A Deusa Perdida
24 Plantinhas natalinas podem ser algo do mal
Notas iniciais
Especial de Natal — Plantinhas natalinas podem ser algo do mal
*Porque a autora acordou super natalina hoje*
Dia vinte e quatro de dezembro à noite. Na rua, tudo deserto. As pessoas estão em suas casas, aproveitando o aconchego de seus familiares para comemorar o Natal. Mas, dentro do trailer que passa….
— PINHEIRINHOS DA ALEGRIA, LALALALALALALALALA OS SINO TOCA AS NOITE I OS DIA LALALALALALALALALA
Ninguém mais aguentava o garoto ruivo cantando musicas natalinas para cima e para baixo (com o sotaque caipira dele, então, ficava ainda mais lindo). Começara de manhã, e embora no inicio tenha sido fofo, à noite os outros já estavam quase jogando-o pela janela. Annabeth havia explicado que gregos não celebram o Natal, mas não havia nada que fizesse ele parar de gritar Noite Feliz por aí.
— Quando falam em pinheiros, eu não penso em alegria — murmurou Percy — Eu penso em choques e queimaduras de terceiro grau — ele viu os olhares de 'que diabo' de Orchard, Hannah e Muke — Uma prima minha. Longa história.
Estavam todos sentados no sofá, que era grande e em formato de L. Embora não tivessem a tradição de fazer uma ceia, ninguém reclamara quando o Invi (ou Jimmyntira, fica a seu critério) parou no drive thru do McDonalds.
— Ara, sô, pois pinheiro me lembra muito di alergia… Nonono, alegria. Si beim que meu avô era alérgico ao nosso pé di quiabo, entonces me alembra um pouco di alergia, sim… Mais Natar é dia di alegria! Ocês devia tá comemorando!
— Hm, Orchard. Tipo, nós não comemoramos o Natal.
— AH, PÉRCI, QUE FARTA DE GRAÇA. Pois quando ieu morava cum meu pai e meus tio barrigudo, nois tudo cantava nas seresta e nas capela… — Orchard roubou uma alface do McChicken de Annabeth, que se exclamou um ‘ei!’ indignado — Ieu nunca vô mi esquecê daqueles Natar que nois passô… Ô diazin filiz, medeus!
— É, mas pena que você não tem mais o Natal — disse ninguém mais ninguém menos que Hannah, com sua sensibilidade de sempre — Agora, me dá esse chapeuzinho de Papai Noel, garoto.
— NONONO, no meu chaperzin, ninguém mexe! — ele afundou mais o gorro vermelho na cabeça — Sein ele, o Papai Noer num vai me ver pra intregá meus presente.
Annabeth respirou fundo, começando a ficar irritada. Filhos de Atena só crêem nas coisas que podem ver, comprovar que existem. Como tirar isso da cabeça de um menino irritante de nove anos?
— Olha, Chico Bento, deixa eu te contar uma história — Muke pigarreou — Era uma vez, um garoto lindo e gostoso…
— Só que não.
Muke olhou feio pro Nico.
— Cale a boca, Playboy.
— Não me chame de Playboy, Raio de Sol.
— Então tá, Braquelo.
— Solzinho da RiHappy.
— Cadáver.
— Viado.
Percy desviou o olhar. Seria legal se intrometer, mas sabia o motivo real da briga. E ele não tinha nada a ver com isso.
— Que droga, vocês dois! — Hannah bateu a mão no sofá para dar efeito — Já chega! Se eu escutar mais um desses eu vou bater na cara de… — Orchard estalou os dedos na cara dela.
— Ei! Ei! O espirito de Natar! Nada di brigá, qui o Papai Noer num trais presente pras criança má!
Annabeth finalmente perdeu o pouco do controle da razão dela que restava.
— Não tem Papai Noel! — explodiu na cara do garotinho ruivo — Ele foi só a imagem de um santo popularizada pela Coca Cola com roupas vermelhas pra aumentar as vendas, ele não traz presentes porque ele não existe!
Orchard arregalou os olhos, abismado.
— Você… mas… — os lábios dele começaram a tremer, e ele abriu o berreiro. Annabeth se arrependeu de ter gritado com ele, afinal nada é pior que choro de criança as onze da noite.
