A Décima Terceira Esposa
6 O Homem da Máscara de Ferro
Notas iniciais
Gaara veio até mim acompanhado de um homem, pelo menos eu acredito que seja um homem por causa do seu porte e da sua altura, usando uma túnica azul marinho com a barra negra que, de tão longa, arrastava no chão. Sua cabeça estava coberta pelo capuz da túnica e seu rosto estava escondido por uma sólida máscara de ferro, que amplificava a sua respiração forte. Não havia detalhes significativos na máscara, algo que o denunciasse, apenas o espaço para os olhos e uma espécie de ventanas laterias que provavelmente lhe serviam como entrada de ar.
Eu não conseguia ver seus olhos, apenas um brilho profundo e assassino, mas eu tinha a sensação que eu seria tragado pela escuridão daquele olhar, se eu muito o encarasse. Baixei discretamente meu olhar, numa reverência honrosa, e fitei suas mãos. Estavam cobertas por luvas de um tecido grosso e haviam pontas em cada dedo, imitando as garras de algum animal. Engoli em seco e comecei a tremer, de puro medo.
—Cumprimente Lord Drargul de Saxian, meu antigo inimigo, mas que brevemente se tornará meu aliado. — fiz outra reverência honrosa.
—Isso há de se ver, Lord Gaara. — pronunciou o homem com sua voz metalizada, eu não sei se por causa da máscara ou se sua voz era assim mesmo. Mas ela me fez estremecer, então mantive-me quieto, encolhido, tentando não esboçar nada.
Gaara veio até mim e me segurou pelo queixo, me obrigando a olhar para aquele ser que me parecia um gigante imponente.
—Não é lindo? — indagou, sorrindo, para então me soltar e estalar os dedos. — Vou lhe mostrar como o meu bichinho é encantador, Lord Drargul.
Os guardas me arrastaram para fora do salão de festa, fui empurrado para uma espécie de pátio e ali fiquei, sentindo-me ainda mais exposto. Principalmente por saber que o Homem da Máscara de Ferro não parava de me encarar, caminhando com as mãos cruzadas atrás do corpo, aproximando-se lentamente de mim. Gaara estava extasiado, como se ele pessoalmente tivesse lutado uma guerra e vencido, só para me ter.
—Ele possui marcas. — disse a voz ecoada e grave por trás da máscara.
—Apenas ignore. — Gaara se aproximou e fez um gesto para que o homem saísse do caminho do sol e me deixasse brilhar. — Naruto é um bichinho muito arisco, mereceu várias dessas marcas. — o ruivo me olhou de forma severa e eu baixei a cabeça.
Não tenho medo de enfrentar Gaara e por isso recebi muitas “marcas”, como ele gosta de falar, mas esse homem, esse tal de Lord Drargul, eu não consigo parar de tremer ante sua presença imponente.
—Ele lhe pertence? — de novo falou aquela voz que me fez arrepiar.
—De certa forma. Eu o comprei num mercado de escravos há dois anos, mas ainda não oficializei nada. Nem precisa. — Gaara riu — Quem ousaria me roubar? Sou poderoso e muito temido, não tenho porque me preocupar.
O homem assentiu e eu fui novamente levado para o meu pedestal.
—O que pensa sobre nossa trégua, Lord Drargul? — ouvi-os conversar.
—Cumpras a parte que lhe cabe, tal e qual, e talvez eu possa lhe oferecer algum apoio. — eles caminhavam para dentro do palácio e eu ficara abandonado ali, abaixo do sol a pino, até quando viessem me buscar.
Eu vi a enorme estampa nas costas da túnica de Lord Drargul. Era como um animal, algo parecido com um grande felino, porém feito de forma tribal e com olhos brilhantes de ouro, surgindo da barra da túnica e saltando na direção dos ombros, exibindo suas garras e suas presas ferozes, numa postura de ataque. Era a primeira vez que eu via aquele tipo de vestes, que davam ares tão ferozes para alguém.
Então esse homem é um inimigo de Lord Gaara? Se alguém como Gaara, que é conhecido por seu grande exército, sente-se assustado na presença desse homem que esconde seu rosto atrás de tão feroz máscara, então é compreensível porque eu me sinto tão diminuído ante seu corpo. Se Lord Gaara o teme, eu devo simplesmente encolher-me e obedecê-lo.
