A Deusa Mãe
23 Mirabilia
Notas iniciais
Mirabilia é um exército. Um exército que possui cinco comandantes, sendo que as duas ultimas são irmãs e trabalham juntas. Apesar disso, eles possuem também tenentes, ou seja, um exercito de quatro partes foi dividido em dez. Mirabilia, apesar de ser um exército notável, é, e muito, cheio de honra. Isso quer dizer que nas mãos daqueles guerreiros, não existe trapaça. Entretanto, acho pouco provável que eles lutem pouco a pouco conosco.
- Os governantes... Eles dão conta? – Purpura perguntou.
- Temo pelo seu território, Purpura. – Respondi.
- Escolhemos uma governanta provisória lá. – A moça tentou me aliviar, mas mesmo assim não deu certo.
-Yomi, o que você acha?
- Acho que nós três devemos visitar ambiente por ambiente e ver o que está havendo.
- Eu já acho que deveríamos esperar Malesia. Ele pode saber o que fazer.
E pela primeira vez, Purpura nos deu uma boa ideia. Nos sentamos nos bancos da estrada cheia de pó, e conversávamos como se nada ali estivesse acontecido. Ignorávamos os gritos e suspiros, explosões e tiros, e nunca, nem por um momento, pensamos em abrir os portões de algum dos ambientes. Isso durou 20 minutos. Eu já havia deitado no colo de Yomi, e Purpura brincava de fazer castelinho com seu baralho mágico. Entretanto, um assovio nos despertou e ficamos em pé, quase tão prontamente quanto um exército.
- Ei, meninas, o que há por aqui?
- Acreditamos que Mirabilia tomou conta de Conchita enquanto estivemos fora. – Expliquei a teoria. Ele passou a mão nos cabelos e puxou Purpura, falando que iriam dar apoio para a própria província.
Ótimo. Eu olhei para Yomi preocupada, a mesma retribuiu o mesmo olhar. Ela pegou minha mão e beijou a costa dela, como um nobre faria, e sorriu delicadamente, sacando a foice e se aprontando para a guerra.
- Me concede a honra dessa dança?
- Só se for agora! – Desembrulhei minha coroa do pano que a envolvia e coloquei na cabeça. Escutei Yomi falando que aquilo poderia cair numa luta, mas quando eu fui responder, já estava em outro plano.
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- Qual o plano?
- Preciso de poder máximo para lidar com Mirabilia.
- Mirabilia? Apenas Aiya continha poder suficiente para vencer cada comandante sem se cansar.
- Eu não me importo de cansar, e nem mesmo de morrer. Mas quero destruir aquelas criaturas. Isso é tudo.
- Ah, é? Então toma... – Ela me entregou um anel, cujo tal havia uma caveira e duas asas, lisas, com plumas de ferro. Eu coloquei eu meu anelar esquerdo, e olhei para ela, que sorria de volta. – Esse é o anel que eu pretendia dar ao Zatsu. Seu nome é Selene’s Serenate.
- O que ele faz?
- Selene’s Serenate, na língua humana, significa Serenata da Lua. Os nossos heróis eram muito ligados aos seres místicos e aos astros. A Lua foi um dos principais amigos daqueles dragões, até que aconteceu algo e a menor Lua de Sanddrif foi se aproximando do planeta, como se quisesse se chocar.
- Pi salvou o planeta, certo?
- Diz a lenda que sim, mas eu acredito que a verdadeira historia é outra. Para chamar a atenção dos orianos de todos os planetas, creio que atraiu a lua com uma pedra mística roxa, e para se mostrar o herói, a impediu.
- E então colocaram o nome de Serenata da Lua na pedra, pois podia controlar o astro, correto?
- Exatamente. Uma canção junto com o polir da pedra atrai a Lua. Outra canção com o mesmo movimento, repele. Entretanto, o que quero lhe ensinar, é a canção original que eu mesma compus ao descobrir a pedra.
- É curta...?
- Está com pressa? Você que demorou em vir salvar Conchita... Enfim... “A água, é o espelho da lua, o fogo, contrasta seu brilho azulado, a terra, recebe seu banho celeste, o ar, se brinda com a brisa noturna. A vida, antagoniza a esperança do astro. Eu, quero me unir com um laço.”
- E o que essas palavras poderão mudar em minha luta? – Eu não acreditava que uma mera musica poderia mudar alguma coisa, principalmente nessa situação.
- Você verá... Agora, mostre a eles quem você é. Mostre seu brilho.
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- Mas onde eu estou?
Apesar de reconhecer a cor do céu, era estranho que eu estivesse olhando para ele. Mais estranho ainda era eu não sentir os pés no chão, mas também não sentir minhas asas. Eu estava apoiada pela nuca e pelas pernas por dois suportes estreitos e longos. Olhei um pouco para baixo e vi os fios negros da morena me carregando, segurando com atenção a coroa em minha cabeça. Eu mal podia ver o rosto. Ela estava olhando para baixo e os cabelos esconderam boa parte de sua face.
- Nos meus braços. Estamos em Micin.
- KENJI!
- Achei que seria melhor cuidar dele primeiro.
- Sim.
Desci de seus braços com sua ajuda, e ela novamente sacou a foice, enquanto eu escutava um ruído metálico assim que retirei a coroa de minha cabeça. Coloquei a mão em cima do nariz e senti uma placa de aço cobrindo-o. Aço não estava só no meu nariz. Sentia uma armadura em meu peito, ombro, abdômen, joelhos e pernas. Meu cabelo atrás estava com uma trança frouxa e a parte da frente estava solta.
- Eu estou armada?
- Isso nasceu em seu corpo assim que retornou do encontro com a Rainha Branca.
- Deve ser esse anel.
*1º Mini boss – Nika & Termita *
Mostrei o mesmo para Yomi, que suspirou. Ela conhecia bem sobre o anel, já que a historia estava mais pendente para sua família do que para a minha. Já dentro da província Amarela, caminhando lentamente por entre as areias do pequeno campo deserto, e não havia o calor que normalmente sentíamos ali. Apesar de estar na hora do sol surgir, ele não saía das montanhas. O Eclipse ainda estava no alto.
A província do loiro estava guerreando sim, mas da entrada não dava para se ver quem era o inimigo. De qualquer forma, parecia ter começado a pouco, pois não vi mortos.
Corremos para dentro da pequena vila. Pela primeira vez, algo escuro voou para cima de nós, ao que Yomi se colocou na minha frente e pegou com suas mãos. Era um rapaz com três furos no peito. A morena deixou o corpo ali no chão, enquanto ele dava o ultimo suspiro. Os golpes eram sempre muito parecidos. Uma chuva de corpos, alguns degolados e outros perfurados por três pontos.
A fonte da turbulência estava perto, e quando finalmente encontramos, eu não pude acreditar.
- É a mulher do sacerdote de Espadas...
- É a sacerdotisa de Espada com ela.
- Mas ela está morta!
- Eu reconheço os trajes de um sacerdote de longe, principalmente quando é de Espadas. É ela.
E realmente era. E o que mais me deixava estressada era que os três furos eram sempre feitos pelo tridente em suas mãos. Ela tinha os cabelos da mesma cor do irmão, bem longos, e a pele um pouco mais acinzentada que a dele. Ela estava de costas, mas dava para ver que as roupas eram mínimas. Um top cruzado, uma saia e um tecido em frente, que ao voar, exibia o símbolo do reino de Espadas.
Já o nosso problema olhava de frente para nós. Nika. Mas não era a Nika. Apesar de ela não se simpatizar conosco, ela não nos atacaria, certo? Errado. Yomi falou sua teoria: Maux poderia ter sido capturado pelo soberano Zatsu.
- Eu não posso atacar a Nika. Eu não quero matá-las. Elas estão protegendo Carmaux.
- Elas querem... Nos matar!
E quando percebi o que acontecia, Yomi já havia barrado Nika com a foice, encaixando o cabo em seus antebraços, que estavam erguidos num golpe de cima para baixo com uma cimitarra. Ela foi jogada para trás, mas aterrissou já com o pique de avançar mais uma vez. Ela golpeou na altura da cintura agora, enquanto eu me recolhia para trás de Yomi, numa tentativa de proteção. A cimitarra bateu forte no cabo da foice mais uma vez, e ao ser retirada, fez um pequeno corte no aço. Yomi girou a arma com graça e avançou contra a dançarina, passando o fio da lança na altura da testa, mas ela abaixou, cortando-lhe os fios do cabelo.
