A Dama Branca

28 Confronto


Notas iniciais
Oláaaa meus queridos! Muitos podem ter pensado que morri, mas não morri não, viu?! Estou vivinha da silva, apesar de intelectualmente quase morta xD Digo isso devido a estafa mental em que me encontro, em virtude da correria do dia a dia. E a universidade se encontra da mesma forma, corrida como sempre, o que dificulta um pouco eu ter tempo pra lazer, ou mesmo escrever. Esse capítulo por exemplo se encontrava escrito desde Julho, como tive poucas férias e logo em seguida iniciaram-se novamente as aulas não consegui postar, e após isso tive alguns problemas(final do ano) e acabei viajando o que culminou em não postar o capítulo. Peço miiiiil desculpas pela demora, espero que isso não os desmotive a ler. Já a respeito do capítulo, está um bocadinho sangrento, visto que ele envolve a Segunda Personalidade de Shiro, e bem... ela é um cruel :3 E bem pra dar aquele climinha, aconselho que leiam ouvindo essa música(que amo d+): https://www.youtube.com/watch?v=uGIu6-WtwEs No mais é isso, espero que gostem... E boa leitura a todos

Aquela rua deserta aparentava estar um pouco mais afastada da região central da cidade, localizada entre a periferia e a porção central, sendo a última mais nobre. Aquela rua era larga, de mão dupla, e possuía em suas margens diversas casas e edifícios dos diversos tipos e tamanhos. Os postes se encontravam por toda a sua extensão, cuja fonte de iluminação dispunha de uma luz amarelada. A neve branca despencava do céu em curtos intervalos, sendo impulsionadas e conduzidas pelo vento que soprava com vigor. Quando aqueles pequenos flocos brancos tocavam superfícies, eles se fixavam a ela, tingindo a mesma de branco. Desta forma, tanto aquela larga rua, quanto os postes de iluminação pública iam, aos poucos, sendo cobertos por uma sutil camada de neve.
Apesar de se tratar de uma rua próxima à periferia, a mesma era bem estruturada, e em determinados pontos, entre uma casa e outra, haviam alguns becos. Os mesmos eram escuros pois a iluminação amarelada dos postes não alcançavam aqueles locais, impossibilitando assim, que a luz afastasse a escuridão.
As residências e prédios daquela região se encontravam com todas as suas luzes apagadas. Provavelmente, as pessoas que as habitavam se encontravam no aconchego e calor de suas camas, protegidas do abraço leve e gélido da noite e do inverno.

Era possível ver no centro daquela rua uma jovem de longos cabelos brancos que caminhava calmamente pela rua, podia-se ouvir o sutil ecoar de seus passos calmos e cautelosos, como se ela buscasse aproveitar cada segundo caminhando livremente sem nenhum impedimento. Seus longos cabelos balançavam conforme o vento lufava, e seu vestido branco se encontrava encardido, sujo de manchas de sangue em diversos pontos e rasgado em outros. Essas manchas possuíam a coloração negra, pois o sangue já havia coagulado, e além disso, a fraca luminosidade amarelada dos postes favoreciam a visualização dessa cor. Os pés da garota se impactavam nus contra o frio asfalto negro, que aos poucos ia sendo tingindo de branco.

Em determinado momento os passos da jovem deixaram de ser os únicos a ecoarem pela rua deserta. Independentemente de ter ouvido passos, a jovem continuou, calmamente, o seu caminhar, afinal, não existia ninguém que representasse ameaça maior do que ela. Cabisbaixa, a mesma seguiu seu trajeto com somente um objetivo, o de aproveitar sua liberdade, pois ela tinha que o fazer antes de voltar a dormir novamente. Os passos que surgiram no ambiente começaram a se acelerar, possibilitando dessa forma, ouvi-los se impactando fortemente contra o asfalto gélido. Através desse som, podia-se contar por volta de seis pessoas, até que uma voz rompeu o ecoar daqueles ruídos repetitivos.
— Ora, ora... vejam só o que temos aqui... – pronunciou uma voz masculina grave, seguida por uma pequena risadinha.
Logo em seguida podia se ouvir algumas risadas ardilosas reverberar pela rua, essas risadas pertenciam as outras cinco pessoas que ali se encontravam, e em virtude do timbre das mesmas, era possível notar que tratavam-se somente de homens, mais precisamente rapazes. Porém ao notar que a garota de longos cabelos brancos não deu a mínima para as risadas ou para o que ele falava, a voz novamente invadiu o ambiente.
— Onde pensa que vai?! – indagou a voz. – Podemos nos divertir aqui... O que acha? – continuou a voz.

