Notas iniciais
Cheguei, cheguei! Ta ai, um novo capitulo novinho em folha e word, claro. Fiz com muito amor e quero agradecer ao pessoal que comentou o prólogo, obrigado pelo carinho ♥ Espero que gostem e tenham uma boa leitura meus podins ♥ Akane mandou um salve pras minas e um beijo pros manos, eu acho... Ou foi ao contrario, não sei.

O sol atravessou as cortinas do quarto, Akane olhou-se uma última vez no espelho antes de sair do banheiro, o cabelo castanho se encontrava levemente bagunçado e úmido. A roupa simples se encaixava perfeitamente em seu corpo nada estrutural, o jovem sentou-se na cama desarrumada e calçou os sapatos, virou o rosto para olhar o pequeno peixinho dourado próximo à janela.

Por um momento pensou o quão seria ruim estar sozinho todos os dias, como seu pequenino companheiro ficava, cogitou a ideia de arrumar uma companheira para o mesmo, e talvez aquilo fosse bom, afinal. Após alimentar o animal, pegou sua maleta e dirigiu-se para fora de casa.

– Bom dia, Akane. – Sorriu a senhora que regava suas plantas, o seu cabelo num tamanho mediano e prata parecia fino e limpo, sua pele cheia de rugas e o cheiro de coisas antigas faziam as manhãs do rapaz parecerem pouco melhores.

– Bom dia, dona Yoko, como vai?

– Bem, muito bem. – Ela sorriu. – Hoje é dia 5, não?

– Sim.

– Talvez hoje ele finalmente volte pra casa... – Assim dizendo, a senhora se dirigiu para dentro de sua casa enquanto acenava com a mão para Akane.

O moreno suspirou e voltou a sua caminhada, Dona Yoko acreditava que todo dia cinco veria seu filho chegar à casa junto à esposa e o neto, isso até aconteceria se ambos não estivessem mortos, estava chovendo e a alta velocidade os fez bater, infelizmente, a senhora não aceitava que havia perdido toda a família que restava, então, em sua mente eles ainda vivem.

O menor seguia até o metrô, ainda estava tentando entender o que o levaria a criar uma história homo, o porquê de esse projeto estar em pé ou o porquê dele ser o escolhido, afinal, nunca o escolhem pra nada, a não ser para desenhar ou ser o assiste de tal, não criador de histórias. Certo, desenhar tudo talvez fosse pior, mas só a ideia de ter que pesquisar um pouco mais ou ser assombrado por pesadelos peludos já causava um arrepio em todo seu ser.

O vagão que entrou estava com uma quantidade aceitável de pessoas, o moreno teve a sorte de achar um lugar para se sentar, esfregou as mãos no rosto e olhou para a porta ainda aberta, um senhor apoiava-se em sua bengala enquanto tentava segurar o pequeno pedaço fixo de ferro na parte superior perto da janela, por causa da inclinação de suas costas –corcunda – o movimento se tornava, aparentemente, muito doloroso.

Akane fez uma careta e em seguida um bico, levantou-se e tocou no ombro do velho.

– Senhor? – Falou sem jeito. – Pode se sentar no meu lugar.

– Bugar? – O senhor se virou ajeitando os óculos e depois viu o assento vago. – Ah! Obrigado, meu jovem.

O homem de cabelos grisalhos se sentou e sorriu, o sorriso amarelado e doce. Não muito longe do mesmo, Akane segurou a barra de ferro, olhou para sua própria maleta e sentiu uma pequena pontada de arrependimento, mas havia feito o certo. Sua pouca altura o impedia de segurar o metal de maneira correta.

– Obrigado. – A voz grossa e masculina soou muito perto de seus ouvidos.

O moreno virou-se rapidamente, seu coração já estava de malas prontas para sair, talvez por causa do pequeno susto, ou do que havia visto em seguida. O ruivo ao seu lado era alto, e como! Sua pele era clara, tanto quanto seu sorriso. Ele era forte, ou era o que aparentava. Seus olhos verdes continham leves traços laranja próximo à pupila escura.