Eu parecia ver em câmera lenta. Os fios caíam devagar ao chão, em comparação com o próximo golpe de Yomi. A morena travou um ataque em X e depois chutou o ventre delgado da mulata, que voou alguns metros para trás e deslizou sentada, batendo em uma pedra.
- Nika, tente acordar!
- Eu estou bem acordada!
Enquanto ela se levantava, um vulto avançou contra mim, e na surpresa caí no chão. O tempo pareceu parar quando eu vi as três pontas de uma lança vermelha a centímetros de meus olhos, mas ela não avançava mais. Levantei o olhar e lá estava ele, Kenji, com uma espada de esgrima em mãos, travando o ataque. A sacerdotisa deu alguns passos para trás, mas quando foi golpear novamente, na altura dos pés, ele saltou, o que fez a ponta da lança passar a milímetros da minha perna.
Me levantei. Yomi estava numa batalha contra Nika e eu, junto de Kenji, lutávamos contra a sacerdotisa. Ele avançou primeiramente, ao que ela desviou seu ataque com o cabo do tridente, e era isso que ele queria. Atrás dela, Kenji podia golpear-lhe as costas e eu golpear a frente. Saquei Orologio. Ela era a arma mais apropriada para a batalha. A sacerdotisa desviou o golpe de Kenji com o cabo do tridente e usou a parte redonda para empurrar-lhe para trás. Com ela nessa posição, não seria difícil move-la para frente e cravar-lhe em mim.
Ela o fez. Escutei um ruído irritante de aços se chocando e quando percebi, havia dado uma ponte para trás. A proteção de meu peito estava arranhada e eu só tinha uma forma de desviar do seu ultimo golpe. Quando ela se jogou contra mim, ergui minhas pernas, dando uma parada de mão e ao mesmo tempo lhe arrancando o tridente, que caiu ao chão atrás de mim.
Até ela correr atrás da arma, eu já estava em pé novamente, e Kenji havia cravado a sua espada num dos pés da mulata. Ela caiu, mas exatamente ao lado da lança. Essa foi pega e virada com as pontas para cima, e no mesmo instante que Kenji caiu, uma chuva de sangue escureceu a areia.
- KENJI!!!
Meus olhos ficaram mareados e eu não pude focar a cena como eu queria. Não tinha visto nada além do sangue e de um vulto. Desviei o olhar para as lágrimas escorrerem e foquei Yomi derrotando Nika com um golpe de foice na garganta, degolando-a.
-Aurora!!
Escutei ela gritar, e correr para perto da outra cena de luta, e quando acompanhei com os olhos...
Kenji estava no chão, ao lado da poça de sangue, aparentemente bem, mas atordoado. Yomi estava retirando o corpo de Aurora pendurado no tridente, enquanto puxava a espada de cristal da mesma do peito da sacerdotisa, morta.
Aurora foi colocada no chão, sentada. Ela tossiu sangue e olhou para mim, que corri até eles velozmente.
- Ora, mas você não se machucou.
- A armadura é forte... Mas você...
- Eu vou ficar bem. Guardiões não morrem seu seus governantes. No máximo, deixarei esse corpo.
- Esse corpo? – Kenji juntou as mãos no peito da mulher, mas apesar da sua habilidade fazer as feridas se fecharem, ela voltava a minar sangue e rasgar. – Acalântis!
- Kenji... Cuida da Bya... Cuida dela enquanto eu não estiver... Estiver aqui. – Teve de interromper para tossir mais uma vez uma quantidade absurda de sangue. – Bya... Me sele... Me sele na espada.
- Tem razão! – Yomi se levantou, com a mão no ombro ferido. — Eu ouvi isso da minha irmã. “Se eu morrer, me sele em um objeto próximo a mim. Então, escolha um novo corpo e entregue esse objeto. É uma habilidade das guardiãs.” Foi o que ela disse. O que faremos com o corpo das inimigas? – A morena encontrou fácil o corpo da sacerdotisa, mas o de Nika, no entanto, não estava no lugar onde ela havia deixado. Apesar de se preocupar com o ocorrido, ela não ressaltou naquele momento. – Estranho...
Eu peguei a sua espada, arrastei até Aurora e entreguei-a nas mãos de Kenji. A loira se deitou no chão, ao que levantamos a arma e cravamos em seu peito, juntos. Ela se desfez em fios de luz amarelos e pintou a espada da mesma cor. Kenji colocou a mesma apoiada no ombro e olhou para mim.
- Vou cuidar dos feridos daqui... E farei a limpeza.
- Vamos para a próxima província. Mandaremos os feridos das outras batalhas para cá, também. KENJI! Você...
- Foi só um arranhão. Vão logo!
...
- Yomi, você está bem...?
- Estou com o ombro ferido. É claro que não estou bem!
- Desculpe. – Eu odiava quando Yomi gritava comigo. Ela sabe realmente como fazer alguém como eu ficar mal.
Yomi pela primeira vez se desculpou da grosseria. Ela deu seu belo sorriso falso, e voltou a olhar para frente, enquanto sentimos a mudança súbita de paisagens. O portão apareceu segundos depois.
- Está preocupada com algo?
- Sim. – Ela disse, enquanto empurrava os portões arrombados pelos inimigos. – Primeiramente, estou preocupada com Mary.
- Quer ir lá antes?
- Vamos dar a mesma acessória a todos as províncias, Bya... E em segundo, o corpo de Nika sumiu. Eu tinha certeza de que havia cortado-lhe fundo o pescoço, mas ela não estava lá. Termita se foi, eu vi, mas ela...
- Magia?
- Pode ser. Mas pode não ser também. Aqui, tudo é muito estranho...
Respiramos fundo e adentramos na província de cor verde: Grogan. A planície sempre foi um ambiente reservado, que nunca teve contato direto comigo. Eu pessoalmente nunca entrei em seus territórios. Elion que o fazia. Nas reuniões, Katrinah sempre aparecia sozinha, sem sua governante, e as vezes, dizia que a mulher não tinha condições de se apresentar. A ultima vez que a vi foi no ultimo dia de treinamento que Aiya nos ofereceu. Depois disso, nunca mais ouvimos falar.
*2º Mini boss – Dark Assassins*
Dessa vez, foi Yomi que adentrou na província antes de mim. Ela, com sua lanterna verde natural nos olhos, poderia ver se havia perigo a frente. Conferiu para ver se o amuleto ganho do sacerdote ainda estava em seu pescoço. Ao se lembrar que aquele amuleto transformaria em um monstro se estivesse em apuros, riu baixinho, afinal, Nika lhe feriu o ombro e mesmo assim o colar não havia sido atingido. Ele estaria quebrado?
- Bya...
Assim que ela sussurrou meu nome, eu parei de segui-la. Yomi ainda deu mais alguns passos, mas foi impedida por um tiro em sua direção, que liberou uma explosão mediana fazendo com que ela recuasse aos saltos. Após a fumaça abaixar, pode ver no chão, além de pequenos flocos de energia que passavam pela terra em forma de fios de luz, havia uma bola do tamanho de um punho fechado, redonda, lisa, brilhante, e que continha alguns desenhos que brilhavam em azul.
- Isso não é bala de mosquete.
- Nem bala de springfield. – Completei. Sim, eu sei sobre armas.
- Vocês me assustaram! – Uma terceira voz.
A pessoa que atirou estava nas arvores. Ela saltou ao chão e após ter os pés fixos ao solo, se virou para nós. Eu a reconheci, mas estava diferente nesse tempo que ficamos sem conversar. Tahra estava com uma mascara de gás com óculos, uma roupa camuflada com varias camadas, colete de couro forrado com um gibão de ferro e encobrindo seu defeito físico, um canhão de mão acoplado na onde estaria seu braço.
- Tahra! Onde conseguiu essa coisa?