Ao ouvir isso a jovem, que até então prosseguia seu trajeto, resolveu voltar-se para a origem daquela voz. Desta forma a albina parou seu caminhar, e em seguida olhou para o local de proveniência da voz, a fim de identificar o seu dono. Ao erguer sua cabeça, ela imediatamente focou seu olhar diretamente na pessoa que se dirigia a ela. A jovem já tinha conhecimento de onde os outros estavam, era como se somente o som das risadas e dos passos fossem suficientes para ela identificar o local onde cada um deles se encontravam. Porém somente o que aparentava ser o líder do grupo despertara o seu interesse, interesse suficiente para fazê-la direcionar seu olhar para ele. Desta forma, ela tornou a fitar o prematuro homem que se encontrava caminhando em sua direção. Seus olhos vermelhos feito sangue não transmitiam sequer uma emoção, eles se encontravam completamente vazios, mas brilhavam vívidos e fitavam o homem que havia se dirigido a ela com uma pergunta, a qual ela não respondeu.
O rapaz ao qual havia adquirido a graça ou a maldição de ter sua atenção, era loiro e aparentava ser o líder daquele pequeno grupo. Ele era caucasiano, possuía olhos roxos e trajava uma calça jeans, uma jaqueta de couro preta e um coturno de mesma cor. Em sua cabeça se encontrava um gorro cinza, ao qual haviam alguns flocos de neve fixados, e em sua mão direita um taco de Baseball. O loiro batia o mesmo contra sua mão esquerda conforme caminhava em direção a Albina.

Aos poucos os rapazes iam se aproximando da jovem, e eles iam se agrupando e formando um círculo ao redor dela, de forma com que ao final de seu trajeto o Loiro ficasse frente a frente com a garota. Eles formavam em conjunto algo que funcionava como uma espécie de cordão de contenção, possivelmente para impossibilitar que a garota de longos cabelos brancos corresse para longe. Uma pessoa normal estaria trêmula, ofegante, com medo e adrenalina correndo em suas veias, porém aquela garota se encontrava estranhamente calma, e em momento algum ela pensara em fugir, pelo contrário, ela queria ficar e ver no que aquilo tudo ia acabar. Afinal, propuseram a ela diversão, apesar de não saberem o que era considerado ou não divertido para a mesma.
— Vejam só... ela está realmente disposta a brincar conosco. – disse uma voz.
— Não precisa ter medo, Docinho... prometemos tentar não te machucar. – proferiu outra voz distinta, com uma forte ênfase na palavra “tentar”.

Conforme os rapazes iam se aproximando eles iam dizendo diversas coisas, e sempre alternavam suas falas, e conforme eles o faziam, a jovem ia focando sua audição para identificá-los corretamente, porém nenhum deles era merecedor o suficiente para receberem o seu olhar. Ela era consciente de sua superioridade e por isso, apesar de invejar certas características humanas, a mesma se recusava a se dirigir a certas pessoas, com a exceção daqueles que despertaram sua atenção ou interesse.
A Albina mantinha seu olhar focado no rapaz Loiro, que conforme caminhava em sua direção começava a esboçar um pequeno sorriso malicioso, até que finalmente ele se encontrava frente a frente com a jovem, que o fitava inexpressivamente. Ao redor da garota, se encontravam os demais, nenhum deles dizia uma só palavra, alguns deles deixaram escapar, esporadicamente, alguns risos sutis e ardilosos.

