A Dama Branca
3 Projeto Andrômeda
Notas iniciais

Após virar a direita no corredor encontrei o que parecia ser uma mini sala, com um sofá e havia um garoto de cabelo loiro com fones de ouvido deitado sobre ele, o garoto aparentava estar dormindo. Fiquei de joelhos no chão perto da quina do corredor, e olhei em direção ao mesmo para ver se Ayato me seguia. Estava quase sem folego, meu coração batia muito rápido. Olhei novamente para o garoto no sofá, e ele ainda estava na mesma posição.
— Eu realmente não posso acordá-lo. – murmurei baixinho.
Não podia nem queria acordá-lo. Aos poucos meu coração foi se acalmando. Então tornei a olhar para o corredor. De repente senti alguém atrás de mim.
— Você acha mesmo não iria me acordar?! – uma voz sexy sussurrava em meu ouvido.
Levei um susto. Meu coração voltou a bater forte. Ele encostou seus lábios em meu pescoço. Senti um arrepio percorrer meu corpo. Comecei a me virar devagar, sem fazer movimentos bruscos, pois aquilo poderia irritá-lo de alguma maneira, se é que ele já não estava, por eu ter o acordado.
— Posso sentir de longe o seu cheiro! – disse roçando seus lábios em meu pescoço.
O medo tomou conta de mim. Podia eu estar em uma casa de loucos?! Mas aquilo era muito melhor comparado a onde já estive. Consegui virar totalmente de forma a poder encará-lo. Mas ele ainda estava com os lábios em meu pescoço. Até que ele levantou a cabeça para poder olhar em meus olhos. O mesmo possuía olhos azuis e me fitava de forma fria. Era impossível saber o que ele estava pensando, diferente de Ayato. Eu podia interpretar o que Ayato estava pensando ou sentindo, mesmo que erroneamente. Mas ele era diferente.E ele só podia estar assim por que o acordei.
— D-Des-culpe... – fiz uma pausa tentando me recuperar do susto, estava sem folego. – não queria acordá-lo. – disse olhando em seus olhos.
Creio que estava vermelha de vergonha pela situação. Ele não olhava em meus olhos, simplesmente encarava fixadamente meu pescoço. Em um movimento rápido ele agarrou meus cabelos e fez com que eu inclinasse levemente a cabeça para o lado.
— Aii... isso doí! – murmurei.
Aquilo havia doído, não tão o quanto eu estava acostumada. Naquele lugar faziam coisas muito piores. Uma lembrança começou a vir em minha mente, a lembrança do Número 05, mas rapidamente dei um jeito de afastar aquele pensamento ruim e doloroso para mim.
E ele continuava a fitar meu pescoço até que ele abriu levemente a boca.
— Shuu, o que pensa que está fazendo?! – era uma voz masculina em tom imperativo.
Aquilo havia nos surpreendido, mas me sentia, mesmo, era aliviada. Nesse momento Shuu me largou e levantou-se. Ainda de joelhos virei-me para ver quem era. Ele usava óculos retangulares, possuía olhos roxos e cabelos roxo-escuro, possuía um ar requintado e elegante.
— O que quer? – disse Shuu friamente.
— Então esse é seu nome! – falei espontaneamente, com certa alegria em ter descoberto.
O homem de óculos me olhou com desprezo.
— Como ousa interromper nossa conversa?! – fez uma pausa. – Pensei que fosse diferente de Yui, mas é vejo inoportuna como ela. – disse ajeitando os óculos. — Como ia dizendo antes de ser interrompido... – continuou. – Já que você insiste em deixá-la aqui... – fez outra pausa e olhou para mim e depois para Shuu. – Dê um jeito de apresentá-la a casa e aos outros.
Após dizer isso ele me olhou novamente, parecia me analisar.
— Aliás, ela ainda está de pijama. Dê algo de Yui para ela vestir. – ele se virou na direção no corredor e começou a caminhar. – Creio que Yui não vá voltar para pegar suas roupas.
Não estava entendendo nada. E quem era Yui?!Até que Shuu deu um suspiro.
— Vamos? – disse estendendo a mão em minha direção.
