A Deusa Fujoshi
9 Raphael Feiticeiro parte III
Notas iniciais
Daniel POV
— Eu tentarei resumir tudo que ele me contou, pra você entender logo. — Disse Amanda.
— Fale de uma vez...
— O Rapha é anti-social, ele só sai de casa pra vir a escola... E quando sai da escola, ele vai pro Haion. Por causa disso, ele não tem muitos amigos... — Falou Amanda.
— Ele me parece ter muitos amigos na sala de aula, várias garotas chamam ele pra conversar, e até garotos. — Falei.
— Elas só chamam ele pra fazer perguntas idiotas, e ele acaba mentindo e inventando uma história ridícula... Ele meio que consegue ler as pessoas, só de falar com elas uma vez... Descobrir sobre a personalidade das pessoas. — Falou ela.
— Prossiga.
— Ele se considera sozinho, além de não conseguir falar sobre seus sentimentos... Bom... Isso foi até.....
— Até...? — Perguntei.
— Até ele conhecer você... Ele te ama, você é o único que se importa de verdade com ele, você é o único que gosta dele do jeito que ele é... — Disse Amanda.
— Como assim, me conhecer !? Ele não me ama, ele nunca disse algo parecido com isso, ele nunca demonstrou isso, ele é desagradável e ainda fez aquele tanto de coisa pervertida... Ele deve ser algum tipo de pessoa... Viciada em sexo... — Aquele garoto... Droga !
— Ele passou a te amar, quando você disse algo parecido com isso a ele, no Haion : "Eu realmente não gostaria que você desaparecesse... Se isso acontecesse, o mundo ficaria... Chato". E ele não é um prostituto, ele nunca nem beijou ninguém... Ele só fez aquelas coisas pervertidas com você, porque ele já decidiu que você será o namorado dele. — Explicou Amanda.
Eu disse aquilo a ele...? Acho que foi...
Flashback ON
No Haion, andando no meio de um rio de lava vulcânica.
— Eu não sou Sorcerer que nem você... Eu perco bastante vida se ficar andando nessa lava. — Falei.
— Isso é porquê você tem Magic supression e Fire resist baixos. — Falou Tsunayuki (Raphael).
— Meus amigos também não conseguem andar aqui sem perder vida. — Tentei convencer ele.
— Amigos... ? Engraçado, eu não tenho nenhum amigo... Todas as pessoas que eu conheci não se importariam se eu desaparecesse, talvez fosse até melhor pra elas... Pois ai o trono do governor ficaria livre para o segundo no ranking. — Explicou Tsunayuki.
— Larga de ser tonto, você é meu amigo... E é meu melhor amigo ! E eu não iria gostar se você desaparecesse... Eu faria de tudo pra te encontrar... E se você tivesse morrido, eu mataria quem te matou ! — Falei.
— Você...
— E sem um sorcerer tão bom como você no trono, o Haion ficaria chato também... E provavelmente nós tomaríamos uma surra pros Asmos. — Eu disse.
Ele parou de andar na lava, se abaixou, e pegou um pouco de lava nas mãos.
— Não fique pensando que essas palavras me comovem, bobo. — Falou ele, enquanto soltava a lava.
Flashback OFF
— Mas isso... Qualquer pessoa poderia dizer a ele... — Falei.
— Eu já não disse ? Ele meio que consegue ler as pessoas... Talvez já tenham dito isso a ele, mas ele considerou como palavras falsas. — Falou Amanda.
— ......... —
— Ele nunca amou alguém antes também... E achou que um relacionamento virtual era algo ridículo, mas agora... Ele pode finalmente ficar perto de você, perto de quem ele ama. — Disse Amanda.
— E por que ele te contou isso... ? — Perguntei.
— Ah... Nós fizemos um trato... Se ele te chupasse na minha frente, eu contaria sobre os sentimentos dele a você. — Falou ela.
— E por que ele escolheu justo você ? — Perguntei.
— Considerando que ele consegue ler as pessoas... Ele deve ter visto que eu sou a melhor pessoa para essa tarefa, afinal, eu vivo para unir garotos. — Disse ela.
Me levantei e sai correndo da fábrica... Isso já basta... Irei encontrar aquele menino desagradável.
Passei correndo pela calçada e atravessei a rua, depois virei a esquina e desci uma ladeira bem grande, que dava no centro da cidade.
Avistei o Rapha-kun olhando pra dentro de uma loja através do vidro.
Esperei o sinal ficar verde, e passando pela multidão, cheguei até ele.
— Rapha-kun...
Ele ignorou... Continuou olhando pra dentro da loja... Era uma doceria, haviam vários bolos, mousses, pães e essas coisas lá dentro.
— Ah... Me desculpa Niel, é que...
