A Deusa Fujoshi
13 Diego Panda parte II
Notas iniciais
Amanda POV
O sinal tocou, e todos estão indo para a sala de aula, Artur acabou de sair da quadra correndo pra ir pra sala.
Preciso achar um jeito de ficar na sala do Diego e do Otávio nessas últimas três aulas pra observar o que acontece, mas será que tem como ? Nunca estudei em outra sala que não fosse a minha.
Acho que o único jeito é perguntar pra Heloísa, pois ela sabe de tudo... Ah... A Heloísa... O problema é que não nos falamos nenhuma vez desde aquele acontecimento no concórdia.
Não sei como que eu vou encarar ela depois de ter visto aquilo... Mas tenho que ser bem compreensível, assim continuaremos amigas e ela continuará me dando informações !
Ah Não !!! Eu não sou interesseira, eu gosto da Heloísa, eu a vejo como uma amiga sim.
Heloísa era do tipo de que ficava no pátio até todos os alunos subirem, ela adorava matar aula. Então aquele era o momento perfeito.
Saí da quadra e vi a Heloísa conversando com umas quatro amigas no pátio, todos os outros alunos haviam subido, e os inspetores estavam gritando pra elas subirem.
Fui até elas.
— Helô, preciso falar com você...
— A-amanda ?
— Quem é ela, Helô ? — Perguntou uma das amigas.
— É uma amiga da minha sala, eu vou ir com ela, tchau gente. — Falou Helô, enquanto dava um beijo no rosto de cada uma de suas amigas.
Heloísa veio andando comigo pra sala de aula, ela olhava para todas as direções pra ver se tinha gente por perto... Ela parecia estar aflita.
— Helô... Sobre o concórdia... Eu mesma não quero falar sobre aquilo... Não se preocupa, eu não contei e nem vou contar pra ninguém, vou fingir que aquelas coisas nunca aconteceram. — Olhei pra ela, e disse com um leve sorriso no rosto.
— Mas Amanda... Tipo... Acho injusto... Você viu aquilo e deve estar curiosa, e até pensando coisas ruins a meu respeito. Não seria arrogância minha se eu não contasse pelo menos os meus motivos ? — Perguntou Heloísa.
— Sim, seria arrogância da sua parte... Mas nesse caso, eu é que não quero saber, eu não estou nem aí pros funkeiros ou pro que eles fazem. — Falei a ela.
— E você está me colocando no meio desse "funkeiros" ?
— Estou, afinal, você é ! E funkeiros são retardados. — Olhei pra ela e disse.
Ela deu risada.
— E você é o que então ??? Você estava no concórdia, igual uma "funkeira". — Disse Heloísa.
Eu duvido que ela acreditaria em mim se eu dissesse que fui lá pra unir dois garotos (lagarta).
— Então, eu não contarei sobre você estar fazendo aquele tipo de coisa lá... E você também não conta a ninguém que eu estive lá. — Falei.
— Mas todos já sabem que você estava lá... A escola inteira !!! Não se lembra ? Você cantou no palco, Amanda.
— Bom... É verdade, mas mesmo assim não quero ser tratada como uma funkeira retardada.
— Você tem um preconceito enorme com funkeiros né ?
— Sim, mas... Atualmente, vi umas cenas muito doidas... Vi uns rockeiros da sala de aula atacando bolinha de papel no ventilador, e vi uns otakus lutando, fingindo ser personagens de anime no meio da cidade... Então eu conclui... Que os funkeiros, os rockeiros e os Otakus são retardados... Todos são retardados !!!
— Todos !? É melhor concluir que todos os adolescentes são retardados então.
— Não, porquê eu não sou retardada. — Falei.
— Dessa escola inteira... Você é a pessoa que mais se encaixa em "retardada". — Disse Heloísa.
Olhamos uma pra outra e demos risada.
Enquanto íamos conversando pelo corredor vazio, pois todos já estavam em suas salas... Uma garota de cabelos negros, longos e lisos passou por nós. A pele dela era morena, seus olhos eram negros e ela usava uma camiseta preta com uma caveira branca desenhada na mesma, junto de uma calça jeans com uma corrente prateada saindo do bolso e ficando balançando. Sim, ela não usava o uniforme da escola. Ela também estava com fones de ouvido escutando algum tipo de música, que eu obviamente não pude ouvir.