Sem pensar muito segurei sua mão. Ele certamente me ajudaria a levantar. Quando estava me levantando com sua ajuda, ele soltou sua mão, e eu cai sentada no chão.
— M-mas... por quê?! – não havia entendido aquela reação dele.
— Nunca confie em nós, entendeu? Nunca. – ele olhava em meus olhos sem esboçar nenhuma emoção.
Me levantei com cuidado e com receio de que ele fosse fazer algo. Ele poderia tentar me dar uma rasteira dessa vez. Não estava entendendo nada, mas de uma coisa sabia, todos eles eram imprevisíveis e assustadores.
— Vamos! Lhe apresentarei a casa e aos outros. – Shuu se virou e começou a caminhar pelo corredor.
Apressei-me para alcançá-lo. Ele caminhava calmamente em minha frente.
— Mas o homem disse para eu ir me trocar. – estava meio preocupada em deixar aquele homem irritado, ele aparentava ser extremamente exigente.
— O nome dele é Reiji. – fez um pausa e olhou para trás de maneira que pudesse me ver. – E não obedecerei ordens dele. Além de estar com preguiça de levá-la até o quarto de Yui.– disse Shuu por fim.
— Certo... Me desculpe. – disse olhando para baixo, e continuando a caminhar de maneira a segui-lo..
Assim continuamos a caminhar pela casa. Passei por vários corredores. Alguns possuíam quadros, outros janelas, e todos eram incrivelmente longos. As paredes dos corredores eram pintadas em tom creme escuro. Havia também, em algumas paredes, detalhes em gesso. O chão era feito de madeira corrida e em alguns trechos haviam tapetes vermelhos. Estava tentando memorizar o caminho que estávamos fazendo mas eram tantos corredores e portas, que não consegui. Aquela casa mais parecia um labirinto, um belíssimo labirinto aliás. Caminhamos durante um bom tempo até que Shuu parou diante de uma porta dupla.
— Chegamos. – disse abrindo a porta a nossa frente. — Entre...
A porta levava ao que parecia ser uma sala de confraternização. Haviam três sofás sofisticados em seu centro, dos quais dois possuíam um único assento, e um que possuía três lugares. Esses sofás ficavam a margem de um tapete de cor bege que possuía algumas estampas. E no meio do tapete se encontrava uma mesa de centro. Ao fundo da sala se via uma lareira acesa, com um belo quadro fixado na parede acima da mesma. Havia também um belíssimo lustre de cristal no teto, além de uma escadaria a esquerda que levava pra algum lugar. E ao lado da lareira se encontrava um divã.
Shuu entrou na sala e caminhou até o divã e lá se deitou, Ayato se encontrava despojado no sofá á esquerda. Reiji estava de pé relativamente em frente a porta. E haviam outras pessoas que eu não conhecia ali. Um garoto de cabelos e olhos roxo claro, que estava abraçado com um ursinho de pelúcia, e sentado no meio do sofá de 3 lugares. Um homem que estava de chapéu preto, que possuía cabelos em tom vermelho claro e olhos verde-esmeralda, ele estava de pé ao lado de Ayato. Entrei na sala com certo desconforto, todos olhavam para mim de maneira estranha. Fiquei de costas para a porta, naquele momento tive vontade de sair correndo dali, mas por educação fiquei.
— Olá, Marshmallow! – murmurou Ayato se levantando.
— Quieto Ayato! Fique em seu lugar. – Reiji encarava Ayato. – Já que Shuu não vai mediar as apresentações eu mesmo o faço. – disse indicando com a mão o sofá para que eu me sentasse.
— M-muito obrigada, m-as estou bem assim. – falei com certo cuidado para não parecer rude.
— Que falta de educação! Mas se quer assim... – Reiji fitou-me durante alguns segundos. – Vejo que ainda está de pijama... Shuu é mesmo um imprestável! – havia um tom de repugnância em sua voz, de uma maneira ou de outra os dois pareciam ter alguma desavença. – Comecemos as apresentações... Sou Reiji Sakamaki. – disse por fim ajeitando os óculos.
— Não vou me apresentar novamente. Até por que você já conhece mais do que o meu nome, não é Marshmallow?! – disse Ayato com o sorriso malicioso de sempre.
