A Dama Branca

15 Desperte, querida...


Notas iniciais
Oláaa! o/ Bom eu havia prometido postar o cap no domingo, mas foi tudo realmente muito corrido com a volta das aulas na universidade, então não deu tempo, de eu postar nem domingo nem nos dias posteriores. Espero que não fiquem chateados... Como de costume eu dividi, a principio eu ia dividir em 3 mas ia ficar muito longo essa parte, então dividi somente em 2 e o restante postarei domingo mesmo, espero que por estar muito grande não fique cansativo de ler. Bom, esse cap começa em primeira pessoa, mas depois volta a ser pela visão de Shiro. E eu gostaria que vocês lessem ouvindo essa música: https://www.youtube.com/watch?v=iwT3DIIXWNA Enfim... É isso, boa leitura a todos... :D

No centro da cidade:
Em meio àquela forte e persistente chuva, um homem caminhava lentamente em meio a rua. O trânsito naquela região se encontrava interditado devido a uma explosão, a qual vários investigadores e policiais averiguavam a causa de tal evento.
Aquele misterioso homem trajava um chapéu negro, um sobretudo e calça que compartilhavam a mesma cor que o chapéu, e parecia não se importar com a chuva, pois não se protegia da mesma. Ele continuou caminhando lentamente, até que parou na direção de um beco. O beco se encontrava parcialmente escuro, devido a iluminação dos postes daquela rua. O homem fitou por um instante aquele beco, e partiu em direção ao mesmo, mas dessa vez seu caminhar era um pouco mais acelerado.
Chegando no beco, ele viu o que parecia ser uma camisa de força. Aquela peça peculiar se encontrava queimada em muitos pontos, completamente suja de fuligem e sangue. A chuva havia limpado sutilmente aquele tecido robusto, mas não tinha sido suficiente para tirar tais marcas por completo.
Ele se abaixou perto da camisa, a pegou e a aproximou do nariz, encheu seus pulmões de ar, e com o ar, o cheiro fraco de sangue invadiu seus sentidos.
— Finalmente, querida! – disse o homem. – Estou indo por você, meu amor... – disse por fim esboçando um sorriso doentio.
Ele se levantou ainda com a roupa em sua mão esquerda, e olhou para o alto. A chuva batia em seu rosto, mas seu olhar parecia focado em outro lugar, um lugar bem distante dali.
Depois de alguns segundos ele tornou a olhar para aquela peça, a jogou no chão e começou a caminhar calmamente na direção oposta à que ele havia vindo e depois de alguns passos começou a cantarolar.
Ele parecia feliz por algum motivo.

Entrei no cômodo, tateei a parede em busca do interruptor, acendi a luz e me recostei sobre a porta. O cômodo no qual eu me encontrava era um banheiro. As paredes possuíam um tom creme, com pequenos detalhes em marfim próximo ao teto, já o chão era de mármore branco. De frente para mim havia uma pia de mármore mesclado, e na parede a qual a pia se fixava havia um espelho emoldurado. A moldura do espelho era dourada, e no teto havia um lustre de cristal que compartilhava a cor com a moldura. Abaixo da pia havia uma cuba de madeira branca na qual deviam se encontrar objetos de higiene e toalhas. Do meu lado esquerdo havia uma grande janela, da qual dava pra ver a chuva, e os raios que cortavam o céu em determinados momentos. Á direita, bem ao fundo, se via uma banheira e na parede a qual ela se encostava havia um espelho que a ocupava por completo. Ainda a direita, próximo a banheira, havia também um pequeno cesto de palha.

