A Deusa Fujoshi
27 Bruno Borboleta parte III
Notas iniciais
Amanda POV
Raphael contou para mim e para Daniel, exatamente o que o Bruno falou pra ele... Eu fiquei chocada, então essa era a verdade... A razão do Bruno ficar depressivo, era porquê o David despedaçou ele.
— O David é um desgraçado mesmo, hein... — Murmurou Daniel.
— Calma... Primeiro, nós precisamos analisar a situação, olhando pelo ponto de vista dos dois. — Falei.
— Então tá, vamos "analisar" a situação. — Falou Raphael.
— Vamos começar falando sobre os sentimentos do Bruno... Pode ser ? — Perguntei.
— Tanto faz. — Responderam os garotos.
— Na mente do Bruno, ele acha que todas as pessoas farão com ele, o mesmo que o David fez... Farão ele passar por uma mágoa enorme... Terão vergonha dele. — Falei.
— Como assim, vergonha dele ? — Perguntou Raphael.
— Lembra que a mãe do David viu os dois juntos, na cama ? Então... O David provavelmente tomou a maior bronca da família dele... E isso fez ele se sentir horrível, horrível a ponto de fazer o quê fez com o Bruno. Ele tem vergonha do Bruno, vergonha de namorar outro menino, vergonha de assumir isso, etc. — Expliquei.
— Aff, mas então o David não amava o Bruno mesmo né ! Porquê ele fez o Bruno sofrer de todas as maneiras... E não se importou nem um pouco com ele !!! — Exclamou Raphael.
— Diferente do Bruno, que até hoje, se importa mais com o David do quê com ele mesmo, e se culpa. — Falou Daniel.
— Exatamente... A culpa não é do Bruno, ele que foi a vítima da história... A culpa é toda do David... — Falou Raphael.
— O Bruno já sabe disso. — Comentei.
— Do quê ? — Perguntaram os dois.
— O Bruno sabe que a culpa é totalmente do David, e que ele foi a vítima na história. — Falei.
— Mas o Bruno me disse algo como "a culpa é minha, eu fiz o David sofrer, por minha causa, a mãe dele pegou ele na cama com outro menino (eu)". — Explicou Raphael.
— O Bruno está confuso Rapha... Nesse momento, ele tem dois pensamentos em mente :
Peguei uma folha de papel e fiz um desenho estranho tentando explicar.
— O primeiro pensamento, é que ele se culpa pelo acontecido... Ele se culpa por ter feito o David sofrer e talz... Já o segundo pensamento, é o pensamento que ele sabe que a culpa é do David, tanto que ele tem até medo de passar por aquilo de novo. — Expliquei.
— Então ele está confuso ? Ele altera entre esses dois pensamentos ? — Perguntou Raphael.
— Sim... E o único jeito de tirar o Bruno dessa, é fazer ele contar tudo pro David. — Falei.
— Amanda, como assim, contar tudo pro David ? — Perguntou Daniel, enquanto mexia no meu travesseiro.
— O Bruno deve ter simulado uma situação em sua mente, em que ele jogava tudo na cara do David : "você fez eu sofrer, você acabou comigo, mimimi". Essas palavras estão entaladas dentro dele até hoje... E só precisamos fazer ele desabafar com o David e jogar toda a culpa em cima dele. — Falei.
— Mas pra isso, primeiro precisamos fazer o Bruno manter apenas o pensamento de que, ele foi a vítima e o David foi o culpado... Porquê se o Bruno ficar achando que a culpa é dele, ele nunca vai conseguir desabafar com o David, com medo de magoá-lo. — Terminei de falar.
— Entendi... Então, o que faremos agora ? — Perguntou Raphael.
— O plano atual era... Rapha atuar como uma personalidade hiperativa, infantil, doce, romântica, funkeira e legal, para tornar-se amigo do Bruno e para fazer carinho nele. Pois o Bruno parecia carente. E se, o Rapha fizesse bastante carinho no Bruno, uma hora ou outra, ele ia se abrir, contando tudo que aconteceu no passado. — Falei.
— E esse plano já foi concluído, porquê ele acabou de me dizer tudo. — Disse Raphael.
— Sim, então iremos continuar com o plano... Rapha, continue paparicando o Bruno sempre... E quando tiver uma deixa, apoie ele, diga que ele não é o culpado, diga que a culpa é toda do David, e fique parecendo inconformado com tudo. — Expliquei.
— Tá... E você, Amanda ? — Perguntou ele.
— Eu vou continuar fazendo o que eu estava fazendo... Sempre que vocês dois estiverem se divertindo juntos, vou levar o David até um local próximo de onde os dois estão, e farei ele ver vocês se divertindo. — Falei.