O maior olhou para a janela e sorriu, enquanto segurava a barra de ferro, o metrô começava a se movimentar. Akane ainda o encarava, sua camisa social mal abotoada e os jeans largos, até mesmo o pequeno brinco em sua orelha direita.

– Por ajudar meu avô. – Concluiu o ruivo, voltando a olhá-lo. – Não havia achado nenhum lugar para que ele pudesse se sentar.

– Ah... – O moreno olhou para a janela, enquanto tentava segurar melhor o metal. – Não há de quê.

Por um momento, Akane pode ver flores – acompanhadas por brilho e um pequeno arco-íris – saindo e girando ao lado do jovem que ainda levava um sorriso. Um grupo de estudantes se aproximou e cercou o rapaz, as jovens sorriram de um jeito meigo.

– Hi-Hideki? – Chamou a menor.

– Ahn? – O ruivo se virou para a mesma e acenou com a mão livre. – O-lá!

– Estávamos pensando... Em... – A pequena suava frio.

– Estávamos pensando em passar lá mais tarde. – A jovem morena concluiu.

– Certo!

Akane parou de olhá-los e voltou a fitar a janela, talvez ele comesse um cup noodles hoje, algo com carne e ovo, uns biscoitos e tomasse chá gelado. Seu estômago roncou e o moreno suspirou enquanto o metrô parava aos poucos, mais duas estações até a sua.

* * *

O jovem se jogou em sua cadeira e olhou para os lados, aparentemente foi o primeiro a chegar de sua equipe. Abriu sua pasta e colocou todas suas anotações e rabiscos sobre a mesa, ligou seu computador enquanto ajeitava as canetas que havia deixado espalhadas na noite anterior.

Heio, Akane. – O jovem alto de cabelos loiros se sentou e bocejou.

– Bom dia, Kuro.

– Você fez sua pesquisa sobre... – O maior foi interrompido pela fúria de Toshi, que entrava marchando pela sala. Um jovem baixinho e de bochechas rosadas, com seu lindo moicano, cor de mel.

– Qual o problema hoje Toquin? – Indagou Kuro.

– Toshi, T-o-s-h-i, tome cuidado com suas brincadeiras loiro azedo, ou logo não terá mais você aqui. – Ele se sentou bruscamente na cadeira. – Ontem eu disse ao chefe que poderia arrumar a placa da saída de emergência.

– Aquela que você conseguiu pintar de rosa? – Akane riu.

– Foi um acidente... – Enquanto mexia em sua maleta, Toshi fazia caras e bocas. – Bem, eu fiz uma linda placa para substituir aquela, só que quando eu fui pichar o negócinho que corre...

Negócinho que corre? – Indagou novamente o alto.

– É! Aquela merda que corre pra indicar o caminho! – O jovem se enfureceu. – Bem, eu acabei colocando do lado errado e o mano ta correndo pro lado contrário que a seta mostra! E eu não vou fazer tudo de novo!

O pequeno mostrou a placa e estava realmente errado, Kuro não pensou duas vezes em começar a rir enquanto o dono do objeto voava em seu pescoço. Akane parou para observa-los depois de olhar um longo tempo para a placa, por alguns segundos passou por sua cabeça que ambos formariam um belo casal, por serem tão diferentes e apesar disso se darem... Bem. Sacudiu a cabeça e se espantou, que tipo de pensamentos estavam invadindo sua mente quase pura? E então, culpou os rapazes peludos e desprovidos de roupa.

– Bem... – Akane começou. – Talvez possa dizer algo ao chefe.

– Tipo o quê? – Toquin soltava o pescoço do amigo, enquanto o outro parava de rir.

– Em caso de emergência... Moonwalk para a saída?

– Vamos andar de ré? – Kuro parou para pensar. – Eu não corro rápido de costas.