Estando diante dela, o Loiro a encarou firmemente com seus olhos roxos. Nos olhos daquele rapaz pairava uma demonstração de força e poder, e que se usados contra muitas pessoas poderiam intimidá-los, mas a garota que se encontrava diante dele era diferente, ela não temia nada, nem ninguém.
— Pelo que vejo você realmente é corajosa. – disse o rapaz a olhando nos olhos. – Andando por aí sozinha, em uma cidade grande e perigosa, e vestindo somente esse vestido em uma noite fria como essa. – ele fez uma pausa. – E então... não está com frio, Docinho? – indagou o Loiro.
Alguns segundo se passaram e a jovem continuava somente a encará-lo, sem responder nenhuma de suas perguntas.
— Você por acaso fala? – perguntou ele.
Porém antes mesmo de esperar por uma resposta o rapaz continuou.
— Bem, não importa, será até melhor sem gritos. Mas gemer você pode a vontade. – disse o Loiro, piscando seu olho direito, esboçando um sorriso com o canto dos lábios e voltando seus olhos para o colo desnudo da jovem.
O colo da Albina se encontrava exposto devido a um leve decote em seu vestido encardido, deixando assim, à mostra as voluptuosidades de seus seios fartos.
O olhar do Loiro seguiu do colo e dos seios da Albina para o resto de seu corpo. Aquele rapaz analisava cada curva do corpo da mesma, e conforme o fazia seu olhar começava a queimar em luxúria, e como resposta a esse sentimento ele mordeu os lábios.
— Então vamos brincar! – exclamou ele batendo contra sua mão esquerda o bastão de Baseball.

Instantaneamente ao ouvir essa exclamação do rapaz, a jovem de longos cabelos brancos em um movimento extremamente rápido, abaixou sua cabeça e esboçou um sorriso doentio. Em seguida podia-se ver em câmera lenta, um fino filete horizontal de sangue surgir no pescoço do jovem. Desse filete de sangue começou a brotar mais e mais sangue, até que um curto e potente jato vermelho rubro surgiu daquele corte, sujando assim, o rosto e os cabelos da Albina que diante disso, ergueu sua cabeça. Por conseguinte a cabeça do rapaz foi deslizando lentamente para a direita até finalmente se desprender por completo do pescoço e pender em direção ao frio asfalto. Enquanto a cabeça do jovem caia lentamente, seu corpo começava a se curvar para o lado esquerdo, nesse exato momento, foi possível notar que sua cintura se encontrava deslocada. Até que, semelhante a cabeça do jovem, a parte torácica do mesmo começava a se deslocar, se desprender da cintura, indo por fim em direção ao chão. Sem algo que o ancorasse, a parte inferior restante do Loiro, desfaleceu no frio e duro asfalto.

Isso ocorreu extremamente rápido, e somente alguns segundos depois do corpo atingir o chão os rapazes, que se encontravam ao redor da jovem, notaram o que havia ocorrido. Quando notaram que seu companheiro havia tido sua cabeça e seu corpo brutalmente cortados, todos eles esboçaram em sua face medo. Nos olhos de todos aqueles jovens podia se ver o horror, espanto, terror, e tudo isso era expressado não só pelo olhar, mas também por seus corpos que tremulavam em pânico. Em virtude a esse sentimento que percorrera e os consumia por completo, todos eles, sem exceção, correram para longe da jovem em diferentes direções.