— O-o que você quer dizer com isso? – indaguei com certa indignação e vergonha.
— Ora, ora... então agora temos outra Bitch-chan na casa. — murmurou o homem de chapéu preto. – Ela possui um cheiro bem mais tentador. – Laito caminhava em minha direção, quando Ayato segurou seu braço – Me chamo Laito Sakamaki... – disse piscando o olho esquerdo.
— Não se aproxime dela Laito. Ela é minha! – havia na voz de Ayato um tom imperativo.
Em meio a tudo aquilo reparei que o garoto de cabelo roxo claro conversava com o ursinho. Mas não consegui entender o que ele estava falando.
— Sou Kanato Sakamaki, e esse é o Teddy...– fez uma pausa e olhou para o ursinho. – Teddy acha que devemos matar você! – havia nos olhos dele uma certa felicidade macabra.
Não consegui conter um leve sorriso.
— Como se eu realmente fosse capaz de morrer... – murmurei sem pensar.
Quando notei o que tinha dito tapei minha boca. Todos eles estavam olhando para mim sem entender. Mas Kanato parecia ter gostado do que tinha ouvido, pois seu sorriso só aumentou.
— Então quer dizer que posso torturar e torturar você, que você ainda vai continuar viva?! – indagou com um risinho maléfico no fim. – Isso é perfeito não é, Teddy?! – disse olhando para o ursinho e rindo.
Fiquei sem responder. Eu tinha dito aquilo sem pensar nem um pouco. E agora todos eles me olhavam estranho. Fiquei sem chão, me sentia totalmente estranha com aqueles olhares sobre mim. Mas com o sorriso de Kanato eu havia reparado algo. Ele possuía caninos maiores que o normal. Imagens do sorriso de Ayato, de Shuu e Reiji falando vieram em minha mente. Todos eles tinham essa mesma característica. Aquilo significava algo só que não conseguia pensar no que. Estava desconfortável demais com aqueles olhares sobre mim.
— E seu nome qual é? – indagou Reiji.
— Ela se chama Marshmallow. – disse Ayato com um sorrisinho.
— Você fala de mais, Ayato! – retrucou Reiji.
— N-nome? – olhei para o chão tentando lembrar se em algum momento Eles haviam me chamado de algo. – Lá não tínhamos nome, e sim números. Eu era a número 00 de uma escala de 00 a 05. – disse com receio.
— Que idiotice! – exclamou uma voz estranha.
Um outro homem apareceu do nada! Ele era alto, como todos os outros e era como eu, possuía olhos vermelhos e cabelos brancos. Eu não tinha o visto naquela sala. Como ele apareceu? E por onde entrou? Eu estava de costas pra porta, não tinha como alguém entrar ali sem eu ver.
— D-desculpe se disse algo que te deixou com raiva. – tentei me desculpar, ele parecia nervoso com alguma coisa, e acho que era com algo que eu havia dito, mas não conseguia entender o que eu havia dito de errado.
Em nenhum momento eu havia mentido. Nesse instante me veio uma lembrança...Projeto Andrômeda. Alguns deles me chamavam assim naquele lugar.
— Deixe a garota falar Subaru. – Shuu que parecia dormir se pronunciou.
— Lembrei que eles me chamavam de algo, não sei se esse deveria ser meu nome... – algumas memórias dolorosas começaram a vir em minha mente. O tanque de água, o frio, a dor, a dor, e a dor. A dor era do que eu mais me lembrava. Algumas lágrimas começaram a brotar de meus olhos. – Á-as vezes eles se referiam a mim como Projeto Andrômeda. – Tentei pronunciar com firmeza mas não consegui, então comecei piscar meus olhos várias vezes pra que não notassem as lágimas.
— Então temos que dar um nome pra você. – disse Kanato. – O que você sugere, Teddy? – murmurou se dirigindo ao urso.
— Ela é minha e eu dou a ela o nome que eu quiser. Por isso, ela se chamará Marshmallow! – disse Ayato se levantando e vindo em minha direção.
Comecei dar alguns passos para trás.
— Você não dizia antes que a Bitch-chan é que era sua?! – retrucou. – Pois então vá atrás dela. Não acha tarde demais pra mudar de ideia?! – Laito abriu um sorriso sarcástico.
