A Cura

42 A última bala



— Inferno. Não tem mais saída — Jimin encarou, furioso, o obstáculo que bloqueava seu único caminho por aqueles dutos de ar. Seus joelhos já doíam de tanto engatinhar, já que a passagem estreita não permitia que se movesse de outra forma.

Havia enormes hélices afiadas girando rapidamente à sua frente, impossibilitando que continuasse por aquele caminho. Tentar passar por elas seria obviamente suicídio, e Jimin não estava nem um pouco interessado em morrer fatiado. Até porque nem mesmo seu poder de cura seria capaz de salvá-lo de algo assim.

— O jeito é voltar e encontrar uma forma de seguir por baixo mesmo — falou consigo mesmo, temendo ter que encarar novamente aqueles assustadores mortos-vivos.

Deu meia-volta e retornou pelo caminho de onde havia vindo, avançando com os joelhos e as palmas das mãos apoiados no chão. Continuou engatinhando até encontrar outra saída, fechada por uma tela de ventilação. Lá de cima, conseguia enxergar o cômodo abaixo. Estava escuro, mas não parecia haver ninguém por perto.

Aquela era sua única forma de sair, afinal, não poderia ficar escondido nos dutos de ar para sempre. Posicionou-se da melhor forma que conseguiu naquele espaço apertado, mirou o pé na tela que bloqueava a saída e desferiu um chute com toda a força. A grade se soltou e caiu ruidosamente no chão. Jimin respirou fundo, torcendo para que nenhum daqueles zumbis tivesse ouvido o barulho.

Pegou a lanterna e iluminou o cômodo lá embaixo. Teria que pular. Não parecia muito alto, mas ainda assim precisava tomar cuidado.

Pendurou-se na borda da saída de ar, sustentando o próprio peso apenas pelas mãos. Sentia o suor escorrer pela testa e o coração bater acelerado no peito. Reuniu coragem e se soltou, caindo bruscamente no chão. Todo o corpo estremeceu com o impacto, e uma dor aguda atravessou seu tornozelo quando o pé torceu na queda. Jimin permaneceu no chão por alguns minutos, pressionando a mão contra a boca para abafar o grito de dor que ameaçava escapar. Tentou se levantar, mas não conseguiu. O tornozelo latejava tanto que algumas lágrimas começaram a escorrer involuntariamente por seus olhos.

Massageou o tornozelo na esperança de aliviar a dor, mas o movimento só fez tudo piorar. Pouco depois, já chorava descontroladamente, sem saber ao certo se aquelas lágrimas vinham da dor, do medo ou do desespero de estar sozinho naquele lugar.

Seu choro foi interrompido por um barulho ao lado. Estava tudo muito escuro, então apontou a lanterna na direção de onde o som estava vindo. Havia uma pilha de madeira, entulho e objetos quebrados amontoados. Jimin rezou para estar enganado, mas não estava. A pilha se moveu, e o som de algo grunhindo debaixo dos destroços ecoou novamente, para seu completo desespero.

Ainda sentado no chão, Jimin começou a se afastar usando as mãos para se arrastar. O medo era tão grande que, por alguns instantes, chegou até mesmo a esquecer a dor terrível que latejava em seu tornozelo.

Aquela definitivamente não era uma boa hora para aparecer um morto-vivo.

Jimin observou, apavorado, alguma coisa se mexer sob os destroços. Pegou a arma e a apontou para o local, mantendo-a firme como conseguia apesar das mãos trêmulas. O suor escorria por sua testa, sua respiração estava ofegante e parecia não haver ar suficiente para encher seus pulmões.

No meio do entulho, viu surgir um braço ensanguentado. A criatura se debatia sob os destroços, tentando desesperadamente se libertar, como se tivesse percebido a presença de Jimin ali.

O morto-vivo conseguiu sair o suficiente para que Jimin enxergasse seu rosto, ou aquilo que um dia havia sido um rosto. Estava desfigurado e coberto de sangue, mas a criatura parecia não sentir nada, apenas estendia as mãos em sua direção, movida pelo desejo de alcançá-lo e atacar.

Jimin sabia que não deveria atirar, pois o barulho certamente chamaria a atenção de outros, mas não tinha muitas opções. Não conseguia sequer se levantar, e aquele morto-vivo logo conseguiria se libertar dos destroços.

Tentou manter a calma. Não podia desperdiçar munição. Respirou fundo, mirou cuidadosamente e disparou, acertando a criatura em cheio na cabeça. Jimin viu o ferimento aberto pela bala no crânio do morto-vivo começar a escorrer sangue e imediatamente cobriu os olhos, horrorizado. Odiava ter que fazer aquilo. Para ele, aquelas criaturas ainda eram seres humanos, vítimas de algo terrível que havia acontecido naquela cidade. Mas Jimin estava terrivelmente enganado.