A jovem albina se sentiu um pouco desapontada ao notar que aqueles rapazes começaram a correr. Eles se mostraram e se portavam como seres superiores e haviam prometido a ela diversão, e quando a brincadeira começara eles já saíram correndo. A garota os via correndo em câmera lenta como se fossem pequenas tartarugas lentas em seu ato de marcha, e ao notar isso uma pequena decepção começou a invadir seu ser. Seres humanos eram realmente patéticos, pois se achavam superiores em todos os aspectos, se achavam os donos do mundo a ponto de tentar submeter tudo ao seu redor a sua vontade. Ninguém poderia contra a supremacia humana, porém diante de uma mísera ameaça, eles correm e se escondem, como aqueles seres que se encontravam diante dela. Onde estava a diversão que eles haviam a proposto? Tudo o que ela via eram seres fracos correndo contra o inevitável... e isso era frustrante, pois ela esperava mais de tudo aquilo. Em seu amago, ela sempre esperou por alguém que pudesse pôr fim ao seu sofrimento, mas tal ser aparentemente não existia. Afinal até ela, em sua onipotência, tentara diversas vezes, e falhara em todas elas, haviam a usurpado o direito de escolha.


— Onde vocês pensam que vão? – disse a jovem com um tom de voz frio, calmo e ameaçador.
Porém a única coisa que ela obteve como resposta foram gemidos de susto e gritos de desespero.
— Vocês haviam me proposto diversão, não é mesmo? – proferiu mais uma vez a jovem, parando, em um piscar de olhos, diante de um dos rapazes que corria sem direção.
Ao se deparar com aquele rapaz, seus sentidos aguçados permitiam a ela ouvir a respiração e os batimentos cardíacos extremamente acelerados do jovem.

Em função da cena horrenda que ele presenciara, corria em suas veias a adrenalina e o mecanismo de luta ou fuga havia sido ativado pelo seu instinto mais primitivo. O rapaz fitava, com os olhos arregalados, a jovem de cabelos brancos que se encontrava diante dele. Sua respiração quente e acelerada, ao entrar em contato com o frio ar do inverno, se condensava formando uma pequena e sutil fumaça. Ambos trocaram olhares durante poucos segundos, até que em um piscar de olhos ambos os braços do rapaz foram cortados, separando os mesmos de seu tórax. Um jato de sangue esguichou sujando seu peito, pescoço e parte do rosto, além disso, também sujara a Albina que o fitava com aqueles olhos vermelhos, que vibravam ao presenciar tal cena. O rapaz urrou de dor, começando a se encolher e inclinar-se em direção ao chão.
Porém enquanto ia de encontro ao asfalto, seu abdômen foi brutalmente cortado, tendo dessa forma todas a suas entranhas expostas. As tripas em conjunto com uma imensa quantidade de sangue desprenderam-se do enorme corte e penderam em direção ao solo. Por conseguinte o corpo dilacerado do rapaz foi de encontro ao chão, e ao se impactar contra o mesmo já não havia mais vida.

Durante milésimos de segundo ela fitara o corpo que jazia sem vida diante dela, chegava a ser patético... seres humanos são patéticos pensou ela. Houve um momento em que ela também era, mas determinado evento a mudou completamente, porém ela não se lembrava exatamente o que. Sua única recordação era de um frio profundo e algo vermelho, em seguida esse frio ia a consumindo até que tudo ficou negro. Após isso, ela acordou sem recordações de eventos anteriores a isso, mas com essa pequena lembrança cravada em si. E por conseguinte, diversos acontecimentos ocorreram, e desta forma tudo o que restava de humano nela fora cruelmente exterminado até que não restasse mais nada.

Ao relembrar disso, a jovem inspirou profundamente, e voltou seu olhar para o céu. Desta forma foi possível observar com mais clareza o rosto da jovem, que se encontrava inexpressivo e quase que completamente sujo de sangue. Seus olhos vermelhos vazios, pareciam olhar para o céu mas sem estar realmente focado nele. O vento que lufava acariciava sutilmente seus cabelos brancos, que se encontravam sujos de sangue em diversas partes. Após sua inspiração e ainda olhando para o céu, a jovem passou sua mão direita em seus cabelos, ajeitando-os de forma que sua franja fosse quase que completamente para trás, deixando seu rosto mais exposto.
— Que decepcionante! – sussurrou ela, observando os rapazes, que ao seu ver, se encontravam correndo em câmera lenta.