- Não sentiram minha falta esse tempo todo? Então... Durante todas as reuniões, eu fiquei restaurando os armamentos que Aiya me deu. Elas as encontrou perto dos destroços do foguete.
- É o que, exatamente?
- Ela chamou de Electro-Plasm Cannon.
- Electro-Plasm... – Yomi sussurrou, olhando para a arma de forma analítica.
Primeiro que nós duas, Tahra se virou e deu um tiro para o meio das trevas, e logo depois se ouviu um urro tenebroso. A moça saiu correndo para o meio das arvores e sumiu de nossa vista.
- Pegue sua Blind. Pelo jeito os inimigos são fortes para ela apelar a uma arma de fogo.
Avançamos floresta a dentro. Yomi com sua foice, como sempre, e eu com a Blind Justice carregada e com o olho brilhante. A planície foi ficando cada vez mais escura, mas não havia mudança na vegetação. Dava para ouvir bem baixo o som da arma de Tahra destruindo os inimigos, e pensamos bem pouco para chegar na conclusão de correr atrás dela para ajudar. A planície foi baleada pelos tiros e teve um certo local que as arvores formaram uma espécie de palco. Elas estavam caídas quase uma ao lado da outra. De um lado, Tahra com os fortes e brilhantes tiros de plasma. Do outro, feras grandes de corpo preto e mascara branca que Yomi conhecia bem.
- As feras do sacerdote de Paus... – Yomi apertou os olhos, correndo para cima dos grandalhões. – Não venha, albina!
Eu me enfiei no meio dos galhos, pois entendia o que ela quis dizer. Yomi em modo Histeria, se perto dos outros, poderia causar uma carnificina. Entretanto, eu não queria que ela lutasse sozinha. Subi em uma das arvores e apontei a Blind para as feras.
Os monstros estavam com a mesma aparência e armamento anterior. Os golpes eram quase repetidos. Eles atacavam rapidamente com as armas, e Yomi travava com o cabo da foice, contra-atacando. Na primeira brecha, um clarão. Tahra que estava mais atrás da morena atacava com seu canhão sempre que a morena esquivava de um ataque rasteiro daquelas criaturas.
Yomi foi cercada por três feras, e Tahra foi pega por um, que com um golpe na horizontal, sobre o armamento de seu braço, danificou o cano e um líquido viscoso azul acabou por ser derramado. No breu da planície, dava para ver que ele brilhava bastante. Do outro lado, escutei um rugido surdo e Yomi desapareceu dentro da fumaça negra novamente. Vendo essa cena, acabei por apontar para outro lado, não querendo afetá-la.
Dois monstros caíram. Ambos com o peito rasgado, mas eles iam se levantar. Eu apontei Blinde para ambos e atirei de forma que acertasse os dois. O impacto do tiro da Blind era enorme, fazendo o palco afundar, derrubando os outros dois para debaixo dos troncos. Tahra se pendurou com a única mão que tinha, e Yomi, do outro lado, estava presa pela foice, que estava prensada pelos troncos.
- Yomi, Tahra!! – Gritei.
Desci da arvore, mas senti os troncos caídos cederem ainda mais. Com isso, ouvi Tahra grunhir de dor, me xingando de algumas palavras que eu na verdade não gostei.
- Não foi por querer!
- Como eu vou lutar com os outros?!! Espera... Não se mova... YOMI!!
- Eu não estou vendo a Yomi!
- Ela foi puxada para debaixo dos troncos!
- Como vou pegá-la? Se eu andar por aqui, te esmago!
Enix era uma mulher sábia. Ela saberia o que eu poderia fazer. Mas eu não tinha tempo de falar com ela. Yomi havia sido puxada pelas feras cujas tais tomei a liberdade de denominar Dark Assassins, e poderia morrer se acabar o prazo do amuleto. Foi aí que tive a ideia de quebrar os troncos com tiros da Blind Justice. Fui cortando os troncos com tiros consecutivos até que Tahra conseguiu escapar e engatinhou para baixo dos outros troncos, gritando para eu parar. Se aqueles ali cederem mais, Yomi morreria prensada, e agora que a outra também estava lá, ambas iriam embora.
Eu fiquei estática. Qualquer movimento que eu fizesse poderia empurrar aquelas arvores contra o chão. Aguardei alguns momentos, mas até esperar estava difícil. Tahra puxou a morena para fora do palco assassino, totalmente arranhada. Como eu esperava, a morena estava desmaiada.
- Tem mais daquelas criaturas?
- Não... Mas Yomi não vai poder mais te seguir.
- Tahra, eu tenho medo de avançar sozinha... Cadê a Katrinah? Ela pode ficar enquanto você vem comigo.
- Katrinah está cuidando do forte lá dentro e da minha munição. Ela não pode parar. Você tem que confiar em você e seguir sozinha... Já pensou virem mais monstros desses aqui? Eu preciso ajudar.
- T... Tá certo.
Tahra colocou Yomi nos ombros, enquanto pediu para eu seguir, novamente. Eu acenei e me virei, esbarrando em um galho e arranhando a testa. Eu era tão inútil sem Yomi e só agora estava sabendo disso. Tremi, quase deixando Blind se espatifar no chão. Agarrei-a com ambas as mãos e segui até o portão da província, saindo de lá.
...
- Eu não sei fazer isso sozinha... Eu não sei lutar sozinha...
Eu estava lamentando sozinha, enquanto me arrastava até a próxima província, com o bico da Blind se arrastando no chão. De repente escutei um “clack” e olhei para minha querida arma de fogo, e vi o seu bico se soltar um pouco. O olho havia se apagado. Eu gritei... Yomi sabia o que fazer... Sabia como arrumar a arma, mas eu não sabia. Eu teria de lutar com as outras armas. Mas qual? A lança? A espada? E se o inimigo trabalhar com tiros a distancia...? Respirei fundo. Estava pensando no pior de novo. Deixei a Blind Justice no chão e cobri-a com algumas folhas e pequenos galhos que haviam escapado dos ambientes e caído no meio da estrada.
- Você é filha de Aiya! Você consegue! – Pensei. Engoli a seco e abri os portões de Higun.
*3º Mini boss – Cursed Buartha*
— Saryel!! Você está bem?
- Eu estou! Cinara está lá em baixo, lutando com os oponentes!
- E onde está a população?
- Guardei aqui em cima... Não deixei ninguém descer o andar inferior.
- Quem é o inimigo?
- Cavalos aquáticos.
- Até animais?!
A província de Saryel era de longe uma das mais belas. De cara, ao passar um pequeno corredor de pinheiros e algumas árvores menores, se vê uma construção de conchas que fecha a residência do povo de Higun. Lá dentro, há uma mina de água protegida por cercas altas de ferro, fora dela as pequenas casas de Aquamarine, e do lado esquerdo, um pequeno palácio de Saryel, também todo construído de Aquamarine. A mina deixa a água escorrer abundantemente por um canal que liga o andar superior com um inferior, onde há as plantações, mantimentos, e um belo jardim de bluebells e rosas azuis. O jardim é bem protegido com a mesma cerca que protege a mina, e tem uma porta com o desenho de uma sereia de aço. Há, ao lado das cachoeiras, escadarias de aço e madeira, e separando o rio que a cachoeira deixa, cuja água vai para os jardins e plantação, de uma arena que Saryel fez para selecionar seus melhores guerreiros, há um espaço gramado.
E lá estava Cinara com sua besta, contra três Buarthas loucas. Saryel me acompanhou, e do topo da escada, identifiquei mais duas quimeras mortas com flechas em pontos vitais. Os cavalos eram idênticos aos que usei junto de Chu para ir até o castelo de Eisblume, entretanto, todos eles estavam com a crina negra em vez de rosa, como normalmente seriam. Os olhos estavam brilhantes e rubros.
Eu observava a queda de Cinara em meio à dança com as feras, mas sabia que ela poderia sobreviver fácil.
Cinara se levantava com um pouco de dificuldade e um pouco arranhada, pois na sua ultima queda, havia aterrissado em uma roseira que amorteceu a queda. As duas Buarthas se levantam também como se nada tivesse acontecido a elas. As duas se posicionam para investir contra a garota em forma de X.
