A Defesa Da Terra
1 Capítulo 1 - A Noite no Wendy
Capítulo 1 — A Noite no Wendy
Era uma tarde bem fria, mais do que o normal para Londres. Eu estava trabalhando na Cafeteria Mack quando recebi uma ligação de minha amiga Wendy. Dizia que estava preparando algo legal para o jantar, que ia chamar uns amigos e que veríamos a nova série de TV com a participação especial de Elcors, seres dos quais ela adorava, terminando a noite com uma rodada de jogos.
Nunca aconteceu...
Algumas horas antes do horário combinado por Wendy, algo inimaginável aconteceu, algo estrondoso e gigantesco, algo que mudou completamente a vida das pessoas...
Os Reapers atacaram...
Milhões mortos na primeira semana, mais ainda na segunda, incontáveis baixas militares e civis eram só o menor dos problemas. Por mais que a Aliança e seus soldados, sua frotas e quaisquer pessoal de qualquer área tentassem, não eram capazes de descobrir nada que parasse a força de invasão. No meio desse caos estava eu, um jovem de 22 anos, desarmado, sem ter noção do que fazer.
No momento eu estava em um acampamento da Aliança com alguns outros, um lugar preparado as pressas num beco entre dois prédios destruídos. A comida era racionada e estávamos com alguns soldados e um capitão, então minhas chances eram melhores lá.
Ou assim eu pensava...
É engraçado como muita merda pode acontecer em poucos minutos. Por mais bem escondidos que estivéssemos os malditos sempre nos achavam... Dava até pra se acostumar se não fosse tão assustador. Husks e mais husks vieram para cima de nós. Os soldados formaram uma barreira enquanto fugíamos.
Mas é claro que comigo ia dar errado...
Quando fui atravessar pelos prédios um bicho gigantesco, meio feito de carne viva, meio máquina eu não sei bem destruiu a parede do meu lado e me esmurrou para as ruas. Quando acordei vi que os soldados já não mais lutavam, que já não havia mais husks nem aquela coisa que bateu em mim.
Vi que estava sozinho...
Me levantei e fui em direção ao corpo de um dos soldados. Não era uma cena muito bonita... corpos de husks perto do corpo dos soldados, no mínimo uns três para cada soldado. Um massacre. Nenhum sobrevivera, mas para cada um caído dos nossos eles perdiam três. Esse pensamento me alegrava. O fato de sermos mais bem treinados e equipados, capazes de matar três antes de morrer. De qualquer maneira peguei o que pude. Duas armas, um pouco de munição, comida e água. Atravessei o prédio pelo buraco na parede e me dei de cara com uma das avenidas principais. Escombros e latarias destruídas de carros enfeitavam o lugar, sem contar nos corpos e no mal cheiro. Me mantive na sombra o máximo que pude. atravessando de carro em carro, cheguei ao outro lado. O prédio a minha frente era uma loja de perfumes. Vasculhei o que pude e continuei a subir a avenida.
No fim da avenida tinha uma casa de muro amarelado, ou o que sobrara dele, com um buraco na parede da frete, do lado da porta. Estranho como pensamentos idiotas passam pela cabeça nessas situações... eu pensei porque eles não podiam ter usado a porta mesmo...
De qualquer maneira, ao me aproximar da casa, ouvi grunhidos seguidos por passos, e mais passos, e mais passos...
Então o silêncio...
O tortuoso silêncio se apoderara da rua. Com um poste iluminando meia rua, usando apenas um carro virado como cobertura, ousei por o olho direito na rua. Grande erro. Tinha no mínimo vinte husks junto com alguns outros bichos que eu ainda não tinha visto, mas que pareciam a mistura de um humano com um batário ou algo parecido.
O medo tomou conta. Por mais armado que eu estivesse, não sabia atirar, e mesmo que soubesse, que chances eu teria sozinho, se uma equipe treinada da Aliança de cinco homens derrubou apenas uns doze ou treze? Fiquei quieto, o mais quieto que pude...