— Ah, Orchinho, desculpa! A Titia Annie não queria gritar com você!
Percy franziu a testa.
— Orchinho?
— É, daqui a pouco perde a namorada e não sabe por quê — comentou Rachel, mexendo nas unhas.
— O garoto está quase se esgoelando de chorar e você está olhando as unhas?!
— É claro, Hannita — ela olhou fixamente pro Muke com aquele olhar de sedução 43 — Nunca se sabe quando você vai arranhar alguém.
— Ah meu Deus O-O
Enquanto isso…
— Calma, Orchinho, escuta a Annie! Foi sem querer! — tentativa fracassada. O barulho irritante de criança birrenta ainda era 'escutável' — Hm, tia Annie vai contar uma história pra você!
Ele fungou.
— Di Natar?
— Claro! De Natal! Ahn… é… ERA UMA VEZ UMA RENA DO NARIZ VERMELHO.
— O quê? Não — Percy fez uma careta — Rudolph de novo, não. Conta a vez da patinação — ele se virou pro Orchard, que até observava a conversa, curioso — Natal passado eu fui ensinar a Annie a patinar num lago congelado perto da casa dela. Depois de uns dez tombos, ela até que pegou o jeito.
— Aw, que romântico — disse Hannah, com os olhos brilhando.
— É, nem tanto — Annie resmungou — O lago não estava tão congelado quanto o senhor filho do deus da água disse que estava — insira olhar significativo para o Percy aqui — Eu estava lá, patinando feito uma profissional, com os cabelos ao vento, quando escuto um barulho de gelo se quebrando. Ai o Cabeça de Alga me grita ‘não olhe agora, Annie, mas acho que o gelo tá partindo’ — ela faz uma careta — Foi só piscar que caí de cara na água.
— E eu, como um bom namorado que sou, só ri da cara dela. Afinal, me certifiquei que meu pedaço de gelo continuaria congelado.
Rachel olhou pra Annie.
— Olha, se fosse eu, matava.
— Ah, mas eu tive meu troco — ela sorriu maliciosamente — Foi só puxá-lo pelos patins.
— Ficamos os dois congelados — Percy sorriu de modo divertido — Mas ao menos, foi o segundo melhor beijo sub aquático de todos os tempo, né?
— É, tipo isso — Annabeth ficou vermelha — Valeu pelas semanas na enfermaria do Acampamento, com resfriados e tomando sopa em todas as refeições.
— E não fazendo nada, absolutamente nada o dia todo e… ok, talvez não tenha valido tanto assim — ela deu um tapa no namorado — Ai! Tô brincando, caramba.
— Ah, eu me lembro de quando vocês chegaram resfriados — disse Rachel — Foi uma semana depois do Natal no Acampamento.
Hannah franziu a testa.
— Vocês comemoraram?
— Não é bem uma comemoração — disse Nico — Eu estava lá também.
Percy pareceu estupefato.
— Você passa o Natal no Acampamento?
— É… as vezes. Tipo, eu tinha acabado de fazer uma viagem das sombras, e acabei trombando na Rach.
O Oráculo apontou acusadoramente para ele.
— Trombando uma ova, você quase me derrubou! Esse método de transporte de Hades é muito pouco seguro, só acho.
— Não é minha culpa se você estava na sombra única sombra que tinha num raio de um quilômetro! E aquele seu hematoma nem ficou tempo demais.
— Não ficou, seu nariz! Saiba que minha testa nunca mais foi a mesma — reclamou, indignada — Mas continuando, eu perguntei porque ele estava lá, afinal todos sabem que o Nico é um ser super sociável que adora ficar no meio dos pentelhos do Acampamento. Ai ele respondeu ‘gosto de ficar sozinho, mas Natal nas trevas é demais até pra mim’.
— Uau Nicolau, realmente, você consegue ser menos sociável que eu. Parabéns — disse Hannah, colocando os pés no sofá e apoiando o queixo nos joelhos.