Fiquei durante alguns minutos recostada sobre a porta, observando a janela, da qual eu via a chuva e as sombras das árvores que cercavam a mansão. Um frio começou a percorrer meu corpo, foram tantas situações complicadas que nem consegui sentir frio, e agora que tudo havia se acalmado, eu podia senti-lo. Me encolhi na tentativa de diminuir o frio que eu estava sentido, um banho quente seria muito bem vindo naquela hora.
Assim, caminhei em direção a banheira, me abaixei sobre a mesma e abri a torneira que correspondia a água quente. Enquanto ela enchia fui até a cuba da pia e abri as pequenas portas duplas da mesma. Havia ali algumas toalhas brancas dobradas umas sobre as outras, e alguns produtos de higiene pessoal, tais como sais de banho, creme dental e algumas velas. Peguei uma toalha e os sais de banho, deixei a toalha dentro do cesto, despejei um pouco de sais de banho na água da banheira e comecei a me despir. Olhei para o meu colo, e vi aquela marca cravada em minha pele, ela possuía duas asas, em seu centro uma pequena cruz e abaixo dessa cruz três riscos. Aquela marca era a prova do lugar ao qual eu pertenço, e lembrar disso me causava uma dor no peito.
Resolvi deixar isso de lado, então entrei na banheira. A água estava quente e inexplicavelmente boa, assim recostei minha cabeça na quina da banheira e fechei meus olhos.
Por mais que eu tentasse afastar, algumas memórias da minha infância vinham a minha mente, embora eu tenha esquecido a maior parte delas. Me lembro bem de como era viver na rua, da violência, do frio e duro chão no qual eu tive que dormir durante um bom tempo, até que por sorte ou azar aquele homem me achou, não só a mim mas outras crianças também.
Pousei levemente a mão sobre aquela marca, eu realmente tinha vontade de arrancá-la dali, só não o fazia pois por mais que eu negasse aquilo não marcava só a minha pele, mas todo o meu ser, e de nada adiantaria eu a remover somente da pele.

De repente, ouvi um estalo que parecia corresponder ao movimento da maçaneta da porta. Droga! Eu havia esquecido de trancá-la. Levei um susto, e rapidamente levei minha mão para pegar a toalha que estava no cesto, mas uma voz conhecida ecoou pelo banheiro.
— Tsc... Quanta demora, Marshmallow! – disse abrindo a porta.
Ao ouvir a voz de Ayato dei um salto, e agarrei a toalha para sair dali.
— J-já estou saindo... – disse tentando evitar que ele entrasse e ficasse ali por muito tempo.
— Eu trouxe algo pra você vestir. – Continuou ele jogando uma blusa social branca na pia e caminhando em minha direção.
Realmente eu não havia pensado nisso, eu estava usando as roupas da Yui, mas agora que ela havia voltado para o quarto, eu não tinha o que vestir.
Ayato vinha caminhando em minha direção e se despindo, então imediatamente aproximei meus joelhos do tórax, os abracei e fechei meus olhos. Eu podia ouvir seus passos, e quanto mais ele se aproximava mais nervosa eu ficava. Meu coração batia rápido, e meu rosto estava realmente quente, aquilo estava me deixando corada, pois a qualquer deslize meu ele me veria nua. Ele certamente queria uma revanche naquele jogo.
Seus passos pararam perto de mim, e durante alguns segundos eu não ouvia mais nada, até que ouvi o barulho de água, e senti a água da banheira mexer. Me encolhi ainda mais. Maldito Ayato, ele estava dentro da banheira! Eu me recusava a abrir os olhos, aquilo não podia estar acontecendo.

Senti ele tocar meu joelho, e em reação a isso abri meus olhos. Ele estava me fitando de uma maneira extremamente desagradável. Em seus olhos pairavam um misto de diversão e excitação. Ele começou a rir.
— Não vai vir pra cima de mim? – disse piscando o olho direito.
Eu estava sem reação, aquilo tudo havia me pegado completamente desprevenida, pois enquanto as fragmentadas lembranças invadiam minha mente, a mente de Ayato pensava em invadir meu banho. A cada palavra que saía da boca dele, mais meu coração acelerava, e mais calor eu sentia, assim tudo isso me fazia querer sair dali. Porém eu deveria esperar ele sair, pois eu estava nua.
— Bom... – fez uma pausa. – já que você não toma a iniciativa... – disse pousando sua mão sobre meu joelho esquerdo, e o deslizando para baixo.
Droga! Eu estava completamente imóvel, e ele havia aberto minha humilde proteção com tanta facilidade. Ayato estava realmente se aproveitando da minha situação de vulnerabilidade. Com a queda da minha “muralha”, ele se levantou um pouco e começou a aproximar seu corpo do meu.
— E-e-espera... Ayato – murmurei quase sem voz.
Nem minha voz estava saindo direito, e vê-lo vir em minha direção fez meu coração saltar novamente e de rápido passou a frenético.
Sua mão alcançou meu pescoço e assim ele me puxou na direção de si, me beijando em seguida. Seu beijo era intenso e completamente envolvente, sua língua invadia minha boca, me convidando a acompanhar seu ritmo. Quase que instintivamente comecei a acompanha-lo, aquele beijo estava mais lascivo do que jamais esteve antes.
Senti a mão de Ayato acariciar meus cabelos, e por fim afastou-os do meu ombro. De repente ele parou de me beijar, olhou nos meus olhos durante um tempo, até que ele pegou minha mão e a pousou em seu rosto. Sem pensar muito eu o acariciei, ele virou um pouco seu rosto, de maneira que sua boca ficasse perto da lateral da minha mão. Lentamente ele foi abrindo seus lábios, até que pude ver suas presas. Eu sabia o que ia acontecer, mas eu não consegui reagir, então simplesmente permiti que ele se alimentasse, afinal independente de como, todos os seres precisavam se alimentar, e os Sakamaki se alimentavam de sangue.