— Mas pra quê isso !? O David não ama o Bruno e nem nunca amou... Pra quê você quer provocar ciúmes nele !? — Perguntou Raphael.
— Exatamente, o David nunca amou o Bruno... Por isso que já está na hora, de ele começar a amá-lo. — Falei.
— CARA, COMO ASSIM !!? O DAVID NÃO PRESTA !! ELE FEZ TUDO DE RUIM PRO BRUNO !! ELE NÃO MERECE FICAR COM O BRUNO, NÃO DEPOIS DE TUDO !! — Exclamou Raphael.
— E quem merece ficar com o Bruno ? Você ? Não me diga que está se apaixonando pelo garoto... — Comentei.
— Epa, epa epa... Olha lá hein... — Falou Daniel.
— Hoje o Daniel quase destruiu a parede da sala de tanto ciúmes. — Falei.
— Um dos motivos por eu estar fazendo isso, é ver o Niel com ciúmes... É tão bonitinho... — Falou Raphael.
— E-eu não sou ciumento. — Falou Daniel.
— É sim seu bobo... Mas não se preocupa, é só atuação... Você sabe muito bem, que você é a única pessoa que serve para mim nesse mundo... E é o único garoto que eu amo e amarei. — Disse Raphael, enquanto subia em cima do Daniel e dava um beijinho na bochecha dele, na minha cama.
— V-vou ficar de olho...
— Porém, saiba que, se você fizer comigo, o mesmo que o David fez com o Bruno, eu não vou ficar depressivo igual ele... Eu vou matar você e a piriguete, e depois vou ir jogar Haion. — Falou Raphael, com um leve sorriso no rosto.
É... Essa é a diferença entre um Uke frágil e um Uke com atitudes.
— Haha, até parece, você nunca me mataria filho, você me ama. — Falou Daniel, enquanto pegava na bunda do garoto.
— Ohh, que convencido você... — Disse Raphael.
Bati palmas pra fazer os dois acordarem da melosidade.
— ALÔ, ALÔ, ACORDEM !!! ENQUANTO VOCÊS ESTÃO AI AGORA, O BRUNO ESTÁ LÁ, SOZINHO NA SUA CASA, RAPHA. — Falei.
— É, mas Amanda... Você vai mesmo tentar unir o DAVID com o Bruno ? — Perguntou Raphael.
— Eu vou tentar fazer o David despertar um sentimento de amor pelo Bruno, usando o ciúmes... Mas, se eu não conseguir, não tem problema... Tentarei achar um garoto melhor para o Bruno. — Expliquei.
Raphael abriu um portal e entrou nele, voltando pra sua casa.
— Engraçado, pensando bem... O Rapha bem que poderia ter se salvado do acidente usando um portal, não é ? — Perguntei.
— Verdade, mas... Pra abrir o portal, precisa-se fazer os gestos com os braços, e falar o nome da habilidade : "Illusion Gate"... Sem contar que os poderes dele ainda estão se estabilizando... Ele está despertando as habilidades do Haion uma a uma, com o tempo. — Explicou Daniel.
— É que é muito surreal... — Murmurei.
— É... Eu treino com ele todos os dias, as habilidades dele e tal. — Falou Daniel.
Bruno POV
— Voltei. — Falou Raphael, enquanto saía do portal brilhoso.
— Aonde você foi ? — Perguntei.
— Fui comprar um pedaço de bolo. — Respondeu ele.
— E cadê o bolo ?
— Já comi.
— A-ah...
Ele se agachou e puxou um colchão de de baixo da cama.
— Agora eu entendo que você tem um trauma, por causa de outro menino, então é melhor não dormirmos juntos... Você dorme aqui no colchão, e eu vou dormir na minha cama mesmo. — Falou Raphael.
— E-em momento algum eu pensei em dormir junto com você.
— Ah, é ? Acho que eu me precipitei...
Deitei-me no colchão e me cobri com um lençol. E Raphael deitou-se em sua cama.
— Sabe o que eu acho ? — Perguntou ele.
— O quê ?
— Alias... Acho não, eu tenho certeza... Bruninho, o que aquele garoto fez com você foi horrível, a culpa não é sua, é completamente dele. — Falou Raphael.
— Por quê, dele ? Por minha causa, a mãe dele pegou nós dois na cama... Deve ter sido horrível.
— Sua causa nada... Ele estava fazendo aquilo com você, ciente do que poderia acontecer, a culpa foi é dele, por ter levado um garoto como você pra cama dos avós dele. — Disse Raphael.