Quando aquela garota passou por nós, eu senti algo estranho... Um sentimento de... Medo... Ou talvez, angustia.
— Você viu isso ? — Perguntou Heloísa.
— O quê ?
— Aquela garota que passou era assustadora. — Disse ela.
— Sim... Ela causa um sentimento de medo.
— Mas enfim Amanda, o que você queria conversar comigo ? — Perguntou Heloísa.
Parei de andar no meio do corredor, e pedi para que Heloísa parasse também, pois estávamos muito perto da sala de aula.
— Helô, é possível eu ficar nessas últimas três aulas... Em outra sala, que não seja a nossa ? — Perguntei.
— Olha... Há alguns casos bem raros que eles deixam... Mas acho que esse não é o caso... Então não deve ser possível. — Respondeu ela.
— É que eu preciso ficar nessa outra sala pra observar uns certos garotos... — Murmurei.
— Hm... É impossível, desista. — Falou ela.
Tirei meus óculos do rosto e peguei um algodão que eu tinha no meu bolso. O usei para limpar as lentes do óculos.
Droga... Eu contei aquela mentira a Artur... Ele pode ir na sala conversar diretamente com Otávio, e assim perceberá que eu menti... Nesse caso só há uma maneira.
— Obrigada Helô, vou ir ali. — Falei, enquanto virava e ia na direção em que acabamos de passar.
— Você vai voltar ? Vai ir aonde ? — Perguntou ela, enquanto vinha atrás de mim.
— Preciso ir na sala do Otávio falar com ele. — Respondi.
— Otávio...? Aquele menino do segundo H ? Aquele que joga basquete e tal...
— Sim ! Ele mesmo !
— Ele perdeu os pais quando tinha 7 anos, os mesmos morreram em um acidente... E desde então ele mora sozinho em um apartamento na cidade vizinha. Os padrinhos dele o sustentam, mesmo de longe, enviam uns 1500 reais pro Otávio usar no dia-a-dia. — Disse Helô.
— Ah... Por você me dizer isso, provavelmente deve estar pensando que estou apaixonada por ele... Mas não é isso... É que... — Fui falar, mas fui interrompida por ela.
— Você quer unir garotos, não é ? Você quer tentar fazer o Otávio namorar o Diego... Não, acho que não é isso... Até porquê todos os garotos do time de basquete tem uma forte atração por Diego... Então... Você quer formar um harém de garotos ? — Perguntou ela.
Parei de limpar os óculos, e os coloquei no rosto novamente... Incrível... Ela tem um ótimo senso de dedução... Eu nem havia mencionado Diego.
— Isso mesmo...
— Alias Amanda, você vive unindo garotos além de gostar bastante de Yaoi... Mas sempre me perguntei por quê você faz isso... É mesmo pelo seu "sonho" de ver dois meninos transando na sua frente...? Não, não é isso... Esse sonho é só um disfarce para esconder o motivo verdadeiro... Correto ? — Perguntou ela.
— Para Helô...
Olhei para os lábios da Helô, e ela os movia com muita precisão para falar... A partir de agora, cada palavra que ela falasse, poderia causar um grande impacto... Não... Cada palavra que ela falasse, poderia destruir muita coisa.
— Então, o motivo é algo relacionado com o Cri...
— Se falar qualquer palavra a mais, eu te mato.
Helô entendeu o recado, e ficou quieta.
A cada dia que passa, eu continuo achando que Helô sabe de tudo... Não faço ideia de como ela descobriu algo sobre minha vida, que nem mesmo meus pais e amigos mais próximos sabem... Não. Eu não sei como ela descobriu algo que eu era a única pessoa que sabia.
Chegamos na porta do segundo H, e pedi pra falar com o Otávio... A professora que estava dando aula lá permitiu que ele viesse falar comigo e com Helô.
— Hã ? Você é a garota da quadra. — Disse ele.
— Oi Otávio. — Falou Helô.
— Ah, e aí Heloísa. — Disse ele com um leve sorriso.
— Sabe Otávio... É que... Hoje, o Artur me disse que iria pedir pro Diego ir em uma lanchonete com ele, depois da aula, sabe ? — Falei.
Heloísa deu risada, e pareceu que já tinha entendido tudo.
— Tá... E o que que tem ?