Soquei o rosto dele, com força, que fez ele cair sentado na calçada... As pessoas que passavam perto, apenas ignoravam tudo.
— Rapha-kun ! Eu não vou te perdoar... Eu não acredito que você escondeu isso de mim por tanto tempo... Você nem um minuto pensou em mim, você nem um minuto pensou em meus sentimentos, você só se importa com você ! — Falei.
Ele se levantou e deu um forte suspiro.
— Sim, exatamente, eu só penso em mim, eu não ligo para você e nem para os seus sentimentos, que se foda os dois. — Falou ele.
— COMO PODE DIZER ISSO !? VOCÊ NÃO ME AMA !? ENTÃO, POR QUE NÃO FALA ISSO NA MINHA CARA !? POR QUE VOCÊ TEM QUE MANDAR OS OUTROS FALAREM POR VOCÊ ?
— ...
Droga, aff, não acredito que eu fiquei tanto tempo apaixonado por esse menino... Ele não deve ter coragem de me assumir... Ele não tem coragem de dizer que me ama... E eu sempre quis ouvir ele dizendo isso... Mas ele... Não liga pra mim...
Me virei, e fui atravessar a rua de novo pra ir embora... Não reparei que o sinal estava vermelho... E um caminhão estava vindo em alta velocidade em minha direção.
O caminhão buzinou, mas já estava muito perto... Droga !!!
Senti alguém me empurrando com força por trás, e eu fui lançado na calçada... Olhei pra trás enquanto caia, e vi aquele rosto com olhos azuis e cabelos prateados, com um leve sorriso com a boca fechada.
— Quanto azar. — Falou Rapha-kun.
Ele ainda tentou correr pra fora da rua, mas o caminhão o atropelou, e seu corpo foi lançado no vidro traseiro de um carro que estava mais a frente.
O caminhão perdeu o controle, com medo de bater no carro a frente, ele freou e fez uma curva, batendo num poste na calçada.
Amanda POV
Eu estava seguindo os dois, pensando que ia rolar algo quente... Mas as coisas saíram tudo errado... Esse Daniel idiota !
Fui correndo até ele.
— DANIEL CARAMBA ! NÃO FICA DEITADO AI NO CHÃO, OU O RAPHA VAI MORRER. — Falei.
Ele está paralisado com os olhos arregalados... Está em choque.
Me agachei e puxei ele pela camisa, ficando cara-a-cara com ele.
— Daniel, não pense, ignore todos seus pensamentos, ignore tudo... Se você não fizer nada, o garoto que você ama vai morrer... E é seu trabalho socorrer ele. — Falei.
Ele não falou nada, mas rapidamente se levantou e foi até o carro a frente... O motorista saiu do carro e começou a gritar desesperado.
Fui até o caminhão que havia batido no poste, pra ver se o motorista dele estava bem.
— O senhor está bem ? — Perguntei.
Ele estava sangrando, mas estava consciente e tentava sair de dentro do caminhão, tentando sair do meio do banco que havia estufado.
— Estou... Só tenho alguns arranhões... É melhor você ir ver... O garoto... Lá... — Falou ele.
Fui até o carro a frente... Daniel tirou o Rapha de de cima do carro, o segurando no colo.
Ele estava inconsciente... A blusa dele estava molhada, com muito sangue escorrendo, e também havia sangue escorrendo de sua cabeça... Deixando algumas partes de seus cabelos prateados, vermelhas.
Algumas pessoas saíram do meio da multidão falando que eram médicas, e fizeram os primeiros socorros no garoto.
Horas depois... No hospital.
Estava de noite (23:14), e nós todos estávamos sentados no banco, na sala de espera (eu, Leo, Nando, Daniel, Samira, Vinicius, Larissa, os pais dele... Alguns parentes do caminhoneiro, etc...)
Todos estávamos tensos, e Daniel estava em estado de choque.
O médico já havia nos dado a pior notícia de todas... Raphael quebrou uma série de ossos que não sei o nome, além de alguns órgãos internos dele terem parado de funcionar com a pancada.
O corpo dele já estava deixando de responder, pouco a pouco... Tudo estava começando a parar de funcionar.
Não havia mais nada que eles poderiam fazer pra salvá-lo.
Os familiares do Rapha estavam chegando um após o outro, eles achavam que o garoto já estava morto, e não conseguiam controlar as lágrimas... A família dele parecia amar ele.
Droga... Não quero que ele... Morra...
— Amanda... Você está... Falou Nando.
— ME DEIXA ! SOU HUMANA, EU TAMBÉM CHORO. — Falei.
Me levantei daquela cadeira desgraçada, cansei de esperar.
Sai andando sem rumo no meio dos corredores do hospital, procurando o quarto onde ele estava.
Fui abrindo porta por porta até encontrar.
