A Dama Branca

1 Uma carta para Claude


Notas iniciais
Primeiro capítulo de muitos, espero que gostem :)

Claude foi acordado pelo despertador. O garoto, ao que parecia, havia se esquecido de desligar o aparelho. Afinal era sábado. Também era o primeiro dia de férias. Assim, após desligar o despertador, Claude ficou observando o teto branco de seu quarto. O cômodo em que se encontrava não era muito grande, mas tinha seu próprio banheiro. As paredes eram azul bebê, o chão era feito de madeira, dando um ar rústico ao local. Não havia um único retrato de Claude ou de seus parentes. Afinal o garoto não gostava muito de tirar fotos. Havia um armário feito de um tipo de madeira um pouco mais escuro que o piso. Em frente a cama de solteiro havia uma porta branca, também de metal. Do outro lado do quarto havia outra porta igual, que dava num pequeno corredor que terminava numa escada.

Depois de observar o quarto o garoto retirou o cobertor grosso de cima de seu corpo, logo sendo tomado por um arrepio na espinha, devido ao frio. Pelo visto o pijama novo não tinha uma proteção contra dias gelados como ele pensara.

— Claude? – uma voz rouca de mulher veio do outro lado da porta, que estava fechada – Você está acordado, meu querido?

— Estou sim vó. – respondeu o garoto – Esqueci-me de desligar o despertador.

— Então desça para tomar café. – respondeu Estella, a dona da voz – Seu avô fez um chocolate quente delicioso.

Claude olhou pela janela e viu que uma nuvem negra enorme cobria sua cidade. O menino espantou-se por a nuvem ainda estar no céu, e não caindo violentamente em forma de chuva na cidade. Assim o garoto dirigiu-se ao banheiro para higienizar-se. Ele se encarou no espelho, enquanto escovava os dentes com uma escova de dente verde, sua cor preferida. Seu rosto era branco, seus olhos eram da cor azul. Seu nariz era pequeno, mas combinava com seu rosto. Ele passou a mão livre pelo cabelo negro, tentando bota-lo para baixo, já que os travesseiros o havia desarrumado. Pelo reflexo ele viu que um dos muitos azulejos azuis que cobriam as paredes do banheiro havia sumido deixando à mostra uma massa que havia sido usada para prender todos eles. Assim ele terminou de limpar os dentes e virou-se, encarando o chão, a procura de cacos azuis no chão branco. Depois de não encontrar nada se dirigiu para o vaso sanitário. Logo em seguida o garoto despiu-se e entrou no chuveiro, ligando a água quente.

Após algum tempo ele saiu do banheiro e, por causa do frio, correu em direção ao armário para pegar uma roupa, já que havia saído do banheiro totalmente nu. Ele acabou decidindo colocar dois pijamas, devido ao frio, um por cima do outro. Botou também dois pares de meias nos pés e uma pantufa preta, que combinava com seu pijama listrado, que era o que sobrepunha o outro pijama.

Assim que abriu a porta do quarto uma onda de ar frio atingiu-lhe, fazendo-o bater os dentes. Ele fechou a porta atrás de si e caminhou pelo pequeno corredor que era igual ao seu quarto, tirando o fato de ser mais estreito e de ter três portas, uma para o quarto de hospedes, uma para o quarto dos avós e uma para o banheiro comum. Quando estava no meio da escada ele sentiu o cheiro delicioso de chocolate quente. O aroma o incentivou a descer mais rápido, passando direto pela sala e entrando na cozinha.

O local não era muito grande, mas cabiam três pessoas ali. A cozinha era um lugar que qualquer pessoa que entrasse na casa veria. Ela tinha um chão de madeira igual ao do armário de Claude. Havia alguns armários de aço inoxidável e um fogão de quatro bocas comum, com um forno. Ao lado do fogão tinha um freezer e uma geladeira, os dois brancos como neve. No centro tinha uma mesa de madeira, com quatro bancos em volta. Em cima da mesma havia um delicioso café da manhã, com sucos, pães, um bolo de laranja apetitoso e o delicioso chocolate quente.

Seu avô estava de costas para Claude, de frente para o fogão, provavelmente fazendo mais chocolate quente ou talvez fazendo o chá de sua esposa. Ele tinha olhos azuis, como os do neto, cabelos totalmente brancos e um nariz grande. Sua face era pálida e flácida, devido a idade. Apesar de velho, era um homem grande. Embora sua aparência pareça intimidadora, Thomas, avô de Claude, era um homem bom.Ele vestia um moletom marrom e uma calça grossa da mesma cor. Também usava uma pantufa da cor azul desbotado pois a mesma já estava desgastada devido aos anos de uso.