— Hm...
— Bruninho... Ele é um lixo... Mas não se preocupa, eu estou aqui com você agora... E eu não tenho vergonha das outras pessoas, igual ele... Eu posso facilmente falar que namoro outro menino pros meus pais. — Falou Raphael.
Verdade... O David é um lixo, a culpa não é minha... A culpa é dele, ele é um nojento.
Raphael colocou sua cabeça pra fora da cama, se abaixou até mim e me deu um beijo na bochecha.
— Boa noite, Bruninho. — Falou ele.
Quando ele me deu esse beijo na bochecha... Me lembrei do David... Queria que fosse o David quem estivesse me dando aquele beijinho... E-eu queria tanto que ele tivesse namorado comigo naquela época... Queria que ele... Me amasse...
Flashback ON
Apoiei minha cabeça no ombro dele.
Ficar daquele jeito com ele era tão gostoso... David... Ele... Isso é o que chamam de amor... ?
Foi quando, finalmente, senti uma espécie de resposta dele, não, não uma resposta... Era mais como uma reação a aquilo que eu estava fazendo com ele...
Senti ele apertar minha mão, com força... Aquilo fez meu coração disparar...
Levantei minha cabeça do ombro dele, e o fiquei encarando... Não resisti e dei um leve beijinho na bochecha dele... Em seguida outro... E outro... Vários beijinhos leves e tímidos naquela bochecha...
Ele lentamente virou o rosto, e ficou me encarando... Acho que ele perguntou mentalmente : tem coragem ?
Eu não exitei mais... E o beijei na boca... E ele correspondeu... Senti a língua quente dele dentro da minha boca... Rodopiando como um peão... Era sensacional.
Foi quando senti ele jogando o corpo dele em cima do meu.
— E-eu te amo Daví...
— M-mas, eu nunca disse que eu te amo, e nem que gostava de você... Eu te odeio, seu viado.
Flashback OFF
D-droga... Estou pensando nisso de novo... Inferno !!! É verdade !!! A culpa não é minha !!! Eu fiz tudo pra ter o amor do David, eu fiz tudo de bom pra ele... Eu fui gentil, compreensível, romântico... Eu fui a melhor pessoa do mundo... Ele que foi um... LIXO !!!
Flashback ON
Andando na rua, e conversando com Amanda.
— O David tem uma certa fraqueza em relação a isso, mesmo que ele goste de você, ele pode até ignorar os sentimentos dele por causa dos pais... Dos amigos... Que nunca esperariam que ele fosse bissexual.
— S-sim... Eu percebi isso.
— Se você não deixar ele sozinho nessa, e não deixar ele enfrentar os parentes dele, ai sim que ele nunca irá assumir o relacionamento de vocês dois. — Falou Amanda.
— Mas e se ele... Nunca assumir ? E se ele... Esquecer de tudo ? E se ele... Cair na conversa dos parentes dele ?
Flashback OFF
Patrícia... A mãe do David... Me pergunto se... Ela não tivesse entrado no quarto aquele dia... Eu estaria com o David hoje...
Adormeci pensando naquilo.
Passei o fim de semana na casa do Rapha... Ele até criou um personagem pra mim no jogo que ele joga, Haion, e me ensinou a jogar.
Ficamos nos divertindo o fim de semana inteiro, e segunda-feira, fomos juntos pra aula.
— Sabe... Eu tenho me perguntado o porquê do David ter feito aquilo com você... — Falou Raphael, enquanto andava comigo pela calçada, a caminho da escola.
— Acho que foi por causa da mãe dele... Murmurei.
— A mãe dele ?
— Sim... Ela pegou nós dois na cama, esqueceu ? E depois, ela contou tudo pros avós dele... E todos eles devem ter tido uma árdua conversa com o David. — Expliquei a ele.
— Conversa... ?
— Sim... Sei lá... A mãe dele sempre preferiu o irmão mais novo dele do que ele. Trata o irmão dele com mais carinho e tal... — Falei.
— Opa... Essa é novidade pra mim, conta mais... — Falou Raphael.
— É simplesmente isso ué, a mãe dele gosta mais do irmão dele, e o David nunca gostou de ser o "segundo preferido", tanto que, ele sempre tentava agradar a mãe, mas ela nunca ligava para as coisas boas que ele fazia... Agora, quando ele fazia uma única coisa errada, por mais pequena que fosse, ela já ia com quatro pedras na mão pra cima dele. — Expliquei.
— Entendo... É uma mãe bem ruim...
— Há, a minha é pior. — Falei a ele.