Fitei algumas pessoas caminhando de forma séria pelo salão, às vezes eles dedicavam brevemente seu olhar para mim, outras vezes andavam ao lado de Lord Drargul. As pessoas, usando túnicas marfins e máscaras coloridas que imitavam animais, carregavam em suas costas espadas. Pareciam ser os servos de Lord Drargul, dada a semelhança de vestes.
Finalmente os guardas de Gaara levaram-me para dentro, por ordem do meu senhor. Durante toda a festa, de vez em quanto meus olhos se encontravam com aquele homem assustador. Ele parecia me analisar, me avaliar, como se buscasse algo em mim. Outras vezes quem passava por mim eram as tais pessoas de túnica, que pareciam me vigiar. Eu não sabia o que estava para acontecer, mas meus instintos me diziam para estar preparado.
O dia passou, a tarde correu ainda em festividades e a noite caiu. Eu fora posto em minha jaula, ainda só com o manto branco em minha cintura, mas sem as joias. Lord Gaara fizera questão de pessoalmente me enclausurar, e ao seu lado estava Lord Drargul.
—É aqui que guardo meu bichinho. — falou com deboche — Se for da sua vontade, eu posso lhe permitir passar uma noite com ele. O que me diz, Lord Drargul?
A máscara de ferro brilhava sob a luz das tochas do corredor. Eu não conseguia desviar meu olhar das fendas que exibiam o brilho de seus olhos. Eu engoli em seco e fiquei pensando que tipo de atrocidades aquele homem poderia fazer comigo. Eu suava só de pensar.
—Não tenho motivos para deitar-me com teus escravos. — rebateu de forma fria e direta, o que me causou certo alívio. Soltei o ar devagar e o reverenciei mais uma vez, quando eles saíram, conversando sobre possíveis e futuras alianças.
Novamente sozinho, com meus pensamentos. Eu sequer sentia as horas passarem, contemplando a minha solidão, hábito que se tornou corriqueiro para mim. Eu observava a luz da lua, as estrelas brilhavam e a noite parecia ser linda, mesmo sendo vista de uma janela tão pequena como a de minha cela.
Distraído assim, eu fui pego de surpresa pelo barulho de barras de ferro caindo. Fitei apressadamente a entrada de minha jaula. A porta gradeada estava no chão, praticamente arrancada fora de suas dobradiças.
Bem ali estava Lord Drargul, com sua túnica azul aberta, exibindo, por dentro, vestes negras que lhe cobriam todo o corpo e sua máscara de ferro assustadora. Parecia ser um camisão, que ia até a altura dos joelhos, com gola alta e calças, porém sem sapatos ou sandálias nos pés. Ele deu alguns passos largos e quando entendi a situação, eu já estava em seus braços, livre dos grilhões que me prendiam a parede da cela. Será que ele veio tomar-me a força? Pedi a todos os deuses que eu estivesse enganado em meus pensamentos.
—Drargul-sama… — sussurrei, muito preocupado, encolhendo-me mais em seus braços, numa tentativa vã de fugir do que quer que ele fosse fazer. — O que está fazendo…? Gaara-sama vai saber se algo for...
Ele virou levemente o rosto para mim, colocou-me delicadamente no chão e fez um gesto para que eu silenciasse. Apertei meus lábios e nada mais disse, apenas foquei seus movimentos. Seguimos por um corredor, até sairmos do calabouço. Lord Drargul é absurdamente silencioso e frio, cada passo seu já havia sido premeditado, eu podia sentir pela sua forma de caminhar. Por fim nós dois subimos as escadas de acesso ao piso superior e logo seguíamos para os portões de saída.
—Está cheio de guardas, Drargul-sama… — sussurrei ao entender seu intento. Eu estou sendo novamente sequestrado. O homem me fitou e fez um carinho gentil em meu rosto, tomou-me em seu colo com um braço e disparou correndo para as janelas laterais.
Envolveu-me com sua túnica e só ouvi o vidro se partindo. Quando me vi livre do pano que me cobria os olhos, eu estava em suas costas, agarrado inconscientemente, e o Homem da Máscara de Ferro corria inexplicavelmente pela parede, como se fosse uma aranha. Olhei para trás e vi que ninguém ainda percebera, nenhum alarme fora dado. Num salto, ele colocou-se sobre os telhados das casas que circundavam o palácio e em poucos instantes já íamos longe. Quem é esse homem?
Em determinado ponto, ele parou de correr por telhados, quando o sol anunciava a sua chegada sobre as colinas. Desci de suas costas e fitei o horizonte. Uma nuvem arrastava-se sobre as areias, como se fosse um monstro engolindo o deserto. Uma tempestade de areia.