Todos eles já se encontravam a uma distância considerável da jovem, e mesmo assim eles não paravam e nem sequer olhavam pra trás. O sentimento de medo os induzia a fazer isso, afinal, o que eles não desejavam era morrer, ou ao menos não daquela forma.
— Estou realmente decepcionada. – disse a Albina enquanto observava os rapazes correndo para longe de si. – Confesso que realmente esperava um pouco de diversão, mas isso já está entediante então irei acabar com isso imediatamente.

No mesmo instante que ela disse isso podia se ver que todos os quatro rapazes restantes que corriam, e já se encontravam a uma certa distância, tiveram seus corpos trucidados quase que ao mesmo tempo. Um deles havia tido suas pernas cortadas e tórax fora completamente aberto de forma que podia se ver seus pulmões e coração, além de suas costelas, que se encontravam parcialmente para fora de seu corpo. Outro havia tido sua cabeça decepada em conjunto com todos os seus quatro membros. O terceiro havia tido seu corpo completamente dividido ao meio, e dessa forma todos as suas vísceras foram expostas e se encontravam espalhadas pelo chão. E por fim, o último rapaz havia tido o seu corpo completamente explodido de dentro pra fora. Haviam entranhas, partes de corpos e sangue por toda aquela rua. O cheiro forte de carne humana, sangue era extremamente forte, porém conforme o vento soprava esse cheiro ia ficando mais fraco, porém nunca se extinguia.
— Pensei que vocês me dariam um pouco de diversão... – disse a Albina, enquanto seu olhar percorria todos aqueles corpos. – mas não lutaram e nem duraram sequer alguns minutos. – ela fez uma pausa. – Isso foi realmente uma perda de tempo. – concluiu ela.

Imediatamente ao terminar sua frase ela ouviu, vindo de um beco próximo a ela, aplausos. A jovem voltou seu olhar para a origem dos mesmos, dessa forma ela notou que eles provinham de um beco escuro, e naquele beco era possível ver uma silhueta masculina que se encontrava em pé e de lado, com suas costas encostadas na parede direita do beco. Seu joelho direito se encontrava flexionado de forma que seu pé se apoiasse na mesma parede em que suas costas. Ele batia suas mãos uma contra a outra diversas vezes, e assim, aplausos podiam ser ouvidos. Era como se ele tivesse parabenizando-a pelo que ela acabara de fazer ou agradecendo pelo espetáculo que acabara de acontecer, no qual ele havia tido o prazer de presenciar. A albina o encarara de forma inexpressiva, e em seu interior ela não entendera o porquê daqueles aplausos.

O homem que se encontrava encoberto e oculto pela escuridão resolveu mostrar-se, desta forma, ainda batendo palmas ele deflexionou seu joelho pousando seu pé, que se encontrava a pouco apoiado contra a parede, no chão. Estando com seus dois pés apoiados contra a calçada, desencostou suas costas da parede, e voltou-se para a garota albina que se encontrava parada em meio ao sangue e a aqueles corpos trucidados. Conforme ele caminhava ele continuava a aplaudindo, e a medida que ele andava as luzes amareladas dos postes começavam a revelar suas características. O homem possuía um chapéu sobre sua cabeça, o que impossibilitava ver seus olhos, e seus cabelos. Ele trajava uma camisa social branca e por cima dela um colete e gravata pretos, uma calça e um sapato ambos sociais e negros, e por fim um sobretudo de lã preta bem trabalhada.

