Elena terminava de ajeitar seu vestido preto, curto e justo, que desenhava perfeitamente sua silhueta. Seus olhos estavam vermelhos, e lágrimas ainda desciam dos mesmos. Ela parou de frente ao espelho e secou os olhos com o braço. Ela olhou pela janela e o sol estava fraco, nuvens se formavam no céu. Parecia que ia chover, então, ela se lembrou do dia em que Bonnie lhe disse que sempre que uma pessoa boa morria, o céu chorava em luto por essa pessoa. Elena andou até a janela e colocou a mão no vidro com um sorriso em seu rosto ao pensar que Bonnie estava certa, o céu estava de luto por ela.

Ah, Bonnie Bennett... Minha grande amiga, você vai fazer tanta falta. Elena disse para si mesma em pensamento.

— Ela era a melhor pessoa do mundo. — a voz de Caroline invadiu o quarto, e Elena enxugou as lágrimas rapidamente com as mãos. Caroline andou até Elena. Seu vestido, também preto, porém rodado a deixava um tanto delicada. — Não precisa fazer isso, Elena. — Ela segurou uma das mãos de Elena, assim que a abraçou. — Todos nós estamos sofrendo pela morte da Bonnie. Não precisa tentar esconder suas lágrimas.

Elena voltou a chorar.

— Eu nem pude me despedir dela, Caroline, eu não pude. — elas se abraçaram novamente.

— A culpa não é sua, Elena. E você vai poder se despedir agora. — Caroline tentava ser o mais positiva possível, mas parecida que nada do que ela dissesse seria capaz de tirar o sentimento de culpa das costas de Elena.

— Eu perdi tanta coisa que poderia ter passado ao lado dela. Ela não merecia isso, não merecia.

— Realmente, Elena. — Damon apareceu na porta, cabisbaixo. — Bon não merecia isso, mas ela se sacrificou por você. — Damon percebeu o quanto isso soou egoísta e acusador, e reformulou a frase rapidamente. — Ela se sacrificou por todos nós. Ela morreu como uma heroína, Elena. — Damon andou até ela. — O Stefan está te procurando, Loirinha. — disse ele a Caroline.

— Você vai ficar bem?

Elena assentiu.

— Pode ir. Eu vou ficar bem.

— Eu cuido dela, Caroline. Pode ir.

Caroline balançou a cabeça em concordância e saiu.

— Senti tanto a sua falta. — Damon quebrou o silêncio se aproximando até ficar frente a frente com Elena. Eles se olharam nos olhos por alguns segundos, antes de Damon a beijar.

Que saudades Elena tinha daqueles lábios. Saudades de se sentir livre, da forma que só se sentia quando estava com Damon. Elena parou.

— Damon, o que houve com o Kai? — ela engoliu em seco. — Foi ele quem...

— Não. Não foi ele quem matou a Bonnie. — Damon passou a mão entre os cabelos finos e sedosos de Elena. — Digamos que ele perdeu a cabeça, antes disso. — disse ele com ironia.

Três anos antes

— Eu pensei que fosse morrer, Damon, por que você demorou tanto? — Bonnie chorava. Ela andava de um lado para o outro esperando uma resposta de Damon.

— Eu parei para pensar por três segundos, Bon... — Damon tentou se explicar, mas foi interrompido por ela.

— Três segundos, Damon? Eu poderia ter morrido em três segundos. — Ela parou para lhe olhar com reprovação. Você sabe o que são três segundos em uma situação de vida ou morte, Damon?

— Bem, no primeiro segundo, pensei que se você morresse, eu poderia ter Elena de volta. No segundo dois eu pensei no beijo de Elena, e na vida que podíamos ter juntos. E no terceiro segundo eu lembrei que você, Bonnie Bennett, é a minha melhor amiga, e que eu não podia ter deixar morrer. Então, a resposta é: Sim, Bon Bon, eu sei o que são três segundos. — Ele andava até ela enquanto falava.

— Ah, Damon... — ela o abraçou.

— Eu jamais deixaria ele fazer mal a ela, Elena.

— Obrigada, Damon. — ela o abraçou, e ele afagou seus cabelos encostando sua cabeça em seu peito.

— Agora vamos, Elena. Temos um enterro para ir.

Eles saíram do quarto em passos lentos.

***

O vento soprava gentilmente seu rosto. Ela tentava abrir os olhos, mas suas pálpebras estavam pesadas, e seus olhos não estavam normais, eles enxergavam embaçados. Ela se assentou e se escorou em uma árvore que estava ao seu lado. O som das folhas balançando eram suaves, e acalmavam seu coração, que martelava ferozmente. Ela inspirou o ar profundamente.

— Oi, Bonnie Bennett. Sentiu saudade? — Ele indagou com um sorriso no rosto.

Bonnie arregalou os olhos com pavor.

— Kai... — Bonnie engoliu em seco.