A Cura
3 Capítulo 3
Notas iniciais
–Por quê? –pergunto, tentando entender o motivo desse homem. Ele dá um breve sorriso e começa a vir em minha direção.
-Porque você é qualificada, e foi à única garota que ousou falar alto comigo. Isso impressiona pessoas como eu.
-Unicórnios dourados voadores me impressionam. Pessoas qualificadas você encontra todo dia. – diferente de emprego, do qual eu estava rejeitando um neste momento.
Ele estava bem próximo agora. Seus olhos azuis tinham um quê sombrio, que combinava com todo o resto. Sua postura, seus cabelos negros, até mesmo seu jeito de falar.
-Não seja tão teimosa. Se dê um crédito, você é bastante impressionante. Vai aceitar a proposta senhorita Stewart?
Sua voz rouca faz cada parte do meu corpo arrepiar. A forma como seu corpo estava próximo do meu era desconfortável, e um por um momento cogito a idéia de empurrá-lo para longe, mas não tenho forças para isso. Em um único dia, esse homem havia me desgastado psicologicamente mais que todo o estresse que passei procurando um emprego.
Penso em recusar sua oferta, mas a escassez de emprego era notória. Fazia duas semanas que eu procurava vaga de emprego, e aqui estava o herdeiro da Silver Company, praticamente implorando para eu ir trabalhar com ele.
-Não vai me responder?
Ele pega uma mecha de meu cabelo e a coloca atrás da orelha; Jonathan tenta acariciar meu rosto, mas empurro sua mão.
-Se eu for trabalhar com você, pode esquecer esses tipos de comportamentos.
-Mas do quê você está se referindo?
-Não de faça de tonto. Sabe muito bem ao que estou me referindo.
-Não gosta de carinho, querida? – pergunta com uma voz suave. Ele parecia um felino, andando mansamente, esperando o momento certo para atacar.
-Não vindo de você. – digo entre dentes e vejo seu rosto endurecer. Coloca as mãos nos bolsos da calça e vira, andando até o meio da sala.
-Tudo bem. Sem... – ele mexe uma das mãos – esses tipos de comportamento.
-Obrigada. –sorrio agradecida.
-Você é muito insolente, sabia?
-Desculpe se minha personalidade não lhe agrada. – reviro os olhos. Andando até o sofá, onde me sento. Ele logo senta do meu lado e me encara com seus olhos azuis.
-Na verdade, sua personalidade me agrada, e muito. – ele morde o lábio inferior, ato que me traz leves arrepios na nuca.
Suspiro desconfortável com sua proximidade. Levanto-me apressadamente, querendo pôr um fim nessa conversa.
-Você tem mais alguma pergunta senhorita Stewart?
-Não. – digo por fim.
Ele levanta do sofá, ajeita a gravata. Ele tinha uma postura profissional agora. E com uma voz firme, diz:
-Bem vinda a Silver Company.
***
Quando Jonathan sai do apartamento, solto minha respiração que eu nem havia percebido que estava segurado. Segundos depois, Rubi já está na sala.
-Vai me explicar o quê foi que acabou de acontecer? – ela cruza os braços. Posso sentir ela me fitando, aguardando a resposta. Quando vê que não a obterá, ela continua: — Porque horas atrás, você me disse que não havia conseguido o emprego.
Havia certa calma em sua voz, o que de certa forma era bom. Mas eu não quero responder nenhum interrogatório feito por Rubi Stemppleton.
-Eu sei o que eu disse, mas não quero falar sobre isso. Talvez em outro momento.
Ando em direção ao meu quarto e percebo que a loira não me segue. Caminho poucos passos e já alcanço a porta com meu nome escrito. Entro tentando absorver tudo que acabou de acontecer. Tento imaginar como será no trabalho amanhã, mas pouco tempo depois adormeço em minha cama. Fazendo-me esquecer de tudo.