– Pois eu corro! AHAHAHA! – O pequeno estufou o peito enquanto ajeitava seu moicano. – Eu sou rápido de qualquer jeito, em qualquer posição!

A porta se abriu e por ela senhor Nakano entrou junto a Tatsuo, ambos se olharam e sentaram-se em suas respectivas mesas, algo havia acontecido entre eles. Isso era algo certo, pensou Akane.

– Bom dia. – Disse o homem de terno e cabelos negros, ele tirou o paletó e jogou-o de qualquer jeito sobre a cadeira vazia. – E como estão as coisas?

– Eu terminei as pesquisas sobre traços. – Toshi sentou-se.

– E eu sobre público alvo. – Resmungou o jovem de cabelos laranja, Tatsuo.

– Abrangi um grande número de gêneros que podem ser adicionados. – Balançou a cabeça, Kuro.

Senhor Nakano olhou para Akane e cruzou os braços quando ouviu o silêncio do rapaz, suspirou e pegou sua maleta, tirou de lá alguns papeis e pastas.

– Eu comecei a pesquisar mais sobre o tema... – O moreno finalmente falou, olhou para seu chefe e coçou a nuca. – Mas...

– Ótimo! – Disse o homem. – Quero que todos vocês deem o melhor de si, e Akane, para ajudar na sua pesquisa, compre doujinshis. Veja vídeos e tudo que puder sobre tal, mas me traga uma ótima história o quão antes possível.

– Sim, senhor...

* * *

Depois de passar a manhã e parte da tarde pensando e pesquisando sobre seu tema, contou alguns segundos mais até que finalmente pudesse ir para casa. Toshin e Kuro saíram juntos tentando moonwalkar até a saída, o que resultou de um moreno irritado e baixinho rolando pela escada.

Akane desceu as mesmas em seguida, com completa e total desanimação, mas talvez um cup nodles de batata com feijão o animasse mais tarde, ou com queijo, quem sabe um pedaço maravilhoso de carne ou frango.

Indo em direção ao metrô, percebeu o quão estava escuro, mas não porque a noite estava lá, e sim porque as nuvens escuras haviam engolido o céu e o sol. Nessas horas se ainda fosse pequeno colocaria sua armadura de papelão e pegaria sua espada, pronto para lutar contra os ET’s que estavam escondidos na escuridão do céu, mas infelizmente os extraterrestres sempre ganhavam, tinham a chuva a seu favor e lançavam um mega resfriado em direção ao pequeno. “ET’s WINS! ... Round 2, fight!”, certo que o segundo round sempre era duas ou três semanas depois e apesar de tudo, ele ainda achava que iria ganhar um dia.

O moreno parou em frente a uma loja ao ver em cartaz um novo doujinshi boy Love. Fez uma careta e entrou no estabelecimento, olhou para os lados e viu como o local estava cheio de garotas, por um momento ele se sentiu muito desconfortável.

Mordeu a almofada do polegar tentando se manter calmo, e o plano era o mesmo de sempre: Localizar o objeto, pegá-lo, desviar da tropa inimiga e fugir para a base. O jovem caminhou pelos corredores onde a cada metro encontrava um grupinho de garotas, e aquilo já estava ficando estranho.

Aparentemente a seção de doujinshis estava vazia, a não ser pelo rapaz abaixado ao lado de algumas grandes caixas, repondo o que havia acabado. Akane olhou aquelas bundas e carinhas bonitas nas capas, sem delongas pegou alguns para folhear, o conteúdo pareceu muito assustador numa primeira olhada, era tão ruim quanto a ideia de os ET’s invadirem a terra.

O jovem atrás terminou de colocar as coisas e se levantou sorrindo, aquele cheiro que percorria o corredor parecia familiar para o pequeno, que ainda olhava aquelas monstruosidades desenhadas no papel.

– Senhor. – A voz ainda mais familiar soou baixa e calma. – Posso ajudá-lo?