Fitei o outro lado, tomando cuidado para não escorregar do telhado.
O palácio estavam bem distante, mas ainda estávamos nas terras de Gaara, o que me ainda era motivo de preocupação. Senti a mão do homem da máscara de ferro circundar a minha cintura e pegar-me em seus braços de novo. Com movimentos precisos, ele desceu daquele prédio e logo estávamos no chão. Era a rua do mercado de trocas, mas todas as barracas estavam fechadas e os comerciantes ainda estavam em suas casas.
Lord Drargul seguiu a pé por uma rua vazia, feita de ladrilhos, comigo escondido dentro de sua túnica, meio abraçado pelo seu braço que me mantinha coberto.
—Drargul-sama… — tentei mais uma vez dialogar e impedir que os soldados de Gaara fizessem mal a esse estranho homem ou avisá-lo da tempestade que se aproximava. Seus dedos tocaram de leve os meus lábios, impedindo-me de prosseguir com a minha fala.
Curvei-me, como a Senhora Tsunade me ensinara, ficando mais uma vez quieto.
—Tenha calma. — disse-me, colocando uma mão em cima dos meus ombros. — És casado?
—Não, senhor Drargul-sama. — respondi prontamente.
Ele assentiu e tornou a me esconder com sua túnica, sua mão me fez reclinar sobre seu peito e eu suspirei, sentindo uma sensação agradável vinda dali.
Seu coração batia levemente e sua respiração era forte como a de um cavalo. Seus pés eram leves como de um pássaro, mas seguros como de um grande felino. Baixei meu olhar para seus pés e começamos a caminhar em silêncio. Como eu podia me sentir bem no regaço de um homem que só me assustara até aquele momento?
Não havia cortesias, nem palavras doces como as de Gaara, nem falsas atitudes gentis, apenas um homem usando uma máscara de ferro que me sequestrava com alguma dignidade, evitando estardalhaços e humilhações.
Um homem sequestrando outro homem, apenas.
Em certo momento, a túnica foi afastada de mim e eu vi a mesma passagem por onde eu chegara, há dois anos, exibindo-me o horizonte e a tempestade que se aproximava devagar.
Ao fim da rua havia uma carruagem feita de madeira escura e ferro, puxada por dois cavalos marrons de aparência vigorosa. Não havia cocheiro ou escolta, apenas os cavalos e a carruagem. Onde estavam os servos que eu vira na manhã anterior? Nos aproximamos do transporte e os cavalos baixaram as cabeças, em respeito a aproximação do mestre.
Lord Drargul abriu a porta, empurrando-a para o alto, como numa tenda, e eu entendi que deveria entrar. Ao me sentar, reparei que não havia assentos, apenas o piso de madeira escondido por macias e grandes almofadas. Eu o vi retirar a túnica e me entregá-la.
—Vista-a. Cubra-se completamente. Quando for a hora, poderá sair. — e fechou a porta devagar, talvez tentando não permitir que esse processo me parece um sequestro rude.
Fiz como ele me ordenou e então ouvi o marchar dos cavalos. Movia-nos. Fitei a carruagem: parecia ser de algum tipo de realeza, dados entalhes bem desenhados que havia na madeira, que pareciam ter algum significado especial, além da fina costura dos tecidos que estavam por ali e do precioso bordado das almofadas macias em que eu estava sentado. Eram cores fortes e bem vivas, variando do vermelho, azul e laranja. Num canto, presos em um suporte, haviam cantis com, provavelmente, água.
Engatinhei com cuidado, para não estragar o tecido pesado da túnica, e me aproximei do suporte, buscando um dos cantis e o abrindo para verificar o conteúdo. Não tinha cheiro algum. Tomei um gole e senti a água fresca escorregar por minha garganta. Arfei satisfeito e tomei mais outro gole. Quanto tempo faz que não sinto água tão fria em minha boca?
Eu sentia que minha vida estava de novo na virada da maré, mas eu não sabia dizer, desta vez, se para o bem ou para o mal. Quieto, dentro daquela carruagem, me peguei pensando em meus pais. O que seriam deles? Estavam bem? Estavam me procurando?
Pensei na Senhora Tsunade, se ela estaria bem. Ainda, recordando-me das areias que circundam o palácio de Gaara, pensei em Senhora Temari, será que ela estava de volta aos carinhos de seu filho e aos braços de seu marido? Sinceramente espero que sim, desejo que minhas boas amigas estejam a salvo das ruindades do homem pelas quais tenho passado.
