. Estou preocupado com você. Percebi que não estava em seu quarto. Achei que poderia estar aqui. – disse o ruivo sentando-se ao lado da irmã mais velha.
— Vou pra Konoha daqui uma semana. Estamos resolvendo uns assuntos...
— Que vai morar lá? – deduziu Gaara.
— É... Não sei se devo... Deixar você e o Kankurou. Parece egoísmo...
— Claro que não, estou feliz com sua decisão. Konoha terá sorte em ter você lá. O que te faz ficar tão triste?
— Não sei, parece que tenho um assunto inacabado aqui.
— Talvez tenha, descanse e descobrirá. Mais cedo ou mais tarde.
Depois da conversa, Temari finalmente sentiu-se cansada e foi para sua cama. Uma vez deitada, começou a sentir sua mente a ficar inconsciente e dormiu. Estava sonhando e neste sonho, estava sozinha no deserto. Uma forte ventania a rodeava. Como se estivesse no meio de furacão de areia e vento. Uma mulher, cheia de tecido em volta do corpo e escrituras na pele, aparece e aponta para Temari. Seus olhos eram tão verdes quanto de Temari e também era loira. A semelhança era incrível.
A parede de vento começou a aparecer hieróglifos brilhantes e uma voz feminina começou a sussurrar “hayaa”. Continuando no sonho, Temari sentia-se mais próxima da mulher e esticou o braço para alcança-la. Novamente a mulher disse: “hayaa”. Foi então que a kunoichi acordou aos gritos com braço queimando. Foi quando percebeu que seu braço direito estava com escrituras de uma linguagem antiga de Suna. Era apenas o começo de uma nova profecia.
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