Akane virou a cabeça pausadamente em quase 180% graus, a imagem que viu? A de um ruivo alto e alto, muito alto. Hideki, Hideki, sobrenome desconhecido.

– Ah, você! – O rapaz abriu o sorriso um pouco mais e olhou para a revista nas mãos do menor. – Gosta de boy Love? – O mesmo se aproximou e pegou alguns. – Posso indicar vários, minhas clientes amam esse tipo de doujinshi.

O rosto do moreno ardia, e o tom vermelho quase o consumia. Pensamentos do tipo “O que ele vai pensar de mim?” ou “Eu não sou gay”, “Nossa, que fome”, passaram pela cabeça do rapaz, que segurou os pequenos livrinhos em sua mão um pouco mais forte, quase os amassando.

– Senhor? – Hideki o olhou um pouco mais de perto. – Você está bem?

– Eu tenho que ir! – Falou Akane.

– Mas...

– Eu tenho que dar água pro meu peixe... – O pequeno apressava mais os passos. – Ele deve estar com sede.

Akane correu para fora da loja e nem ao menos percebeu que ainda segurava os doujinshis, ouviu a moça gritar algo, mas continuava correndo e correu um pouco mais, até começar a chover.

Escondeu os objetos em sua mão num bolso dentro de seu casaco e percebeu que havia deixado sua maleta no estabelecimento. Respirou fundo e se abrigou em frente a uma sapataria. Durante longos minutos ele olhou para cima e desejou estar resfriado comendo cup nodles enquanto assistia TV.

Quando o céu ficou limpo já estava escuro, não havia tantas estrelas e só naquele momento ele havia notado o quão esses pontinhos brilhantes já haviam sumido, talvez fosse a hora de parar de culpar os ET’s por... Tudo. Isso.

Decidiu pegar um taxi para casa e agradeceu aos seres sobrenaturais por sua carteira estar no bolso da calça junto ao celular. Caminhou um pouco mais e sentiu o maravilhoso cheiro de comida, e certamente se ele não parasse para comer, seu estômago lhe daria uma bela surra.

Caminhou sem vontade, seu corpo andava por si só. Entrou em um pequeno restaurante e olhou para todos os lados, o local estava com um tanto aceitável de pessoas, foi até uma das últimas mesas, próxima a janela e se sentou.

Suspirou e tirou do casaco os doujinshis, olhou para os lados e começou a ler. Não conseguia entender como algo tão grande era introduzido em um buraco tão pequeno, deveria doer e muito.

– Perseguição ou o destino? – Aquela voz fez um arrepio subir por sua espinha e levantar um fio de cabelo de sua cabeça.

Olhou para o lado e viu Hideki, porém com o uniforme do restaurante e um pano de prato branco sobre o braço direito. Ele sorriu.

– Sobre os doujinshis! – Falou rapidamente – Me desculpe, eu...

– Não se preocupe, já está pago. – Ele deu uma risadinha.

– Mas... – Akane o olhou sem jeito.

– Esqueça isso e como está seu peixe? – O rapaz riu.

Akane voltou a ficar vermelho ao perceber a besteira que havia dito.

– Mas, então... Vai querer algo?

Takoyakis... – Falou baixo.

– Certo! – Ele sorriu enquanto se afastava.

O moreno olhou para a revistinha e a revistinha olhou para ele, ambos se olharam e então, só então que Akane percebeu o enorme instrumento desenhado no canto da capa. E novamente se perguntou como aquilo caberia em algo tão pequeno.

E certamente, ele NÃO descobriria isso, porque ele não dá ré, a vida não dá ré e ele não gosta de moonwalk.

Notas finais
E ai, o que acharam? Espero que tenham gostado e que tenham um tempinho pra dizerem o que está ruim/bom u.u (não leio mentes ainda gente u.u então ajudem a tia Yu, pfvr ♥) Obrigado a todos que estão acompanhando e a linda da Mikaela Machado, que favoritou, ajuda muito ♥ Bem, aguardo a opinião de vocês, beijos meus podins ♥