A viagem fora tranquila, eu mal sentia solavancos ou ouvia sinais de problemas no mundo, parece que Lord Drargul planejou tudo com cuidado. Através de uma tela, escondida atrás de uma janela que eu abrira, eu vi que seguíamos o leito do rio e, por incrível que pareça, a paisagem árida em contraste com as águas era belíssima de se olhar.
A tempestade continuava se aproximando, mas, por alguma razão eu não me sentia mais em perigo, parece que a presença imponente desse homem faz essa tormenta não ser mais que uma brisa cálida do deserto. Continuei admirando o rio mover-se devagar com os ventos vindos do leste. Foi com a visão tranquila do deserto e do rio que adormeci.
O balanço sutil da carruagem me embalava em sono profundo, mergulhado na maciez das almofadas e no silêncio do mundo.
Eu só acordei quando senti um toque gentil em meu ombro, que mais me pareceu uma carícia. Abri meus olhos e me vi envolto por um dos braços de Lord Drargul, enquanto o outro dava sustentação à sua cabeça. Seu corpo era quente e aconchegante.
Olhei em volta, um pouco atordoado. Estávamos em um oásis, a parede onde estava a porta fora completamente erguida e o interior da carruagem era iluminado por uma fogueira que trepidava do lado de fora. Os ventos fortes da tempestade, que estava mais perto, sacudiu as chamas de tal maneira que fez pequenas fagulhas flutuarem, como vaga-lumes.
—Drargul-sama… — sussurrei, sem saber como me portar diante da situação.
Ele está dormindo comigo, abraçado a mim, é claro que me sinto um pouco desconfortável e constrangido com tudo isso.
Eu o vi levantar o rosto e senti seu olhar negro e profundo sobre mim.
—Esqueça Gaara. — disse-me com algum tipo de gentileza. Sua mão começou a abrir a túnica que escondia-me o corpo e eu senti seus dedos passearem por minha pele. — A partir desta noite, tu me pertences e só a mim unicamente.
Lord Drargul ficou de joelhos, comigo entre eles, e desabotoou parcialmente seu camisão, revelando-me parte de seu peitoral, com a musculatura rígida e uma pele um pouco amorenada, cheia de cicatrizes e o princípio de uma imagem. Suas mãos habilmente retiraram o manto que envolvia a minha cintura e seguraram as minhas pernas, colocando-as sobre as suas. Por um segundo, eu me recordei de todas as noites em que Gaara abusara de mim. Não, essa dor de novo não! Eu não quero passar por isso de novo não!
—Não! — sentei-me e espalmei seu peito — Por tudo que for mais sagrado, não faça isso, Drargul-sama, eu lhe imploro. — fitei sua máscara.
Ele me tomou em seu corpo e apertou-me num abraço. Estremeci e choraminguei. Não, deuses, não me permitam que eu passe por esse sofrimento vulgar de novo. Não, por deuses, não!
—Diga-me, meu Nen… Temes que eu te trate como aquele lord bastardo lhe tratou? — sussurrou baixo, apesar de sua voz soar ecoada por causa da máscara.
Engoli em seco, tentando desfazer o nó da minha garganta e assenti. Eu vi Drargul-sama buscar um lenço e cobrir meu rosto com ele. O desespero pouco a pouco tomava conta de mim e isso estava me deixando atordoado. Lord Drargul me tirou de lá apenas para me levar para um sofrimento maior?
Ouvi estalidos e um baque metálico perto de mim, de modo que estremeci, me sentindo ainda mais acuado. Ele vai me machucar de alguma forma. Eu sinto isso, Kami-sama!
Repentinamente senti um toque suave em meus lábios. Eu franzi o cenho e senti mais uma vez aquele toque. Repetiu-se por mais vezes até que eu entendi que se tratavam de beijos carinhosos em minha boca. Minhas mãos, aferradas em suas roupas, relaxaram.
—Eu jamais te machuraria, meu Nen… — sussurrou e eu senti seus lábios roçarem em minha orelha, me fazendo arrepiar. Sua voz era mais grave sem a máscara. — Deixe-me provar as minhas palavras… Deixe-me te fazer esquecer Lord Gaara…
Eu tentei dizer algo, mas meu medo ainda era mais forte.
—Doerá, meu Nen, mas será apenas por um momento… — senti seus lábios acariciarem meu pescoço e suas mãos tatearem minha intimidade. Estremeci e me encolhi em seu colo, tentando fugir do contato, mas ao invés disso eu me aproximei mais de seu corpo quente.