— É, eu sou tão extrovertido que deveria der filho de Afrodite — ele foi o único que não riu da própria piada — Mas aí Rachel disse que os pais dela tinham viajado, e como não queria passar mais tempo do que o necessário na escola de moças de sei lá das quanta, falsificou assinatura do pai pra sair no feriado de Natal.
Dare fez uma careta.
— Acredite, aquele lugar consegue ser pior que as suas trevas.
— Será? — Nico semicerrou os olhos — Mortos, cemitérios, cadáveres…
— Vestidos floridos, decorar a ordem dos dez talheres de jantas, AULAS DE CROCHÊ.
— O dela é pior até pra mim que sou filha de Atena.
Orchard se levantou, de repente.
— Agora, ieu vô contá o meu Natar! Nois tava cozinhando os nabo, pra ceia — a voz dele mudou, ficando um pouco mais grave — cuando mi madre apareció con mi perro Juanes que por poco no murió y meu tio Joãozin disse que os pato tava tudo fugindo dos cercado.
O queixo do filho de Poseidon caiu.
— Com licença..?
— A maldição, Cabeça de Alga. A maldição — disse Annie, suspirando.
Hannah estreitou os olhos.
— Juanes é um cantor de música latina. Muito feio, por sinal. Porque alguem daria o nome do cachorro de Juanes?
Por fim, foi algo entre caçada de patos usando nabos como arma e Juanes passando mal por ter comido balão de festa. Ou caçada de cantores latinos enquanto os patos comiam balão de festa. Sei lá.
— Bem, pelo visto é nossa hora de compartilhar nosso Natal — disse Muke, cutucando Hannah — O do visco.
— Espere ai — Nico parecia ressabiado — Visco não é aquela planta que quando duas pessoas estão embaixo, elas devem se beijar?
— Tipo isso — a filha de Zeus deu de ombros — Foi o seguinte, a gente tava meio que de castigo no dia. A inspetora não deixou a gente ficar pra entrega dos presentes porque tínhamos sido ‘crianças más’ — ela fez as aspas com as mãos — Só porque eles acharam nossa escolha de música de Natal pra apresentação de fim de ano na prefeitura inapropriada. O que foi completamente injusto.
Annabeth tinha medo de perguntar, mas não resistiu.
— E qual música seria?
— Yule Shoot Your Eye Out. ‘Natal arranca seu olho fora’. A letra é basicamente ‘não volte para casa no Natal, sua vadia, ao invés disso se enterre viva e me faça feliz’.
— Letra profunda. Acho que vou dedicar a você ano que vem — disse Nico, e Hannah o encarou indignada.
— O que disse?
— Nada. Continue.
Ela o fuzilou com os olhos, mas voltou à história.
— Nosso ‘castigo’ foi ficar no jardim, num frio glacial, enquanto todo mundo ganhava chocolate do centro comunitário.
— Ai a Punk ficou cantando a música e xingando a diretora de uns nomes bem criativos debaixo da janela da entrada.
— E ela tacou um sapato em mim.
— E a Hannah jogou o salto dela num lago — disse Muke, como se isso fosse normal.
— Você jogou o sapato da mulher no lago? Qual o seu problema?
Han mostrou a língua pra Percy.
— Era legítima defesa, tá? Aquele salto agulha quase furou meu olho. E quando ela viu que isso não me calaria, fechou a janela e a neve acumulada em cima dela caiu na nossa cara.
— Infelizmente, eu estava por perto — explicou o filho de Apolo.
Annabeth roubou uma batata do prato de Percy.
— É, acho que não fomos os únicos a pegar um resfriado.
— Não mesmo. Fiquei espirrando por semanas — Muke torceu o nariz — E a bicho do mato da Punk nem quis trocar calor corporal, pra se esquentar. Ela deu um tapa na minha cara.
— É lógico que dei! Eu não gosto de abraços! — ela se lembrou do incidente do velhinho, e do porque de ele bater em sua cabeça com a bengala — Tipo, depende. Mas na maioria das vezes, eu detesto.
Rachel revirou os olhos.
— Perdeu uma grande oportunidade.
— Exatamente, minha ruiva — Muke piscou pra Rach, que quase derrubou a água do seu copo que segurava na cabeça do Orchard.