Ayato voltou seu olhar para mim, e após isso, pude sentir suas presas perfurar minha carne. Uma dor forte começou a substituir os calafrios e choques que percorriam meu corpo. Senti meu sangue ser sugado vigorosamente, e Ayato ainda olhava para mim. Seus olhos verde-esmeralda pareciam inebriados pelo sabor do liquido carmesim que era sugado com tanto vigor. Após um tempo, senti suas presas descravarem da minha carne, então ele começou a se aproximar ainda mais de mim, nossos corpos estavam a poucos centímetros um do outro. Tal aproximação me deixava confusa, eu não conseguia pensar direito.
— P-pare, Ayato... – murmurei baixo.
Pude sentir sua perna encostar na minha, e tal contato me fez estremecer. Ele aproximou novamente seu rosto do meu e pousou sua cabeça no meu ombro. Seus lábios se voltaram para o meu pescoço, e eu podia sentir a respiração dele, que estava levemente acelerada.
— Quer que eu pare?! – murmurou ele lentamente.
Enquanto ele falava eu podia sentir seus lábios se atritarem com minha pele, e ao sentir tal estímulo, um calafrio percorreu meu corpo. Eu sabia o que responder, mas duvidava que minha voz sairia, e mesmo assim resolvi arriscar.
— S-sim... – respondi com a voz fraca e tremula.
— Então repita comigo... – fez uma pausa. – “Eu sou sua, Ayato!” – disse ele ao pé do meu ouvido.
Minha mente e meus sentidos estavam todos confusos, eram tantos pensamentos e tantos estímulos. Embora confusa resolvi seguir o que ele dissera, pois eu não iria conseguir pensar em nada naquele estado. Ele retirou sua cabeça do meu ombro, e tornou a olhar-me nos olhos a espera do que eu tinha para dizer.
Inspirei na tentativa de recuperar minha voz, e ser um pouco firme no que eu iria falar, pois se eu gaguejasse ele iria pedir pra eu repetir.
— Eu sou sua, Ayato! – disse desviando o olhar e abaixando levemente a cabeça.
Dizer aquilo me deixava com vergonha, e fazia meu coração saltar.
— Tsc... Repita olhando nos meus olhos! – disse ele com um tom imperativo.
Eu não ia conseguir falar olhando para ele. Só de encará-lo eu já ficava ruborizada, quem dirá falar isso.
Sem esperar muito, ele agarrou meu maxilar e aproximou ainda mais meu rosto do dele, de maneira que eu não pudesse desviar meu olhar e nem virar meu rosto.
— Diga novamente... – murmurou ele me encarando.
Droga! Aquele olhar me fitando me deixava nervosa, e me causava alguns calafrios. Mas resolvi encarar a situação e dizer logo o que ele queria.
— E-eu sou sua, Ayato! – disse gaguejando um pouco e olhando nos olhos dele.
Quanto eu disse isso, ele abriu um sorriso e se afastou de mim, recostando-se na banheira. Em seu olhar pairava um misto de orgulho e satisfação.
Ele parecia extremamente satisfeito com isso, pois esse jogo ele havia vencido, e eu tinha a ligeira impressão de que ele havia me deixado ganhar o anterior.