Um tiro...
Um tiro seguido de outro e de outro, complementado por uma explosão e tiros de um rifle. Aquilo não era possível, ou era? Alguns sobreviventes tinham acabado de me salvar. Um homem loiro e com roupas de escritório, uma mulher morena vestida casualmente e um soldado da Aliança. Fui até eles e os agradeci. Me disseram que devíamos correr e logo.
Corremos...
Estávamos em quatro agora, sendo que eles sabiam usar as armas. Fomos bem quietos de carro em carro e chegamos ao fim da rua. Uma bifurcação no fim da rua nos forçava a ficar parados em terreno aberto sem cobertura nem da sombra. Alguns minutos se passaram enquanto debatiam e eu estava apenas olhando os lados, olhando a rua, quieta como a mais doce criança dormindo...
Para a minha surpresa, eu sabia onde estávamos. Eu sabia onde iríamos nos proteger. Por alguma razão, viemos parar na rua do minha amiga, na rua da Wendy...
Entramos no que fora um dia a casa dela. Móveis bagunçados, mesas e janelas quebradas e o comum buraco na parede... parecia que esse lugar tinha sido tão devastado quanto os outros, mas de alguma maneira, tinha algo diferente lá, alguma coisa inexplicável porém presente.
Nós montamos acampamento lá. Ainda tínhamos muitas provisões e, para nossa sorte, muita munição. Assim que terminamos de nos estabelecer, fomos para a cozinha. Lá, fui apresentado aos outros, os que me salvaram. John, o soldado da Aliança, serviu na Normandia SR-1 na busca e apreensão de Saren Arterius bem como a defesa da Cidadela. Mark, o empreendedor, trabalha para a Hahne-Kedar de tal maneira que tem códigos especiais para obtenção de armaduras customizadas e Jenna, ou Jen como preferia, uma civil assim como eu que teve a sorte de ter um pai que a ensinara a atirar quando criança e de ser amiga de John, que morava com ela desde sair da Normandia.
Foi uma noite calma de certa forma. Chegamos na casa de minha amiga por volta das oito da noite. Já tinham se passado duas horas desde nossa chegada. Montamos um esquema simples. Um vigia no andar de cima e o outro no de baixo enquanto os outros dois verificam armas suprimentos e descansam ou procuram alguma forma de sair de lá em segurança.
Quando a hora chegou, trocamos de posto. Fui vigiar a parte alta e Mark a parte baixa da casa. Por volta da uma e meia da manhã, eu avistei algo no fim da rua. Pedi para que Mark pegasse a sniper para ter uma visão melhor enquanto eu tentava ver melhor.
Sempre comigo dá errado...
Quando consegui identificar o que vira, era tarde demais. Já tínhamos sido vistos. Uns trinta ou quarenta husks corriam em nossa direção. Mark nos deu cobertura enquanto tentávamos abrir a porta da garagem. Por sorte as chaves estavam no carro, menos mal. ''John'', eu gritava, ''vá nos cobrir com Mark!'', enquanto Jenna procurava algo para arrebentar a porta.
Era desesperador. John e Mark já deviam ter matado os quarenta husks originais, mas de alguma forma, mais e mais iam surgindo, e agora, com a adição daquela mistura grotesca de carne humana com carne batária e ainda por cima traços de máquina.
Parecia tudo perdido. Não sabíamos o que fazer, não conseguíamos abrir a porta e a munição estava acabando rápido. Estávamos segurando eles, num tipo de defesa final, uma forma irônica de admitir que íamos morrer porém que não morreríamos sem lutar. Jenna e eu já tínhamos desistido e estávamos prestes a nos juntar a defesa...
Foi quando...
No canto mais distante da sala de estar, do lado da qual nós estávamos, um pedaço da parede se deslocou. Mas não foi por uma explosão ou por culpa de algum bicho destruindo a parede. Foi Ela.
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