A garota procurou atentamente entre as roseiras e as arvores sua besta, que acabou se soltando durante a queda. Ela a localiza, porém se encontram atrás das feras na margem do rio. Logo as quimeras investem como touros sanguinários atrás de sua presa. A loira desviou das duas em um belo pulo com um rodopio logo em seguida, realmente parecia que a jovem estava dançando com os animais. Eu só podia suspirar ao ver que estava tudo bem lá embaixo. O que mais me surpreendia era que Saryel não esboçava reação. Era como se perder a loira não importasse.
Porém a luta ainda não avia acabado. Cinara, assim que tocou o chão, correu na direção de sua besta. Ao alcança-la mal deu tempo de colocar a primeira flecha, uma das quimeras avançou novamente. Ela avançou com um coice brutal, devido a agilidade da garota ela conseguiu se abaixar a tempo e com a mão mesmo, fincou a flecha na virilha do animal, isto fez com que ele relinchasse e que o mesmo animal caísse sentado em cima da guardiã.
A outra quimera, ao ver esta cena, nada fez, parecia estar com medo da garota. Cinara saiu de baixo do animal e com outra flecha agora engatilhada na besta, parou um pequeno instante sua respiração para obter uma mira melhor e com um pouco de dó no coração abateu o animal com uma flechada certeira em sua testa.
O outro animal, ao ouvir o ultimo relincho de seu semelhante acordou daquela espécie de transe e lançou uma rajada de água contra Cinara com a boca, lançando a garota na direção de uma roseira. Só que para sua sorte havia uma pedra em seu interior. Quando a garota chocou seu braço esquerdo com a pedra, o torceu, fazendo com que sua ombreira quebre e penetre nos músculos de seu braço, inutilizando-o.
Quando eu vi essa cena, no mesmo momento pensei em algo para fazer. Era como se eu estivesse em modo automático. Não daria tempo da guardiã armar a besta para atacar o penúltimo animal e ele estava investindo com fúria. Saquei a lança que eu ganhara de Adeste e mirei no lombo da Buartha, atravessando-o. Mas o impacto fez com que ele caísse e deslizasse até a loira, que caiu no rio, desmaiada.
- Cora!! – Saryel gritou.
Apesar disso, eu vi que ainda sobrava um animal... A ultima quimera que estava deitada despreocupada se levantou. Os olhos sangraram, saltaram para fora, a cabeça foi rasgada ao meio, e aquela parte, até o pescoço, foi despedaçado. Duas mãos empurraram as partes da carne até o corpo de uma mulher escapar de lá de dentro, até o ventre...
- Ah não... – Saryel saltou em direção ao rio da cachoeira, afundando como uma bala de canhão. Eu, no entanto, desci as escadas às pressas, aterrissando na arena onde o sangue da Buartha se espalhava. E lá estava a mulher...
Ela tinha os cabelos negros, pele azulada, dentes serrilhados, apenas um dos olhos, e o resto do seu corpo estava dentro do resto da quimera...
- Bya...Kushi... – A voz daquela criatura era esganiçada e assustadora. Um centauro digno de dar medo. E agora, está contra mim.
A lança estava longe, mas eu tinha Orologio. Eu podia correr para pegar a lança, mas por enquanto, a espada iria me proteger.
O monstro se levantou e ficou pronto para a batalha, pegando a lança que estava em uma das quimeras derrotadas anteriormente. Girando-a envolta de seu corpo com maestria, terminou sua exibição e a apontou em minha direção, chamando para um duelo.
Eu segurei a espada com força, apontando para o bicho. O mesmo investe com rapidez sobre mim. Mesmo eu saltando para o lado para desviar, a ponta da lança fez um corte em meu abdômen, na única falha que a armadura tinha.
A dor era terrível, apesar do corte ser raso. Eu me ajoelhei com um dos joelhos no chão e olhei para o monstro que mais uma vez investiu num golpe, aparente em minha cabeça, que consegui travar com a espada. Os ferros silvaram violentamente e eu me joguei para trás, ao que ela recuou atordoada. Eu tinha de acabar aquilo rapidamente. Me coloquei em pé e quando a lança foi jogada de cima para baixo, num golpe vertical, chutei-a para o lado, fazendo a fera desequilibrar sem golpe certeiro e desproteger o abdômen. Foi nesse segundo que cravei a espada ali, rasgando-lhe o dorso. Ela finalmente caiu.
- Isso... Foi... Foi pelo vestido. – Ao som dos aplausos do pessoal lá em cima, me senti revigorada, mas ofegante. – Sary! Sary!!
- Segue logo que daqui eu assumo! – A menina estava distante. Eu procurei-a com os olhos e só pude encontrar a sua mão sacudindo no alto, lá no fundo, onde o rio era encanado e levado aos jardins. Ela estava entre as bluebells, com Cinara nos braços. Eu fechei os olhos e senti algumas lágrimas rolarem. Sim, sentia falta de Yomi.
...
- Você não cansa, não? – Uma loira com rabo de cavalo havia me seguido.
Seu rosto era do mesmo formado que o de Coralinne, mas as vestes eram mais tímidas. Usava um macacão de couro preto sobre uma camisa azul bem claro, e escrito em letras negras se encontrava “Controle de armas brancas”. A moça usava arco-e-flecha, adagas e uma lança mais simples que a minha, apenas com a ponta afiada. Eu sabia quem era ela.
- Ciníra, não vai cuidar de sua irmã?
- Eu vi que você está ferida. Está sozinha... Eu posso ajudar. Posso não ser um soldado como Cinara, mas eu sei lutar bem.
- Toda ajuda é bem vinda.
- Cadê a Yomi? – A voz da moça era bem mais suave que a da irmã, como se ela estivesse cansada. E os olhos, apesar da mesma cor, continham um brilho angelical.
- Está ferida. Não muito melhor que a sua irmã.
- Não sou Yomi, mas vou te acompanhar.
Seguimos caladas pelo trajeto, chegando à província índiga. Cínara nunca havia saído de sua própria província, então ver os portões com o símbolo da Churchill era como ver o paraíso. Os portões daquela aldeia eram altos e totalmente fechados, mas dava para ver a torre sentinela no alto do morro que não era tão alto quanto uma montanha, embora tivesse recebido o nome de Montanha Sentinela. Ciníra atirou na fechadura com seu arco e eu ajudei empurrando. Estávamos dentro.
*4º Mini boss – Raaja*
Enma parecia ter tudo sobre controle. Ele não era um governante, mas como Theia, Lukaria não era muito dócil. Felizmente, parte do perigo já havia sido contido quando entramos na torre.
- Lukaria!
- Ela não está morta. Só desacordada.
- O que houve aqui? – A loira perguntou.
- Lukaria está controlando minhocas gigantes que trituraram parte da cidade.
- Cadê a pequena Kita? – Perguntei ao rapaz, que amarrava Lukaria em uma pilastra.
- Está derrotando a minhoca que agora está descontrolada.
- Eu sabia... Sabia que Lukaria não era flor de se cheirar...
- Lukaria tentou fazer uma aliança com Theia. Theia veio aqui numa carroça vermelha e entregou os bichos para minha querida Luka, dizendo que para ganhar o titulo de braço esquerdo, ela deveria destruir toda a vila. Kita conseguiu despistar Theia. Os cavalos são medrosos, mas as minhocas ficaram.
- E agora que a Luka não está mais os controlando...
- Eram três. O que estava esmagando a torre foi destruído pela Kita, e segundo foi morto na aldeia. Mas o terceiro fugiu para o pomar e como é enorme, pode escapar da província e dificultar as outras cidades.
Ciníra colocou as mãos em meus ombros e olhou em meus olhos. Ela disse que eu estava ferida, que não podia me arriscar, que tinha de me poupar para os grandes inimigos. Falou para mim olhar pela janela... Ela ia vencer sem problemas. Eu neguei a ajuda, claro, mas Enma me agarrou por trás e me fez sentar na mesa em frente da janela.
- Pode ir. Eu vou cuidar da Excelência.
- Obrigada, Enma!