Entrei no quarto.
— Menina, você não pode entrar aqui... Nós estamos tentando... — Falou um médico.
Haviam uns 3 médicos, e umas duas enfermeiras no quarto, fazendo um tipo de cirurgia no corpo dele.
Ele estava todo enfaixado, e estavam mexendo dentro do corpo dele... Que visão horrível... Uma visão que poderia fazer Daniel cair em prantos.
Tirei os médicos da minha frente, fui até Raphael que estava deitado, e dei um beijo na testa dele.
— Menina !! O que você está fazendo !!? — Falou uma enfermeira.
— Deve ser a namorada dele, tirem-na daqui.
Os médicos me seguraram e começaram a me arrastar pra fora.
— RAPHA ! VOCÊ NÃO PODE MORRER ! SE VOCÊ MORRER, EU IREI NAMORAR O "NIEL", SIM, ELE SERÁ TODO MEU !! — Gritei.
Os médicos me deixaram no corredor e trancaram a porta.
Droga... Estou chorando igual uma garotinha... Eu não quero que um casal que eu tentei unir acabe assim...
Não pode ser... Eu sou... Uma falha...
Dois dias depois às 20:14
Os únicos que permaneceram dois dias no hospital, esperando novas notícias sobre o Rapha foram eu, Daniel, e os pais dele.
O pessoal da sala foram todos embora, porque precisavam ir para a aula.
Tivemos que dormir de modo improvisado aqui no hospital.
Um médico chegou, com uma expressão triste no rosto.
— O paciente Raphael Vertillio... Conseguiu se recuperar do ocorrido... Seus órgãos voltaram a funcionar, e seus ferimentos estão se regenerando em uma velocidade desumana... Nem mesmo nós, entendemos o acontecido... Podem dizer que seu filho foi salvo por um milagre de Deus. — Falou o médico.
Os pais dele pularam de alegria, e foram correndo até o quarto do garoto.
Daniel deu um suspiro... E continuou sentado.
Que bom que o Rapha se recuperou... Uffa.
— Daniel... Você não vai ir la ver ele ?
— Vou...
— Agora ?
— Não...
Bom, ele ainda está traumatizado... Não importa o que eu fale, não irei conseguir ajudá-lo... Ele só vai ficar melhor quando falar com o Rapha.
— Eu vi quando ele te salvou... Era você quem deveria estar internado daquele jeito. — Falei.
— ...
Esperamos um pouco... E depois, Daniel se levantou e foi até o quarto do Rapha... Eu o segui.
Entramos lá, ele estava acordado sentado na cama... Os pais dele estavam sentados em cadeiras, do lado da cama, e uma tia ou avó, estava junto dos pais dele.
— Moço, moça, quem são aqueles dois ? — Perguntou Raphael.
— Filho... Somos nós, já dissemos, somos seu pai e sua mãe... — Falou o pai dele.
Ele perdeu... As memórias ?
— Eles são seus amigos de classe... — Falou a mãe dele.
— Ah...
O médico entrou no quarto.
— Doutor... O nosso filho não se lembra de nada... Por quê ? — Perguntou o pai dele.
— Não lembra ? Mas deveria... Ele não perdeu as memórias.
Rapha deu um leve sorriso.
— SEU MALDITO !!! VOCÊ ESTAVA NOS ENGANANDO !!? VOCÊ ME DEU UM SUSTO. — Falei.
— Eu não sou fraco a ponto de perder as memórias. — Falou ele, com aquele tom irônico e com aquele leve sorriso de boca fechada.
— Filho !! Você não deveria brincar com essas coisas !! Nós estamos preocupados com você ! — Falou a mãe dele.
Daniel foi e se sentou na cama, do lado do Raphael, o abraçou bem forte e começou a chorar.
— Niel... — Murmurou ele.
— Mãe, pai, tia, doutor, por favor, saiam do quarto... Preciso conversar com o Niel. — Falou ele.
Os pais dele fizeram drama, mas acabaram convencidos pelo garoto, e saíram... Deixando apenas nós três lá dentro.
Daniel ficou chorando por vários minutos... Até se recompor e tomar coragem pra falar.
— Desculpa Rapha... Eu...
— Não vem com essa, eu estou ciente do que eu fiz, e se eu me machuquei, a culpa foi minha e a decisão também foi minha. — Falou ele.
— Mas... — Daniel tentava falar, mas Raphael o interrompia.
— Eu que tenho que te pedir desculpas... Eu tenho uma certa dificuldade de me abrir com as pessoas... E eu nunca te disse antes... — Falou ele.
Os dois estavam abraçados, sentados na cama... Maca... Sei lá o nome daquele troço.