Chegamos na escola, e Raphael disse que ia ao banheiro, e acabou se separando de mim.
Amanda POV
Eu estava andando no corredor da escola, indo pra sala de aula, quando senti um pequeno choque por trás do pescoço.
— Amanda !! — Falou Rapha, enquanto tocava no meu pescoço com o dedo.
— AHHHHHHH !!!!!! QUE SUSTO !!!!!!!!! VOCÊ ME DEU UM CHOQUE !!!!! — Gritei.
— Foram só 220 volts, enfim, preciso te contar algo. — Disse ele.
— O que foi ? Descobriu algo importante ?
— Sim... O Bruno disse, que a mãe do David prefere o irmão mais novo dele do que ele.
— Como assim ?
— Ele disse que o David sempre tentou agradar a mãe dele, mas ela nunca ligou pras coisas boas que ele fazia... Agora, quando ele fazia uma única coisa ruim, um único erro, por mais pequeno que fosse, ela já ia e brigava pra caramba com ele. — Contou Raphael.
— E-eu não sabia disso... Mas o quê tem haver ? — Perguntei.
— O Bruno também contou que, a mãe do David teve uma conversa rigorosa com David e com os avós dele...
Verdade... A conversa... Se eu me lembro bem, no dia, David optou por ficar em casa e escutar a conversa com sua mãe e avós... Mas ele ficou sozinho...
Pensei que ele fosse dizer que amava o Bruno e etc... Mas talvez isso não tenha acontecido... O que será que a mãe dele falou pra ele... ? Será que a mãe dele... O ameaçou ? Agora as peças estão começando a se encaixar... Lentamente, mas estão.
— Obrigada Rapha, continue extraindo informações. — Falei a ele, enquanto saía correndo em direção ao pátio da escola.
Corri o corredor inteiro, desci as escadas e cheguei no pátio.
Olhei pra todos os lados procurando por David. E o achei conversando com um monte de moleques.
— David, tem um minuto ? — Perguntei.
— Ah, sim... Pera ae pessoal, vou conversar com ela. — Falou David.
— ÓÓÓÓ, que garanhão. — Falou um dos moleques.
Arrastei David pra um canto do pátio onde não tinha ninguém muito perto, pra conversar com ele.
— David, vou ser direta. Lembra daquele dia, que eu fui na sua casa ? E você estava com o Bruno na cama e tal... Sua mãe viu, e tudo mais ? — Perguntei.
— A-ah... Lembro... O que que tem ?
— Preciso te perguntar algo... Mas preciso que você seja MUITO sincero. — Falei.
— O quê porra ? Fala logo.
— Você amava o Bruno ?
— Não.
— E o que sua mãe e seus avós, falaram pra você, depois que eu e ele saímos ? — Perguntei.
— Não lembro mais, faz tempo... Você fica mexendo nessas coisas do passado... Aff... — Falou David.
Deixei David pra trás e saí correndo.
Como eu pensei... Ele tem vergonha... Tem vergonha de falar sobre seus sentimentos verdadeiros... Tem vergonha de assumir que ama um garoto... Mas... As coisas não vão ficar assim.
Se ele tem tanta vergonha assim... Algo deve ter acontecido naquela conversa... O quê será que a mãe dele falou pra ele !!?
Fui até a sala da Ashley, e vi ela sentada em seu lugar.
— Ashley ! — Chamei ela, do corredor.
Ela se levantou e veio até mim.
— O que você quer ? — Perguntou ela.
— Preciso muito da sua ajuda !!! — Respondi.
Falei pra Ashley me encontrar no intervalo da escola... E ela fez isso, no intervalo, sentamos na parte aberta do pátio, e eu contei tudo à ela, tudo sobre o Bruno e David... Desde o início.
— Então... Preciso que você me ajude com isso... Você pode ? — Perguntei.
— Tssss... Tá bom, eu ajudo. — Respondeu ela.
Esperamos o dia de aula acabar... Eu estava muito nervosa e ansiosa, querendo que as aulas passassem logo.
Quando passaram, eu e Ashley nos encontramos na saída, e fomos andando juntas pra casa do David.
Ficamos na rua dele, esperando por algo acontecer... Ele passou lá, entrou em sua casa e não nos viu.
Foi quando finalmente... A chance que esperávamos, aconteceu...
Vimos a mãe dele, Patrícia, saindo de casa com uma bolsa e toda arrumada, provavelmente estava indo pro serviço.
Eu e Ashley fomos até ela... A rua estava deserta.
— Patrícia ? — Perguntei.
— Oi ?
— Precisamos conversar.
Continua no capítulo 28.
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