Suas mãos continuaram me acariciando e aos poucos eu senti meu desespero se dissipar, pois aquele calor me era estranhamente aconchegante e familiar. Senti seus dedos tocarem meu ânus, numa tentativa de manter os carinhos, mas eu choraminguei, pois eu ainda estava dolorido ali. Seus dedos se afastaram e eu ouvi o som de um pote sendo aberto, em seguida senti-os novamente em mim. Desta vez estavam frios e pegajosos.
Fui afagado várias e várias vezes ali, até que soltei o ar, mais relaxado, começando a gostar de ser tocado de maneira tão gentil. Meus lábios foram tomados calmamente enquanto eu sentia seus dedos entrarem, um de cada vez, lentamente, tão devagar que não senti nenhum desconforto.
Com a outra mão, Lord Dragul retirou minhas vestes e me fez descansar sobre seu peito enquanto seus dedos me preparavam com paciência e muita calma. Eu já emitia sons baixos, pois me sentia de fato confortável tanto com suas mãos cuidando de mim, como com seus lábios enchendo meu corpo de beijos. Lord Drargul não era como Lord Gaara. Lord Drargul é de fato um lord.
—Posso me colocar dentro de ti, meu Nen? — ele sussurrou, retirando os dedos e abraçando-me com muita gentileza.
Quente e aconchegante, era isso que Lord Drargul era. Era assim que eu me senti em seu colo. Eu me sentia bem e em paz, tal como eu me sentira ao estar de mãos dadas com o menino que me salvara. Não tive coragem de falar, apenas assenti.
—Confias em mim e nada te ocorrerás, prometo-te. Nada… — mais um beijo em meus lábios, um beijo lento e saboreado. Não tive como não me entregar àquele beijo, pois com aquele simples gesto, todos os meus medos foram soprados para longe de mim, como as areias do deserto levadas pelo vento forte.
Devagar, com aquela mesma respeitosidade de antes, eu senti Lord Drargul entrar em mim enquanto seus lábios tomavam os meus. E ainda de rostos próximos, ele ensinou-me a respirar para não sentir tanta dor. O desconforto de sentir aquela invasão foi inevitável, as lágrimas caíram, mas eu não me sentia violado. Lord Drargul prometera não me machucar e ele estava cumprindo com sua palavra.
Ele ia e vinha lentamente dentro de meu corpo, me fazendo gemer baixo, ensinando-me a lidar com todo o seu volume e eu só me contorcia, revirando meus olhos vendados. Apertei suas roupas entre meus dedos e estremeci quando eu o senti acertar meu ponto de prazer. Eu soltei um longo arfar arrastado, afundando meu rosto na curva de seu pescoço.
Lord Drargul tocou de novo ali com seu pênis e eu gemi mais alto, meu estômago se repuxando, meus músculos rígidos, como se eu esperasse loucamente por algo.
Já não doía, meu canal se moldava ao redor do membro desse homem gentil.
Todo aquele carinho, todo aquele cuidado em me penetrar, fez a dor inicial se dissipar e dar lugar ao prazer. Nem em minha primeira vez tendo relações sexuais, quando me tornei uma geisha, eu sentira tamanho misto de sensações que me faziam enlouquecer.
Fui deitado enquanto era beijado e virado de costas para Lord Drargul, ele empinou o meu traseiro, apoiando-o com algumas almofadas, e colocou uma abaixo do meu rosto, me permitindo descansar ali. Continuou com o ir e vir, ondulando seus quadris contra os meus, atingindo várias vezes meu ponto sensível. Meus gemidos foram inevitáveis.
—Drargul-sama… — eu o chamava penosamente, deixando-me levar por essa loucura sensual, por todo os seus carinhos distribuídos por meu corpo. — Drargul-sama… Drargul-sama...
Arqueei minhas costas e rebolei contra seu membro, querendo mais desse contato que me fazia contorcer sobre as almofadas. Eu ouvi os sons de Lord Drargul, seus grunhidos e gemidos másculos, me excitando cada vez mais. Meus movimentos ficaram mais frenéticos, completamente motivados por seu calor.
Meu membro foi acariciado e quando dei por mim, meu corpo foi completamente tomado pelos choques do orgasmo. Encolhi-me entre as almofadas e as mãos de Lord Drargul, completamente envolvido pelo êxtase. Gemi alto enquanto me despejava em sua mão.
Choraminguei ao senti-lo me deixar. Senti minha entrada reagir a sua falta. Como isso era possível, Kami, como eu podia desejar tanto alguém que só sei o nome?