Voltei a me encolher toda, afinal eu precisava me proteger. Isso não significava muita coisa, pois Ayato era realmente sexy e irritantemente bom em tudo o que fazia, mas não custava tentar.
Continuei olhando para ele um pouco atônita, pois ele realmente tinha feito o que dissera.
Ayato molhou sua mão na água da banheira e passou em seus cabelos ruivos. Maldito, ele era realmente lindo, eu odiava ter que assumir isso!
— Algum problema? – disse ele ao notar que eu o encarava muito.
Em reação ao ser pega admirando-o, eu abaixei a cabeça, e senti meu rosto corar ainda mais.
— Essa marca tem algum significado? – indagou Ayato encarando a marca em meu colo.
— E-ela representa, em partes, a minha origem... – respondi com certo receio passando meus dedos sobre ela.
— Eu tinha a notado antes, mas não tive interesse em perguntar sobre... – disse ele ainda olhando a mesma.
— Entendo... – disse assentindo com a cabeça.
— Antes que eu esqueça, já que amanhã é sábado, iremos ao shopping comprar roupas pra você... – disse Ayato olhando para a camisa social que ele havia jogado sobre a pia. – Você não pode continuar usando as roupas da Yui. – seu tom havia mudado e agora parecia possuir um pouco de raiva.

E novamente o assunto Yui deixava Ayato aborrecido, e isso dava ainda mais pontos para a minha teoria do Leão Ferido. Ela parecia ter o ferido de alguma forma, ninguém trataria o outro com hostilidade em vão. Mais uma vez, imaginar algo entre Yui e Ayato me causava uma sensação estranha, nem um pouco agradável, o que significava isso?
Movida por tal curiosidade resolvi perguntar sobre os dois.
— A-ayato... – fiz uma pausa. – o que houve entre você e a Yui? – indaguei por fim olhando para ele a fim de analisar todas as suas expressões.
Ele arregalou levemente os olhos e me fitou durante um tempo, parecia que eu havia o surpreendido com tal pergunta.
— Tsc... porque essa pergunta logo agora? – indagou ele irritado cruzando os braços.
Se não me engano, Yui havia fugido da mansão, será que Ayato se sentia mal por ela ter o abandonado? Essa pergunta ficava agitando meu interior, e ao mesmo tempo me machucando por dentro, só não entendi muito bem o porquê de eu me sentir ferida, eu nunca havia me sentido assim antes.
— V-você gosta ou gostava da Yui, e se sentiu traído por ela ter fugido? – indaguei meio sem pensar, e em reação a isso tapei minha boca.
Eu não era pra ter perguntado aquilo!
Mas já que eu tinha feito a pergunta, nada melhor do que esperar a resposta. E durante o tempo em que eu aguardava pela resposta dele, uma aflição me consumia, Ayato estava demorando demais para responder. Eu, realmente, queria obter a resposta para aquela pergunta?
Não! Eu definitivamente não queria... eu estava com medo do que ele iria dizer. Assim, estiquei minha mão em direção ao cesto de palha que abrigava minha toalha, agarrei a mesma e a trouxe para perto de mim. Eu realmente tinha que sair dali antes de ele responder aquela minha pergunta idiota, eu me recusava a ouvir a resposta. Me levantei rapidamente, sem me preocupar com o que ele veria, me enrolei na toalha, saí da banheira, e comecei a caminhar rapidamente segurando a toalha com minha mão esquerda. Antes de sair peguei a camisa social que estava sobre a pia, saindo assim ,imediatamente, do banheiro e fechando a porta.

