A Dama Branca
5 Dualidade
Notas iniciais

“Eu estava naquele lugar, de paredes e chão de aço espesso e bem polido, lá era bem frio e cheirava a hospital. Me encontrava vestida como sempre e em uma encruzilhada de corredores. O corredor ao norte levava ao elevador, o sul levava a uma porta gigantesca de metal, que deveria ser aberta pelo acionamento de uma alavanca. Eu não conseguia ver para onde os corredores leste e oeste levavam. O alarme vermelho havia disparado, a luz branca das lampadas foram substituídas por uma luz vermelha, que piscava a cada três segundos e junto vinha o som do alarme vermelho. Durante os intervalos em que a luz não acendia, tudo ficava mergulhado em negro. Sabia o que aquilo significava, alguém tinha conseguido fugir da sala, mas ainda estava dentro da base.
Comecei a ouvir vários passos, parecia um batalhão de pessoas marchando como soldado, o metal fazia o som ressoar mais alto do que realmente era. Resolvi me esconder, na quina de um corredor, mas de maneira que eu pudesse vê-los e eles não me notassem. O som da marcha se aproximava cada vez mais, até que a enorme porta ao sul se abriu. E lá vinham eles, com roupas de soldado preta, colete a prova de balas, máscara de oxigênio, portando fuzis e metralhadoras, e o último deles, que parecia ser o líder do esquadrão, portava uma arma diferente, que parecia com uma bazuca, mas que não possuía a granada-foguete; eram 20 homens contando com o líder. Eles passaram por mim sem me notar, e foram em direção ao elevador, e o “chamaram”. Quando o elevador estava chegando ao sétimo andar, todos apontaram suas armas, preparados para abater o que estivesse lá. Ao ver isso notei que estava no sétimo de doze andares, e o que eles procuravam nem aqui ainda tinha chegado.
Não havia nada no elevador, então dez deles entraram, e dez ficaram esperando.
— Em que andar o alvo se encontra, senhor? – um dos soldados disse.
— No terceiro. – fez uma pausa. – E repetindo, as ordens que temos é para abrir fogo, caso contrário nós seremos abatidos. E lembrando, não cheguem perto, ficarei na retaguarda armando a antitanque. Isso deverá abater o alvo. – respondeu o homem com firmeza.
Aquilo me assustou, nunca ouvira nada a respeito. Meu coração disparou, e eu estava ofegante só de pensar na possibilidade de um de meus amigos morrerem.
Com a chegada do elevador os outros 10 desceram. Resolvi ir atrás deles depois de um tempo. E assim o fiz. Tentei imaginar eles marchando e calculei onde eles estariam mais ou menos, para que não pudessem ver o elevador se abrindo. Conhecia muito bem os andares mais subterrâneos, pois cada dia eu estava em uma sala diferente, com um tipo diferente de tortura, e me lembrar disso me dava náusea. Entrei no elevador e desci até o terceiro andar.
A mesma luz e o mesmo alarme davam ao ambiente um toque forte de tensão, ainda mais ao saber que o fugitivo estava lá, ou melhor um de meus amigos. Além da tensão, no ar havia um cheiro fortíssimo de sangue. Será que o alvo já foi abatido? Ao pensar naquilo comecei a correr em desespero, eu tinha que impedir sua morte.
Enquanto corria comecei a ver sangue para todos os lados, no chão e nas paredes, havia órgãos e membros para todos os lados, como na explosão de uma granada, e havia balas, várias balas espalhadas pelo chão. Comecei a ficar com muito medo, parei de correr e comecei a caminhar mais rapidamente. Estava ofegante, não só pelo medo, mas também pela corrida, meu coração batia freneticamente. Será que Kaname tinha escapado? Comecei a ouvir sons de tiros múltiplos, parecidos com disparos de metralhadoras, ouvi também gritos de desespero.
— Deus! Nós ajude... Aaahhh! – o grito de desespero do homem foi interrompido por algo que parecia ter lhe causado muita dor.
— Não! Por favor... Aaaah! Pareeee! – havia naquela voz um misto de gemido de dor e súplica.— Corram todos! Agora! – soou uma ordem.
Após a ordem se ouvia vários gritos e ao longe vi aquele esquadrão correndo na direção dos sons. E os segui. Chegamos em um corredor amplo que levava a uma sala enorme, mas o piscar da luz vermelha impediu que eu visse com clareza. Eu lembrava daquela sala. Senti uma pontada no peito e cai no chão dormente, a dor era tanta que comecei a ficar sem ar. Estiquei a mão para os soldados tentando clamar por ajuda, mas minha voz não saía, e meu peito doía mais e mais, tentei respirar mas o ar não vinha. E aquilo me desesperou.
