A Decisão
1 A Decisão
Notas iniciais
Era de noite, as estrelas brilhavam em conjunto com a lua. Hera olhando para a noite estrelada pensava em sua vida imortal...como podia ser a deusa do casamento se o seu próprio casamento era um fracasso? Havia tomado uma decisão, mas, seria esta decisão a certa?
Tantos erros foram cometidos. Por parte dela e de Zeus. Muitos sofreram pelos erros que os dois cometeram. Mas, no final...Hera era afinal a maior prejudicada.
Quem culpa o homem pela traição? Quem não julga a mulher pelos erros dos homens?
Ninguém.
Hera estava tão farta de ser humilhada. Sentia seu corpo pesado, seu mente e coração pesados.
Antes, no início as coisas eram tão boas. Havia luz, amor. Jamais se esqueceria.
Ainda se recordava com precisão da primeira vez que viu Zeus. Ela vivia em uma parte isolada da Grécia, cheia de morros e montanhas e havia algo que ela amava naquele lugar além das flores que lá cresciam...Eram os dias tempestuosos, Hera amava as tempestades. Sempre que uma acontecia ela corria para a montanha mais alta, abria os braços e deixa a água da chuva molhar seu corpo. Foi em uma dessas tempestades que ela conheceu Zeus.
Hera tinha os braços abertos, e olhava sorrindo para o alto quando a enorme águia se aproximou e a levou até o Olimpo. Lá a águia se transformou em Zeus. Hera ainda recordava com carinho do olhar que Zeus tinha para ela...ele a olhava como se ela fosse a mais bela de todas, os olhos azuis e tempestuosos fixados nela...o sorrindo de lado.
Ela lembrava dele. Seu irmão que derrotou Cronos, Zeus...O Garanhão. Tentou e tentou resistir a ele...mas, Hera se rendeu ao amor dele porque o amava.
O casamento havia sido como a união da natureza, parecia que haviam nascido um para o outro e durante 300 maravilhosos anos tudo havia ido bem...até que acabou.
Zeus parecia que tinha se cansado dela. Do casamento. Só tinha olhos para suas amantes. Amantes e mais amantes.
Como Zeus poderia trair a ela? Ela não era apenas a deusa do casamento, ela era a deusa da cama. Como Hera poderia não ser o bastante para Zeus?
Hera pensando que um filho poderia resolver tudo, deu à luz a Hefesto. Mas, não adiantou. Não o bastante, teve que ouvir as chacotas das amantes de Zeus falando sobre seu defeituoso filho, Hefesto.
E por um acidente terrível, havia jogado o filho de cima do monte olimpo. Acidente? Sim, deusa do casamento que não conseguia ter um bom casamento, deusa da cama que não satisfazia seu marido, deusa da fertilidade e maternidade...que deu a luz a um filho defeituoso. Deuses podem ser soberanos, mas possuem sentimentos...Hera não se recordava muito bem do fatídico dia...lembrava da tristeza...lembrava de levar Hefestos para passear...lembrava de uma briga...e de gritos. Só.
A gravidez seguinte, apesar do filho nascer perfeito...Ares não era bom o bastante para Zeus aparentemente. Não importava o quanto tentasse, Ares havia se fechado dentro de si por ódio ao pai se tornando o deus da guerra.
Parecia que apesar de nascerem um para o outro Zeus e Hera não deviam ficar juntos.
Zeus a humilhava com suas traições.
Em resposta, Hera perseguia suas amantes e filhos bastardos.
E com o tempo, todos passaram a conhecer Hera não mais como a deusa do casamento, a esposa de Zeus, deusa da fertilidade e da cama...Hera passou a ser conhecida como a temível esposa de Zeus, Hera a ciumenta.
Hora, o que esperavam? Que Hera fechasse os olhos para as traições do marido? Ela foi ruim, mas poderia ter sido pior...no final, Hera ainda era uma deusa materna, isso a freava em todas as vezes.
Isso fez com que com o tempo, Hera aceitasse todos os filhos bastardos do marido. Hermes,Apolo, Ártemis eles se tornaram seus filhos.
Milênios se passaram e nada mudava. Então veio a profecia e o pacto dos três grandes, e Hera finalmente pensou que talvez, agora pudessem ter um recomeço; E então veio Thalia.
Hera estava cansada. A profecia havia passado, e ela cansou. Era chegada a hora de tomar uma decisão.
Ouvindo o barulho atrás de si, Hera ficou de pé e observou seu marido entrando nos aposentos. Estava com uma clara culpada, a roupa amarrotada e com tristeza notou a marca de batom no pescoço de Zeus.
— Oh, hey...meu amor, acordada tão tarde? hehe — Diz Zeus tentando se arrumar. Hera o observa, e se aproxima.
A cada passo que dá em direção a Zeus sente seu coração se apertando cada vez mais, mantém os olhos nos olhos dele. Cabeça erguida sem derramar uma única lágrima.
Zeus nota algo errado na esposa, por alguma estranha razão enquanto ela se aproxima, ele sente medo.
Hera para em frente a ele, coloca uma das mãos em seu rosto e observa os olhos que ela tanto ama. Aproxima o rosto do dele e o beija.
Um último beijo.
Todos os sentimentos guardados por milênios são depositados naquele beijo. Ao fim, Hera e Zeus mantém as testas encostadas uma na outra.
Então Hera se afasta, e olha para sua mão esquerda onde reside a aliança de casada. Olha para Zeus que a observa confuso.
Hera então suspira e retira a aliança do seu dedo anelar e a entrega a Zeus.
Em sua mente uma paz, em seu coração uma guerra.
— Deste momento em diante, não sou mais sua esposa. És livre das correntes do teu matrimônio. Hoje, eu assumo também o título de deusa do divórcio.— Diz Hera olhando para os olhos chocados e atordoados de Zeus.
Hera se afasta e vai até a saída dos aposentos, olha para Zeus mais uma vez e se despede.
—Adeus, espero que agora esteja satisfeito.—
Quando Hera deixou os aposentos reais, apesar da dor no coração...Se sentia tão leve. Era hora de enfim viver por si mesma ao menos uma vez. Com um estalar de dedos, Hera se teletransporta para o castelo de Poseidon.
De todos na família, Poseidon era o único que sabia que o tinha feito. E ela tinha certeza, era o único que não tentaria fazê-la mudar de ideia.
Ela olhou para os olhos verdes do irmão e correu para seus braços; Poseidon a abraçou e a observou enquanto chorava e ria ao mesmo tempo. Chorava pelo seu casamento desfeito e pelo seu amor perdido e ria pelo seu recomeço, ria pela sua felicidade.
Era hora de uma nova realidade para Hera.
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