— Falando na Yui... – murmurou Kanato – Porque ela não está aqui?
— Vocês são realmente uns idiotas. Não sentiram a ausência do cheiro da Yui na casa? – disse Subaru passando a mão no cabelo. – Por um lado entendo, pois o cheiro dessa aí atrapalha e muito os nossos sentidos. – sua expressão era fixa e ele olhava para mim.
— Pelo que notei Yui fugiu. Foi mais esperta do jamais imaginaria. Sempre pensei que ela não passava de uma mosca morta. – disse Reiji. – Fui até o quarto dela. E todas as suas roupas estão lá, ou seja, ela só fugiu com a roupa do corpo e já deve estar bem longe a essa altura.
— E porque só agora você avisou, heim?! – disse Ayato furioso.
— Achei que não havia necessidade! Yui, por acidente, achou alguém para a substituir aqui na mansão. Não nos faltará comida. E isso pra mim já é o suficiente...e creio que não seja suficiente só pra mim. – fez uma pausa e seu olhar passou por todos da sala parando em Ayato. – Além do que, eu não iria atrás dela por sua causa, Ayato. – Reiji retrucou ajeitando os óculos.
— Nada mais justo que a deixemos em paz. Ela conseguiu fugir de forma bem inteligente até...quem diria. – disse Subaru.
— Pois é em, Ayato. Acho que você perdeu dessa vez. – disse Laito sorrindo ainda mais.
Laito parecia sentir muita satisfação em provocar raiva em Ayato. Ayato havia mudado sua expressão. Ele sempre estava com olhos provocantes ou sarcásticos, mas dessa vez ele estava com olhos furiosos. Aquilo me deixava com medo, meu coração batia mais forte por causa disso. A única coisa que eu conseguia pensar é “Tomara que ele não me faça mal!”. A situação na sala estava tensa, o clima estava bem pesado. Todos se entreolhavam, havia nos olhos de todos uma expressão fixa que parecia concordar com o que Reiji tinha dito antes, mas o olhar de Ayato era diferente de todos, seus olhos ardiam em raiva, e parecia que queimaria todos em seu caminho.
— Esqueça, Ayato. Você não vai atrás dela. – disse Reiji em seu tom usual, imperativo.
— Você não manda em mim. – retrucou Ayato.
— Fique com a garota, se isso te satisfaz. – continuou Reiji em tom de desdém.
— Que garota?! – eu disse tentando entender se eles falavam de mim. Até por que estavam falando de uma tal de Yui.
— É Você mesmo... – disse Laito olhando para mim e piscando novamente o olho esquerdo.
Paralisei quando ele disse aquilo. Como podiam escolher as coisas por mim? Eles não tinham esse direito. Imediatamente lembrei dos momentos com Ayato e o medo ficou mais forte. Minhas pernas ficaram bambas e meu coração batia muito rápido.
— Quem decide quem fica comigo sou eu! – retruquei sem pensar.
Todos eles olharam pra mim sem dizer nada. Ouvi ao fundo Shuu dar um certo riso sufocado. Era como se ele estivesse rindo do fato de eu estar me rebelando contra pessoas mais fortes do que eu. Ou ele poderia estar rindo da briga de seus irmãos. Eu preferi acreditar na segunda opção. Me senti um pouco melhor ao pensar nisso.
— Então, qual será o nome que daremos a ela? – disse Kanato – Eu gosto de Shiro! Além do que, combina com ela devido ao significado. – ele aparentava estar empolgado.
— Realmente, combina com ela. Sua pele e seus cabelos são brancos. – concordou Shuu.
— Pra mim tanto faz. – disse Reiji.
— Eu ainda prefiro Marshmallow. – Ayato continuava com sua opinião, mas o jeito com que ele pronunciou Marshmallow não era o mesmo de antes. Sua voz tinha um tom mais frio, mas continuava com seu jeito possessivo.
Meu medo foi sendo substituído aos poucos por culpa, me senti culpada por vê-lo desse jeito. Queria pedir desculpas, senti que podia ter sido eu a causar aquilo, e também queria ajudá-lo a se sentir melhor. Só temia o jeito que ele quereria que eu o ajudasse.
