Notas iniciais
Tema: 18# Legumes
Beta: Mudoh Belial
Fandom: Saint Seiya
Personagens: Milo, Camus
Censura: PG
Sumário: "Milo realmente achou que seria uma boa idéia"

Bon Apetit

Como na aposta, Milo realmente achou que seria uma boa idéia. Mas vendo-o se atrapalhar ruidosamente com as panelas e caçarolas, começava a achar que talvez não fosse tão boa assim.

Tivera ilusões de romantismo, imaginando Camus cozinhando especialmente para ele. Ia tudo por água abaixo, ante os olhares irritados das servas, as verdadeiras donas daquela cozinha e daqueles instrumentos. E tudo por um arroz à grega.

Não que ele fosse de todo um desastre, a carne no forno parecia ter um aspecto muito bom. Mas estava se convencendo de que era a única coisa que ele e aquele mestre preparavam nas terras geladas da Sibéria.

Milo se remexia no banco, se segurando muito para não levantar e tirar as coisas da mão de Camus, preparando ele mesmo a comida. Ao invés disso, se limitou a falar o que deveria fazer e dar-lhe advertências, deixando Camus irritado e mais estimulado a lhe ignorar.

O francês pegou uma cenoura e colocou-a na tábua de madeira, olhou para o legume como se fosse um alienígena. Puxou a faca grande e afiadíssima, e Milo segurou a respiração, em expectativa. Pulou da cadeira quando Camus desceu a faca com uma pancada na cenoura, e continuou dando pancadas nela. O grego imaginou que ele queria picá-la.

- Hum, Camus... – começou, se levantando da cadeira – eu acho que se você segurasse...

- Cala a boca e senta! – Camus vociferou, apontando a faca para ele – Você pediu por um jantar. É um jantar que vai ter.

Milo voltou a sentar-se. Naquele momento Camus podia ser uma ameaça, desajeitado com aquela faca.

Quando terminou com a cenoura, – sem dúvida estava bem picada, mas metade dela tinha caído no chão durante o assalto – Camus puxou um pimentão. Olhou de esguelha para o grego, trocou o peso de um pé para o outro, como se pensasse em algo. Por fim segurou o legume por uma ponta, enquanto começava a cortar pela outra.

Ah, muito melhor. Milo relaxou. Com menos violência, e o pimentão não ia sair aos pedaços pela cozinha. No entanto, Camus ficou impaciente, cortando o legume de qualquer jeito, e tudo pareceu acontecer como uma avalanche.

Camus cortou o dedo, como era de se esperar, levando-o a boca em reflexo. Milo também se levantou alarmado por reflexo, se aproximando. E o francês levantou a faca na sua direção, algo que já estava virando reflexo.

Então ambos perceberam um cheiro de queimado, vindo das panelas, e correram para lá. Camus tampou a panela do arroz, enquanto Milo desligava o fogo, ventilando a fumaça com as mãos. Alguns segundos se passaram, até que o francês abrisse a tampa e visse o conteúdo. Blasfemou uma série de palavrões em sua língua natal e encarou Milo.

- Admita, você fez isso pra me humilhar.

- Não! – Milo ergueu as mãos, atento a faca que continuava na mão – Como pode achar isso de mim?

- Eu sou um fracasso... – disse, fitando o arroz queimado.

- Não é. Você tentou com afinco, isso que importa. – e com cuidado tirou a faca da mão do outro – Veja. – abriu o forno e tirou a carne de dentro, com a crosta tostada – isso parece estar bem delicioso.

Nesse momento, a dona da cozinha apareceu. Era roliça, usava um avental sujo e tinha as mangas puxadas até os cotovelos. Apoiou os punhos nos quadris largos e, não importava o quão poderosos eram os garotos, a mulher metia medo.

Foram expulsos da cozinha, ameaçados com uma caçarola. Viram-se do lado de fora, com uma travessa de carne. Andaram até o Templo de Escorpião, sentando no chão de mármore e serviram vinho em copos rudes de cerâmica. Cortaram a carne e comeram-na com as mãos.

Um jantar longe de ser romântico, sem velas acesas, mesa com toalha de linho, taças, talheres e pratos.

Milo roubou o pedaço de carne dos dedos de Camus, lambendo os dedos longos. O francês chutou-o, e ele riu.

Talvez aquele jantar tivesse sido uma boa idéia, afinal.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.