A loira desceu a escada externa com dificuldade pois a mesma estava semidestruída. Enquanto ela avançava, o rapaz chamou minha atenção limpando o ferimento com um pano e iodo. Ele estava falando que as minhocas se chamavam Raajas. Seus corpos eram negros com enfeites avermelhados e a boca se abria em forma de X. Ele tinha vários dentes e a garganta era pulsante para esmagar os alimentos. Eu gemia de dor, mas minha atenção ficava na janela, vendo a figura da loira se afastar cada vez mais.
- Eles não são sólidos.
- Hm?
- Os Raajas... Eles tem o corpo meio transparente, como fantasmas.
- Raaja é o mal da Terra, na lenda de Arjuna.
- Sim, mas eles possuem esse formato. – O rapaz retrucou, enquanto amarrava um tecido grosso para que a hemorragia não mais seguisse. Remendou a armadura com um pequeno pedaço de ferro para que eu não fosse atacada ali novamente e se colocou ao meu lado olhando a janela. – Eu as vezes não entendo como fui me apaixonar por Lukaria.
- Olhe!
E havia começado. Entre as arvores, dava para ver dois ciscos, um moreno e outro loiro, contra um monstro que rodopiava por entre o nada, fazendo formatos no céu como um dragão alado e investindo com a grande boca aberta.
O que ele não queria comer, não comia. As arvores do pomar passavam por ele, mas sentiam a agitação do deslocamento de ar dentro do corpo do animal. A poucos centímetros das oponentes, ele ia tomando forma solida e fazia um silvo assustador, mas as meninas pareciam entender a forma de ataque do bichão.
Kita, ou Akune como passou a ser chamada, viva armada com um tridente preto. Ele era amarrado em seus punhos por uma corrente, e quando lançado podia percorrer metros de distancia. Ela jogou-o contra a “gengiva” do animal, e enquanto ele se cravava ali, Ciníra passou a atirar uma enorme quantidade de flechas, que o animal engolia e sentia alguns pontos em sua garganta serem perfurados. Os ataques eram bem certeiros, como se fossem treinados, mas aquele animal nunca apareceu ali antes.
Akune havia se prendido entre os dentes de Raaja e atingia-o com o tridente varias vezes, freneticamente, fazendo-o babar sangue. Quando pode ver que o golpe não mais seria útil, voltou em sua forma espectral, recuou e circulou no céu até o sangue coagular. Após tingir o pomar com um sangue azulado, voltou a avançar contra as duas que repetiram os golpes.
Eu estava tão concentrada na torcida que não percebi quando a faca encostou em minha garganta. Eu arregalei os olhos mas não me virei para ver quem havia me atacado.
- Enquanto Raaja mata suas amigas, eu mato você, albina.
Ela lambeu o lóbulo de minha orelha esquerda e apertou a ponta da faca em meu pescoço, na tentativa de furá-lo. Eu estava parcialmente calma, pois já havia visto esse filme. Entretanto, uma chuva de sangue jorrou pela janela e manchou as paredes, minhas vestes... Minhas pupilas dilataram e minha visão embaçou, assim que eu dei um grito. A ultima coisa que fiz antes de escutar um estrondo, foi Raaja explodindo distante e caindo aos pedaços sobre as moças.
Eu estava bem. Estava viva. Eu tinha duas mãos, tinha um pescoço e eu podia respirar. Me virei subitamente para ver o que havia acontecido e encontrei Lukaria jogada no chão com o peito estourado por uma bala grossa de springfield cano longo. A arma estava nas mãos de Enma, que tinha saído por um segundo do meu lado para guardar o iodo e jogar fora o tecido ensanguentado. Os olhos bicolores do homem estavam mareados e logo dois fios brilhantes escorriam destes.
- Lukaria...
Ele caiu sentado no chão. O tempo que fiquei ali tentando consolá-lo foi o tempo de Ciníra trazer Akune nos braços. Eu disse que queria ficar ali mais um pouco, mas ela me puxou pelo braço falando que uma explosão vindo da província roxa preocupava um pouco mais do que um homem que acabara de matar sua namorada. Além disso, ele tinha que se preocupar com a filha que fora atingida pela boca cheia de dentes do bicho.
...
- Isso aqui é teu, né?
Havíamos dado um tempo para respirar. Nesse tempo, Ciníra sumiu e reapareceu com minha amada Blind, carregada por apenas um dos braços. Ela estava em perfeito estado, mesmo que arranhada. Eu não estava surpresa, pois mesmo que ela fosse do Controle de Armas Brancas, seria possível saber arrumar uma arma de tiro. Eu peguei a arma de sua mão, abraçando-a de forma protetora.
- Obrigada... Você está bem?
A loira girava o braço, reclamado de dor. Não havia ferimentos, então pude constatar que havia sido um deslocamento. Eu estava sã, o que era um milagre, mas com a mente atordoada graças à tentativa de assassinato vinda de Lukaria. Eu não esperava que ela se convertesse tão rápido e tão agressivamente. Quando chegamos ao portão da província roxa, tivemos a surpresa de encontrá-la aberta e quase em perfeito estado. Não enxerguei mortos, e um ou outro ferido. Ao avançarmos mais por dentro de Zíncica, finalmente constatei o resultado da batalha ali, e não me aproximei.
*5º Mini boss – Meg*
A cobra tinha 3 cabeças. Duas esmagadas e a que restava, atordoada por uma magia em latim. Purpura tinha quase tudo em ordem, exceto que a serpente se contorcia de forma peculiarmente assustadora. Malesia estava com um canhão parecido com o meu, mas o dele era de cobre. Ele apontava para um dos olhos amarelos da besta mas ela conseguia virar a cabeça na hora dos tiros. A bala do canhão dele não era solida como a que eu tinha, e sim pegajosa, aparentando ser a tinta de paintball.
- Vai matá-la?! – Malesia gritava para a parceira, que proferia em alto som a magia de aprisionamento.
- Não! Meg é uma das mascotes de minha mãe!
- Mas sua mãe morreu!
- Não me lembre!
Quando ela respondeu a ele, a tal Meg conseguiu se livrar do encanto e com toda a sua força, bateu o rabo no chão, fez o corpo ondular de forma que a cabeça fosse para cima e depois caísse como uma pedra sobre o casal de magos. A bala do canhão de cobre não retardava a queda, até que...
Um clarão tomou conta da província e eu mantinha minhas mãos para trás como se estivesse sacando a minha Blind, mas mantive estática.
Mais adiante, não havia mais a cabeça da cobra, e no local, apenas retalhos de carne, ossos quebrados, uma gosma amarelada aparentando ser o cérebro e muito sangue. Os dois estavam em pé, banhados no liquido rubro, e a pouco metros dele, estava Yomi, com o corpo todo enfaixado, segurando o meu canhão com o bico apontado para a fera.
- Ainda bem que vocês tinham quase tudo em controle.
- Yomi! – Purpura correu até a morena e agarrou-a suavemente, acariciando os cabelos numa medida protetora. – Você veio... Está tudo bem?
Senti uma pontada de inveja por não ter o brilho apontado para mim, e um pouco de ciúmes por ver aqueles dois paparicando a morena, mas estava feliz por terminarmos mais uma batalha. E mais uma vez, eu não fiz nada.
...
- Que cara é essa?
- Está tentando ser melhor que eu...
Eu estava novamente cabisbaixa, e sentindo um forte peso em meus ombros, graças ao cansaço e à armadura. Apesar disso, eu estava no colo da morena, que me carregava com uma facilidade incrível, apesar das feridas em seu corpo.
Ciníra estava ainda reclamando de dor no ombro e Yomi pediu para que ela parasse e voltasse para casa, pois as suas reclamações conseguiam irritar. Apesar da loira se sentir ofendida, não desistiu da caminhada.
- Como assim quero ser melhor que você? Somos parceiras!
- Eu fiquei com medo de te perder, antes...
- Você não consegue sobreviver sem mim...
A loira nos pediu silencio. Já estávamos em frente ao portão da província de Lunatus, e os guardas de lá não estavam parados em frente às grades, como deveriam, como as ordens de Yomi deixava bem claro.