— Ara sô, ieu já lavei meus cabelo hoje, vira esse trem* pra lá.
— Tá, mas o que o visco tem a ver com isso tudo? — perguntou Annie, curiosa. Teria Han ficado com Muke? Será que, quando descobrisse, Nico ia dar um soco na cara dele? ‘Hannico’ finalmente seria assumido ao mundo?
Sexta feira, no Globo Repórter.
— Bom, depois que eu dei um tapa no Muke, nós ficamos sentados numa pedra conversando — continuou calmamente Hannah. Era impressionante o quanto a história deles ganhava de lavada em bizarrice — Só que ele inventou uma história fajuta que tinha o direito de ganhar alguma coisa de presente já que eu, na minha pobreza, não tinha dado nem feliz Natal.
— Era justo — comenta o garoto conhecido como Raio de Sol.
— Era, sei. Justo foi você dizer 'não é nada que você tá pensado Punk, só quero que olhe pra cima', né? Quando eu olhei, ele tava segurando um visco em cima de mim.
— E ela ficou puta — disse Muke, nem um pouco arrependido, e Annabeth revirou os olhos.
— Com razão.
— Exatamente. Só que eu vi que a gente tava do lado da lagoa que eu tinha tacado o sapato da mulher, e reparei num negócio se mexendo nos arbustos.
— Um negócio mexendo? — Percy franziu a testa — Era uma pessoa?
Hannah deu um gole na Coca antes de responder.
— Não, não. Era um sapo.
— ECA! — Rachel fez uma careta — Você pegou num sapo?! QUE NOJO.
— Ela não só pegou, como colocou o bicho no meio e eu beijei foi ele. E depois ela ainda me bateu — Muke semicerrou os olhos — Num lugar não legal.
— Bem feito — Nico riu da cara dele.
— Não se intrometa, Pla—
— Me chame disso mais uma vez — ele disse, com a voz ríspida — E você visita meu pai mais cedo.
— Como quiser, Defunto.
Annabeth revirou os olhos. Será que quando ela e Rachel gostavam do Percy, elas eram competitivas assim?
Não. Claro que não.
— Mas aqui, Punk, você não seguiu as regras do visco — Muke passou o braço nos ombros de Hannah —, e quebrar a tradição dá um azar danado. Então se eu fosse você, começaria a seguir.
Ela o fitou, ressabiada. O que isso queria… Ah, espere. Ela olhou pra cima. Visco.
?
— Meu São João de Santo Cristo, desde quando essa porcaria está ai em cima?!
— Isso não importa! Você está embaixo dele, é o que é realmente importante.
Rachel arquejou. Ela que deveria estar embaixo daquele negócio.
O que se seguiu foi uma cena digna de Vídeo Cassetadas. Rach deu um pulo, empurrando a Hannah do sofá e praticamente caindo no colo do Muke. Só que o impacto fez o visco cair da mão dele. Orchard escorregou na planta, jogando ela pra cima e empurrando a Hannah que empurrou o Nico que empurrou a Rachel de cima do Muke.
Percy colocou os pés em cima do sofá. Não queria correr o risco de cair embaixo da planta com alguém.
— OUSH OIA QUE QUI OCÊS FIZERAM, SEUS FAROFERO! — Orchard chorava o leite derramado com um alface caído no chão. Deméter teria orgulho.
Annabeth procurou o visco pela sala. Será que caiu pela janela? Ela esperava que sim, finalmente acabaria com a bagunça desses maloqueiros.
— Ai, meus deuses.
Pois bem. Nesse boliche humano, Muke caiu batendo suas costas contra as de Nico. Eles estavam no meio da sala, com metade da planta infernal na cabeça de cada um.
— NÃOOOOO — é, não foi hoje que Rachel conseguiu beijar o Muke.
— Agora, você vai ter que escolher um deles — disse Annabeth — É a decisão mais sensata, a não ser que queira beijar os dois.
Hannah xingou mentalmente.
— Volta pro playground, Playboy, porque eu já sei quem vai sair ganhando hoje — Muke fez a típica expressão de vitória que era vista em seu rosto noventa por cento das vezes.