Eu havia voltado para o quarto, que naquele momento se encontrava escuro, era difícil enxergar ali, eu só conseguia ver as sombras dos móveis espalhados pelo quarto. Assim, com o intuito de iluminar um pouco o ambiente, optei por acender as luzes dos abajures, que se encontravam sobre os criados mudos.
Caminhei na direção do criado à direita, ao chegar próximo a ele, me abaixei um pouco e puxei a cordinha para acendê-lo, após isso rolei sobre a cama, parando próxima ao abajur da esquerda, o acendendo logo em seguida. O quarto se encontrava pouco iluminado, mas já era o suficiente para eu me secar e me vestir.
E assim o fiz, sequei meu corpo por completo e vesti a camisa que Ayato havia me dado. Eu sentia certo desconforto, pois eu estava trajada somente com aquela camisa, nada mais. O cheiro dele estava impregnado naquela peça, o que me fazia sentir certo pesar, pois sentir o seu aroma me fazia lembrar daquela maldita pergunta. Tentei afastar aquilo dos meus pensamentos, pois junto com eles brotava uma peculiar dor no peito.
Dobrei a toalha úmida, na qual eu havia acabado de me secar, a coloquei sobre o encosto de uma das poltronas que cercavam a lareira, e me deitei sobre a outra. Eu realmente precisava de um bom sono, depois de todos aqueles momentos, o cansaço finalmente tomava conta de mim.
Aos poucos, o sono começou a enfraquecer meus sentidos, até que adormeci por completo.

Fui acordada pela sensação de frio, eu ainda me encontrava um pouco sonolenta. Eu sentia algo frio em contato com minha pele, e em reação a essa sensação abri meus olhos, eu me vi sendo carregada por Ayato, ele parecia estar me levando para a cama.
Rapidamente, espantei o restante do sono, que me deixava em estado letárgico.
— Porque me tirou da poltrona? – indaguei um pouco revoltada.
Meu sono estava tão bom, e além disso eu não iria dormir na mesma cama que ele.
Ayato não me respondeu, e quando chegou perto da cama, me jogou na mesma e se posicionou sobre mim.
Aquilo tinha me pegado de surpresa, eu realmente não esperava que ele continuasse com as investidas depois de ele não ter respondido minha pergunta. Se bem que, eu é que havia saído de lá antes que ele se manifestasse, pois eu estava com medo da resposta.
— N-não, Ayato...por favor! – supliquei com a voz tremula.
— Você disse que era minha, não disse? – perguntou ele, mas essa pergunta era completamente retórica.
— Você me obrigou a falar! – retruquei.
— Tsc... eu não te obriguei, você falou porque quis... – disse ele agarrando meus braços e os posicionando acima de minha cabeça.
— Nada disso! Se eu não falasse você não iria parar! – exclamei um pouco apreensiva com a situação.
Ele realmente sabia como deixar os fatos a favor dele, ele jogava realmente muito bem.
Aquela situação não era nada boa, eu estava somente com aquela camisa branca social, e nada mais, nenhuma peça intima. Ao lembrar disso meu coração disparou, e eu comecei a suar frio, pois ele realmente se aproveitaria dessa vantagem.
— Shhh... – fez uma pausa. – Eu já disse que todas as suas primeiras experiências seria comigo, não disse?! – continuou com uma pergunta retórica.

Ayato colou seu corpo no meu, prendeu meus braços com uma só mão e começou a desabotoar os primeiros botões da minha camisa. Ele aproximou seu rosto da minha clavícula, e começou a beijar meu colo, em reação aos seus beijos soltei um abafado gemido. Era realmente difícil de resistir a ele, seus beijos me causavam um misto de calafrios e choques, e isso me deixava com extrema vergonha, em reação a isso virei meu rosto e fechei meus olhos. Meu coração batia acelerado e minha respiração começava a ficar levemente ofegante.
— P-para, Ayato... p-por favor! – supliquei novamente, gaguejando.
Eu só queria descansar um pouco, mas com ele ali seria impossível.
— Ora, ora... – disse uma voz masculina grave.
O som grave daquela voz havia ecoado por todo o quarto, foi tão repentino que me fez saltar e abrir rapidamente os olhos. Quem seria? Aquela voz me era familiar, mas não era de nenhum dosSakamaki.
— Mostre-se! – gritou Ayato irritado.
Ayato também parecia extremamente surpreso, e principalmente irritado pois estravam atrapalhando seu momento de diversão.

