A Desconhecida
5 O Aviso
Notas iniciais
Tudo se passou como um flashback na mente de Regina. De repente ela sentiu uma falta muito grande de Daniel e isso a fez chorar. Estava deitada na sua cama, mas não conseguia dormir. Lá fora a tempestade ainda tomava conta de Storybrooke.
Morgana dormia no quarto de hóspedes, do outro lado do corredor, também sem conseguir dormir. Mas nada a impedia de fazê-lo além de perguntas e mais perguntas que desejava fazer a prefeita. Ela achava que se dormisse, acabaria esquecendo-se de tudo, além de que não queria deixar passar aquele dia. Agora poderia conhecer sua mãe e possivelmente se livrar de vez da sua avó.
O problema era que Regina talvez não fosse quem ela pensava.
Um novo dia chegou rápido depois que Regina conseguiu dormir. Ela queria continuar na cama e sonhar novamente em ter uma filha de Daniel, quando ouviu uma voz vinda do corredor:
- Regina – soou a voz de Morgana, batendo na porta, fazendo Regina sobressaltar-se, notando que não era um sonho. – Você ta acordada? – então ela abriu a porta e deu de cara com Regina ainda deitada na cama, sem a menor disposição de se levantar. – Me desculpe, mas o Henry não está atrasado para a escola?
Regina foi pega desprevenida. Esquecera-se completamente de levar Henry para o ponto de ônibus.
- Se quiser, eu posso levá-lo – acrescentou Morgana, notando a preocupação de Regina, que após isso deu um sorriso de alívio para a garota.
- Obrigada – disse ela, então Morgana saiu.
Depois de se trocar, Regina foi até o seu jardim, colher algumas maçãs, quando ouviu uma voz nem um pouco agradável.
- Recuperando coisas perdidas, Vossa Majestade? – disse Mr. Gold, com um sorriso nos lábios.
- O que você quer? – perguntou Regina, sem a mínima paciência para ouvir o que ele tinha para dizer.
- Nada demais, querida – disse ele. – Só estou lhe lembrando de que não gosto de vê-la se voltando contra mim. Acho que nem você mesma gostaria disso.
- O que quer dizer com isso?
- Que sou eu quem manda aqui; e você sabe muito bem disso. E caso você não cumpra o nosso acordo, ah... é melhor você nem saber o que aconteceria.
- É uma ameaça?
Mr. Gold sorriu novamente.
- Já destruíram minha vida uma vez – disse Regina. – Não vou deixar que a destruam de novo. Você pode até tentar, mas dessa vez eu vou lutar pelo meu final feliz, nem que seja a última coisa que eu faça.
Então Mr. Gold, sem dizer mais nada, virou-se e foi embora, ainda com seu sorriso nos lábios. Regina não sabia o que ele estava prestes a fazer, mas estava insegura com relação a isso. Ela agora estava com receio do que ele pudesse fazer, mas não iria mostrar isso.
Não demorou muito até ouvir o seu celular tocar. Era do hospital.
- Prefeita? – chamou Dr. Whale.
- Sim – respondeu Regina.
- Melhor vir para o hospital logo, é... Você conhece alguma Morgana?
Regina não ouviu mais nada. Simplesmente tirou o celular do ouvido e saiu em disparada em direção ao hospital. Algo acontecera à sua filha e ela nunca se perdoaria se fosse grave.
Ao chegar lá, deparou-se com Emma, em pé, ao lado da garota, que estava deitada na maca. Morgana estava com os olhos fechados, e com alguns cortes pelo corpo.
- O que aconteceu? – perguntou Regina, desesperada. Então olhou para Emma – O que você está fazendo aqui?
- Eu trouxe a garota – respondeu. – Poderia me agradecer.
- Obrigada – disse rapidamente. Então dirigiu-se para Morgana, prestes a chorar. – O que aconteceu com ela? – perguntou, ainda olhando para a garota.
- Foi atropelada – respondeu o Dr. Whale. – Não deu tempo para ver quem era. Ele fugiu.
Regina continuou quieta, curvada para a garota, deixando algumas lágrimas escorrerem, desejando que ela desse um sinal de que estava bem, mas ela nem se mexeu.
- Então é verdade – começou Emma, de braços cruzados. – Acho que eu não fui a única que abandonou o filho por aqui.
- Eu não a abandonei – retrucou Regina, com os olhos repletos de raiva. – Você não sabe de nada! Você não tem nada a ver com isso!
- Desculpa – disse Emma. – Não ta mais aqui quem falou.
Regina não sabia o que fazer. Não sabia se a garota realmente ficaria melhor, ou se o acidente fora grave.
- Por favor – sussurrou Regina – não me deixa de novo – então ela deu-lhe um beijo no rosto.
- Ela vai ficar bem? – perguntou Emma ao Dr. Whale.
- Eu não posso ter certeza ainda. Isso vai depender de alguns exames que faremos quando ela acordar. Os cortes podem ter sido profundos.
- Eu só quero que ela volte, é só que eu peço – disse Regina, segurando a mão da garota.
Então Morgana começou a se mexer um pouco, o que atraiu a atenção de Regina, que não largou sua mão.
- Morgana? – chamou.
Aos poucos a garota foi abrindo os olhos e ao ver Regina, conseguiu dar um leve sorriso.
- Ah, Morgana – exclamou Regina, passando a mão nos cabelos da garota. – Não sabe como me deixou preocupada. Você está bem?
- Acho que sim – respondeu baixinho. A garota tinha um tom cansado na voz.
- Bom – começou Dr. Whale – é melhor aproveitar que ela está acordada para começar os exames e ser mais rápido nos resultados, então... Prefeita, xerife, por favor – indicou o caminho para fora da sala.
Regina deu um suspiro, sentindo-se contrariada, mas logo em seguida saiu, prometendo voltar o mais rápido possível.
Enquanto caminhava pelo corredor, acabou encontrando Mr. Gold, que parecia nem um pouco surpreso em vê-la.
- O que faz aqui? – perguntou Regina.
- É estranha a maneira como certas coisas acontecem – disse ele. – É como se certas pessoas tivessem nascido para não ter um final feliz.
- Foi você – concluiu Regina, tentando não extravasar a imensa raiva que estava sentindo dele naquele momento.
- Espero que entenda isso como um aviso, minha cara. E que pode acontecer algo pior se você se voltar contra mim novamente. É bom você se lembrar de que eu tenho poder por aqui.
- Pois mexeu com a pessoa errada – disse ela. – Eu não preciso mais da sua ajuda para conseguir o que eu quero.
Ao ouvir isso, Mr. Gold deu uma risada breve.
- Não deveria ter dito isso, Vossa Majestade. Agora sugiro que me dê licença. Por favor.
E ao deixá-lo passar por ela, Regina sentiu um mal estar. Sabia que algo pior estava por vir. Mas não fazia ideia do que fosse. Sua preocupação agora era saber se a sua filha ficaria bem.
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