A Culpa é das Estrelas- 2
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Eu gosto muito do meu novo carro. Quando digo "novo" estou sendo bem gentil, já que é uma lata velha como um Mustang vermelho 1978 não pode ser chamado gentilmente de "novo". Mesmo assim, meu pais fez questão de instala um rádio novo em folha no meu amado Mustang.
No caminho para a casa do Isaac, nem pensei em ligar o rádio. É uma viagem tão curta que nem vale a pena.
Estacionei na porta da calçada dele. Com dificuldade, tirei o cilindro de oxigênio do banco do carona, e me arrastei até a porta do Isaac, sem não me esquecer de trancar o carro, claro. Ora, não é porque o carro é velho que tem que ser largado aberto para qualquer um roubar.
Toquei a campainha e já ouvi um dos sons que mais me agrada ultimamente : o latido de Blackjack, o cão de Isaac. Dois anos após a morte do Gus, os pais do Isaac rondavam no centro da cidade, fazendo sua caminhada rotineira.
Ao pararem em frente a uma loja de animais, eles se depararam com um lido Labrador preto, que abanava o rabo de modo simpático. Mais o que mais chamou a atenção de ambos foi os lindos olhos do animal, sendo que um era verde e o outro num lindo tom de mel. Levaram o cachorro para casa, e apesar dele não ser treinado para ser cão guia, possui uma inteligência extraordinária, desenvolvendo uma incrível capacidade de proteção ao Isaac.
Sinto por ele, que nunca poderá ver os lindos olhos de Blackjack.
Mas isso não importa agora. Vamos continuar minha chegada na casa do Isaac. Ele mesmo atendeu a porta, pedindo para Blackjack ficar quieto. Fiz um carinho na sua cabeça e entrei na casa.
– Como está, Hazel? Você parecia meio abalada ao telefone. — ele disse, preocupado como sempre.
E aí vem a pergunta:como assim "como sempre"? Sim. Desde que o Gus se foi eu e o Isaac somos como melhores amigos, já que faz companhia para o outro. E claro, um consola o outro. Um final estranho para uma história mal contada.
– Estou bem, Isaac, não precisa se preocupar. — respondi. — Posso entrar?
– Claro.
Sentamos no sofá, ligamos a televisão. Isaac já foi logo deitando no sofá apoiando a cabeça no meu colo, folgado como sempre.
– Sabe, eu sonhei com o Augustus hoje a noite. — ele disse.
– E como foi o sonho? — perguntei.
– Ele falava comigo, sabe? Pedia para que eu cuidasse de você, disse que não gostava de ter te deixado aqui "sozinha" . — ele fez aspas com os dedos nesse ponto. — Acho que ele sabe que estamos cuidando um do outro. — ele sorriu pra mim. Sorri também.
– É... Acho que ele sabe sim. — uma pausa. Depois de algum tempo em silêncio, eu disse: Eu vi o clipe da música favorita dele hoje na MTV. Por isso eu estava meio triste no telefone. — suspirei. — Tudo me lembra ele... Mas eu tenho que superar.
– Detalhe: NÓS temos que superar. — ele disse, irônico. — Eu era amigo dele também.
– Desculpe. — outra pausa. Uma maior desta vez. Odeio silêncio sabia? Às vezes ele age fazendo a pessoa deixarem de dizer coisas importantes, isso me incomoda.
– Tudo bem. — ele suspira longamente. — Eu vou dizer uma coisa que pode até te chatear, mas eu meio que preciso te dizer.
– Manda. — eu disse, me sentindo tranquila em relação ao que quer que ele precisasse falar comigo. Ele é meu amigo, não diria nada por mal.
– A única coisa que eu realmente queria era poder ver esse clipe novamente. Só VER. O maior contato que eu consigo com o Gus é ouvir as músicas dele e ler as versões dos livros para que ele gostava para cegos, que minha mãe conseguiu para mim. — Outro suspiro. — Me desculpe por isso... eu precisava me lamuriar como sempre, já que não consigo superar o fato que ele se foi.
– "Detalhe: NÓS." — fiz entre aspas imitando a voz dele, e conseguindo arrancar uma risada de nós dois.
Mesmo que sempre tenha algo ruim acontecendo conosco, coisas boas também vem. Se você terminar com um ficante é porque ele não era o cara certo pra você. Se você ficar de recuperação ou com nota vermelha, possa ser que você precise estudar mais. Se você perder alguém que ama , possa ser que estejam precisando de mais um anjo no céu.
E ESSE é o motivo. O Augustus era um anjo, e precisavam que ele voltasse ao céu.
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