— Cuidado pra não perder seu amigo. — Falei, enquanto ia andando pra minha sala junto com Helô.
Ótimo... Agora o Otávio vai perguntar pro Diego se o Artur já pediu pra sair com ele... O Diego dirá que não, e então, Otávio irá pedir pra Diego sair com ele.
Pelo que eu vi, o Lucas senta bem perto do Diego e do Otávio, e ele irá ouvir o Otávio pedindo pra sair com o Diego. Isso causará um ciúmes nele.
E eu disse mais cedo a Artur, que Diego irá a um "encontro" com Otávio... E ele também deverá impedir a qualquer custo.
Isso vai ficar muito interessante. Mas ainda há outros garotos que ficaram de fora desse plano... Preciso fazer algo para chamar a atenção do Marcos e do Alex também.
Já estava meio tarde pra eu e Heloísa voltarmos pra sala, tenho certeza de que o professor não deixaria a gente entrar, então tínhamos que esperar até o final da quarta aula, assim teria a troca de professores, e eu poderia entrar sorrateiramente junto com Heloísa.
— O quê faremos até o fim da quarta aula ? — Perguntou Helô.
— Vamos ir pro pátio e passar na cantina... Quero comprar uma coisa. — Falei a ela.
Fomos na cantina, e eu comprei uma barra de chocolate, contei a Helô sobre o que eu estava planejando fazer com aquilo, e ela decidiu me ajudar.
Mandar uma barra de chocolate com um bilhete... Que contém uma declaração de amor escrita nele, isso... Uma declaração de amor ao Diego... Iria fazer todos os garotos morrerem de ciúmes, e também iria fazer os mesmos garotos passarem a "apelar".
— Helô, você que sabe de tudo... Os garotos do time de basquete realmente sentem uma atração forte pelo Diego ? — Perguntei.
— Sim, sentem... Eles são heterossexuais, nunca sentiram nenhuma atração por outro garoto antes... Posso dizer que o Diego é especial. — Disse ela.
— Especial ?
— Talvez por ele ser fofo como um panda... E acabou atraindo a paixão de vários garotos aleatórios... Não só do time de basquete... Mas tem outros da escola inteira... E não só garotos, mas garotas também. — Explicou Heloísa.
— Cara... Que absurdo... Como pode um garoto tímido que vive na biblioteca atrair tantos olhares ? — Perguntei.
— Não sei... Eu só acho que as pessoas dessa escola são bugadas. Todas são bugadas. — Falou Heloísa.
— E pra mim, todas são retardadas.
Olhamos uma pra outra e demos risada... Era bom eu estar conversando com Heloísa normalmente depois daquilo.
O sinal tocou, e então fomos pra sala de aula... Chegamos lá e o professor ainda não havia chegado.
Heloísa apertou meus peitos como sempre fazia, chamando eles de piing e póing, depois sentou-se em seu lugar.
Pedi um favorzinho pro Vinicius, aquele amigo do Rapha.
— Vini !!! Preciso que você me ajude com algo... Te pago 5 reais. — Falei.
— O quê ? — Perguntou ele, com um olhar espantado.
Peguei ele pelo braço e o arrastei pra fora da sala... Guiei ele até o segundo H enquanto explicava tudo.
Chegamos na porta da sala dos garotos do time de Basquete.
— E ai, topa ? — Perguntei.
— De jeito nenhum, porra Amanda ! Vou ficar com fama de viado !
— Te dou 15 reais... Só eu ir em casa e pegar. — Falei.
Ele não pensou duas vezes, pegou o chocolate da minha mão, entrou na sala do Diego ( pois não havia professor, era troca de aula ), chegou até o garoto e falou :
— D-diego... Aceite isso... Por favor ! — Falou Vinicius a Diego, enquanto entregava o chocolate a ele.
— Quem é você ? O que é isso ? — Perguntou Diego.
— Você vai saber... — Falou Vinicius, enquanto saia da sala e vinha até mim.
— Pronto Amanda... É bom me pagar.
— Awn, obrigada Vini !! Vou sim, não se preocupa. — Falei, enquanto ficava observando do corredor, o Diego lendo o bilhete.
Como eu disse mais a cima, havia uma declaração a Diego no bilhete... E como o planejado, os garotos do time de basquete estavam lendo junto com ele, e ficaram com uma cara de espanto... Principalmente Otávio, que tinha chamado o garoto pra sair.
