A Dama de Vermelho
1 Prólogo
Notas iniciais
Catarina se preparava para entrar no palco, atrás das cortinas vermelhas. A moça visualizou o salão do Burlesque lotado de homens, com suas canecas de cervejas em mãos, balançando-as animados com o ritmo agitado da música. Fechou os olhos e suspirou, somente mais essa noite. Amanhã desapareceria, outra vez, em busca de uma nova cidade. Por que diabos o senhor Nogueira remexeu nessa história? Catarina pensava enquanto negava com a cabeça e relembrou de sua última discussão com o patrão. O homem havia informado para os funcionários com grande alegria que em algumas semanas dois investidores de Villa de Santa Fé chegariam para conhecer o local. Com essa notícia na memória, a moça resolveu comunicar sua demissão ao aparecer no escritório do senhor Nogueira mais tarde naquele dia. E então aconteceu o que profundamente temia. Deixou escapar o motivo de sua fuga da sua cidade natal: Villa de Santa Fé.
Apesar do homem sempre se mostrar atencioso com os problemas das dançarinas, ela preocupou-se. Não podia arriscar mais, continuar em Belmonte seria uma péssima ideia. Quando a nota da música que tocava cessou, anunciando que era o momento de subir no palco e se despedir daquele lugar, a mulher alisou o seu traje vermelho. Inspirou o ar, pronta para iniciar seu espetáculo.
― Catarina, amanhã de manhã passe em meu escritório. Precisamos conversar. ― Ela olhou na direção do seu patrão apreensiva.
De jeito nenhum! Mais que depressa, sua mente acendeu um alerta, permanecer aqui era muito perigoso. Entretanto, como receberia seu pagamento do mês? Teria que encarar o senhor Nogueira mesmo não gostando da situação em que se encontrava. Em resposta, acenou para ele e então entrou no palco.
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