Nesse instante eles começaram atirar em algo que se movia, não consegui ver o que era, pois eles estavam tapando minha visão. Só consegui ver os pés da pessoa, que eram brancos e estavam descalços.
Meu peito queimava de dor, queria gritar. Mas só saiu um murmuro.
— Me ajudem... – murmurei baixinho.
Eu não era a única que precisava de ajuda ali. Os flashes dos disparos clareavam o ambiente em intervalos mínimos. O líder deles caminhou em minha direção, se afastando do grupo. Clamei mais uma vez por ajuda, esticando minha mão em sua direção. Estava prestes a desmaiar pela falta de ar.
Ele parecia não ter me visto, parou do meu lado e começou a armar o antitanque. Tentei me arrastar para agarrar seu pé mas não conseguia sequer me mover, aquela dor me consumia por completo. Abri a boca para pedir novamente ajuda, mas minha voz não saiu, eu só conseguia gemer pela falta de ar.
— Não se aproximem! – Ordenou aos gritos o homem ao meu lado. – Eu disse para não se aproximarem!
Olhei para os soldados e a formação deles já estava desfeita, todos estavam dispersos. Vi a silhueta do alvo deles. Parecia ser de uma mulher. Seria a Número 05? A luz novamente apagou, aqueles 3 segundos pareciam eternos, os soldados começaram a atirar no escuro. E quando a luz vermelha se acendeu, seguida pelo som do alarme, ela estava no meio deles, agarrou um pelo pescoço e ele virou pó, ao presenciarem isso os outros soldados ameaçaram atirar mas antes disso, ela simplesmente sorriu e os cortou em pedaços. Braços, cabeças, pernas e sangue voaram para todos os lados, sujando de sangue a mim e ao líder, que era o único deles que estava vivo. Ela tinha abatido 19 homens em dois golpes, sem contar os outros, donos do que vi pelo caminho até aqui. A mulher estava banhada em sangue, e parecia gostar daquilo. Ela estava de cabeça baixa, o sorriso tinha sumido de seus lábios. Quando de repente ela levantou a cabeça, parecia olhar para único homem ainda vivo, ela começou a caminhar em sua direção, comecei a ver suas características. Mas antes que pudesse ver com clareza quem era, o homem lançou a munição antitanque. Meu coração deu uma batida forte e a dor aumentou drasticamente, fechei os olhos em função daquela dor. Quando abri meus olhos eu estava de pé, e instintivamente desviei da enorme bala. Olhei para minhas mãos e elas estavam cobertas de sangue, no mesmo instante uma dor intensamente forte invadiu minha cabeça, fui perdendo aos poucos os sentidos. Ouvi vários passos vindo em minha direção, sem forças caí no chão.
— Rápido, amarrem-na e a sedem! Agora! – um homem gritou.
De repente perdi a consciência.”
Acordei ofegante, banhada em suor e com o coração acelerado. Que pesadelo era aquele? Era eu que tinha feito tudo aquilo? Minha cabeça doía muito. Ajeitei minha posição, de maneira que ficasse sentada ao invés de deitada. Olhei para a janela e estava de noite, o quarto estava emerso na escuridão. Juntei e abracei meus joelhos e pousei minha cabeça sobre eles, fechando meus olhos, eu não ia conseguir voltar a dormir, mesmo que tentasse. Lembrar daquele sonho me fazia tremer.
Levei um susto ao sentir que algo estava na minha frente. Meu coração que havia se acalmado um pouco, batia rápido outra vez. Eu acabaria morrendo de um ataque do coração se as coisas continuassem assim.
Levantei a cabeça devagar, e me deparei com Laito em minha frente, a poucos centímetros de mim, aquilo me assustou e dei um salto para trás, batendo levemente minhas costas na cabeceira da cama.
— Ai... – murmurei baixinho ao sentir a dor.
— Hmmm... Você está ofegante e bem suada... Andou sonhando comigo, Bitch-chan? – disse abrindo um sorriso malicioso.
Quem dera se tivesse sido isso...Tinha certeza que seria menos pior do que o pesadelo que eu tivera.
— Estou com fome, Bitch-chan... E você me parece tão apetitosa! – disse Laito lambendo os lábios.
Aquilo me deixou com medo, arregalei os olhos e me encolhi toda. Não é possível que ele me morderia, como Shuu tinha feito ontem, eu não permitiria.
