A Decisão.

2 Uma visita selvagem.


A cabeça de Ryle doía, seu queixo estava inchado, o mundo estava girando, ao levantar-se ela vê que Kátia estava sentada no chão do banheiro, com as costas escoradas na parede branca, lendo alguma coisa que parecia um manuscrito.

— Ei, garota, eu tenho a leve impressão de que você me socou! — Diz Ryle enquanto se levanta lentamente, fuzilando Kátia com os olhos.

— Eu não tive escolha. — Ela pausa para dar mais uma olhada no livro. — Eu precisava muito disso.

— Isso estava sob o piso do meu banheiro? — Questiona a menina, pondo a mão direita na cabeça, pois a mesma ainda doía um pouco. — O que é isso?

— Isto. — A loira levanta o livro, deixando ele no campo de visão da garota. — É um grimório.

— Espera, grimórios não são livros de feitiços, de bruxas? — Ryle pega o livro nas mão, parecia todo revertido com couro, um pouco antigo.

— Ah é mesmo. Você não sabe. — Kátia joga os fios loiros para trás, formando uma correnteza de cachos dourados. — Sua família provém de uma longa linhagem de feiticeiras... De bruxas.

— Garota. Deixa eu ver se entendi. Você invade minha casa, quebra o piso do meu banheiro e depois ainda me chama de bruxa. — A raiva invadia rapidamente o corpo de Ryle, cerrando os punhos, ela estava pronta para dar uma bofetada no rosto de Kátia.

— Se eu fosse você, não faria isso. — Uma expressão calma, mas perigosa, surge no rosto da loira. — Não estou lhe insultando, estou te contando o que Thiago não teve a oportunidade de falar.

— Você... Você conhecia meu pai? — As lágrimas invadem os olhos de Ryle, a garota usa as mãos, na intenção falha de contê-las.

— Como não conheceria o homem que me treinou? — Kátia toma o grimório nas mãos.

Uma batida na porta é ouvida por as duas garotas, que levantam rapidamente e correm para a sala, os passos de Ryle ainda eram lesados e sem forças.

— Espere aqui... — A menina anda cautelosamente, escondendo-se nas paredes ao longo da trajetória.

Sons de coisas quebrando adentram os ouvidos de Ryle, sussurros sibilantes, a ruiva escuta os gritos de Kátia, pondo a mão na boca para não gritar ela vai lentamente até a sala. A garota se levantava. Um menino de aparência sonolenta e olhos caídos em um tom escuro estava de frente para ela, seus cabelos negros oleosos brilhavam devido a luz acesa.

— Eu disse para me esperar lá. — Kátia falava enquanto estendia uma das mãos na direção do garoto, depois de recitar algumas frases em uma língua desconhecida, algo empurra o mesmo para fora do apartamento.

Alguns segundos depois o menino reaparece, mas agora com uma aparência anormal, seu corpo estava revestido por pelos longos, em tons de preto, variando para o cinza, uma mistura esquisita de lobo com humano, olhos amarelos, nariz longo e canino, dentes afiados como lâminas, coluna curvada.

— O que é isso? — Os joelhos de Ryle fraquejam, fazendo a garota cair no chão. Sem piscar, ela observa a besta correr em uma velocidade sobre-humana na direção de Kátia, que apenas estende novamente a mão, fazendo com que labaredas queimem lentamente a carne do monstro, da mochila, ela retira uma espada e vai até o monstro, que ainda se contorcia de dor. Em um movimento certeiro, a loira corta a cabeça do lobisomem, que se reduz a cinzas. Literalmente.

— O que... O que foi isso? — As palavras quase não saíam. Ryle fita os olhos azuis de Kátia.

— Só um lobisomem. — A garota fala, sem nem uma alteração notável no tom. — Esqueci de comentar que também sou uma bruxa. Caçadora.

— Caçadora? — A ruiva vai até ela.

— Existem várias classes de bruxos, caçadores, videntes, viajantes, conectores... — Kátia fecha o livro e entrega nas mãos de Ryle. — Agora eu preciso ir... Os casos me esperam...

— Espere! Como eu posso saber que tipo de bruxa eu... — Antes que a garota terminasse a frase a loira bate a porta em sua cara. Ryle senta no sofá para digerir o que havia acontecido agora pouco.

Notas finais
Digam o que acharam do capítulo. O que está bom? O que precisa melhorar? Eu agradeço.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.