A Albina o analisava enquanto ele caminhava em direção a ela, porém ela não conseguia ter contato visual com o Homem, apesar de sentir que ele a fitava da mesma forma que ela o fazia.
— Não entendo o motivo dos aplausos. – disse a garota. – Aliás eu é quem deveria lhe aplaudir, pois você é a primeira pessoa que vejo que caminha em direção a morte, e não contra ela. – pronunciou ela por fim o encarando, com seus olhos vermelhos e vazios. – Se esse é seu maior desejo, irei providenciá-lo... – concluiu ela investindo em direção ao homem com uma velocidade inumana.
Era possível ver em câmera lenta a jovem ir de encontro ao rapaz, ela era extremamente ágil e seus pés nus impactavam-se sutilmente contra o chão, e quando o fazia ela dava ao seu corpo um impulso gigantesco, que a possibilitava se mover extremamente rápido. Porém o homem diante dela aparentava poder acompanhar seus movimentos, e parecia enxergar algo que ninguém mais via. E em virtude de ter essa visão de algo oculto para muitos, ele deu um alto e largo salto para o lado, e enquanto o fazia soltou um urro de dor. Era possível ver, enquanto ele realizava seu movimento, um jato de sangue provir do tórax do rapaz.

Assim, ele parou a alguns metros de distância da jovem, e era possível notar um enorme corte no que ia desde o ombro direito do rapaz até seu flanco esquerdo. Em virtude do corte o homem parecia a encarar assustado e pousava sua mão no centro do mesmo. Sua respiração se encontrava acelerada, sendo possível notar pela sublimação da mesma diante do frio ar do inverno. Daquela imensa ferida, notava-se muito sangue saindo, que ia manchando seu colete preto e sua camisa social branca, que após o golpe se encontravam rasgados. O colete se encontrava aberto, e a camisa branca com um talho na mesma região do corte, e a última ia se banhando de vermelho rapidamente.

A Albina havia investido justamente com a intenção de parti-lo ao meio, mas corte não havia sido mais profundo pois ele conseguira, apesar de com muita dificuldade, desviar daquele golpe que poderia ter o partido ao meio. E aquilo realmente a surpreendera, ela finalmente conseguira encontrar alguém com o qual ela poderia se divertir um pouco. Em virtude do seu achado ela esboçou um sorriso doentio, e o começou a encará-lo com uma intenção assassina indescritível. Ao notar aquilo o Homem soltou uma leve gargalhada, e esboçou um sorriso de satisfação. De alguma forma ele parecia satisfeito com tudo aquilo.
— É assim que você me recebe depois de tudo, meu amor?! – indagou o homem. — Não seja assim tão fria, querida... – continuou ele, esboçando um sorriso sutil com os lábios. – Não se lembra de mim?! – perguntou por fim.
Apesar de a única coisa que ela queria naquele momento era matá-lo. Ele era realmente digno de sua atenção, e o fato de ele ter conseguido, nem que por pouco, desviar de seu golpe, despertara nela certa curiosidade. Assim, a garota começou a analisá-lo mas nenhuma lembrança lhe vinha a mente, e aparentemente ela não o conhecia, pois ele não possuía nenhuma característica familiar a ela, exceto pelo cheiro, ele possuía um cheiro familiar. Aquele homem diante dela possuía um cheiro sútil de Crisântemo Branco, e ela conhecia aquele cheiro de algum lugar, não da flor em si, mas sim da associação do aroma com aquele homem. Mas além disso, ela não conseguia reconhecer nada, até porque os olhos e os cabelos daquele homem se encontravam ocultos por seu chapéu.
— Definitivamente não. – respondeu ela de forma curte e ríspida.

Diante daquela resposta, o sútil sorriso que pairava nos lábios daquele Homem desapareceu.
— Isso me deixa realmente triste. – disse ele balançando a cabeça em sentido de negação. – Mas está tudo bem, com o tempo você lembrará... — ele fez uma pausa apertando levemente o centro de sua ferida com a mão. – Até porque nos veremos novamente. – concluiu ele fazendo um sinal de continência, porém somente com o dedo indicador e o médio.
Após isso o homem, virou-se de costas para a jovem e voltou começou a caminhar para longe. Seu caminhar era lento possuía certa dificuldade em virtude do seu ferimento. A Albina sabia que se fosse do seu querer ela poderia aniquilá-lo com um piscar de olhos, porém ela não o faria naquele momento, afinal, ele dissera que eles se encontrariam em outro momento, e ela se encontrava curiosa a respeito disso. Assim, o homem andou até determinado ponto e após chegar ao horizonte da visão da jovem ele desapareceu da mesma forma que surgira, sem deixar rastos.