— Ohh... essa expressão... só faz com que eu fique mais excitado! – disse quebrando todas as minhas defesas, e me agarrando pelo maxilar.
— Por favor...não! – supliquei.
Tentei empurrá-lo, e ele sorriu.
— Essa sua expressão de medo...Eu realmente amo isso! – disse olhando em meus olhos e sorrindo sarcasticamente.
Sua reação me fazia tremer, e eu começava a ficar ofegante novamente. Com uma das mãos ele descobriu minhas pernas, e começou a abri-las.
— Belas pernas... – disse olhando em meus olhos e piscando o olho direito.
Ele acariciou a parte interna de minha coxa direita, me deixando ruborizada. Laito começou a abrir sua boca, se aproximou de minha coxa e a lambeu levemente. Sua língua gelada fez um choque percorrer meu corpo. Eu não gostava daquelas sensações, queria não senti-las e imediatamente fechei os olhos.
Ouvi um estalo. E imediatamente olhei na direção do barulho.
— Ande logo, Laito, já estamos de saída. – disse Reiji. – Não tolero atrasos!
— Hmmm...Certo, certo... – assentiu Laito desanimado.
Laito não parecia muito contente de ter sua diversão atrapalhada. Ele começou a se levantar, passou a mão em meus cabelos e deu um leve puxão, que doeu um pouco.
— Terminamos isso mais tarde, Bitch-chan! – murmurou sorrindo maliciosamente e levantando-se completamente.
Laito caminhou até a porta e virou a direita saindo completamente da minha visão.
— E você... se arrume logo, estamos indo para o colégio. Lhe esperaremos no hall de entrada. – disse por fim.
Após isso ele fechou a porta. Levantei da cama ainda meio abalada por tudo o que tinha acontecido, principalmente por causa do pesadelo. Peguei rapidamente o uniforme no guarda-roupa, fui até o banheiro e escovei meus dentes. Flashes dos momentos com Shuu vieram em minha mente, comecei a ficar ruborizada, não ia conseguir encará-lo depois daquilo. Balancei a cabeça levemente tentando afastar tais pensamentos, parei diante do espelho e penteei meu cabelo, depois vesti o uniforme. Ele servira, mas tinha ficado um pouco apertado na área dos seios, nada que incomodasse muito.
Me sentia um pouco melhor por ir ao colégio, isso me deixa um pouco feliz e diminuía o mal-estar causado pelo sonho.
Saí do quarto e fui na mesma direção que Laito e Reiji. Eu não sabia onde era o hall, mas provavelmente eles teriam se encaminhado para lá. Andei por alguns corredores, todos sempre com as mesmas características que eu já conhecia. Finalmente vi uma escadaria enorme, e lá embaixo estavam todos eles. A escada era de marfim com um tapete vermelho sobre ela, possuía corrimão em madeira escura que terminava em uma estátua dourada de algo que não consegui reconhecer. Do teto se desprendia um enorme lustre com gotas de cristal.
Corri até a escada.
— Não desça correndo! – advertiu Reiji. – Além de ser falta de educação, seria trágico para você cair da escada e começar a sangrar na frente de todos nós, não acha?!
Assenti com a cabeça e desci devagar a escada. Quando me juntei a eles todos começaram a caminhar em silêncio.
— Tome... Esta pasta contem os materiais que você usará. – disse Reiji olhando para mim.
— Obrigada, e me desculpe pelo trabalho que estou dando a vocês. – disse aquilo do fundo do meu coração.
Eu realmente era grata pelo que eles estavam fazendo por mim. Abrigaram uma desconhecida e cuidaram dela. Quem atualmente faria isso? Durante todo o trajeto até a limousine o único que havia dito algo era Reiji. Todos os outros permaneceram calados. Kanato murmurava coisas para Teddy, mas eu não conseguia entender o que.
O chofer abriu a porta para nós, assim um por um foram entrando. Eu nunca havia notado que aquela casa tinha empregados. Será que os Sakamaki bebiam o sangue deles também? Aposto que sim, eles não perdiam sequer uma oportunidade. Ao pensar nisso deixei sair um pequeno risinho, e todos olharam para mim.
— Está achando graça de que, heim? – disse Subaru rispidamente.
— N-não é nada de mais... – respondi automaticamente.
Aquilo havia me pegado de surpresa, eu tinha muito medo de todos, mas eu temia mais Subaru e Reiji. Subaru era bem impulsivo, e Reiji exigente, acho que é isso que eu temo neles.
