A Culpa É Das Estrelas - Um final alternativo
4 Capitulo 29
Notas iniciais
Acordei cansada naquela manhã, hoje parecia ser o dia perfeito para que eu fosse drenar meus pulmões. Meu pai não iria com a gente hoje, havia perdido muitos dias de trabalho com a minha recaída antes da viagem, então preferiu não faltar ao trabalho, somente quando realmente fosse necessário.
Coloquei uma roupa e fui até a cozinha. Minha mãe já estava preparando o café, ela percebeu que eu não estava muito bem, então veio ao meu encontro e me ajudou a ir até a mesa.
–Obrigada, mãe- Falei
Ela apenas sorriu e colocou meu prato na mesa. Comi com bastante calma, não queria que meus pulmões confundissem o ar com o café da manhã. Quando terminei, ela já estava pronta e assim, fomos até o hospital.
***
Quando chegamos ao Hospital, a Dra. Maria já estava a minha espera. Uma das enfermeiras me colocou em uma cadeira de rodas, e me levou até a sala de drenagem. Aquela sensação era horrível, o cateter incomodava muito, e – mesmo eu não querendo — eu ficava olhando aquele liquido mogno, saindo de meus pulmões. Fechei meus olhos e fiquei torcendo para que o sono viesse, eu não queria sentir nem ver mais aquilo.
Fui acordada pela Dra. Maria.
– Olá Hazel — Disse ela – Como você está se sentindo?
Precisei de um momento para que meus sentidos voltassem.
– Oi Dra. Maria, eu estou me sentindo bem, realmente o sono combate o câncer. – Disse a ela.
Ela riu.
– Na verdade, acredito que dessa vez não seja bem o sono, mas sim a drenagem, seus pulmões estão totalmente drenados, agora você pode ir para casa.
Ela me ajudou a levantar.
Para a minha felicidade o cateter havia sido tirado antes de me acordarem, acredito que deviam ter injetado alguma substância para que eu dormisse um sono profundo, se não eu provavelmente teria acordado.
Minha mãe estava me esperando na sala de espera — os médicos não gostavam que ficassem visitas no quarto de drenagem – me levantei da cadeira de rodas com a ajuda de uma enfermeira, mamãe me deu apoio, eu estava bem, mas demoraria alguns minutos para que eu estivesse forte o suficiente para andar sem ajuda.
Entrei no carro e fiquei olhando a natureza pela janela, enquanto passávamos pelas ruas. Já se passava do meio dia, o céu estava lindo, as nuvens estavam espalhadas sobre ele formando várias figuras. Havia um ninhal de pássaros voando em céu aberto, era realmente uma paisagem muito linda para admirar.
***
Ao chegar em casa, abri a porta do carro e testei minha força. Eu já havia voltado ao normal, mamãe me ofereceu ajuda, mas eu disse que estava tudo bem. Caminhei com passos lentos até a caixa de correio, a carta de Gus já devia ter chegado. Quando abri a caixa havia vários envelopes, peguei todos e comecei a folheá-los até encontrar uma com o meu nome, entreguei os outros à minha mãe e fui direto para o meu quarto.
Ao abrir o envelope, era exatamente a carta dele, as mesmas palavras, mas com a caneta mais legível do que a de minha cópia. A folha estava um pouco amassada, provavelmente pela viagem longa que a trouxe aqui.
Fiquei durante vários minutos olhando a carta, tentei imaginar quando que ele a escreveu, e me culpei por não ter ficado mais com ele.
Meu pensamento foi interrompido... Minha mãe estava me chamando para o almoço. Fui até a cozinha. Meu pai que estava sentado na cadeira principal se levantou e me deu um beijo na testa, retribui. Depois do almoço, voltei ao meu quarto e mandei uma mensagem para o Isaac, contei a ele, que a carta havia chegado, e mandei um e-mail para Lidewij. Depois fui ao quintal, e deitei na grama, fiquei olhando a paisagem, o dia não estava muito quente e como meus pulmões haviam sido drenados era mais fácil ficar aqui sem me cansar.
Passei quase a tarde toda ali, minha mãe veio e se sentou ao meu lado, conversamos sobre diversos assuntos – depois da morte do Gus, minha mãe e eu, conversávamos sempre.
Depois de algumas horas ela entrou e disse para eu chama-la se precisasse de algo, apenas assenti.
Já estava tarde, e as estrelas estavam começando a parecer no céu, enquanto as contemplava lembrei-me de um poema que gostava muito quando tinha 12 anos, fechei meus olhos e comecei a recitá-lo.
– "Quando penso em você me sinto flutuar me sinto alcançar as nuvens,tocar as estrelas, morar no céu.../Tento apenas superar a imensa saudade que me arrasa o coração,/ Mas, que vem junto com as doces lembranças do teu ser./Lembrando, dos momentos em que juntos nosso amor se conjugava em uma só pessoa, nós.../ É através desse tal sentimento, a saudade, que sobrevivo quando estou longe de você./ Ela é o alimento do amor que encontra-se distante.../ A delicadeza de tuas palavras contrasta com a imensidão do teu sentimento./ Meu ciúme se abranda com tuas juras e promessas de amor eterno./ A longa distância apenas serve para unir o nosso amor. /A saudade serve para me dar a absoluta certeza de que ficaremos para sempre unidos.../ E nesse momento de saudade, quando penso em você, quando tudo está machucando o meu coração e acho que não tenho mais forças para continuar;/ Eis que surge tua doce presença, com o esplendor de um anjo;/E me envolvendo como uma suave brisa aconchegante.../ Tudo isso acontece porque amo e penso em você...".
– Para você Augustus — Acrescentei no final.
O poema era muito grande, mas suas palavras eram lindas e doces, então consegui gravá-las facilmente, Shakespeare realmente era demais.
Entrei em casa e fiz a mesma rotina de sempre.
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