Entretanto, eles realmente não havia deixado seus postos. Yomi me colocou no chão, se abaixou e pegou um monte de terra clara, arenosa, com alguns pedaços de pedra em meio à mistura. Ela se ergueu repentinamente, segurando algo em sua palma que muito parecia um broche de lua. Empurrou as portas com um tanto de nervosismo e saiu correndo para dentro de Serenate, o bosque que circulava o lago cristalino onde a sua irmã passava a maior parte do tempo.
*6º Mini boss – Gwyvalyn*
A distancia entre o lago e os portões era bem curta. Não dava nem mesmo 2 minutos de caminhada. As arvores estavam floridas, e o gramado cheio de pequenas flores azuis, roxas e vermelhas. O lago ficava azul quando amanhecia, mas agora estava negro, graças ao eclipse. Negro, com alguns vagalumes que circulavam a área.
- Ela estava lhe esperando... Yomi.
Pequenos olhos amarelados se relevaram na escuridão, acompanhados de um silvo. Quando Lunatus emergiu das águas, o lago brilhou num azul melancólico, exibindo a figura que estava ali. A mulher era esverdeada, estava nua, entretanto, sua parte intima não aparecia, mostrando uma hibrida entre humano/lagarto. A cabeça era oval, com um delicado queixo, e exceto pelos dentes serrilhados, as feições eram graciosas.
As cobras no lugar de seus cabelos começavam esverdeadas e terminavam roxas, e eram caídas como cachos pela lateral da face. Lunatus estava em seus braços, desmaiada, e com uma bandagem em seus olhos. A hibrida também tinha algo encobrindo os olhos.
- Só não faça barulho. Ela dorme como um anjo.
- Você é a... Medusa... – Me lembrei da lenda antiga, da mulher que transformava as pessoas em pedra… Não podia ser.
- Medusa? Meu nome é Gwyvalyn. Mas pode me chamar de Medusa, se quiser.
Eu saquei a Blind, mas Yomi a tomou de minha mão e me empurrou para trás. Não, ela não parecia nada afim de me permitir invadir uma luta.
- Essa luta é minha. Ela está com a minha irmã! Cadê sua governanta?! – Um silencio roubou-lhe os lábios. – Droga! Cadê Theon?!
- Theon...? Depois sua irmã querida lhe mostra… Onde ele está.
A risada do monstro era esganiçada, maliciosa e também sádica. Ela soltou Lunatus no lago, que caiu como uma pedra, e falou que em cinco minutos, a pobre guardiã morreria afogada, ou, se escapasse, transformar-se-ia em pedra.
Yomi colocou Blind em frente ao corpo, e contendo sangue nos olhos, partiu para o ataque. A oponente era ágil, veloz e escorregadia. Nenhum dos tiros acertou o alvo, e eu sentia que ali não estava protegida. Com Orologio em mãos, me preparei para um ataque surpresa, mas a inimiga não estava na nossa vista.
- Vocês realmente tentarão lutar contra uma oponente que não podem encarar...? – E a faixa de seus olhos fora retirada, deixando-se cair sobre a terra.
Yomi fechou os olhos e se guiou pelos outros sentidos. Pediu também que eu me mantivesse calada para ela se concentrar. Apontou Blind para onde tinha visto a faixa cair e atirou, seguindo para a direita, ouvindo um guincho rouco. Eu gritei quando Gwyvalyn se jogou contra Yomi, já com parte do corpo sangrando... Foi como se o tempo tivesse parado por alguns momentos, ou ficado em câmera lenta. Yomi apontou a arma para o ventre do monstro e atirou inúmeras vezes, freneticamente, por não poder saber exatamente onde a Medusa estava. A besta caiu sobre Yomi, que por um segundo abriu os olhos.
A morena havia largado a arma e a outra tentava se levantar, extremamente ferida. Enquanto isso, as serpentes abocanhavam pescoço e braços de minha amiga amada, e eu não podia fazer nada... Ou podia?
Num impulso, me joguei contra Gwyvalyn e cortei a cabeça com minha Orologio. A cabeça da besta caiu ao lado de Yomi que estava com os olhos estáticos. Eu retirei o corpo do monstro que estava sobre o dela e tentei ajudá-la a levantar, mas ela não conseguia mover o corpo.
- Para de se importar comigo! Minha irmã... Busque-a!
Eu não era tão boa em nado assim... Mas larguei Orologio no chão e corri até o lago. Mergulhei lá dentro e procurei atenta o corpo imóvel de Lutanus, que estava de lado no fundo. Pesada, não consegui pegá-la no colo, então coloquei um de seus braços em volta de meu pescoço e nadei com força até a superfície. Deitei-a na margem, e seu corpo estava tão imóvel quanto o de Yomi, além de ter marcas no corpo também, das mordidas de cobra.
Mas apesar de tentar dar toda minha atenção à menina, tive que observar Yomi quando a mesma pegou Orologio e amputou o braço canhoto que começava a se transformar em pedra. Com as veias paralisadas pela habilidade do oponente, não houve sangramento. Ela se ergueu com dificuldade, usando Orologio como muleta, e seguiu até nós, se jogando contra o corpo da irmã e colocando o ouvido sobre o peito da menor.
-...Os pulmões estão paralisados...
- O que fazemos?!
Os olhos da morena estavam com um brilho confuso... Ela parecia não saber o que fazer igual a mim. A mão que sobrara apertou com força o peitoral da menor, mas este não retornava.
- Ela morreu...?
- Cale-se... Pegue a cabeça da Gwy... Agora!
- Sim senhora.
Eu me levantei rapidamente e caminhei até a cabeça, puxando pelos cabelos de cobra, e o sangue verde escorria em abundancia. Acabei jogando ao lado de Yomi, que com certa brutalidade, segura com a única mão e puxa uma das cobras com o dente até estourar seu delgado corpo.
Deixou o sangue escorrer contra a boca de Lunatus, e depois jogou no lago, junto da cabeça. A menina começou a tossir violentamente, e Yomi pediu para eu seguir caminho sozinha. Aceitei, infelizmente.
...
- Ah, não! Você não…
Larguei Blind e Orologio assim que vi Ciníra onde vimos a Medusa pela primeira vez. A loira havia sucumbido à habilidade da besta. Eu fiz uma reverencia em respeito a ela, mas segui meu caminho.
*7º Mini boss – The Death*
Quando alcancei os portões da província da Morte, vi que não estava numa situação tão absurda. Os grandes portões feitos com crânios estavam abertos e a caverna iluminada com flocos de fogo. Lá dentro, a população se escondia dentro das casas obscuras feitas de pedra, e tentavam se livrar do fogo com a água contida nos interiores. Na “praça” interna da caverna, Mufasa estava lutando de igual com um homem sem cabeça montado no esqueleto de um cavalo. A mulher usava um martelo em forma de crânio de cavalo, e o inimigo usava a foice feita de ossos. Ele não desmontava do cavalo e ela não largava a arma. Eles se golpeavam simultaneamente, mas Mufasa não era acertada pela arma dele.
E ele não sofria danos com o martelo dela. Num intervalo curto, o cavalo olhou para mim ali, e segundos depois, do chão, mãos esqueléticas seguiram até a mim, puxando minha perna. Eu me apoiei com Orologio, e agarrava-a de forma tão forte que a mesma começava a se cravar no solo. Perdi o equilíbrio e tive a perna sugada pela terra e pelas mãos. Eu atirei com Blind, arriscando aquele membro, mas escapei com ferimentos, ainda intacta.
Puxei a lança das costas e sai correndo decepando os braços que tentavam me atacar. Vi que aquela arma era útil contra os mortos e tive uma ideia do nada...
- Mufasa! Aqui!
A mulher corria de forma desengonçada, tentando escapar dos tiros azulados que o cavalo cuspia. O ultimo veio contra nós, e eu me encobri com os braços, mas ela conseguiu rebater a tempo, atordoando o cavalo e o seu dono.
- A lança... Ela afeta eles!
- Oh, sim, e o que quer que eu faça?! Anda, eles estão se recuperando!
- Você é conhecida pela sua força...
- Sim... E daí?!
- Me rebata com seu martelo.
- Loucura!
-Agora!
O cavalo ficou em pé e o rapaz ergueu a foice. Passaram a cavalgar contra nós, mas me sentei na boca do martelo para que Mufasa me girasse e me jogasse para cima deles.
