A Culpa é Minha e das Metáforas

15 Capítulo 15 - Viver a vida o quanto Puder


Notas iniciais
Pessoal tive que mudar essa capítulo, errei em uma parte bom espero que gostem.

Todos os médicos saíram do quarto, apenas ficando minha mãe e meu pai. Os dois sentaram em cada lado da cama, minha mãe passava as mãos em meus cabelos, meu pai segurava minha mão esquerda.

– Sabe, ouvi dizer que a pessoa sente que vai morrer seis meses antes. – comentei.

Meus pais ainda choravam,ficaram quietos.

– Mas eu realmente não senti nada, então eu sou o único infeliz que não senti a morte, e sim segurei ela em minhas mãos. – disse me referindo a tomografia.

– Querido, antes de retirar a perna o médico me garantiu que ficaria SEC. – disse minha mãe. – Eu juro que ele havia me dito isso. – minha mãe se sentia culpada, como se a culpa fosse sua por seu filho estar com os dias contados.

Meu pai sempre foi um cara forte, a última vez que o vi chorar assim foi quando bati a porta do dedinho dele sem querer, depois disso ele teve que arrancar a uma, aquele dia foi doloroso pra mim também, se é que me entende. Ele chorava muito, ele olhava para mim como se você a ultima vez.

– Campeão, me desculpe por te obrigar a fazer algo que não queria. – meu pai de referia ao basquete.

Sorri e disse:

– Calma meu velho, deixe as desculpas para o dia do velório. Mas eu até que gostava um pouco daquele jogo.

Meu pai sorriu.

– Quando vou ficar em alta e poder aproveitar o resto da minha vida?

– Amanhã. – respondi minha mãe.

– Que ótimo. – falei.

Ficamos em silêncio, fiquei pensando na Hazel Grace na reação dela ao saber que eu iria morrer em breve.

– Ninguém conte a Hazel Grace sobre isso. – pedi aos meus pais. – Deixe que eu conto na hora que achar conveniente.

– Mas Gus. – protestou minha mãe.

– Mãe eu sei o que estou falando.

Minha mãe ficou em silêncio.

– Gus, sua mãe queria te dizer que, Hazel foi internada na madrugada, eu não entendi o que ela teve, mas parece que foi água no pulmão.

Fiquei congelado, eu não entendo muito sobre o câncer da Hazel Grace mas eu sabia que água no pulmão era perigoso, e que era já havia sido internada com isso, e se metástase de espalha-se ? Ela morreria antes de mim? MAS QUE RAIO DE VIDA ESSA!

– Quero vê-la. – falei.

– Mas Gus você não pode. – falou mamãe.

– EU AINDA NÃO MORRI! DEIXE-ME VIVER UM POUCO! – bradei.

Minha mãe começou a chorar e meu pai disse:

– Tudo bem, assim que receber alta, pode visitá-la.

– Obrigado... – disse baixo, comecei a chorar. – Por favor meus velhos me dêem o melhor abraço. – pedi.

Depois disso disse que iria ao banheiro, mas fui rapidamente a UTI ver a Hazel Grace, andei atrás de uma enfermeira com um crachá e consegui me sentar ao lado dela por tipo dez minutos antes de ser pego. Ao ver ela entubada, ver a água cancerígena que saia do seu peito, eu fiquei realmente com medo dela morrer antes de mim. A única parte que ainda era Hazel Grace, era sua mão, quentes e suas unhas pintadas de azul-escuro quase preto. Segurei sua mão e fiquei pensando no mundo sem nós dois, e por um minuto fui uma pessoa ligeiramente boa para pensar que ela podia morrer antes de saber que eu iria morrer, isso pelo simples fato que ela sofreria muito.

O enfermeiro chegou e disse que eu precisava me retirar, era proibida a entrada de visitas.

– Ela está melhorando? — perguntei.

– Ela ainda está fazendo água.

Como disse no e-mail que te mandei, benção do deserto, maldição do oceano.

Então saí do quarto e fui direto para o meu, deite-me na cama e caí no sono.

Acordei, ainda estava no quarto da clínica, olhei para o lado e vi Isaac, ele estava sentado em uma poltrona ao lado da minha cama, como ele estava de óculos escuros não sabia se ele estava dormindo ou acordado.

– Isaac? – perguntei.

– Gus, já acordou bela adormecida. – respondeu.

– Bom, olha quem fala, o garoto que tecnicamente está sempre dormindo. – falei.