Levantou-se com muita dificuldade. Não poderia continuar ali, pois logo vários daqueles mortos-vivos seriam atraídos pelo barulho do disparo, e a última coisa que queria era estar naquele lugar quando eles chegassem.

Abriu lentamente a porta do cômodo e iluminou o corredor escuro com sua lanterna, cuja luz fraca mal conseguia alcançar alguns metros à frente. À primeira vista, o caminho parecia livre. Saiu do cômodo com a arma preparada, sentindo o corpo inteiro estremecer de medo e adrenalina. Tentava se manter firme e atento caso encontrasse outro morto-vivo, observando cuidadosamente todos os cantos e até mesmo o chão para não ser pego de surpresa novamente.

Avançou em passos silenciosos até chegar a uma escada, que levava tanto para os andares superiores quanto para os inferiores. A regra era simples: nunca descer. Nada de bom poderia estar esperando por ele ainda mais fundo naquele lugar. Por isso, obviamente escolheu subir.

Subiu dois andares pelas escadas, percebendo que aquele laboratório subterrâneo era muito maior do que havia imaginado. Quando finalmente encontrou uma porta, descobriu, para seu azar, que estava trancada. E não se tratava de uma simples porta de madeira que pudesse arrombar, mas de uma pesada porta de aço que exigia um cartão de acesso para ser aberta. Jimin a chutou com raiva. Queria desesperadamente sair dali e detestava a ideia de precisar descer ainda mais, mas não tinha escolha. Também não ficaria parado esperando a morte encontrá-lo.

Suspirou, cansado e frustrado, antes de começar a descer novamente. Passou pelo corredor de onde havia vindo e, dessa vez, tomou a escada que levava ao andar inferior.

Seu coração batia acelerado no peito. Descia os degraus tentando não fazer qualquer barulho, cercado por uma escuridão cada vez mais intensa. Quanto mais avançava, mais pesado e sufocante o ar parecia ficar.

Então ouviu passos arrastados e grunhidos vindos de cima, justamente do andar de onde acabara de sair. Os zumbis já estavam à sua procura. Não poderia mais voltar. Agora, sua única opção era continuar descendo.

Começou a descer com passos mais apressados ao perceber que alguns zumbis já avançavam pelas escadas acima dele, alguns chegando a tropeçar e despencar pelos degraus. Quando percebeu que estavam cada vez mais próximos, Jimin começou a correr escada abaixo, sem se importar muito com o que poderia encontrar pela frente.

Trombou abruptamente com alguma coisa no caminho e caiu sentado no chão. Desesperado, pegou a lanterna e iluminou à sua frente. Um zumbi estava parado de costas para ele e, lentamente, virou o rosto após o impacto, como se tivesse acabado de despertar. Ainda no chão, Jimin começou a se afastar, encarando a criatura, apavorado enquanto ela avançava em sua direção. Pegou a arma e atirou sem pensar duas vezes, fazendo o zumbi despencar morto aos seus pés. Porém, para seu azar, outros já vinham dos andares inferiores, enquanto ainda mais desciam pelas escadas acima. Estava completamente encurralado. Não podia subir nem descer. Havia mortos-vivos vindo de todas as direções.

Jimin deixou escapar um suspiro trêmulo e começou a chorar ao compreender que aquela seria sua morte. Não havia mais para onde fugir. Sem saber o que fazer, ajoelhou-se no chão e se sentou sobre os próprios calcanhares. Não queria morrer sendo devorado por aquelas criaturas, então pensou em acabar com tudo de uma forma mais rápida. Pegou a arma e conferiu a munição. Restava apenas uma bala.

“É o suficiente”, pensou.

Apontou para sua própria têmpora e deixou cair mais algumas lágrimas.

— Adeus, pai. Adeus, Kook.

Quando Jimin destravou a arma para usar a última bala, ouviu uma grande agitação vinda do alto da escada. De repente, os zumbis começaram a despencar mortos pelos degraus, um após o outro. Alguém estava matando aquelas criaturas.

Jimin se levantou apressadamente. Talvez ainda tivesse uma chance de sobreviver. Subiu alguns degraus e, lá de baixo, finalmente conseguiu enxergar seu salvador no alto da escada, encarando-o fixamente. Ele segurava duas espadas curtas, uma em cada mão. As roupas rasgadas e cobertas de sangue, o corpo machucado e a respiração ofegante deixavam claro o quanto havia lutado para conseguir chegar até ali.

Jimin o encarou aliviado e finalmente se permitiu chorar, mas, dessa vez, as lágrimas eram de pura felicidade.

— Kookie... — chamou entre lágrimas, com a voz embargada.

Notas finais
Coelho matador de Zumbis chegou nesse caralho!