Estella, avó de Claude, estava sentada cortando um pedaço de bolo. Ela tinha olhos cinza, nariz fino e pequeno, como o do neto e sua face era igual ao do marido. Ao contrário dos outros idosos ela movia-se muito bem, já que durante a juventude tinha praticado bastantes esportes. Vestia uma calça grossa igual ao do marido, e um moletom verde. Por cima do moletom usava uma camisola simples, costurada a mão. Nos pés usava uma pantufa rosa novinha.

— Ah, finalmente, hein? – disse a senhora – Pensei que você tivesse voltado a dormir.

— Bem, são sete horas da manhã... – disse o garoto – Eu estou de férias... Então eu poderia voltar a dormir sim.

— Não, Claude. – disse Thomas revelando um bule de chá fumegante – São nove horas da manhã. Eu tentei desativar seu despertador, mas percebo agora que só consegui atrasa-lo. Eu não me dou bem com essas tecnologias... – dizendo isso o homem pegou o bule de chá e o colocou numa tabuleta de madeira, para não queimar a toalha de mesa recém-comprada.

O garoto se sentou ao lado da avó e num movimento rápido desvirou a xícara, então pegou a jarra de ferro que continha o chocolate quente. Assim encheu sua xícara num segundo para logo em seguida ficar bebericando o chocolate. Estava delicioso.

Depois de tomar café da manhã o garoto resolveu ajudar seus avós e limpou toda a louça sozinho. Quando terminou de fazer sua tarefa subiu para o quarto e escovou os dentes, já que havia acabado de fazer uma refeição. Ele desceu as escadas a tempo de ver sua avó se abaixar em frente a porta e pegar uma carta.

— Ué? – perguntou ele – Estão entregando cartas aos sábados? E a esse horário?

— Também achei estranho. – comentou a avó – E o mais estranho é que esta endereçada pra você!

A mulher estendeu a carta para o garoto. Claude pegou-a e girou-a nas mãos. A carta era estranha. Era feita de um papel duro e um pouco amarelado. Atrás havia o endereço de Claude, seu nome completo e um selo de um arco-íris de quatro cores: vermelho, azul, cinza e verde. Na frente havia uma coisa preta que parecia cera de vela derretida. O garoto que já tinha assistido alguns filmes com lacres como aquele abriu a carta. Com dificuldade, por causa das letras estranhas, o garoto leu o que a carta dizia:

"Academia de Magia para Humanos

Venho por esta revelar que você, Claude Basil Foller, foi aceito na AMH, a Academia de Magia para Humanos. A partir de três dias após o recebimento desta carta um instrutor irá leva-lo para a AMH, onde você será educado pelos professores certos. Não tente fugir, não tente chamar a polícia e não ache que isso é uma piada. Grata por sua atenção.

— “Miranda Lormers”

Após ler a carta em voz alta começou a rir junto de seus avós. Alguém, que não tinha imaginação para criar um nome falso bom, estava tentando pregar-lhe uma peça. Provavelmente algum dos garotos chatos de sua sala. Após ter passado a graça ele jogou a carta fora, afinal ela não tinha mais uso. Porém, quando se sentou no sofá para ver TV começou a refletir sobre a carta. Ninguém de sua escola sabia seu nome completo, até porque se eles soubessem sua vida seria um inferno já que o sobrenome "Basil" era estranho, e nenhum adolescente mandaria uma carta com um lacre de cera, afinal estamos no século XXI e não no século XVIII.

— Claude, você está me ouvindo? — sua avó o chamou e ao receber um olhar interrogativo e culpado concluiu — É óbvio que não. Eu estava dizendo que você deveria começar a pensar no que quer ganhar de aniversário.

— Calma vó, ainda falta um mês. — o garoto respondeu com um sorriso.

— Mas como vocês hoje em dia são indecisos, é melhor começar a pensar desde já! — a velha rebateu com um olhar acusador.

Claude concordou e resolveu ir para seu quarto, pois o chocolate quente que havia bebido no café da manhã o deixara sonolento e sono era uma coisa divina e deveria ser respeitado. Quando deitou em sua cama seus últimos pensamentos foram a respeito da carta que recebera.

Notas finais
E ai, o que acharam? Digam nos reviews :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.