***
Acordo com o barulho do despertador, e isso logo me irrita. Levanto-me apressadamente da cama e desligo a função no celular. Eu não conseguiria dormir do que já dormir. Ontem foi cansativo, e hoje será ainda mais. O primeiro dia de trabalho na Silver Company. Trabalhando na mesma sala que Jonathan. Mas que azar!
Vou em direção ao meu armário em busca de algo para vestir. Pego uma caça preta jeans, e visto-a. Logo depois vestindo uma camisa vermelha. Calço minhas botas preferidas – elas são de cano curto e tinha uma fivela metálica na lateral- e pega uma jaqueta, o clima de Nova York está bem frio hoje. Como meu humor, penso.
Saio do meu quarto e caminho pelo o curto corredor. Ao encontrar na cozinha, encontro minha amiga sentada à mesa. Uma xícara – de café, eu presumo – e um prato com uma pilha de panquecas.
-Eu achei que você precisaria de um café da manhã reforçado, considerando o tormento que deve ser trabalhar com aquele homem.
Eu suspiro. Não havia explicado a situação de ontem para Rubi, e ela como minha melhor amiga, merecia explicações.
-Desculpe ter ido dormir sem te explicar. – abaixo meu olhar, não conseguia manter meu olhar no seu rosto. Eu podia ver através dela, e sabia que estava decepcionada por ter mentido sobre o emprego. – Mas nem mesmo eu sei como isso aconteceu.
-Provavelmente seu orgulho. – ela diz um tanto seca. –E sua teimosia.
-Provavelmente. – estou olhando para ela agora. Seu rosto está indiferente. – Mas quando ele abriu a boca e vi que ele era pura arrogância, eu não conseguir engolir.
-Mas você devia aprender Ali. Nós precisamos engolir muita coisa nessa vida. Isso se quiser sobreviver nessa sociedade. –ela estava de pé agora, rondando a mesa, e seus olhos verdes fixados nos meus. – Gabe foi muito caridoso de ter entendido nossa situação e não ter nos despejados pelo o tanto de dinheiro que ainda devemos a ele.
-Eu realmente sinto muito Rubi. – me levanto e vou até ela. Minhas mãos em seus ombros a fazer parar de andar. – Mas nós vamos conseguir agora.
-Eu espero que sim. Não quero voltar pra Massachusetts. Minha mãe já tem preocupações suficientes com minha avó doente. Não quero ser mais um problema.
Ela senta-se à mesa e toma um longo gole de café. Seu olhar é de cansaço. As preocupações tomam Rubi, A responsabilidade de pagar o aluguel, e ainda ajudar sua mãe adotiva com algum dinheiro. Desde que sua mãe voltou para Massachusetts para cuida da sua mãe, que estava muito enferma, eu sei que Rubi não consegue dormir direito.
-Você devia comer. Não quero que se atrase. – ela me fitava.
Sento ao seu lado e pego a primeira panqueca. Enquanto eu me deliciava, a loira se preparava para ir trabalhar. Ela acena para mim já na porta.
-Obrigada pelas panquecas. – digo com a boca cheia.
-Me agradeça levando-me para jantar em um restaurante bem chique. – ela diz saindo do apartamento.
As palavras de Rubi me fazem sorrir. Levanto e caminho em direção ao banheiro. Escovo meus dentes e retoco minha maquiagem. Minha aparência estava boa. Estava pronta pra ir. E é o que eu faço.
***
Pego o primeiro táxi que aparece, o que não demora. Chego rapidamente a Silver Company. Os seguranças abrem passagem para mim. Entro e as três recepcionistas abrem o sorriso para mim e uma delas – a que comanda, eu suponho – diz para ir à minha sala. Ao sair do elevador, Katrina estava bem diferente da última vez que a vi. Dessa vez, ela não demora a notar minha presença. Faz um gesto para que entre na sala. Não falo nada, apenas entro, e percebo que Jonathan fitava a porta, pois assim que entrei, seus olhos frios encontram os meus. Ele se levanta elegantemente e diz:
-Vamos ao trabalho.
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