A Dama no Santuário
8 Capítulo 8
Kamus viu o enorme lobo negro correr em sua direção. Com reflexo, disparou uma rajada de gelo em direção ao animal que se encontrava a poucos metros a sua frente. Este, sem sentir efeito algum com o golpe, saltou para cima de Kamus que assustado, recuou alguns passos e, com reflexo, conseguiu desviar. Viu o enorme animal passar a milímetro de si, caindo a poucos metros do outro lado.
“Nós não podemos tocar-lhes, nossos golpes são inúteis neles.” – Lembrou rapidamente, das palavras do Cavaleiro de Virgem.
Com a palma da mão direita virada para baixo, fez uma fina camada de gelo se formar no chão.
A fera não esperou, tomou impulso para correr, mas, com a pressa, “patinou” na camada de gelo que agora cobria todo o local, dando tempo de Kamus se recompor e correr para a porta, fechando-a rapidamente ao passar por esta.
Mais uma vez, tinha as costas sobre a porta, que foi impulsionada, algumas vezes.
Calipso ao ouvir a porta ser fechada, correu na direção do barulho, encontrando um Kamus pálido e sem fôlego deslizando as costas na porta e sentando no chão.
O Cavaleiro de Aquário, olhava fixamente para o chão sem se dar conta que a Oceanide se aproximava.
Só acordou de seus pensamentos, quando sentiu os braços de Calipso o envolverem em um caloroso abraço, fazendo-o encostar a cabeça em seu ombro.
Suspirou pesadamente.
- Po momentos, pensei que ia ser comido vivo... – Pensou alto.
Sentiu os braços da ninfa estreitarem.
- Eu não sou o Guardião — Disse com grande pesar — Eu não posso te proteger... — Completou ouvindo um pequeno gemido sair da boca da menina que o abraçava forte.
Estava chorando.
Se desprendeu dos braços de Calipso de modo a lhe encarar.
- Onde estão os Juízes que não aparecem para puni-los? – Perguntou revoltado.
- Não sei – Ela sussurrou temerosa – Eu não vou conseguir voltar para casa, não é?
Foi a vez de Kamus trazer a pequena cabeça da ruiva até seu peito.
- Vai – Responde baixo, mas com determinação a abraçando de um modo protetor, afagando-lhe os cabelos – Eu prometo.
Estava prometendo algo que até ele tinha duvida se conseguia cumprir. Seu coração estava apertado.
Tudo o que tinha lutado para não sentir, para ser frio e não ter sentimento que considerava ser perigoso por tornar um homem fraco, gritava em seu peito. Estava se apegando aquela menina de um jeito que não conseguia entender o que era.
Apenas sabia que queria protege-la a todo custo.
Calipso se afastou um pouco para olhar nos olhos claros do Cavaleiro de Aquário.
- Eu acredito em você, Kamus – Ela disse sorrindo.
Kamus não conseguia entender porque, mas sorriu também. De um certo modo uma ponta de confiança tomou conta de si, ao ver aquele sorriso tão dócil.
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Estavam reunidos na Casa de Escorpião. Saga via todos falarem ao mesmo tempo e sentia uma grande irritação tomar conta de si.
- CHEGA!!! – Gritou assustando a todos. – Assim não dá, temos que falar um de cada vez.
- Shaka – Shiryu chamou a atenção do loiro – Você disse que se a Oceanide encontrasse o receptor, no caso, Saga, esses “seres” não a podiam atacar. Porque a atacaram?
Shaka ficou na mira dos olhares atentos dos de mais.
- Ela é alguém especial – Shaka começou – Especial para todos. Se ela voltar, será motivo de inspiração para as irmãs, fazendo essas terem coragem de virem procurar os humanos que estão predestinados a se cruzarem com elas.
- O que quer dizer, que aqueles bichos não vão desistir!? – Shun constatou.
- Exato – Shaka respondeu – Eles vão fazer de tudo para mata-la.
- Oceano só virá mais uma vez – Kanon disse – Vamos voltar a organização da festa…
- Certo – Mu concordou – A ideia da festa foi boa, mas como vamos faze-la sem levantar suspeitas.
- Bem – Saga começou chamando a atenção de todos – nós estamos em Junho, perto do aniversário do Mascara da Morte.
- É verdade – disse Miro – É depois de amanhã.
- Inventamos uma desculpa qualquer – Kanon diz – E fazemos amanhã a festa.
Assim todos concordaram e começou a bagunça de novo.
- E a musica? – Hyoga perguntou de repente – Festa tem que ter musica…
- Sim – Concordou Shaka – E o som pode atrapalhar os Telfeus, pois animais são sensíveis ao som…
- Você é mesmo o Intérprete – Miro se animou.
Shaka olhou-o de lado.
- É isso…
- Então o que precisamos…
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Calipso estava sentada na sala, vendo Kamus se aproximar. Tinha um copo de agua na mão ao qual entregou a Ninfa logo quando se aproximou, sentando em seguida na poltrona à direita do sofá.
- Você quer saber seu futuro, Kamus? – Perguntou de repente surpreendendo um pouco o Cavaleiro.
- Não – Respondeu após uma longa pausa – Quero saber como vai ser, quando seu pai estiver para chegar.
- Dizem que o universo se alinha – Começou pensativa – E tudo passa a correr como o planeado para o melhor acontecer.
Kamus deu um suspiro sonoro chamando a atenção de Calipso, que parecia distante até então.
- Os Telfeus não vão me deixar voltar para casa – Disse sentindo os olhos marejarem – Os Juízes não virão. Eu tenho medo…
- É normal ter medo – Kamus disse sem acreditar nas próprias palavra. – Você é especial…
- Eu não quero ser espacial – Calipso o cortou, começando a chorar – Eu não quero ser a Senhora das Oceanides.
Kamus saiu rapidamente da poltrona, sentando do lado de Calipso que tinha a cabeça baixa. Abraçou Calipso ternamente.
- Não é uma escolha – Kamus disse sério – Temos que conviver com o que a vida nos dá.
- Eu não tenho jeito para isso – Calipso levantou a cabeça em direção a Kamus, com uma voz chorosa – Eu sou desajeitada e elas fazem troça de mim…
Kamus passou a mão no rosto de Calipso enxugando as lágrimas que rolavam pela face pálida.
- Você nasceu para liderar… — Kamus disse aproximando seu rosto instintivamente enquanto encarava os olhos dourados da Ninfa – Você é especial… — Sussurrou, vendo Calipso fechar de leve os olhos, quase encostando os lábios nos dela.
Ouviu a porta de entrada abrir e um rumor animado invadiu a sala, fazendo com que desse um salto, afastando-se de Calipso.
Em seguida a figura dos dourados apareceu juntamente com a de seu pupilo e os outros.
- Já decidimos o que fazer – Hyoga disse animado, aproximando-se rapidamente e, se atirando na poltrona.
- Vamos falar com o Mestre – Seiya disse – Já sabemos até o que falar para ele.
- Não quero deixa-la sozinha – Kamus disse olhando Shaka.
- Eu fico com ela – Saga disse prontamente.
- Eu também fico – Disse Kanon.
- Os Gémeos ficam – Disse Shaka – Vamos, não temos tempo a perder e, temos que preparar as coisas.
Kamus olhou para Saga e depois para Kanon.
- Não se preocupe – Disse Kanon se aproximando e colocando a mão no ombro do Aquariano – Vai dar tudo certo.
Kamus assentiu e, em seguida saiu da Casa de Aquário acompanhado de Miro, Mu, Shaka e os cinco cavaleiros de Bronze.
Continua...
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