— Niel... Eu... Te... Amo... Muito... E... Quero passar... O resto dos meus dias... Com você... — Falou Raphael, criando grandes pausas entre as falas, ele realmente tinha muita vergonha.
— S-sim... Você passará o resto dos seus dias comigo... E serão muitos... Muitas décadas !! Eu também... Te amo ! — Falou ele.
Raphael tirou seu rosto de de cima do ombro dele, e o beijou.
Sou muito sortuda por presenciar essas cenas !!!
— Niel, sinta-se honrado, esse foi o meu primeiro beijo... Como se sente tirando o bv do governor ? — Perguntou Raphael.
— Eu sinto que quero tirar o bv do governor mais vezes... — Falou ele.
— Bobo... Você poderá fazer isso o quanto quiser... Eu te amo ! — Falou Raphael, enquanto fechava os olhos e dava um forte sorriso, deixando todos seus lindos dentes brancos a mostra.
Foi a primeira vez que vi ele sorrindo daquele jeito.
— Sabe... Agora que eu já disse que te amo uma vez... Fica mais fácil dizer de novo... Que engraçado... — Falou Raphael.
— Sim...
A porta do quarto se abriu com o vento.
Raphael apontou a mão direita para a porta.
— Wind Spear. — Uma rajada de vento forte saiu da mão dele, fazendo as coisas no quarto bagunçarem, e a porta se fechou novamente.
— Isso é... A skill do Haion... Como você... — Falou Daniel.
— Eu já não te falei... ? Eu sou um feiticeiro. — Falou Raphael, com um leve sorriso no rosto.
— Epa... Se você consegue fazer esse tipo de coisa, por que não usou isso pra me salvar de ser atropelado ? — Perguntou Daniel.
Raphael apontou para a porta.
— Olhe. — Falou ele.
A porta de puro aço estava amaçada pra trás, e com vários cortes em forma circular.
— Se eu usasse em você, seu corpo seria destruído. — Falou Raphael.
— Ah...
— Mas então... Você ter conseguido sair vivo... Foi porque você é um "feiticeiro" ? — Perguntou Daniel.
— Claro que não... Feiticeiros fazem magia, e não milagres. — Falou Raphael.
— Ah, entendi, eu acho... — Disse Daniel com um sorriso no rosto.
— Sabe Niel... Que quem realiza milagre... São os deuses ? — Raphael disse, enquanto olhava pra mim.
Daniel olhou pra mim também.
— O que foi ? Perguntei.
— Você está muito quieta Amanda, está tudo bem ? — Perguntou Raphael.
— Ah... Sim... Rapha, lembre-se do que você disse ao Daniel naquela fábrica. — Falei.
— O que ? — Perguntou ele.
— "Niel, amanhã esteja pronto pra me usar do jeito que quiser, é uma ordem" — Falei, imitando a voz dele.
— Ah... É verdade... Por quanto tempo eu dormi ? — Perguntou ele.
— Dois dias. — Respondi.
— Entendo... Niel, você pode dormir na minha casa, hoje ? — Perguntou Raphael.
— Nem você vai dormir na sua casa hoje Rapha... Você precisa ficar no hospital pra... — Daniel foi falando, mas foi interrompido pela cena que viu.
Rapha retirou todos aqueles fios que estavam grudados em seu corpo do equipamento médico, tirou as faixas que estavam em seu corpo e saltou pra fora da cama.
Não havia nem um ferimento ou cicatriz em seu corpo.
Daniel POV
Fiquei chocado ao ver que ele estava bem... Também me senti feliz e aliviado...
Amanda foi pra casa dela, eu telefonei pros meus pais e falei que iria dormir na casa do Rapha-kun.
Os médicos fizeram uns exames no Rapha-kun, só pra ver se estava tudo bem mesmo... E estava, seu corpo estava melhor do que nunca... Os médicos ficaram chocados com o acontecido.
Ele acabou sendo liberado do hospital.
Chegamos tarde na casa dele, fiquei amigo dos pais dele... Tomamos banho, separados, claro.
Entrei no quarto do Rapha-kun e fechei a porta... Ele estava lá, sentado na frente do computador jogando Haion... A luz do quarto estava apagada
— Está tarde, você acabou de voltar do hospital... Não é bom ficar jogando Haion. — Falei.
Ele suspirou.
Ele estava apenas de cueca... Saiu do banho e nem colocou uma roupa.
A única luz que iluminava o quarto, era a luz do pc...
— Sabe... Eu normalmente sou azarado... Mas a maior sorte da minha vida... Foi ter conhecido você... Niel. — Disse ele, enquanto se levantava e vinha em minha direção.
Droga... Ele me deixa... Louco... Está tentando me excitar de propósito !!?
— Seja gentil comigo esta noite. — Falou ele, enquanto parava na minha frente.
Continua no capítulo 10.
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