Imitei os movimentos de Medusa no ataque. Recolhi as pernas e ao estar caindo soltei o corpo segurando a arma com o cabo sobre meu ombro tomando estabilidade. A lança entrou na vaga do pescoço do inimigo, penetrou seu corpo e atingiu o cavalo.
Eu caí ao lado deles, e tive de rolar para escapar dos golpes histéricos da foice do monstro. Mas não demorou muito para o cavalo cair no chão e seus olhos azuis chamuscados se apagarem. O homem esfarelou até virar um monte de pó acinzentado, e eu finalmente pude ter minha lança de volta.
- Cadê a sua amiga...? – Disse Mufasa, ofegante.
- Está ajudando a irmã. Eu preciso terminar o ciclo... Você me ajuda?
- A caverna foi incendiada. Preciso dar um jeito nisso aqui. Se der tempo, lhe ajudo... Prometo!
O sorriso de Mufasa era falso, assim como sua amizade. Eu sabia disso, todos sabiam o quanto ela era egocêntrica. Deu as costas, colocou o martelo sobre um dos ombros e caminhou lentamente para perto das casas que pegavam fogo.
Eu novamente estava sozinha.
...
Me perguntava até quando aquele eclipse iria permanecer no céu. Dava para ver agora que ele começava a se desfazer, mas numa lerdeza irritável. Contemplei os céus por pouco tempo, pois sabia que ainda tinha mais 3 inimigos. Eu começava a sentir o efeito das batalhas em mim... Talvez eu não sobrevivesse no fim de tudo isso... Dava para ver que eu estava vencendo os oponentes mais rápido, mas isso estava me sugando aos poucos. Eu evoluí, mas será que não é essa evolução que me matará?
Marchei lentamente até as geleiras de Mariska. Eu subi lentamente até o portão e oscilei antes de abrir. Desabei sobre o piso gélido e tossi sangue por um momento. As marcas negras em meu corpo subiam lentamente e dolorosamente pelo meu corpo até alcançarem meu rosto, encobrindo parcialmente. Eu podia ver meu reflexo no piso. Os cabelos... As madeixas brancas estavam até a metade com as tribais negras e minha visão começou a rodopiar inúmeras vezes. Eu fechei os olhos, mas um grito me fez acordar e empurrar as portas ainda abaixada no chão.
Fui recebida por um mar gelado, os cristais de gelo haviam derretido em grande parte. E outra parte estava solidificada em ouro. A visão ainda estava turva, principalmente agora que eu tinha tomado um banho de uma água que poderia estar a 1 grau.
*8º Mini boss – Oudo*
Me levantei correndo e derrapando no piso molhado. Armei Blind caso eu precisasse dela. Corri para perto do centro da província, testemunhando uma cena que eu não gostaria de ter visto.
A guardiã estava no chão, deitada de bruços. Apenas ela ali, e ninguém mais. Não havia sequer uma pessoa no ambiente, apesar das marcas da batalha estarem espalhadas em todos os cantos. Eu me aproximei lentamente, para depois cair a ficha e eu sair correndo. Joguei Blind longe, ao que ela estourou novamente. Me ajoelhei perto de Caitlyn, ou Claymore, como queira chamá-la... Toquei seu rosto, estava frio. Girei-a para mim, e ao fazer isso, vi uma fenda em seu peito. Coloquei os dedos em sua carótida e havia uma pulsação leve, quase nula. Fiquei com ela ali, olhando-a estática.
- Vamos... Acorde... Por favor... – Meus olhos se preencheram com lágrimas, e eu não conseguia derramá-las. Era como se a mutação mais a mormia controlassem meus sentimentos além de devorar meu corpo. – C... Por favor.
Após a pulsação se encerrar, seu corpo se desintegrou em minhas mãos, igual o que acontecera com a guardiã de Kenji. Apenas os véus das vestimentas e a mascara ficara em minhas mãos. Uma mascara dourada, com símbolos quase imperceptíveis gravados ali em leves depressões. Fiquei algum tempo encarando a mascara, me perguntando se ela era um receptor igual a espada da outra.
- Eu já não aguento mais... – Desabei no chão, soltando o choro que eu estava guardando, ou que estavam me fazendo guardar. – Parem de levar meus amigos... Por... Por favor. Eu não aguento mais!
- É um pouco tarde para dizer essas coisas tolas, já que a partir do momento que veio aqui, você amaldiçoou todos os seus “amigos”. Na verdade, não sei por que chama isso de amizade. É uma servidão, igual eu e minha mestra. – Era uma voz estrondosa, terminada com um rugido.
Eu me apoiei com duas mãos no chão, ficando ajoelhada novamente, ofegante. Quando reconheci a figura na minha frente, cacei em todos os cantos a sua mestra. Até que ele jogou sua lança contra mim, parando a milímetros das minhas pernas.
- Olhe para mim. Eu exijo atenção numa batalha. É por isso que minha mestra não me acompanha, normalmente.
- Você tem consciência! Não é igual o outro Oudo! Então por que ainda a obedece?
- Simples... – O felino se aproximou e agarrou a lança pelo cabo, ficando curvado devido a sua altura, olhando para mim de cima. – Sou apaixonado por Eisblume.
- E mataria outros para servi-la??
- Seus olhos estão vidrados. Tem medo de mim?
- Eu não esperava que você pensava... O outro era tão...
- Dam foi uma falha, de fato. Era alimentado pela loucura. Era louco pela mestra.
- Eu não entendo... Quer dizer que vocês...
- Ah, vou te explicar direito, então.
Oudo me agarrou pela cintura com uma mão e colocou meu corpo em seu ombro, com a barriga sobre a ombreira dele. Eu fiquei com o rosto para frente, enquanto via ele se aproximando de um canto mais escuro da província. Lá, as marcas da batalha eram menos intensas, mas haviam rastros de sangue vermelho, ou seja, dos civis, e mais a frente, uma montanha de corpos destroçados, com ossos expostos.
-Está servida?
- NÃO!! O que é isso tudo?! Por que você matou todos?!!
- Eles se meteram em meu caminho.
- Então vai me matar?
- Não fique tão nervosa, pequena.
O grandalhão azul e branco se sentou sobre um lugar vago e limpo entre os corpos, e me sentou em seu colo virada para ele. As mãos do animal eram enormes, davam pelo menos quatro mãos do tamanho da minha. Ele retirou parte do meu cabelo que encobria o rosto e colocou atrás da orelha com um único dedo. Ficou acariciando meus cabelos até resolver pegar algum osso, possivelmente de um braço, e arrancar a carne que restava ali com os dentes.
- Você é uma gracinha.
- O que você quer?! Se pretende me matar...
Ele encobriu minha boca com o indicador da mão canhota. Sorria de forma maliciosa, mas amistosa, também. Ele não parecia querer me machucar, embora eu não confiasse, afinal, ele era servo de Eisblume. Será que o felino gosta de brincar com a comida?
- Você faz muito barulho. Eu quero conversar calmamente. – Ele lambeu os lábios. – Você perguntou antes a razão da gente servir Eisblume, e também o por que de sermos loucos por ela. Você teria razão se falasse que ela não é a mulher mais linda do mundo, mas...
- Mas...? – Ele voltou a acariciar meus cabelos. Minha voz estava tremula.
- Somos machos, sem fêmeas. Cada monstro da raça Oudo nasce de uma relação sexuada, e isso significa que temos de ter uma fêmea. O primeiro Oudo nasceu quando Eisblume tinha apenas 10 anos. Ele na verdade era um civil de Ouros, comum, só que com deficiências. Zatsu aprisionou-o e fez uma séria de experiências até que este fora transformado em um animal. É claro que Zatsu entregou sua filha mais fiel ao monstro.
- Ela...
- É nossa esposa.
- Quer dizer que vocês...
- Sim, precisamos dela para gerar novos seres. Ela é incansável, e devo admitir que faz seu trabalho divinamente. Sempre dá uma quantia incrível de poder ao feto.
- Eu não sabia que Eisblume era uma concubina da sua raça... Isso é horrível! Vendo assim, nem consigo mais vê-la com os mesmos olhos!