Estando naquele local, rodeada por sangue, entranhas, corpos e seus pedaços a jovem passou seu olhar por todos aqueles seres que a pouco eram humanos, mas que agora não passavam de partes irreconhecíveis de algo. Ela realmente não sentia nada ao olhar para os mesmos, até por que ela fizera um favor de eliminá-los da face da terra. Assim, com a finalidade de aproveitar sua liberdade a jovem continuou a caminhar pela rua deserta. Suas roupas e boa parte do seu corpo se encontravam banhados em sangue, e ela havia que confessar ela gostava de tudo aquilo, não só do vermelho do sangue, mas da sensação de que nada nem ninguém poderia contra ela. E com essa sensação ela andou por volta de três horas sem parar, até que em meio ao seu caminhar ela sentiu uma tontura forte e desmaiou em meio a uma rua deserta.

Seu corpo desacordado era iluminado pelas luzes amareladas do poste, e conforme o tempo passava a neve branca ia se acumulando sobre ela. Até que em meio ao silêncio daquela rua, começou a se ouvir passos, que se impactavam firmemente contra o asfalto. Podia-se ver caminhando em direção a jovem, um homem de chapéu, sobretudo, calça social e sapatos pretos. Aquele homem se tratava nada mais nada menos, do que o Homem que há pouco havia sido golpeado pela jovem, porém aquela ferida não se encontrava mais ali.

Assim, o homem caminhou até o corpo desacordado da garota, ele agauchou-se ao lado dela, e a fitou durante alguns segundos. O rosto dela estava sujo de sangue em boa parte, porém ela esboçava uma expressão de serenidade, seus olhos se encontravam fechados e sua franja, banhada em vermelho, sutilmente colocada para trás. Ele acariciou o rosto dela com as costas de sua mão direita, em seguida se ajoelhou, a pegou no colo, se pôs de pé, voltando, por fim, a caminhar na mesma direção de onde viera.

Notas finais
Bem, é isso... Espero que tenham gostado, e esse capítulo serve pra ter um pouquiiinho de ideia do que a "segunda" Shiro é capaz de fazer. E como de costume, irei deixar pra vocês algumas imagens de coisas que apareceram no capítulo, para auxiliar na imaginação, ou mesmo pra quem desconhece do que se trata. Regiões do Abdome(foco no flanco esquerdo): http://dicionariosaude.com/wp-content/uploads/2013/06/dor-abdominal2.jpg Crisântemo Branco: https://previews.123rf.com/images/ivoraobrazy/ivoraobrazy1411/ivoraobrazy141100016/33527974-White-chrysanthemum-Floral-decoration-Autumn-flower--Stock-Photo.jpg Sinal de Continência feito pelo Homem: http://static6.depositphotos.com/1003410/608/i/950/depositphotos_6084856-stock-photo-portrait-of-beautiful-saluting-woman.jpg Novamente, peço desculpas pelo atraso, mas agradeço ao feriado que possibilitou que eu postasse o capítulo xD Além disso, gostaria de agradecer a todos vocês, não só os que me acompanham desde sempre, mas aos novos leitores, que apesar de a fic ter estado um bom tempo sem atualizações, colocaram fé que eu realmente iria voltar a postar. Obrigada de verdade, do fundo do coração! Obrigada pelos favoritados e pelos comentários, obrigada meesmo! Isso é o que realmente me motiva a continuar escrevendo apesar da correria do dia a dia. Enfim, é isso... Até a próxima meus amores! ♥ Beiiiijoooss :*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.