—Deixe-me senti-lo mais um pouco, Drargul-sama. — implorei, começando a rebolar de novo em sua ereção, que eu ainda podia sentir. — Faça-me seu, Drargul-sama. — gemi, choroso.
Fui cuidadosamente virado, deitado de barriga para cima e penetrado de novo. Dessa vez, meus mamilos foram chupados e beijados enquanto ele investia vigorosamente em meu interior, castigando o meu ponto sensível. Eu já não gemia, eu gritava, segurando-me em suas roupas, como se ao soltá-lo eu fosse me afogar em prazer.
Seus lábios vieram para os meus e eu fui tomado por um beijo longo. Beijei Lord Drargul como se minha vida dependesse disso. Toquei seu rosto e o enchi de beijos suaves, da forma que eu podia, por ainda estar vendado. Mais outro beijo e eu senti meu fôlego ser levado.
Nos soltamos devagar, ele lambia os meus lábios, para descer por meu pescoço, lambendo e chupando com vontade a minha pele, enquanto os sons de nossos corpos se chocando só aumentavam com o vigor do ato.
—Meu. — ele sussurrou em meu ouvido e eu estremeci violentamente, sentindo meu corpo esquentar a níveis anormais, com sua voz sussurrante e gravemente melodiosa em meu ouvido. Não parecia para nada àquela que ouvira na festa. — Meu. Tu me pertences. Só a mim servirás. És tão meu que jamais escaparás de mim.
Eu só conseguia chorar e assentir, aceitando de imediato a minha nova condição. Aferrei-me a ele quando fui puxado e pressionado contra seu colo. Era absurdamente bom, inexplicavelmente intenso e bom. Eu não parava de reagir aos seus estímulos.
Transamos até quando eu desmaiei, imergindo numa calmaria que eu só senti quando estava com meus pais. Acordei me sentindo muito bem e com a pele muito macia, como se eu tivesse saído de um banho quente com sais e perfumes. Mordi o lábio, relembrando de tudo o que eu fizera com ele naquela carruagem. Há anos eu não sentia esse sentimento inexplicável de felicidade.
Tomei uma almofada e aspirei fortemente o cheiro daquele homem que me tomara, inundando meus pulmões com sua presença forte e quente. Por que eu já não sentia o medo da manhã anterior, aquele medo aterrador? Será que fora por causa do sexo ou pela forma respeitosa que ele vem me tratando?
Toda a carruagem estava fechada e os sons da tempestade me avisavam de sua presença no exterior. Eu virei-me devagar para o lado e vi Lord Drargul sentado, vigiando o mundo através da janela que estava coberta pela venda transparente. A máscara estava em seu rosto ainda.
—Acordaste, meu Nen? — chamou-me assim, por esse nome de uma língua que nunca ouvi.
—Sim, Drargul-sama. — curvei-me num cumprimento. — Posso perguntar para onde meu senhor está me levando?
—Levo-te para minhas terras. Lá, não serás tocado por nenhuma alma, que não seja a minha, exceto às que eu der permissão. — sua voz continuava baixa, mas muito firme. — Farei-te meu tão logo cheguemos lá.
Assenti e me cobri com sua túnica, acalentando-me.
—Não devia estar acompanhado de servos, Drargul-sama? — murmurei, relembrando-me daquelas pessoas de túnicas brancas.
—Estão lá fora… Garantindo que nada aconteça a essa carruagem. — disse sem deixar de apoiar o cotovelo em sua perna flexionada e sem virar o rosto para mim.
Ele me fará seu?
—Perdoe-me, Drargul-sama… — sussurrei e o vi virar lentamente o rosto em minha direção — A minha intromissão, mas… O que quis dizer com… — e se ele me castigasse? E se toda essa gentileza e esse respeito para comigo se acabassem? Hesitei por um segundo, mas ele fez um gesto para que eu continuasse. — Como fará com que eu lhe pertença?
Ele me fez um carinho na perna e eu fui puxado para seu colo, reclinando-me em seu peito, porém de costas para a janela. Fitei sua mão, livre de suas luvas, e fitei as minhas. Por um segundo eu me recordei de quando eu dera as mãos para aquele menino que me salvara. Era a mesma sensação mágica que eu sentira naquela época.
—Não te preocupes com esses pormenores… — ele falou de forma baixa, entrelaçando uma mão na minha e acariciando-a com seu polegar. — Apenas aguardes com calma.
Assenti e fiz como ele me mandara. Apenas esperei.
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