Diego leu, e quando acabou, levantou do lugar, saiu da sala passando bem perto de mim e foi pro pátio. Claro que eu segui ele.
Mas, algo que eu já esperava que fosse acontecer, aconteceu... Artur também saiu da sala atrás de Diego, não deixei ele me notar... Mas eu percebi que ele estava seguindo ele.
Diego comeu o chocolate por inteiro, bebeu um pouco de água no bebedouro e entrou no banheiro. Artur entrou atrás dele.
DROGA !!! COMO EU QUERIA SER GAROTO AGORA !!! COMO VOU SABER O QUE ESTÁ ACONTECENDO LÁ DENTRO !!?
— Ah !! Quer saber ?? Foda-se !! Já entrei em um banheiro desses no concórdia, o máximo que posso ver são pintos moles !! — Exclamei pra mim mesma, enquanto entrava no banheiro, de fininho.
— Diego... Não acredito que você vai sair com o Otávio... — Falou Artur.
— Qual o problema ? Só vamos lanchar... — Respondeu ele.
— Por quê você não lancha comigo ?
— Se você quiser vir, pode vir ué...
— Mas com o Otávio junto não, affe.
Artur abraçou o Diego, e pegou na bunda do pequenino, enquanto o garoto ficava encostado em seu peitoral. Claro que ambos estavam com roupas... Afinal né, local público.
— Diego... Eu posso te ensinar coisas... Que o Otávio não sabe... — Disse Artur.
Diego ficou bem vermelho e se soltou do Artur.
— A-a-art-tur... E-eu não quero a-aprender n-nada. — Disse ele, enquanto ia em direção a saída do banheiro.
Percebi que ele estava vindo, e pulei pra fora do banheiro masculino.
Diego passou por mim e me olhou nos olhos, quando fez isso, acabou esbarrando em outro garoto que estava ali parado, na entrada do banheiro.
— A-ah... Desculpa... Eu não estava prestando atenção...
Era o Marcos.
— O que você estava fazendo ? — Perguntou Marcos.
Me escondi dentro do banheiro feminino, que ficava bem do lado. Coloquei a cabeça pro lado de fora e fiquei olhando.
Artur saiu do banheiro e abraçou Diego por trás, o encoxando.
A-a-a-aposto que o Artur estava duro... E o Diego estava sentindo aquele volume por trás... Que menino sortudo !!!
— Estávamos brincando. — Disse Artur.
— O que diabos de brincadeira é essa... ? — Perguntou Marcos.
— Estávamos brincando de mé-di-co. — Falou Artur, enquanto abraçava o Diego mais forte ainda, empurrando seu membro no bumbum do garoto.
— A-ah.... — Diego deu um leve e abafado gemido.
Marcos fez uma cara de inconformado e se aproximou mais ainda de Diego.
— Diego, não faça esse barulho... Isso me excita muito... — Disse Marcos, enquanto enfiava sua mão por dentro da calça e da cueca de Diego.
E-E-E-ELES VÃO ES-TUPRAR O UKE ESTUPRÁVEL BEM NA E-ENTRADA D-DO BANHEIRO !!!!!!!!!!!!!?
— N-não sei do que estão falando !! — Disse Diego, enquanto se soltava e empurrava os garotos, e começava a correr em direção ao corredor.
O Diego resistiu a aquilo !!!? Como ele conseguiu resistir ao encanto de dois Semes fortes, malhados e altos !?
Diego passou correndo pelo corredor, e sem querer tropeçou... Acabei de perceber que ele era muito desajeitado.
O garoto acabou caindo em cima de outro garoto, e ficando com o rosto bem no "pau" dele.
— M-me d-desculpa. — Disse Diego, enquanto desgrudava sua cara do shorts do garoto.
Era Raphael... E por um breve momento, lembrei que algo semelhante aconteceu com o Leo... E ele acabou sendo eletrocutado... Diego corria perigo !
Fui correndo em direção a eles, pensando que o Rapha iria jogar um raio no Diego... Mas não, ele não o fez... Ele ficou encarando o Diego, como se estivesse inconformado com algo.
Quando cheguei onde os garotos estavam, percebi o motivo de Raphael não ter jogado um raio nele logo de cara... Era que...
Diego estava tremendo e chorando... Chorando muito.
Continua no capítulo 14.
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