A Culpa É Das Estrelas

1 Final- A culpa é das Estrelas


“Estávamos no avião, eu e Gus. Saindo de Amsterdã e retornando para casa, para nossa casa.

Gus,simplesmente pegou na minha mão e dirigiu a palavra à mim:

-Hazel Grace, não sabe quão feliz estou eu por estar aqui presente neste avião consigo.

Eu encabulada, quase sem ar-mais do que o normal-, fiquei rosa e respondi:

-Ai Gus, eu que estou feliz! Não imagina o quanto! E saibas que serei eternamente grata por ter gasto o seu desejo comigo.

-O seu eternamente Hazel Grace, significa quanto tempo? Porque alguns infinitos são maiores que os outros, você lembra?

-Sim Gus, claro que lembro. Mas não sei responder essa pergunta, esse “eternamente” só cabe o tempo dizer quanto tempo ele equivale.

Ele apenas sorriu para mim, com aquele seu lindo sorriso torto e voltou-se para o lado.

Eram quase 18h00min horas, estávamos somente á 30min no avião, o que significava que ainda tinha tempo ao lado de Gus.

Comecei a observar a janela, olhar as nuvens, pensar que o céu seria a minha casa, a casa de Gus e de todos nós daqui algum tempo. Esse tempo poderia demorar a chegar, ou chegaria o mais depressa possível. Isso ninguém saberia, ninguém saberia dizer quanto tempo o tempo demoraria a vir. Alguns infinitos são maiores que outros. O que significava que o tempo de alguns também seria assim, maiores que os dos outros. O meu tempo, eu não sei. O tempo de Gus? Também não faço ideia, só o meu desejo era que o meu tempo e do Gus terminasse no mesmo tempo, na mesma hora e no mesmo local. Queria que o nosso tempo acabasse junto, se não pudesse ser desta forma, juntos, eu queria que o meu tempo acabasse primeiro. Afinal, eu tinha tudo para partir antes: Pulmões ruins, câncer em nível pior e eu era uma granada. Não queria ferir ao Gus, de forma alguma. Queria e preferia que ele vivesse, e se fosse preciso isso, eu doaria minha vida para ele. Ou ainda queria que nenhum de nós nos ferisse. Ele era uma pessoa melhor, uma pessoa ótima. Não merecia tamanho sofrimento. Só queria que nós pudéssemos passar eternamente juntos. Eternamente. E o meu “eternamente” significava realmente para sempre. Além do que os olhos conseguem ver, o coração sentir e os ouvidos ouvirem. O meu “eternamente” significava além dessa vida e dos limites impostos pelos nossos pequenos defeitos, e pelos limites colocados entre o céu e a terra. Só queria ele eternamente comigo, e que o nosso eternamente começasse e terminasse junto.

Acabei pegando no sono, não sei como. Mas acabei dormindo.

19h30min horas deu o relógio. Acordei com o avião muito agitado, pessoas em pânico, aeromoças gritando, mães e bebês chorando.

Não estava entendendo nada do que estava acontecendo.

Olhei para o lado, e simplesmente vi o banco vazio. Augustus Waters não estava ao meu lado, a poltrona estava sozinha. Eu estava sozinha em meio a um avião super agitado, e nem sabia o porquê de tal agitação.

-Hazel Grace, rápido. Pegue aqui, pegue essa máscara de oxigênio, coloque, por favor, e tente se salvar. Não sei se o Felipe agüenta tamanha ocasião, não sei se nós agüentamos.

Eu respondo apavorada, pegando a máscara de gás:

-Como assim Gus? O que está acontecendo?

Ele me olha fixamente e diz:

-O avião está caindo. Fique calma, que nós iremos conseguir nos salvar. Os nossos infinitos ainda não chegarão ao seu final. Eu prometo. Nós sairemos vivos e bem como sempre.

“O avião está caindo. O avião está caindo. O avião está caindo. O avião está caindo.” Isso não parava de se repetir em minha mente. Como assim? O avião estava caindo? Isso não poderia estar acontecendo. Ou talvez sim, poderia sim. O avião é uma máquina. Assim como as pessoas, ele comete erros. Ele falha, ele decepciona. Ele é capaz de provocar a morte, é capaz de transportar felicidade.