— Bitch-chan, você será a nova Bitch-chan! – afirmou Laito.
Eu não entendi o significado daquilo, mas tanto faz. Uma coisa eu sabia, se tudo aquilo eram nomes, então isso era o que eu mais possuía... 00(zero), Projeto Andromeda, Marshmallow, Bitch-chan e Shiro. Duvido que existia alguém vivo que poderia possuir tantos nomes diferentes. Me senti um pouco feliz por isso, eu era única em algo bom, algo que não me prejudicaria tanto quanto as outras coisas. Pois havia outras coisas em que eu era única, mas isso só me trazia dor, e perdas, e dor. Sempre a dor. Senti um aperto no peito, uma sensação ruim. Abaixei a cabeça, me senti meio tonta, minha visão estava ficando embaçada. Minhas pernas estavam bambas, mas eu tinha um pouco de força pra continuar de pé. Definitivamente aquela não era a hora de me estatelar no chão.
— Então será Shiro mesmo! – comemorou Kanato abraçando e apertando Teddy.
Tornei a levantar a cabeça. Mas o mal-estar não havia passado.
— Tome! – disse Reiji arremessando algo em minha direção.
Por reflexo agarrei a roupa ainda no ar. Não entendi bem como havia feito aquilo, pois a pouco tempo estava me sentindo muito mal. Mas depois disso o mal-estar passou de repente, era algo bom até. Olhei para o que Reiji havia arremessado, e era uma roupa. Aquilo aparentava ser um vestido ou sei lá o que. Mas era bem bonito.
— O que é isso? – indaguei sem entender.
— Você é realmente muito...– Reiji parou de falar antes de concluir a frase – Enfim, isso é um uniforme colegial. Daqui a algumas horas você irá para o colégio conosco. – concluiu por fim.
— Colégio?! Vou estudar em um colégio? – disse animada, não consegui conter minha animação.
Enquanto estive trancada naquele lugar sempre ouvia as Sombras e os homens de branco falando sobre suas vidas, seus filhos e o colégio em que os mesmos iam. E assim sempre tive o desejo de ir em um. Devia ser bom. Me senti feliz como nunca havia sentido, era um pouco estranho para mim pois fazia muito tempo que não me sentia assim, fazia 13 anos se não me falhava a memória. Apesar das coisas ruins que passei naquele lugar, pelos menos aprendi a ler, escrever e a contar. Pois é, nunca havia parado pra contar com quantos anos fui parar lá.
— Sei que você possui um raciocínio lento, mas não vou repetir o que eu disse. – ele olhou para a roupa e em seguida para mim. – E sim, você vai a um colégio. – concluiu Reiji.
Vibrei com a afirmação dele. Abri um sorriso enorme em meu rosto. Abracei a roupa e depois a coloquei sobre meu corpo para ver como que ficaria. Me sentia tão feliz que podia até explodir. Era realmente empolgante, meu coração batia forte, mas diferente de antes, agora era de felicidade. E aquilo era uma sensação tão boa.
— Nunca vi alguém tão feliz de ir ao colégio. – disse Ayato indignado com o motivo de tal alegria.
— Realmente, é estranho. – concordou Laito.
— Então, agora vá tomar um banho e se arrumar pois sairemos daqui a pouco. – disse Reiji.
— Certo! Já estou indo! – disse esboçando um enorme sorriso.
Saí imediatamente da sala. Pedi licença a todos e fechei a porta.E parti andando pelo corredor.
Depois que andei um pouco me dei conta, eu não saberia como chegar no quarto onde eu estava, se eu achasse um banheiro já seria muito. A alegria começou a ser substituída pelo desespero. Comecei a andar mais rápido. Enquanto andava rapidamente pelos corredores, ao passar perto das janelas reparei que estava chovendo, o céu estava bem escuro e parecia que a chuva só ficaria mais forte.
E continuei caminhando sem saber por qual caminho seguir. Eu realmente não sabia pra onde ir, estava perdida! E o pior se eu demorasse muito pra encontrar o quarto eu atrasaria a todos, e tenho certeza que eles ficariam furiosos, principalmente o Reiji.
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