Atravessamos a cidade para chegar a escola. Os prédios eram altos, havia muitas pessoas caminhando ainda pela rua, aquilo me deixou maravilhada. Não pude conter minha animação, era tudo tão lindo, principalmente as luzes. E os prédios, eram tão altos; gostaria de pelo menos um dia ter a visão de tudo lá de cima, deveria ser realmente lindo. Abri um enorme sorriso ao ver tudo aquilo.
Debrucei-me sobre a janela da limousine, e fiquei olhando admirada para tudo aquilo.
— Olhem! Olhem! É tudo tão lindo! – disse com o tom mais alto, olhando para eles, e apontando para a janela.
Todos olharam para mim meio confusos, e de certa maneira indignados.
— Patético! – murmurou Subaru.
— Fale mais baixo. – disse Shuu me fitando.
— Humanos e sua falta de educação! – exclamou Reiji indignado com meus modos. – Creio que existem coisas que ainda preciso lhe ensinar... para minha infelicidade.
— Me desculpem... – fiz uma pausa olhando para baixo. – É porque nunca tinha visto o mundo aqui fora. Só por filmes e vídeos, e claro em minha imaginação.
— Está dizendo isso para que tenhamos pena de você? – retrucou Subaru.
— N-não...não foi minha intenção. Eu só queria justificar o porquê da minha atitude. — fiz uma pausa e novamente olhei para baixo me encolhendo toda no meu assento, e me afastando da janela. – Me desculpem...
— Tsc...Deixem-na! – disse Ayato por fim.
Lá fiquei, com a cabeça baixa. Me sentia mal. Até que vi alguém se aproximando e levantei a cabeça para olhar, era Ayato. Ele sentou ao meu lado, meu agarrou pelo maxilar e virou meu rosto de forma que eu olhasse pela janela. E junto comigo ele também começou a olhar. Comecei a ficar ruborizada e meus olhos se enxeram de lágrimas, pois ninguém tinha feito algo de gentil comigo, até então. Não que a atitude de todos de me acolher não fosse gentil, mas todos sempre me atacavam, tanto verbalmente quando fisicamente. A atitude de Ayato tinha sido diferente disso. Engoli o choro, e continuei a olhar pela janela. Notei que em alguns intervalos Ayato me fitava, fazendo meu coração disparar, e me deixando sem graça. Depois de um tempo Kanato se juntou a nós e colocou a cara do Teddy na janela para que ele visse tudo também. Me senti bem pela atitude dos dois.
Depois de um tempo a limousine parou em frente a uma grande construção meio antiga, mas bem conservada. Era um prédio de cinco andares de cor marrom claro e em alguns pontos marrom escuro, a estrutura era extremamente larga e possuía algumas torres em determinados pontos da construção, haviam também muitas janelas, algumas bem grandes. Podia se ver também um jardim enorme e algumas árvores que cercavam o caminho de entrada externa do colégio.
— Chegamos! – disse Reiji.
E novamente o chofer abriu a porta para nós. Peguei minha pasta e após todos saírem da limousine, saí também. Estava com um enorme frio na barriga, minhas mãos suavam, meu coração batia um pouco mais rápido que o normal, aquilo tudo era novo para mim, e me deixava nervosa. Mas era uma sensação boa, gostosa de se sentir. Quando saí da limousine vi que Reiji estava parado na entrada do colégio. Quando ia passando por ele, ele agarrou de repente meu braço me puxando pra perto dele. Meu coração disparou na hora por causa do susto.
— Pegue! – ordenou ele esticando a mão com uma sacola que parecia conter algo dentro.
Não entendi aquilo.
— O que é isso?! – indaguei confusa.
— Pegue logo! – disse me encarando.
— M-mas...
— Isso é algo para você comer. – disse me interrompendo e dando um longo suspiro de cansaço. – Desde que chegou não comeu nada, além do que ajudará para que você não dê anemia.
— Ah sim....Muito obrigada! Mas não preciso comer. – disse tentando não parecer rude.
— É falta de educação recusar! – insistiu ele em tom firme e com a cara fechada.
Aquilo me deu medo. Então peguei a sacola.
— Muito obrigada! Obrigada mesmo. – agradeci me curvando.
— Não pense que estou fazendo isso por preocupação, okay?! – disse ele por fim e saiu andando, antes que eu respondesse.
— E você está na sala de Ayato e Shuu. – disse por fim, antes de subir as escadas.