— Fala sério, não é possível que ela vá beijar você — Nico revirou os olhos, e por cinco segundos a lerdeza do Percy sumiu, dando lugar a um sorriso malicioso.
— Quer dizer que você quer que ela escolha você?
— Não! Digo… ah, cale a boca Percy! — ele ficou vermelho, e Annabeth suspirou. Ela já tinha acabado de comer, e estava ficando curiosa pra saber logo onde diabo aquele Natal daria.
— Fala logo, Hannah! — insistiu ela — Não seguir o visco dá azar, pensa bem.
— Err.. — ela mexeu no cabelo — tenho mesmo que fazer isso?
— Tem — respondeu a filha de Atena, sem piscar. Afrodite ficaria orgulhosa.
— Você me paga, Annie — Han suspirou — Mas tá, que seja. Eu, hm.. escolho..
— O Nico? — perguntou Rach, na expectativa.
— Não — ela respondeu, rápido demais.
Nico fez uma expressão ofendida.
— Não?
— Quero dizer, não, tipo… ah, desgraça!
— Você vai escolher o Muke?!
— Não!
— Não? — disse Muke, encabulado.
— Não.
— Não? — Rachel parecia chocada. Como assim?
— Não! Ai meu Deus, vocês estão confundindo minha cabeça!
— Então responde logo, droga! — Nico já estava sem paciência (o que não é raro).
Uma luz se acende na cabeça da filha de Zeus.
— Olha, acabei de pensar numa coisa. Se a regra é beijar quem está debaixo do visco.. — ela os puxou pela golas das camisas — Vocês dois são quem têm que se beijar.
— Quê?! — disseram os dois, atônitos, ao mesmo tempo.
O queixo de Annabeth caiu. Ela tava zoando, não tava?
— QUE CHICA LOCA, ELLOS SON HOMBRES, HOMBRES!
— Não me importa, Orchard — Hannah se sentou no sofá, calmamente — Eles estão embaixo do visco, não? Então, não tenho nada a ver com isso.
— Eu não vou beijar o Solzinho — Nico olhou com nojo pro Muke — Eu prefiro morrer a isso. Sério.
— Você é o filho do deus dos mortos — ela cruzou os braços — Morte não é um problema pra você.
— Mas pra mim, é! — disse Muke, indignado — Punk, eu não vou beijar um defunto!
— Primeiro de tudo, pare de chamar o Nico de defunto. Segundo, problema seu. Quem mandou ficarem embaixo do visco? — Hannah sorriu de modo maligno e saiu, fechando a porta atrás de si. Eles ainda puderam ouvir ela gritar do outro lado — E se ousarem não obedecer, eu castro os dois com faca de cozinha!
Percy fez uma careta de dor, embora não tivesse nada a ver com aquilo. Era uma ameaça bem ameaçadora a seres do sexo masculino.
— É di Angelo, o negócio tá feio pro seu lado — disse.
Rachel ficou desesperada. De jeito nenhum que o Nico ia beijar seu marido antes dela mesma (opa, a frase ficou estranha).
— Os dois se beijando, mas que absurdo! O Orchard tem razão, eles são homens! Héteros! Ou ao menos, quase!
Annabeth pigarreou.
— Olha, quando eu te peguei lendo aquela fanfic pornô do Harry e do Louis, você não parecia ver problema nenhum em homens se pegando — ela recebeu olhares enfurecidos de todos e encolheu os ombros — Só comentando.
Muke se levantou, exasperado.
— Qual o problema dela?! Cara, eu me recuso a fazer isso com minha masculinidade!
— Como se você tivesse alguma.
— Olha quem diz, Playboy.
— Olha, o cara que se olha no espelho a cada meia hora aqui é você, então…
A porta foi aberta com violência, e Hannah aparece furiosa com um facão de meio metro.
— Duvidaram de minhas palavras, seus capados?!
Poker face.
— Puta que pariu — Percy quase teve um infarto. Era uma faca bem afiada.
— Olha aqui, eu fui bem direta, e as regras são bem simples — ela cruzou os braços e quase degolou Orchard no processo — Quem fica debaixo do visco, deve dar um beijo bem ardente e cheio de pegação na outra pessoa. Beijo de verdade, nada de selinho de jardim de infância, seus futuros bois de fazenda.