Ficamos em silêncio.

– Sinto muito cara. – disse Isaac.

– Tudo bem, não é tão ruim sabe, estar morrendo. – falei.

– Porque não é ruim? – perguntou Isaac.

– Acho que quando virar fantasma, posso sei lá, plasmar uma perna?

– Gostaria de plasmar alguns olhos sabe? – disse Isaac.

– Quer morrer também? Vamos eu te levo. – brinquei.

Ficamos em silêncio.

– Que horas são? – perguntei. Me esquecendo totalmente o fato que Isaac não pode enxergar o relógio. – Desculpa cara, esqueci. – falei.

– Tudo bem. – falou – Ficou sabendo da Hazel?

– Sim, vou ter alta amanhã e vou visitá-la.

– Pretende contar pra ela quando? – perguntou Isaac.

– Não sei cara, não sei.

– Quer fazer alguma loucura, sei lá fugir do hospital ficar bêbado? –perguntou Isaac.

– Bom saber que anda influenciando meu filho a essas coisas Isaac. – disse minha mãe chegando de surpresa no quarto.

– O que? Eu influenciá-lo? Eu sou um mero cego que nem prestar pra tocar piano e saxofone presto.

Minha mãe deu risada.

– Isaac, eu lhe digo uma coisa meu amigo, quando chegar ao céu vou pedir apara deus te levar logo. Não vai ter graça zoar sem você.

**

Depois da visita do Isaac dormi profundamente, não porque estava com sono mas sim porque queria que o outro dia chegasse para ter alta e visitar Hazel Grace.

Acordei com alguém batendo na porta.

– Entre. – falei.

Minha mãe entrou no quarto trazendo o café da manhã.

Colocou a mesinha no meu colo e sentou-se ao meu lado.

– E a senhora, sei lá podia me dar o cereal na boca, só pelos velhos tempos... – falei.

Minha mãe sorriu, pegou uma colher de cereal e disse:

– Olha o aviãozinho! – abri a boca e a minha mãe deu uma colherada cereal.

– Vou mesmo ter alta hoje? – perguntei.

– Sim, vai sim.

– A Hazel está aqui no hospital? – perguntei.

– Sim está, vi os pais dela e eles disseram que ela vai ter que ficar uma semana internada.

Fiquei quieto, eu estava torcendo para que Hazel Grace não morresse antes de mim. O Dr. Joseph entrou na sala e pediu que a minha mãe para se retirar, queria conversar comigo, assim que ela eu falei:

– Você interrompeu minha mãe me dando cereal na boca, espero que seja importante. – brinquei.

– Olha Augustus preciso conversar seriamente com você.

– Fale.

– Seu caso é terminal.

– Sim eu já sei disso. – interrompi. – E já deduzi que minha mãe comentou com você sobre a viajem.

Ele fez que sim com a cabeça e disse:

– É arriscada a sua ida

– Mas eu vou morrer de qualquer jeito meu chapa, aqui ou lá, não vai mudar nada! – o interrompi novamente.

– Mas você deve ficar aqui fazendo a quimioterapia. – disse Dr. Joseph.

– Essa químeoterapia vai diminuir as minhas chances de morte? – perguntei.

– Não mais...

– Não quero ser grosso nem nada, sei que você está fazendo possível para tentar me ajudar, você sabe mais que todos que a não a nada a ser feito. Meu caro homem, eu vejo as suas olheiras e deduzo que não dormiu nenhum pouco, vá descansar e não se preocupe comigo. – falei.

Percebi que Joseph estava começando a chorar então disse:

– O que acontece que todos que me olham começam a chorar? Estou achando que devo ser canonizado depois da minha morte! – brinquei.

Ele sorriu, deu meia volta e foi embora.

**

Assim que tive alta minha mãe achou melhor irmos para casa para mim descansar um pouco, eu não discordei pois ficar discordando da minha mãe neste momento vai ser muita ingratidão.

Cheguei em casa e o meu pai estava dormindo no sofá, a noite passada ele ficou acordado ao meu lado enquanto dormia, depois foi para casa dormir, fui para o meu quarto e minha mãe me acompanhou.

– Gus, eu acho melhor não fazer esta viajem. – disse minha mãe.

– Mãe! Eu já conversei com o médico, e eu não vou desistir dessa viajem!

– Mas filho você precisa se cuidar!

– Não mãe, eu preciso viver enquanto posso!