Desde que estivera naquele lugar, nunca me alimentaram, somente me davam coisas que me causavam algum tipo de dor, ou reação ruim. E eu não era a única, Kaname e a Ex. Número 01 também. Só me lembro de quando criança comer doces, sempre amei doces. Mas não me lembro de sentir fome. Olhei dentro da sacola, e nela continha uma caixinha de suco sabor morango, um saco decorado que envolvia o que parecia ser biscoitos salgados, e uma pequena caixinha que aparentava conter mini bombons. Depois que vi a caixinha dos mini bombons me animei a comer, mesmo que sem fome, e os comeria primeiro. Mas só o faria em uma hora oportuna, não queria parecer sem educação. Imediatamente resolvi ir para a sala que ele dissera. Mas onde era? Odiei Reiji nesse momento! Ele sempre fazia isso. Falava onde ir mas não como chegar lá. Comecei a andar pela escola sem saber direito em que direção seguir, estava com um pouco de medo, não conhecia ninguém ali além dos Sakamaki, e não sabia onde era a sala a que Reiji se referia. Eu realmente não queria perder as aulas do meu primeiro dia, mas parece que isso seria inevitável. Tentei parar uma garota e perguntar se ela sabia qual era a sala Ayato e do Shuu, mas ela simplesmente me ignorou, essa sim era sem educação. Circulei pela escola durante um certo tempo, mas comecei a me sentir mal, minha cabeça doía muito, resolvi então procurar um banheiro ou uma enfermaria. Enquanto caminhava a procura de um dos dois, a dor de cabeça começou a ficar forte, e minha visão ficou turva, acabei trocando os pés e cai no chão, batendo a cabeça.
Ao ver uma garota caída no chão, um garoto que passava pelo corredor, parou para ajudá-la. O garoto se ajoelhou no chão e pousou sua mão sobre ela, tentando ver se a mesma estava consciente.
De repente ela se levanta.
— Você está bem? – indagou o garoto preocupado.
— Estou ótima. – respondeu a garota de longos cabelos brancos.
— Precisa de alguma ajuda? – perguntou novamente o garoto.
— Já disse que estou bem. – disse rispidamente a garota.
O garoto ficou confuso com aquilo. E assim, ela virou as costas para ele e saiu andando calmamente e de cabeça baixa. Quando ela virou a esquina do corredor, o garoto notou que ela tinha deixado sua pasta, no chão onde caíra, e correu atrás dela para entregá-la, mas ela não estava mais lá. Ele pensa que não teria como ela ter sumido tão rápido, nem correndo ela conseguiria sair daquele corredor antes de ele chegar ali. Aquilo o deixa confuso, mas ele volta ao que ele estava fazendo antes, que é se encaminhar para a enfermaria.
A garota continuou caminhando pelo colégio tentando identificar onde estava.
— Onde estou? – murmura a garota – Eu definitivamente não me lembro de ter vindo pra cá.
Não saber onde se encontrava parecia a deixar nervosa. Mas algo a deixava feliz, se é que ela tinha sentimentos bons, ela estava livre daquele inferno, e assim finalmente poderia destruir tudo ou simplesmente tentar realizar o seu mais profundo desejo.
Hoje ela não estava disposta a matar, então pôs-se a realizar seu desejo.
Após caminhar durante um tempo, ela se depara com uma piscina a céu aberto, e vem a sua mente o tanque de água em que estivera em certo momento da sua vida, ela então para diante da parte mais funda da mesma e fica observando sua imagem refletida na água.
Da janela do segundo andar Ayato, que estava matando aula para comer, vê Shiro a beira da piscina. Então ele põe-se a observá-la.
Após um tempo observando o reflexo de sua imagem, ela tira a jaqueta de seu uniforme, o colete abaixo da jaqueta, o laço rosa em seu pescoço, e os joga no chão; da janela Ayato vibra ao ver tal cena, imaginando que ela iria se despir por completo. Após tirar algumas partes do seu uniforme ela desabotoa os três primeiros botões da camisa branca com babados, e por último ela tira os sapatos e as meias, jogando-os no monte de roupas no chão.
Feito isso a garota se senta a beira da piscina e mergulha seus pés na mesma e começa a batê-los suavemente na água em movimentos de sobe e desce, ela levanta sua cabeça e olha para a lua, que estava cheia. Há muito tempo ela não via a lua. Seus olhos aparentavam estar tristes por algum motivo. Ela respira fundo, e volta a olhar para a água e para seus pés, estica sua mão e a molha na piscina, fecha, então, os olhos e simplesmente se joga piscina.
Ayato continua observando, mas nota que se passaram alguns minutos, e que ela não havia voltado para respirar até então.
Submersa na água, a garota se encolhe, e fecha seus olhos tristes. Ela parecia esperar e querer a morte. Seria esse seu maior desejo?
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