- Concubina não. É apenas nossa esposa. E agora me pergunto... Você, como meia irmã dela, teria capacidade de fazer o mesmo...?
Ele aproximou o rosto do meu pescoço e como a sua boca teria capacidade de me decapitar, passou a deslizar a língua na minha pele, uma língua gélida. As mãos deslizaram do cabelo até minha cintura, me forçando para baixo, contra seu colo. Ele parecia em êxtase, como se estivesse imaginando fantasias não muito saudáveis. Eu fechei os olhos, levando minha mão que segurava a mascara lentamente até meu rosto, colocando-a em minha face. Do nada ela se colou na pele, como se fosse um gato agarrando a dona. Eu gemi de dor, o que deixou o felino ainda mais envolvido, tendo uma interpretação equivocada disso tudo.
- Foi... Uma boa ter essa conversa contigo, Oudo numero 2. Isso apenas alimentou minha raiva para com meu pai.
- Bom. – Foi curto, com uma voz rugida.
- Deixe-me retribuir todo esse carinho...
Envolvi-o com meus braços, acariciando uma parte encoberta pela armadura. A armadura prateada e azulada se transformava em uma peça amarela e brilhante, ouro. O animal tombou o corpo para trás, encostando-se na parede e fechando os olhos. Parecia confiar em mim. Agarrou-me pelas coxas enquanto eu descia minhas mãos das ombreiras ao peito.
- O que...
Ele abriu os olhos, dando tempo de me ver sorrir, enquanto rugia de dor. Uma mancha dourada iluminou os pelos do peito, percorrendo lentamente pelo corpo, aumentando de tamanho. Me joguei para trás, enquanto ele agarrava a lança desesperado e se levantava para me agarrar. Moveu a lança loucamente, enquanto seus passos iam ficando lentos, conseguira até arranhar um de meus ombros, mas logo a mão travara em um movimento devido ao King Midas. Ele ergueu a outra mão tentando me agarrar e a mão se paralisava ali.
- Maldita seja, Byakushi! Mas é melhor você correr. Não quer que sua amiga Mariska seja morta, QUER?! – E rugiu uma ultima vez antes de terminar sua transformação.
Eu ofeguei, caindo no chão. Agarrei a mascara com ambas as mãos, puxando-a violentamente, uma vez que esta não queria sair fácil. Ela despregou-se aos poucos. Livre, eu amarrei ela em Blind, quebrada, e saí correndo para fora da província. Precisava achar Mariska urgentemente.
...
Eu saí correndo desesperada em direção do portão principal de Conchita, esquecendo que ainda havia duas províncias que eu precisava ajudar. Estava cabisbaixa, mas com Blind em mãos.
Duas mãos alvas me agarram pelos ombros. Eu gritei assustada, mas reconheci a voz que pedia para eu manter a calma. Eu olhei em seus olhos verdes e ela sorriu.
- Yomi... – Meus olhos derramavam lágrimas enquanto eu tentava respirar.
- Que pressa é essa? Ainda não acabamos o trabalho aqui.
- Oudo, Eisblume, Mariska, Claymore! Correr!
- Oi? Calma... – Yomi me olhava de forma confusa, mas juntando os fatos de eu estar com a mascara de Claymore e não estar com Mari, ela chutou. – Oudo e Eisblume vieram aqui, Eisblume raptou Mariska, Oudo matou Claymore, e agora você quer salvar a loira?
- Isso.
- Bya, você não pode ir sozinha lá fora. Não sabemos como está. E além do mais, e se perdemos também Haruna? Ela está lutando na província dela.
- Ela sabe se virar!
Yomi me sacudiu algumas vezes, séria. Explicou o quanto eu ainda não estava preparada, e que se fosse para lá sozinha, com certeza morreria. Perguntei a ela sobre sua irmã, e a mesma falou que Kenji estava cuidando dela.
- Então vamos para a província vermelha?
- Vamos... – Sussurrei.
*9º Mini boss – Dogon
Eu não tive nem forças para abrir os portões. Antes de se abrirem, eu caí de joelhos, ao que Yomi carinhosamente me ergueu sobre seu ombro. Pedia para eu ficar de fora dessa vez, que ela tentaria resolver, e por mais que eu desejasse ajudar, achei melhor dar-lhe a chance de lutar sozinha.
Me debrucei numa pedra quente enquanto a morena parava nos pés do vulcão, antes de começar a escalada até o topo. Por sua sorte, na base, havia um caminho que se resumia em uma rampa até a entrada da cidadezinha propriamente dita. Apesar de eu ter sido mandada ficar quieta, me levantei e corri atrás dela, entrando junto da mesma no corredor obscuro.
Foram, no mínimo, 15 minutos de caminhada, e o calor ficara infernal. Ao chegar a sala, nem mesmo tive tempo de respirar, e uma bola de fogo fora arremessada contra nós. Yomi se colocou na minha frente, girou a foice em seu próprio eixo e fez de seu movimento um escudo “de vento”. Numa ordem única, pediu e foi para a luta.
- Fique aqui!
Eu me abaixei atrás de outra rocha, mas dessa vez não toquei nela. Era quente demais. O inimigo era um cão de três cabeças, mas com uma decapitada. Trabalho de Haruna, talvez?
Mas ela não estava lá. Yomi estava sozinha, ou era o que achava.
O chicote de fogo de Tai era conhecido por ela usar isso para castigar os maus modos de Haruna. Meiying se tornou um pouco mais violenta depois que seu nome fora mudado. Não que isso tivesse uma ligação, apenas marcou a data que ela mudou. O chicote rebateu sobre a testa de uma das cabeças do cão e ele por um momento perdera a concentração no alvo negro. Yomi aproveitou a brecha.
Com o corpo escuro e feito por pedras e lava, Dogon, como estava em sua coleira, tinha apenas uma parte vulnerável: O pescoço. Yomi avançou contra ele, usando a foice para perfurar-lhe a garganta, mas para sua surpresa, o animal era tão quente que a mesma derreteu em suas mãos.
- Yomi!
Eu vi aquela cena, tentei me levantar, e mesmo com as mãos queimadas, ela pediu para eu ficar quieta. Eu vi ela levando as mãos para frente, numa forma analítica, e vendo que agora não poderia empunhar arma nenhuma devido à dor, deveria depender de Tai para algo.
A mocinha saltou lá de cima da pedra onde estava, puxando o focinho do animal para um canto qualquer de forma que Yomi pudesse pensar em sossego. A morena subiu sobre a perna de Dogon num impulso e foi escalando sua coxa até chegar no ombro. Agora, ele rodopiava de uma forma que tentasse derrubar Yomi e se livrar do chicote.
Tai foi arremessada para o topo da cabeça da direita, e agarrou sem dó nos olhos do animal. Eu via ele rugir de dor, enquanto a outra cabeça tentava em vão arrancar a parasita com os dentes, arranhando o outro.
Yomi escalou mais um pouco, alcançando o pescoço da cabeça que Tai não estava, e com as próprias mãos, arrancava pedaço por pedaço das pedras que ali circulavam.
- Tai! Me empreste seu chicote! Agora!
- Sim senhora! – Respondeu com um sorriso aventureiro.
Eu pude apenas ver o animal sendo decapitado novamente pelo poder de ambas, sobrando a ultima cabeça. Entretanto, o calor me fez ter uma vertigem, e depois disso...
*10º Mini boss – Pivahlin*
- Byakushi!! – A voz de Yomi me chamando.
- Senhoria! – Logo depois Tai.
- Devolva-a já!! – A voz de Yomi foi escutada mais uma vez, bem distante.
- Haruna, você está bem? Consegue... – Foram as ultimas palavras que escutei, já sem ver nada. Pelo fio de consciência que me restava, Yomi e Tai haviam vencido o cão, e salvado Haruna de algum lugar. Será que de dentro de Dogon?
Mas... Onde estou é aconchegante. Será que EU estou dentro de Dogon? Mas não é quente... É até morno. Morno e molhado. Há um leve cheiro pútrido, mas não me lembro de corpo em decomposição, e talvez sim comida estragada, mas não me incomoda por ser tão fraco. Eu não consigo abrir os olhos, me sinto tonta...
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