— Bois? — Perseu piscou, confuso, e Annabeth pigarreou antes de dar a resposta.
— Bois são touros inférteis. Quando eles chegam à idade adulta, a maioria têm cortados seus..
— Entendemos, Annabeth — Rachel a interrompeu — Obrigada pela péssima imagem na minha cabeça.
— Voltando ao que interessa — diz Hannah, olhando fixamente para os amantes desafortunados — Tem gente aqui que tem trabalho a fazer.
Nico grunhe algo na língua de sua mãe, italiano, e se põe de pé irritado.
— Me obrigue, então! — ele fechou os punhos — Prefiro beijar Hera.
Hannah estreitou os olhos pra ele.
— Quer dizer que você vai contestar a tradição?
— Isso mesmo.
— Do mesmo jeito que eu contestei mandando o Muke se catar no último Natal por que, assim como eu, você está pouco se lixando pra essa besteira?
— Exatamente. Foda-se a planta.
— Tem certeza? — Hannah levanta uma das sobrancelhas — Mesmo com minha ameaça de se tornar um parente muito próximo dos bois?
— Absoluta — Nico a fuzila com os olhos — Nunca fui muito fã da ideia de ter pirralhos, mesmo.
Ela balança a cabeça, rindo, e joga a faca em cima do sofá.
— Ahhhh diabo, cuidado com esse troço! Eu que quase fui castrado, aqui! — Perseu chega pro lado, olhando de cara feia pra filha de Zeus. Mas ela estava muito ocupada para isso.
— Interessante seu ponto de vista, di Angelo — ela bateu o indicador no queixo — Se parece muito com o meu.
Han ficou na ponta dos pés e apoiou as mãos nos ombros do filho de Hades, que pareceu confuso por meio segundo. Mas ela já havia o beijado antes que ele pudesse perguntar.
Não foi um beijo de verdade, ela apenas encostou os lábios nos dele por um instante e logo se afastou. Mas já era um começo, não era?
As reações foram diferentes: Annabeth e Rachel se entreolharam, com um 'awww' uníssono; Percy sorriu ao se lembrar do dia que ele conheceu o primo, que na época tinha só dez anos e não era nem de longe o mesmo que era atualmente; e Orchard começou a cantar Noite Feliz.
E o Muke? Bem, ele jogou o visco pela janela.
— Cacete, de novo! — ele saiu batendo o pé, e quando passou pelo Orchard, colocou o indicador no nariz dele — ESSAS PLANTAS DA SUA MÃE NÃO SERVEM PRA BOSTA NENHUMA.
— ¿Mi madre? — Orchard piscou, confuso — ¿Qué hay mi madre?
Annabeth observou enquanto Hannah pôs as mãos na cintura, satisfeita.
— Bem, acho que isso foi um bom final de Natal — disse ela, cutucando Nico.
Ele assentiu, meio atordoado. O pobre coitado não se lembrava de ter beijado ela antes, no dia em que estava levemente alterado, então devia ser meio bizarro pra ele.
Rachel se levantou do sofá.
— Muto bem, ninguém beijou meu marido. Estou feliz com isso, mas agora vou lá rezar pra Tique e testar minha sorte — ela andou em direção aonde Muke andara.
— Você não vai desistir, vai? — Percy suspirou.
— Claro que não! Afinal, hoje é Natal! — ela gritou do corredor.
Orchard saiu dando pulinhos pela sala.
— Ara, agora ocêis tudo já tão arcreditado no Natar!
Annabeth ponderou por um tempo.
— É, mais ou menos. Não muito, devo dizer.
— Sei… — ele sorriu, com os dentes meio tortos, e foi cantando atrás de Rachel — NOITE FILIZ, NOITE FILIZ.
E apesar de tudo, talvez fosse mesmo.
***
Trem* — negócio, coisa ou troço, no sotaque meio muito caipira que é o mineiro, que aliás é o que uso pro Orchard já que é o meu mesmo. Antes que mais alguém me pergunte se era uma locomotiva caindo na cabeça dele.
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