Mas eu não queria e não deixaria que o avião acabasse com a minha alegria. Não deixaria que ele levasse Gus. Que retirasse ele dos meus braços. NÃO! Isso não, Gus ficaria comigo para sempre! O nosso “okay” era uma promessa disso, eu faria tudo para salva-lo. Já que as chances dele viver, e eu partir eram bem mais prováveis.

Se um de nós partisse, o outro iria também. Pelo menos se ele partisse, eu partiria junto. Afinal foi isso que pensei a viagem inteira. Sobre nosso fim e a maneira que queria que acontecesse.

Talvez, essa era a única oportunidade de partirmos juntos, na mesma hora e no mesmo local. Mas talvez, ainda tínhamos como sair dessa juntos. E com vida.

Gus me pegou pela mão, me encaminhou até o banheiro, junto com ele. Mal conseguia andar, pelo fato do avião estar em declive.

Ainda tinha esperanças que nos salvaríamos dessa. Mas minha esperança foi cortada pela raiz quando o piloto anunciou no serviço de som:

“Queria me desculpar por ser responsável pela morte de 223 pessoas. Queria dizer, que não tem como reverter o caso. O avião irá cair em torno de 64 segundos. Tentamos fazer de tudo, mas não conseguimos nada. Não há mais esperanças, só nos resta esperar que o oceano nos engula. Me desculpem.”

Augustus Waters pegou firme minha mão, entrou comigo juntamente na cabine do banheiro, direcionou o olhar azul em mim, levou levemente sua cabeça em direção a minha, abriu devagar os seus lábios, eu abri os meus também e nos beijamos. Provavelmente o nosso último beijo.

Em meio ao beijo, sussurramos o nosso “okay? Okay.” Falei “eu te amo” e nos declaramos, nos nossos últimos momentos de vida.

Nunca imaginei que morreria com o meu chão-sim, Augustus Waters era meu chão-. Jamais imaginei que passaria com ele, bem de perto os meus literalmente últimos 64 segundos de vida.

Quando paramos de nos beijar, Augustus sorriu e disse pra mim:

-Hazel Grace, tantos momentos bons passei ao teu lado. Tantos choros, risos, jogos de videogame e tantas aventuras. Tu foste sem dúvida, o melhor presente, a melhor pessoa, a melhor coisa que entrou na minha vida. Sou muito grato por tê-la comigo. Desculpe-me, pelos meus momentos de crise ou de imperfeições. Desculpe se te feri, desculpe se te machuquei. Minha intenção nunca foi lhe fazer mal. Quero só lhe agradecer, por ter se tornado eternamente em minha memória, em meu coração e em minha vida. Eu te amo Hazel Grace! E ainda sou tão grato, de morrer com a melhor pessoa do mundo, a pessoa que eu amo tanto! Sou tão grato por você Hazel Grace, sou muito grato. Eu te amo Hazel Grace!

Ao ouvir aquilo, simplesmente chorei compulsivamente.

Quando fui respondê-lo, senti o avião chocando-se contra a água. Senti meus órgãos se espremendo, meu sangue virando-se, minha cabeça ficando embaçada e meu corpo desligando-se aos poucos.

Era a morte. Ela havia chegado. Agora era pra valer. Havia chegado a minha vez, de partir. Mas teria a honra de partir com o meu Augustus Waters.

Antes que a morte me dominasse, só consegui dizer isto a ele:

-Eu te amo mais que tudo Augustus Waters. Tu foste o meu ânimo de vida, as minhas novas energias e meu novo reforço. Obrigada por simplesmente ter me feito tão bem. Saiba que estaremos juntos além dos limites impostos. Okay?

-Okay.

Fiquei chateada por poder falar tão pouco a Augustus Waters. Mas fiquei lisonjeada de partir ao lado de quem nunca partiu meu coração, de quem nunca me magoou, de quem nunca sabia reconhecer quão inteligente era.

Tudo ficou preto, era a morte. Ela havia chegado. Senti tudo simplesmente se desconectando da fonte. Da grande fonte que era meu cérebro e meu coração...”

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.