Entre a meia luz do ambiente surgiu uma silhueta masculina, de chapéu, calça e sobretudo pretos. Aquela silhueta me fez estremecer, eu fiquei completamente em pânico e paralisada. Como ele havia chegado até aqui? O que ele queria? E quem era ele?
Eram tantas perguntas que eclodiam em minha mente, e essas perguntas me deixavam ainda mais desesperada.
Ele começou a caminhar calmamente em direção a cama, onde estávamos eu e Ayato, até que o homem parou na lateral da cama.
— Eu não sei quem é você, mas sugiro que saia, imediatamente, ou vai se arrepender! – disse Ayato rangendo os dentes.
O homem começou a gargalhar após ouvir a ameaça, ele parecia estar debochando de Ayato. Embora ele estivesse perto da luz, a sombra que o chapéu fazia impossibilitava que eu visse seus olhos e feições, e aquilo me causava ainda mais pânico.
Em um movimento extremamente rápido, o homem desferiu um chute na costela de Ayato, o arremessando longe, ele bateu contra a parede e soltou um urro de dor.
— Ayato! – gritei me levantando, de forma que eu ficasse sentada na cama.
— Finalmente te encontrei, querida... – disse o homem subindo na cama e vindo para cima de mim.
Eu não sabia o que fazer, eu fiquei somente olhando atônita para ele vindo em minha direção. Então ele me empurrou, de forma que eu voltasse a ficar deitada. Correntes surgiram dele, prendendo meus braços acima da minha cabeça. Lentamente ele foi aproximando seu rosto, do meu, mas ele parou antes que eu pudesse ver suas feições.
— Me sinto triste em ver você assim.... – fez uma pausa parecendo me olhar de cima a baixo. – Tão humana, tão passiva... – continuou ele balançando a cabeça em sentido de negação. – Será que nesse estado posso possuir você, como eu sempre quis? – indagou ele acariciando meus seios sobre a camisa, e lambendo os lábios.
Sentir aquele toque fez meu estomago revirar, em meus olhos começaram a brotar lágrimas de desespero, eu não queria aquilo, eu não conhecia ele, então porque sua voz me parecia familiar e ele me chamava de forma tão íntima, parecendo me conhecer.
O homem começou a desabotoar os botões restantes de minha camisa, mas antes que ele terminasse, ouvi Ayato gemendo de dor e olhei na direção onde ele havia caído.
Ele estava se levantando com certa dificuldade, e sua boca estava um pouco suja de sangue, seu próprio sangue.
— Saia de cima dela! Ela é minha! – gritou ele enfurecido.
Tanto o golpe quanto o fato de o homem ter me tocado, pareciam tê-lo deixado furioso.
— Não, Ayato! Não se meta nisso! – gritei tentando alertá-lo.
Eu não queria que ele se machucasse, me doía vê-lo ferido, mas Ayato não me ouviu e empurrou o homem pra longe de mim, e quando ele fez isso, senti meus braços livres, então imediatamente o abracei. Passei seu braço direito sobre meu ombro na tentativa de apoia-lo em mim para sairmos rapidamente dali, mas em um piscar de olhos o homem já estava de pé diante de nós.
— Não sabia que você tinha dono, meu amor... – disse ele parecendo olhar para Ayato. – mas posso dar um jeito nisso, afinal todos cedo ou tarde morrem, não é mesmo?! – concluiu ele abrindo um sorriso doentio.
Ouvir aquelas palavras me fizeram estremecer, um pânico inexplicável tomava conta de mim, eu tinha que tirar Ayato dali, pois aquele homem estava ameaçando matá-lo e eu não duvidava, ele era extremamente forte e rápido, bem mais que todos os Sakamaki juntos.
Na tentativa de defender Ayato, me coloquei entre ele e o homem, pois para chegar até Ayato ele deveria passar por mim.
— Hum... que interessante... – murmurou o homem. – é a primeira vez que te vejo proteger alguém. – disse ele parecendo voltar seu olhar para mim. – pelo visto atingir ele vai ser mais efetivo! – continuou dessa vez olhando para Ayato. – Vamos, querida, desperte o seu verdadeiro eu! – gritou ele por fim, rindo histericamente.

Notas finais
Bem... Como eu disse nas notas iniciais esse cap seria gigante, mas resolvi dividir...Então no domingo sem falta eu posto o próximo capítulo. Espero que a música tenha dado um clima nas cenas *-------* Então, o que acharam do novo personagem? ;D Deixem suas opiniões no comentário, gostaria de saber o que estão achando da história e claro do novo personagem :3 Enfim, Espero que tenham gostado, e mais uma vez muito obrigada pelos comentários, pelos favoritados e por acompanharem a fic! Até domingo... Beijoos!